A Amazônia quem diria foi parar no Pari

Por Carlos Magno Gibrail

No Canindé, no Tatuapé, na Mooca, no Bexiga, no Jaçanã e, em toda São Paulo.

Se você mora em São Paulo e acha que não tem nada a ver com o desmatamento da floresta amazônica, está muito enganado, pois São Paulo é a grande consumidora de quase tudo que vem de lá.

A cidade paulistana recebe da Amazônia produtos legais e ilegais, e até mesmo fenômenos naturais.

Madeira, carne, soja e carvão, além de chuva. Mas muita chuva, 70% do que chove em São Paulo vem da região amazônica. O roteiro é simples, sai da floresta para o rumo oeste, bate na Cordilheira dos Andes e volta em direção a São Paulo.

Dos produtos, o rastreamento já foi iniciado e tem até Seminário agendado, para em dois dias expor os caminhos percorridos de toda a cadeia produtiva ilegal. Lojas de móveis, restaurantes, supermercados, é o ponto final desta via de distribuição. Perversidade à parte, quem sabe não se descobre alguns milagres de preços baixos.

Para Oded Grajew “exibir os dados levantados para obter politicamente o apoio dos setores envolvidos é o objetivo do Movimento Nossa São Paulo e do Fórum Amazônia Sustentável, responsáveis pelo evento Conexões Sustentáveis São Paulo – Amazônia”.

Governador e Prefeito há um ano marcaram presença em ação: “Estamos aqui para nos solidarizar ao Greenpeace e às entidades ambientalistas. A prefeitura e o Estado de São Paulo estão tomando medidas para barrar o consumo de madeira ilegal da Amazônia”, declarou Serra.

Nesta ocasião foram apresentados números da Operação Primavera, que apreendeu em nove estradas do Estado mais de 300 toneladas de madeira nativa que saiu ilegalmente da Amazônia. Uma operação nos depósitos de madeira da capital paulista apreendeu mais de 200 toneladas de madeira ilegal, rendendo R$ 300 mil em multas. De 16 depósitos verificados, 11 estavam totalmente irregulares.

Ainda assim, o problema continuou e Adriana Ramos, do ISA, adverte que São Paulo absorve 20% do consumo brasileiro de madeira do Amazonas. É por isso que a ultima parte do programa do Seminário evocará um Pacto com as empresas envolvidas e outro com os candidatos á Prefeitura de São Paulo.

Enquanto isso, em terras amazônicas e paulistanas uma coerência.

As imobiliárias e os madeireiros são os grandes doadores das respectivas campanhas políticas.
Ricardo Young alerta “Com a descentralização das autorizações de desmatamento aos Estados, entregamos o galinheiro ás raposas”.

Parece mesmo que o Sergio Leitão do Greenpeace é quem apresentará uma firme e definitiva solução, direcionada ao desmatamento zero.

Para Carlos Minc, as campanhas eleitorais são as principais responsáveis pelo aumento atual na área desmatada. Segundo ele, em época de eleição os políticos afrouxam a fiscalização para não perderem votos.

De acordo com os dados do INPE, calculados a partir de imagens de satélites, 756,7 km² quilômetros quadrados de floresta foram destruídos em agosto – área equivalente à mais da metade da cidade de São Paulo. Em julho, o instituto registrou 323,9 km² de florestas derrubadas.
O governo do Pará, responsável pela maior fatia desta derrubada contrapõem, alegando questão fundiária e nuvens cobrindo a região no mês anterior.

O ministro precisa esclarecer ao INCRA, que está protestando pelos seis primeiros lugares no desmatamento e marcar presença no Seminário São Paulo – Amazônia, que sua assessoria já tinha descartado.

Enquanto isso, terça-feira, 23 de setembro de 2008, segundo a Global Footprint Network, foi “o dia da ultrapassagem do limite global”. Ou seja, entre os dias 1º de janeiro e 23 de setembro, a humanidade consumiu todos os recursos que a natureza pode produzir em um ano. A partir de 24 de setembro, e até o final do ano, a humanidade passou a viver, “sacando a descoberto”, para ficar na terminologia dos dias atuais.

Desde 1986, a vimos esgotando os recursos teoricamente produzidos em um ano sempre mais cedo. Em 1996, o consumo ultrapassava 15% da capacidade de produção do meio natural, e o “dia da ultrapassagem” caía em novembro. Em 2007, a ultrapassagem ocorreu em 6 de outubro.

Cabe a nós a decisão de reverter ou não esta situação.

Vídeo “Amazônia à venda” que roda na internet

Este vídeo faz parte de jogo do Guaraná Antártica

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve artigos no blog toda quarta-feira e tem certeza de que, apesar de ter nascido em Parati, tem um pezinho na Amazônia. Ele, eu, você, todos nós.

14 comentários sobre “A Amazônia quem diria foi parar no Pari

  1. Essa empresa Arkhos que é de um jogo acho que do guaraná Antarctica realmente conseguiu fazer um vilão que faz todo mundo ter raiva dele, no caso a Arkhos hahaha

  2. Cesar,a primeira vez que se assiste, a sensação que se tem é de raiva, revolta etc
    Depois, refletindo, é melhor nos cuidarmos pois mesmo sem a ameaça de tomada da floresta, podemos perdê-la antes.
    Assisti a uma projeção no Instituto ETHOS, na coletiva de imprensa, exposto pela Adriana do ISA, que mostra a área devastada. A sensação é de chorar e se animar para lutar em defesa da Amazonia.
    O Ricardo Young do ETHOS diz que um dos problemas é que os nativos da região acham que a unica forma de subsistência é da extração.
    Um dado incrível é que a extração da borracha, que é positiva, pois mantêm a sustentabilidade , não está tão desenvolvida quanto se poderia e deveria.
    Segundo Ricardo Young, São Paulo produz mais que a Amazonia.

  3. César: Dados corretos, análise intrigante e discurso convincente fizeram deste jogo promovido pelo Guarana Antárctica motivo de debate no Congresso Nacional. O senador Arthur Virgílio, do PSDB, foi a tribuna e defenestrou a Arkhos, empresa fictícia. Para quem quiser entender melhor a “brincadeira” da Antártica pode entrar no site http://www.zonaincerta.com/comece. A jogada da Antárctica jogou luz sobre uma situação que o País pode gerar caso não atue com responsabilidade em relação a Amazônia. E pelo o que nos conta Carlos Magno Gibrail no texto desta quarta-feira e nos disse Oded Grajew na CBN nossos hábitos urbanos estão por trás da degradação da região.

  4. Fiscalização é o nome do jogo. E se não há fiscais suficientes para a Amazônia, porque não fiscalizar fortemente as lojas de móveis e marceneiros nas metrópoles??? Isso já diminuiria e muito esse desmatamento assombroso.

  5. André, é isso mesmo.
    Se as fronteiras estaduais são muitas, há que fiscalizar o ponto de venda.
    Entretanto acredito que o processo foi longe demais e talvez o GREENPEACE tenha razão, desmatamento ZERO.

  6. Esse tema além de extenso, na minha opinião é extremamente polêmico.
    Porém tem e deve ser debatido, discutido com mais veemencia.
    Amazônia, extração de madeira legal e ilegal, gemas, minerios, etc.
    Realmente por incrível que nos possa parecer São Paulo mesmo não tendo mais por crescer ainda é o maior consumidor da amazonia.
    Mas não podemos nos esquecer das multinacionais que levam para osa seus países tudo que pode e o que não pode.
    Isso acontece desde o império
    Quem teve oportunidade de ir para o velho continente pode comprovar.
    Não é de hoje!
    Existem muitas alternativas para substituir a madeira pura para fabricação de moveis, para utilização pelas construtoras que contribuem para devastar mais dio que ja foi devastado.
    Temos o aglomerado feito de eucalípto, o MDF, entre outras.
    TEmos tecnologia de sobra para o desenvolvimento de produtos alternativos, os chamados sustentáveis.
    Bom final de semana

  7. Armando a novidade é esta questão de São Paulo ser o maior consumidor de muitos produtos da região amazônica.
    Pelo que as duas entidades que programaram o Seminário estáo esperando, com certeza vamos ter progresso nesta luta.
    Hoje na CBN o Oded insistiu na busca de quem está levando vantagem nesta destruição. O tema nos ultimos dias, inclusive graças ao um certo afobamento do Ministro Carlos Minc, foi bastante comentado.
    A justificativa que ele deu para este possivel afogadilho foi a abertura dos dados, o que não justifica muito, pois antes é necessário checar informações tão graves como as do INCRA.
    O remédio momentâneo talvez seja a receita do Greenpeace.
    Podemos adaptar e colocar “CONSUMIDOR UNIDO JAMAIS SERÁ BATIDO”

  8. Concordo com “a campanha”
    CONSUMIDOR UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO.
    Porém
    Não sou contra o desenvolvimento nas cidades.
    Todos sabemos que a construção civil é um dos segmentos que mais emprega.
    O que deve e tem que ser repensado e reavaliado é o numero exagerado de predios que são construidos, cada vez mais altos.
    Imaginem os senhores o quanto de madeira bruta e nativa é utilizada em cada novo predio, nova obra?
    E não somente os predios que consomem madeira bruta nativa.
    Industrias de moveis conscientes, preocupadas com o meio ambiente e com a devastação de florestas, estão usando na fabricação de seus moveis e produtos materiais compostos como o MDF, aglomerado e outros.
    Algumas industrias investem em reflorestamento.
    Mas o que mais preocupa é a construção desenfreada de predios, grandes condominios, etc.
    Os nossos congressistas devem parar um pouco com picuinhas e começar pelo menos estudar estes aspectos.
    Vide incorporadoras.

  9. Prezado Armando,antes de entrar no assunto gostaria de registrar que apreciamos a fidelidade da sua presença em nosso BLOG DO MILTON JUNG.
    A questão da construção civil tem similar na problemática financeira que o mundo está vivenciando.
    A dicotomia liberdade total x controle central.
    Nenhuma destas posições levará a bons resultados.
    O papel do governo, no caso a Prefeitura, é de preservar de forma sustentável a cidade, mas o que temos visto muitas vezes é que seu objetivo maior ruma para o aumento da arrecadação.
    Neste ponto potencializa algo que não tem a ver com o interesse coletivo.

  10. “mas o que temos visto muitas vezes é que seu objetivo maior ruma para o aumento da arrecadação.
    Neste ponto potencializa algo que não tem a ver com o interesse coletivo.”
    Pois é meu carissimo Carlos.
    Se onde existem um terreno com uma casa abrigando uma famila com quatro pessoas, ai vem uma incorporadora compra o terreno, demole a casa e dai levanta um predio com 20 andares, quatro unidades por andar.
    Graças ao termo atualmente em moda cedido as incorporadoras que diz:
    “Utiliza outorga onerosa para ampliação do potencial construtivo”.
    Quer dizer:
    A incorporadora paga a mais para para prefeitura e assim “pode” construir predios cada vez mais altos com mais unidades onde antes “não era permido”
    E assim vamos consumindo madeira de lei, devastando, destruindo a natureza, degradando meio ambiente e por ai vai.
    Abraços

  11. Comentaristas: Amanhã, sexta-feira, o CBN SP vai entrevistar o ministro Carlos Minc sobre como fazer com que o paulistano não contribua com a devastação da Amazônia. Se tiverem perguntar ao ministro, envie pelo blog, por favor.

  12. Prezados Milton e Carlos Gibrail
    ” Prezado Armando,antes de entrar no assunto gostaria de registrar que apreciamos a fidelidade da sua presença em nosso BLOG DO MILTON JUNG.”
    Obrigado por suas amaveis e sinceras considerações.
    Aos poucos vou postando, isto é, quando a minha conexão UAI RELESS permite.
    Abraços

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