Sem carro: fale sobre isso !

Deixar o carro é das tarefas mais complicadas para o cidadão dos grandes centros urbanos. São necessários poucos passos e nenhum esforço para embarcar naquela nave que nos aguarda na garagem. Sair em busca de um ônibus, seguir em direção ao metrô ou cavalgar sobre a bicicleta é desconfortável na maioria das vezes. Combinar carona com os vizinhos ou colegas de trabalho é constrangedor, sem contar a dependência que criamos devido ao horário dos demais e o trajeto a ser percorrido.

Convenhamos, fomos feitos para andar sobre quatro rodas, apesar de termos sido criados com duas pernas. Há quem diga que eram quatro pernas logo no início e talvez esteja aí a explicação para darmos preferência ao automóvel. Fomos buscar aquilo que a evolução da espécie nos arrancou. E por evoluir que cada vez compramos carros maiores, mais potentes, mais altos e mais velozes. São mais gastadores e poluentes, também, mas isto vem como acessório.

Por isso, muitos dirão que a edição 2008 do Dia Mundial Sem Carro é uma bobagem e bastará verificar os índices de congestionamento logo pela manhã para sabermos que a adesão foi mínima. E sempre será, pelo menos enquanto a cultura do automóvel persistir nas cidades. E o poder público insistir em políticas que privilegiam o transporte individual.

Os incentivadores do evento realizado em boa parte do mundo não se imaginam capazes de tirar o ser humano de dentro do carro, mas levá-lo a refletir sobre esta relação. Por isso, o 22 de setembro – não por acaso, data que marca o início da primavera – é importantíssimo para o crescimento sustentável das cidades. As organizações sociais se mobilizam para debater o tema, como fará nesta segunda-feira o Movimento Nossa São Paulo, e os meios de comunicação se enchem de reportagens sobre o assunto.

Aproveite esta enxurrada de informações que você receberá nesta segunda-feira sobre as vantagens de se restringir a circulação de carros, os investimentos possíveis para a ampliação do transporte coletivo e as perdas impostas a qualidade de vida de cada um de nós que vivemos dentro deste sistema caótico de mobilidade urbana. Use-as na conversa do escritório, no bate-papo durante o almoço, na sala de aula ou no intervalo. Mesmo que você não esteja convencido de que deixar o carro em casa é uma boa, talvez seus colegas sejam contaminados por esta discussão.

Um dos recados mais legais que recebi logo após o Dia Mundial Sem Carro do ano passado foi da jornalista Mara Luquet, do Valor e comentarista da CBN, que após ouvir uma série de reportagens e debates no CBN SP perguntou a si mesma: “Por quê eu vou de carro ao trabalho ?”. Descobriu que havia ônibus à disposição no trajeto da casa dela e da redação do Valor e que o movimento de passageiros no horário da viagem não era excessivo. Além disso, aproveitava o tempo de deslocamento para ler, coisa que no carro se tornava impossível.

Já soube que Mara Luquet, hoje, alterna entre o carro e o ônibus, mas só o fato de o transporte coletivo ter sido incluído na agenda dela já é uma vitória para quem ainda acredita na mudança de hábito do cidadão.

5 comentários sobre “Sem carro: fale sobre isso !

  1. Cada um deve estar ciente das suas reais necessidades, se deve ou não ir trabalhar, até algum lugar com seu carro.
    Felizmente eu consegui planejar a minha vida profissional, familiar, lazer, etc e assim não preciso mais usar um automovel seja lá para o que for.
    Resultado:
    Em um ano sem carro fiz as contas e fiquei espantado quanto custa um carro por mês!
    Com o que deixei de gastar com um carro, todos sabem disto, passei aproveitar “o meu rico dinheirinho” em coisas que realmente me proporcionam prazer, lazer, diversão, agilidade entre outras.
    Abraços
    Boa semana

  2. O objetivo do Dia Mundial Sem Carro não é “ter um dia com menos carros na rua”, como sonham os dependentes do automóvel, mas sim mostrar que existem alternativas ao transporte individual motorizado e que, com um pouquinho de boa vontade, é possível passar um dia pelo menos no ano seu usar o carro.

    Alguém da CBN aderiu ao Dia? Ou a dependência do automóvel foi mais forte em todos do staff que utilizam o carro diariamente? 🙂

  3. Importante o dia não só para deixar o carro em casa, mas a consciência de que isso pode fazer diferença. Outras atitudes são tomadas e a corrente do bem se transfere. Basta divulgar.
    A propósito, ouvi no Jornal da CBN, primeira edição, recebido com música clássica e tudo, exatamente o humilde “escriba” do Blog. Segundo o Professor, de bike com cestinha na frente, diretamente da zona sul.

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