“Vandalismo cultural” apaga grafite do Minhocão


Foto publicada em Cesar Giobbi

Atirou no que viu e errou no que não viu. Modifico o dito popular para descrever o que ocorreu no CBN São Paulo na sexta-feira a partir de mensagem enviada por um dos colaboradores do blog, o estudante de jornalismo Marcos Paulo Dias. Em uma das muitas informações que encaminha ao programa, ele reclamou que grafites haviam sido apagados pela prefeitura de São Paulo, conforme constatou ao passar pelo Minhocão, no centro de São Paulo. Não demorou muito para recebermos a resposta do secretário municipal das Subprefeituras, Andrea Matarazzo:

“Em relação à reclamação do ouvinte Marcos Paulo Dias, esclareço que a Prefeitura não “resolveu apagar os grafites da cidade”. No caso da obra do Minhocão – imagino que o ouvinte se refira à da Rua Assembléia, no acesso à ligação Leste-Oeste -, conforme explicado à época, ela foi apagada por equívoco pela empresa terceirizada que realiza serviço de pintura nos muros da região. O prefeito Kassab já havia se reunido com os artistas, e eu me reuni nesta semana com eles, e colocamos o espaço à disposição para que o grafite seja refeito, o que deve acontecer até o final do ano”.

O fato é que o “apagão” citado pelo ouvinte-internauta é em outro ponto do Minhocão. Em pesquisa que fez na internet, descobriu que a Associação Brasileira de Críticos de Arte já havia reclamado da prefeitura pela pintura feita sobre os trabalhos de autoria dos artistas Maurício Nogueira Lima, Flávio Motta e Sônia von Brusky.

A carta assinada pela presidente da associação, Elvira VErnaschi, reproduzida em parte no blog de César Giobbi, diz que “a escolha de dois dos artistas mencionados deu-se em concurso patrocinado em 1998 pelo Ministério da Cultura e a Fundação Nacional das Artes, do qual participaram 18 conhecidos pintores paulistanos, e se deveu a um júri integrado por membros da Associação Brasileira de Críticos de Arte sob a presidência da associada Radha Abramo – autora também de livro sobre o assunto, publicado naquele mesmo ano pela Funarte”.

Elvira chama a atitude, provavelmente provocada pela falta de comunicação entre diferentes setores da prefeitura, de “ato de vandalismo cultural”.

2 comentários sobre ““Vandalismo cultural” apaga grafite do Minhocão

  1. Mas que absurdo, apagar algo assim, por engano…ainda mais de algo que teve concurso para escolher o artista que grafitou. Que falta de comunicação é essa entre a prefeitura e essa empresa terceirizada? Não deve ser só com essa empresa que a prefeitura deve ter falta de comunicação…vergonhoso isso.Espero que esse fato faça com que não ocorra mais falhas desse tipo(incluindo outros setores também terceirizados).

  2. sinceramente, nunca consegui interpretar grafites, e conheço muita gente que também não. Sem querer ser preconceituoso (ja sendo do ponto de vista daqueles que comtemplam a repulsa como forma de defesa do seu próprio discurso), a pergunta é: Por que o paredão não pode ficar com uma cor só?

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