Sustentabilidade: “Interdependência ou morte”

Por Carlos Magno Gibrail

De D.João V a Oded Grajew, de Ray Anderson a Ricardo Guimarães (autor da frase acima), de Al Gore a Jens Stoltenberg, criatividade às ameaças é o que não falta.

A Sustentabilidade acompanha permanente e indefinidamente a todos. É da alçada de dirigentes e dirigidos independentemente de dimensões, poder e hierarquia.

Do levantar da cama até a volta para dormir estaremos diante de ações que podem ajudar ou piorar o relacionamento com a natureza ou com outras pessoas. Se usufruirmos e não devolvermos, não sustentaremos o planeta para as futuras gerações ou as nossas relações pessoais.

Em 1728 ficou pronta a obra que D.João V mandou construir com a preocupação da conservação dos 4 mi livros em pergaminho: a Biblioteca Joanina, na Universidade de Coimbra. Até hoje todas as obras estão impecáveis, graças as paredes de 2,11 m , as madeiras que absorvem a humidade e, principalmente, a colônia de morcegos incumbida de exterminar traças e baratas. O trabalho adicional consiste em forrar piso e estantes com um tapete de couro à noite e retirá-lo na manhã seguinte. Similar ao que fazem os ingleses em Wimbledon.

Ray Anderson da Interface Flor não vende mais carpetes, presta serviços de forração de pisos. Substitui quando desgastado, reciclando com parte do mesmo material e estima que, até 2020, não mais extrairá elementos da natureza pois fechará o ciclo com impacto zero ao meio ambiente.

Paulo Itacarambi ressalta que com isso a matriz de produção não entrará em colapso, como é comum quando o ritmo é só de crescimento. Extrair, produzir, descartar. Efetivando a obsolescência programada ou percebida.

Casas Bahia e Brastemp estão com a logística reversa, isto é, na entrega dos móveis retornam no mesmo veículo para o depósito onde são separados, plástico, isopor, papelão e o sofá velho, que é desmontado e as partes doadas para quem as aproveita. O mesmo acontece com os eletrodomésticos nas compras pela Internet.

A Companhia Industrial de Vidros do Nordeste, tem a operação “Papa Vidro” para recolher garrafas que serão reutilizadas.

O Instituto Ethos , fundado por Grajew , com 1357 empresas associadas, correspondendo a 35% do PIB nacional, propõe a Responsabilidade Social Empresarial e está á disposição.

Em pesquisa de 2007, o Instituto Akatu, entidade destinada a orientação e apoio do consumidor nas questões de RSE, detectou que existe uma visível distância entre as aspirações e a realidade na relação dos consumidores com as empresas e suas responsabilidades sócio-ambientais. Isto, entretanto não se reflete em ações concretas por parte dos consumidores no momento da compra.

O Movimento Nossa São Paulo cobra, antecipadamente, dos candidatos à Prefeitura e à Câmara, o compromisso com a responsabilidade social. A partir desta gestão , teremos indicadores a cada 6 meses , tais como número de alunos por sala, evasão escolar, acidentes de trânsito, índice de congestionamento, etc

Jens Stoltenberg, da Noruega, recém materializou o Fundo Amazônia com US$ 20 milhões para por em seguida mais US$ 120 milhões, de acordo com a taxa de desmatamento. Previsão de US$ 1 bilhão até 2015 na conta de 2006, quando menos 5.500 km2 do limite de 19.500 km2 de desmatamento foram atingidos.

No Brasil, já são mais de 5 milhões de hectares de florestas certificadas pelo selo internacional FSC. Atualmente, 207 empresas possuem a certificação para a cadeia de produção e comercialização dos artigos de madeira (cadeia de custódia).

O FSC emite dois tipos de selo para os produtos, um que atesta que o material é 100% certificado, e outro, chamado selo misto, que garante que no mínimo 70% do material utilizado na fabricação tem o certificado.
Fundador da ONG Amigos da Terra, o ambientalista Roberto Smeraldi, convenceu os bancos a só liberar financiamentos a companhias que têm responsabilidade ambiental.
Se a Rosana Jatobá fica no máximo 15 minutos no banho, com toda aquela “extensão territorial”, é hora de repensarmos o nosso chuveiro.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e, toda quarta-feira, escreve textos sustentáveis aqui no blog. Não declara no Imposto de Renda Social o tempo que fica no banho, mas se esforça para mudar hábitos.

20 comentários sobre “Sustentabilidade: “Interdependência ou morte”

  1. o conceito ‘sustentabilidade’ vai além deste termo banalizado por alguns. É muito mais que um simples conceito de ‘desenvolvimento sustentável’. É na verdade o sentido da vida humana em sua dimensão pessoal e coletiva, a busca pelo princípio de todas as coisas de maneira afetuosa, e não banal; se bem entendi. E avaliar isso tudo sobre os os desdobramentos da ciência socio/econômica que isso significa.

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  2. Parabéns Junior Produtor, é isso mesmo.
    O que se propõem é uma abordagem sistêmica não apenas mecanicista, mas biológica, de forma que todo o processo, quer relativo a produtos quer relativo a seres humanos , na sua interface com o meio ambiente seja feito de forma a retirar e repor.
    É essencialmente a busca pela melhor qualidade de vida em todos os seus aspectos.
    Tanto é que a área de Recursos Humanos é uma das principais metas da SUSTENTABILIDADE.
    Vale a pena circular pela internet nos sites das entidades citadas e também nos do Instituto Tavistock.

  3. E como o capital move os interesses do mundo globalizado, o protocolo de Kyoto inseriu um importante ïncentivo”: os créditos de carbono. Se pelo bom senso os cidadãos, políticos e empresários não se mobilizaram como deveriam, agora terão ótima oportunidade para tal ($$$). Melhor ainda se os EUA assinarem o protocolo.

  4. SÃO PAULO — CIDADE METROPOLITANA – Um pacto pela sustentabilidade e desenvolvimento

    O Movimento Defenda São Paulo, com tradição na luta pela promoção de políticas públicas para o justo ordenamento urbano e na defesa do meio ambiente, vem afirmar que para alcançar a almejada sustentabilidade e o desenvolvimento da Cidade de São Paulo é urgente a mudança das práticas administrativas. Nesta cidade, o Plano Diretor Estratégico, os Planos Regionais e a legislação de Uso e Ocupação do Solo são políticas urbanas que necessariamente devem ser rediscutidas e reelaboradas sobre a plataforma ambiental, considerando os indicadores ambientais e sociais de sustentabilidade urbana e de saúde humana, invertendo a lógica de alguns setores econômicos que insistem em pautar as ações governamentais sem avaliar as conseqüências futuras, na contra-mão.

  5. André, é um caminho que nem os egoistas irão negar apoio.Com relação á Amazonia tudo indica que agora estamos entrando numa via segura, pois para receber contribuição não haverá necessidade de intromissão exterior. A doação será feita em função da redução obtida dos 19500km2 de desmatamento estabelecidos em 2006. Ou seja , em cima de dados já obtidos. A discussão agora será se a doação corresponderá a créditos de CO2.

  6. Agora a palavra da moda é a sustentabilidade.
    Em quase tudo ela é aplicada
    Porém, o que faltou durante estes anos todos em que cidades, regiões, países, empresas, etc, foi consciência e vontade política.
    Temos um código de obras, leis do uso e do ocupação do solo obsoletos, para complicar mais ainda temos o termo, lei e “facilidades” como por exemplo:
    “Utiliza outorga onerosa para ampliação do potencial construtivo”. e sendo assim as incorpradoras “podem” construir predios cada vez mais altos, em terrenos cada vez menores, degradando quarteirões, ruas, avenidas, o meio ambiente,contribuindo para entupir mais ainda as nossas ruas de automoveis.

    Abraços

  7. Lucila Lacreta, Diretora do MOVIMENTO DEFENDA SÃO PAULO,
    Concordo absolutamente em tudo que você expôs. Não podemos esmorecer porque parece que o pessoal pressiona crescentemente para a intensificação de obras sem nenhuma preocupação com o meio ambiente.
    Começamos também a ver algumas propostas para acabar com zonas estritamente residenciaias, a título de resolver os problemas de transito.
    Inclusive o candidato Geraldo ALCKMIN em entrevista recente além de declarar-se contra as áreas residenciais exclusivas ainda taxou de atrasados e antiquados quem as defenda.
    Como sabemos estas zonas hoje são oásis de ar menos poluido e de temperaturas mais baixas. Na hora em que se permitir o comércio iniciar-se-á um processo de mais carros e mais poluição.

    Obrigado por sua contribuição

    Abraço

  8. Armando Italo,estamos caminhando mas ainda não temos a cultura do meio ambiente extendida por boa parte da população.
    Veja que no texto, o Instituto AKATU relata que os consumidores se interessam pelos aspectos de RSE responsabilidade socio ambiental empresarial, mas na hora da compra não agem de acordo com a informação da responsabilidade socio amiental.
    Precisamos evoluir mais na direção da cultura ambiental

  9. pelo ‘amor’ e não pela ‘dor’: o problema é justamente o ‘incentivismo’ incorporado a cultura capitalista, de modo que o sujeito só vai optar pelo mais coerênte e ecologicamente correto só quando puder obter outra vantagem. Quando que, de maneira afetuosa e sem pretenção, o efeito por si só ja produz lucros.

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  10. Junior Produtor, estamos agora na Psicologia e dentro desta área posso arriscar a afirmar que vivemos um mundo comportamentalista. Quer dizer que desde a avaliação escolar até os diplomas e demais incentivos pertencem a esta abordagem.
    O contra ponto seria o cognitivsmo, que pede sempre a razão e o conhecimento internalizado como estímulo natural e não material.
    Sem os exageros de SKINNER (vide Walden II) o nosso mundo está mais para o comportamentalismo do que para o cognitivismo.
    Depois de ser criado num sistema de estímulo – resposta, o adulto tende mais para o receber para dar.

  11. Carlos,

    ah, então pensando como skinner, ainda que sem exageros, a sustentabilidade que faz relação com o cognitivsmo ja passa a ser (se ja não era) uma utopia. Que teremos de aprender a olhar para outro mundo, e que projetamos na natureza o desejo de continuarmos participando dela e que ela seja o nosso verdadeiro ideal. Mas no fundo, o que desejamos é ser iguais. E que só o que nos move é o mimetismo humano, é evidente que acabamos sempre em busca do paraíso perdido, literalmente perdido…

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  12. Junior Produtor,é uma fotografia do momento a sua colocação. Espero que no futuro consigamos progressos. Podemos ter mais Instituros como os citados, veja que o MOVIMENTO DEFENDA SAO PAULO não tinha sido incluido nas citações mas em seguida se manifestou.Aliás não me referi ao Defenda São Paulo no texto porque a ONG que sou Presidente e um dos fundadores é associada ao MDSP.Do qual evidente, sou grande admirador.
    Ainda , quanto ao futuro, se houver progresso da SUSTENTABILIDADE , no que acredito que haverá , o meu ramo de atividade que é a MODA provávelmente será de alguma maneira afetado, A MODA apresenta o obsoletismo programado e percebido. As chances de ser afetada não são pequenas, numa evolução da SUSTENTABILIDADE.

  13. então isso que se discute não é sustentabilidade. Permanece, sendo uma palavra vã, que usamos a esmo, sem pensar no conteúdo que ela carrega. Considerada algo anacrônico, esquisito, coisa para desocupados, ou algo inútil e cafona. A sustentabilidade só vai aparecer se a pergunta ‘o que devo fazer?’ for respondida levando em conta o sentido de toda ação em relação a outro. E num tempo em que tudo vira mercadoria, terá sido a sustentabilidade também apropriada pelo mercado? Dessa vez com o nome ‘desenvolvimento sustentável’? Bom..o assunto é longo eu falo demais vou ficando por aqui. Mas, de qualquer forma, parabéns pelo debate! de verdade !!!

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  14. Junior Produtor,a questão das palavras é sempre para mim um desafio que vale a pena. Primeiro porque é bom saber o que significam etimologicamente , depois como a estão usando. Claro, isso no caso dos letrados, pois há usos indevidos.
    A nossa pauta da SUSTENTABILIDADE evidencia a questão porque a palavra é nova, forte e o significado implicito e explicito é deduzivel.
    Concordo quando diz que estão usando indevidamente, quer consciente quer inconscientemente.
    O que sempre acontece com as novas palavras.
    Você me enseja a passar da Psicologia para a Economia para usar o momento em que o capitalismo mais acentuado, que é o liberalismo está vivenciando.
    Quando tomamos conhecimento que economistas capitalistas liberais são obrigados a tomar medidas controladoras, podemos deduzir que as verdades normalmente estão no meio termo ou hora de um lado , ora do outro lado.
    Se a questão central é o que ficará para o futuro temos a lição de DARWIN :

  15. DARWIN : “SOBREVIVERAM OS SERES QUE CONSEGUIRAM SE ADAPTAR ÁS MUDANÇAS E NÃO FORAM NEM OS MAIS FORTES E NEM OS MAIORES
    E, não tenho dúvida que isto continua valendo, para pessoas,animais, demais seres vivos e empresas.
    Viu a notícia do DINOSSAURO em Minas?

  16. Junior Produtor,veja o que a INFOPÉDIA escreve sobre a palavra SUSTENTABILIDADE : qualidade do que é sustentável.
    SUSTENTÁVEL : que se pode sustentar,depender ou seguir. Do latim sustentabile
    Wikipedia : SUSTENTABILIDADE é um conceito sistêmico relacionado com os aspectos econômicos,sociais,culturais e ambientais da sociedade humana.
    Para ser SUSTENTÁVEL é preciso ser ECOLOGICAMENTE correto,ECONÔMICAMENTE viável,SOCIALMENTE justo,CULTURALMENTE aceito.

  17. Junior Produtor,não há possibilidade pois o homem, justamente o ser mais inteligente deste planeta, é o único animal que precisa de aprendizado. Para tudo, inclusive para andar.Um pouco de análise e chegamos a pensar : o cachorro nasce e anda, o cavalo idem, até o pato que é um curioso animal, pois sabe tudo e faz tudo mal, anda mal,nada mal,voa mal, por isso é “pato” .
    Os humanos além de aprendizado para andar, tem uma enorme sequencia de treinamento, paladar,audição,comportamento,erudição,cultura, etc.

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