Horário eleitoral: ruim o que se vê, pior o que não se vê

Assistir à campanha dos vereadores no rádio e na TV pode revelar situações constrangedoras, mas nada que se assemelhe com aquilo que nós não vemos. Os critérios para decidir a participação no espaço reservado aos que buscam vaga na Câmara são, geralmente, anti-democráticos, pouco transparentes e, muitas vezes, influenciados pelo poder econômico.

Em alguns pequenos partidos, por exemplo, o espaço é loteado para aqueles que compram o direito de explorar a legenda e conseguem financiar a gravação do programa de TV – dos produtos mais caros em uma campanha. Ou que outro motivo haveria para tal candidato aparecer muito mais do que todos os demais ? Tá bom, quando o cidadão é bastante conhecido é visto como puxador de votos e, além de ter mais possibilidades de se eleger, ainda pode levar alguém da legenda de carona para a Câmara. Foi o que ocorreu, por exemplo, com o deputado federal Clodovil, há dois anos. Não nega, porém, a afirmação inicial de que este também é o único capaz de bancar a campanha na televisão.

Partidos grandes, como o PSDB, DEM e PT, impõem aos candidatos um discurso e quem não seguir o roteiro fica fora do ar. Houve tucanos que faziam parte do governo Kassab que tiveram de falar contra a área que atuaram. Outros ficaram de fora, mas por um motivo razoável: fazem campanha contra o candidato a prefeito.

Em outros partidos, o cacique toma o tempo reservado aos demais candidatos. Foi assim no Prona que consagrou o nome do falecido Enéas Carneiro e conseguiu criar outros “Eneazinhos” nos legislativos estadual e municipal.

No PV, neste momento, alguns militantes se dizem constrangidos com o monopólio de José Luiz Penna no horário eleitoral destinado aos candidatos a vereador. Apesar de o partido ter 83 concorrentes à vaga na Câmara Municipal, apenas o presidente do PV paulista, o candidato Penna, é quem aparece na campanha.

Voto Consciente alerta para baixo nível dos candidatos

Chama atenção, também, a profusão de candidatos desqualificados que transformam o horário eleitoral em um programa cômico de deixar o eleitor de mau humor. “É impressionante como os partidos políticos não aprendem a selecionar melhor seus candidatos. O povo tem a impressão de que ali estão pessoas que encerraram suas carreiras artísticas, esportivas, ou mesmo quem já se deu por fracassado profissionalmente e resolveu tentar uma carreira política para ver se dá jeito na vida pessoal”, diz Sônia Barboza, coordenadora do Movimento Voto Consciente na Câmara Municipal de São Paulo.

Sônia chama atenção para a falta de propostas consistentes. “Se nem o candidato a vereador sabe o que tem a propor para melhorar São Paulo, como é que se candidata? E, pior, como é que o partido permite uma coisa dessas? As propostas vazias são tantas, que blocos inteiros de vereadores repetem o mesmo discurso na TV, como se todos tivessem o mesmo propósito e a mesma capacidade para tocar adiante tais projetos”.

Nanicos começam a se definir na eleição

Pode apostar. A medida que se aproxima a data da eleição, os candidatos nanicos à prefeitura mostram a que vieram. E a quem prestam serviço. Ciro Moura, do PTC, assumiu o discurso crítico contra o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Já havia usado da mesma estratégia no início do mês quando fez ataques diretos a candidata do PT, Marta Suplicy. Outro que inclui os tucanos de maneira gratuita no discurso é Levi Fidelix.

A crítica de aluguel é prática comum no cenário político brasileiro e justifica, na maioria dos casos, a insistência de alguns candidatos em se apresentarem para a disputa em todas as eleições mesmo que não tenham nenhuma perspectiva de vitória. Um belo negócio.

2 comentários sobre “Horário eleitoral: ruim o que se vê, pior o que não se vê

  1. Sr. MILTOM JUNG FAVOR PERGUNTAR A Dra. ELIANA PASSARELLI SE É PERMITIDO NA PROPAGANDA ELEITORAL VIA RADIO O LOCUTOR FALAR A COLIGAÇÃO A QUE PERTENCE O CANDIDATO, DE MANEIRA TÃO RAPIDA QUE NÃO SE ENTENDE NADA ! ISTO É UM DESRESPEITO AO ELETOR POIS TEMOS DIREITO A ESSA INFORMAÇÃO ! OBRIGADO

  2. Caro, concordo plenamente com você. As coligações ao agirem assim se parecem com moleques que têm medo de contar a verdade para o pai e falam as coisas com os dentes cerrados para que ele não entenda muito bem o que foi dito.

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