Avalanche Tricolor: Meus craques de plástico


Esta imagem encontrei no blog Lack of Everthing, mas não achei o nome do autor

Inter 4 x 1 Grêmio

Brasileiro – Porto Alegre

A mesa de botão colocada em cima da cama era o campo de feitos heróicos do Grêmio, na época um time de plástico no formato “panelinha”. A esquadra tricolor – na realidade havia apenas o azul – era imbatível. Nem mesmo os maiores adversários eram capazes de superá-la. Quando a derrota parecia iminente, Loivo encontrava espaço para um chute de média distância que encobriria o goleiro. A virada viria no ataque seguinte e poderia sair dos pés – ou da palheta – de qualquer um dos craques que eu encontrasse em condições de bater na bolinha feita de botão de camisa. “A gol !” era a senha para avisar o oponente que lá vinha bucha. O goleiro era levemente deslocado, o suficiente para que surgisse espaço para a bola entrar.

Gol ! Gooooooooooooooooool !

O grito saía rasgando a garganta, desafinado, rouco, alto o suficiente para incomodar o resto da casa, apesar da porta do quarto fechada. Marcava mais uma conquista inesquecível do meu Grêmio. O adversário arrasado voltaria para dentro da caixinha de papelão, onde guardava todos os times de plástico que mantinha em casa.

Naquela época, conseguia realizar minhas fantasias esportivas sobre a mesa de madeira, com duas goleiras de ferro e rede de filó, e riscas de lápis para marcar a grande área, o círculo central, e as linhas laterais e de fundo. Era um tempo em que não me permitia a decepções. Como jogava botão contra mim mesmo, tinha certeza da festa final.

Lembrei-me dessa história após receber mensagem de um conterrâneo Ricardo Gothe que me assistiu no programa Loucos Por Futebol, da ESPN Brasil. Ele faz parte de uma turma que joga futebol de mesa no Grêmio, é federado e mantém o Blog Gothegol (www.gothegol.blogspon.com). Em competições internas já homenageou nomes históricos no estádio Olímpico, a começar por Eurico Lara. Em 2009, quer incluir Milton Ferretti Jung, meu pai, nesta lista. Merece, não tenho dúvida.

O jogo de botão na casa da Saldanha Marinho voltou a minha memória neste domingo, depois de assistir ao Gre-Nal. Aqueles jogadores dentro do campo não pareciam em nada com os heróis imbatíveis de meu time de plástico. Aquele jogo que observei pela televisão não se comparava com os embates que patrocinei. Daqui sou incapaz de manipular o resultado, deslocar o goleiro adversário com o dedo para Loivo chutar, e me obrigo a encarar o sentimento de tristeza que não existia no meu coração quando meu mundo se resumia a um gramado de madeira dentro do quarto de criança.

16 comentários sobre “Avalanche Tricolor: Meus craques de plástico

  1. Milton,
    Amanhã na 1ª parte do esporte fale alto e em bom tom que é o lider do campeonato brasileiro:
    “SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS”
    Termino aqui com o hit do Beira-Rio:
    – Um, dois, três, quatro! Um, dois, três, quatro!
    – Um, dois, três, quatro! Um, dois, três, quatro!
    – Um, dois, três, quatro! Um, dois, três, quatro!
    – Um, dois, três, quatro! Um, dois, três, quatro!
    Saldações Alviverdes

  2. INTER DESTRÓI O GRÊMIO NO GRE-NAL DO MILÊNIO: 4 a 1, COM SHOW DE D´ALESSANDRO
    Argentino acaba com o jogo no clássico mais importante das últimas décadas. Colorado cola na Libertadores e tira Tricolor da liderança!!!!

  3. Doces lembranças da infância aparecem em seu blog,caro Mílton,para disfarçar a tristeza e as dúvidas que teimam em surgir provocadas pelo resultado do Gre-Nal. Meu consolo é que,tal qual seu time de botões,o Grêmio é imortal.

  4. Prezado Milton,
    parafraseando suas palavras, “…assim como na fórmula 1, chegar é fácil, difícil é passar!”.
    O trôpego Alvi-Verde de Palestra Itália custou a chegar e, por um detalhe do regulamento (que pode até ser decisivo…), passou o Tricolor Gaúcho, que “caiu” de quatro nas linhas rubras adversárias.
    Não sei por quanto tempo durará essa liderança, visto que o meu Palmeiras alterna entre boas e más apresentações, mas, ainda usando palavras semelhantes às suas, “é muito bom ser líder!”, “não vejo ninguém à nossa frente!”
    O mais divertido é torcer, rir, brincar! Importante é a diversão sadia!
    Grande abraço!

  5. Quando meu time sofre derrotas como esta repasso aos contrários os grandes feitos que ninguém pode tirar. O Grêmio tem os seus e ninguém pode tirá-los.
    O time tem crédito com a torcida e crédito no compeonato. Mas…, é duro hein? Perder a liderança, o jogo, de goleada e para o Colorado!
    Deixa, ainda acho que o título é gaucho em 2008.

  6. Caro Milton, goleado e humilhado….já tinha passado da hora de acordar. Talvez o coro da torcida agora possa ser: “vooouu torcerrr oro greemio bebendo NINHO”.

  7. Maravilhoso dia MILTON.Entendo que tenha sido bom enquanto durou.Fazer a abertura do CBN enaltecendo o 1° lugar, apesar de ouvir os comentaristas de esporte da emissora alertá-lo que o Grêmio estava numa descendente,não importava muito, pois a tabela ainda apontava o teu Grêmio no topo, porém após cair de 4, para o arquirival Inter, e perder a liderança para o meu VERDÃO,não tem preço.Agora para sua tristeza meu todo poderoso VERDÃO não vê ninguém à frente e COM HUMILDADE E RESPEITO AOS DEMAIS ruma ao título do brasileiro.Nada de dor de cotovelo,agora somos nós.
    Abraço e nada de lágrimas,apenas o aplauso para o novo líder.
    Sobe o HINO ( QUANDO SURGE O ALVIVERDE….).
    Nb:na coletiva deu dó do técnico do Grêmio( por não ser um técnico de qualidade,perder de 4 e não saber o que tinha acontecido,foi um momento cruel para ele ).Espero o HINO ALVIVERDE hoja na abertura.
    Ubiratã

  8. Prezado Milton, hoje, infelizmente não pude ouvi-lo pela manhã, haja vista que tinha um compromisso inadiável. Mas fiquei curioso em saber qual seria a sua postura diante dos efeitos ocasionados pela derrota de ontem.
    Sou palestrino, confesso, e, por tudo, torci para o Inter.
    Lembro-me que, na segunda passada, voce assim afirmou no programa: “Encostar no Schumacher é fácil. Passar ele que é difícil” – equiparando o grêmio ao Michael Schumacher.
    Bem, num tom nada provocativo, digo-lhe que passamos. Foi apenas o bico do carro, mas passamos.
    Além disso, termos a batalha do palestra, no próximo dia 02/11/2008 – e nesta, eu irei, e levarei a placa “Passar o Schumacher é fácil. Difícil é segurar o Palestra”.
    Forte abraço.

  9. É MILTON, ACABOU A FESTA PARA O SEU TIME, A TENDÊNCIA É PIORAR, DAQUI A POUCO O PALMEIRAS PERDE PARA O TRICOLOR DO MORUMBI E AVANÇAMOS RUMO AO HEXA CAMPEONATO.

  10. As bibas do Jd. Leonor estão cheio de graça só pq ganharam daquele timinho azul-celeste g** das Minas Gerais…estaremos esperando vcs dia 19/09/08!!!
    SAUDAÇÕES ALVIVERDES

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