Morto na noite dessa terça-feira, o jornalista e escritor Lourenço Diaféria foi dos maiores cronistas da cidade de São Paulo. Nascido no Brás e vivido na metrópole, Diaféria lançou recentemente o livro Mesmo a noite sem luar tem lua no qual inclui texto que lhe causou enorme transtorno durante o regime militar.
Em 77, o olhar do cronista encontrou no ato de coragem de um sargento, em Brasília, motivo para sua história do dia. O militar havia saltado para dentro de um poço de ariranhas para salvar um garoto. O menino sobreviveu, o sargento, não. Diaféria escreveu prefiro esse sargento herói ao Duque de Caxias. O Duque de Caxias é um homem a cavalo reduzido a uma estátua… O povo urina nos heróis de pedestal.
No entanto, o cronista preferia ser lembrado por outros feitos: sua vida no Brás, por exemplo. A seguir você acompanha um trecho do documentário Brás: Sotaques e Desmemorias, realizado pela prefeitura de São Paulo, em homenagem a Lourença Diaféria.
O documentário completo você acompanha no You Tube
“e-mail”:franclever@ig.com.br
Interessante: ontem, ouvindo a notícia do L.Diaféria, lembrei-me de uma sua crônica q havia guardado, datada em 10/set/1977, a qual procurei, achei e reli; destaco o seguinte parágrafo:
“…não fosse eu estar de antena ligada e sintonizado naquilo que acontece um pouco acima do rés do chão, certamente vcs demorariam para descobrir q agora é época de irerê, e q eles estão chegando em bandos. – Levem seus filhos para vê-los ….. e digam-lhes q o irerê é uma criatura acima de nosso entendimento rasteiro, e é o símbolo da nossa liberdade e a garantia de q mesmo na madrugada mais turva existem criaturas q se alçam.
Em suma, enquanto houver irerês, a gente sempre dá um jeito de arranjar uma bonita notícia para vocês.”