Como se escolhe um(a) candidato(a) a prefeito(a)no 2o turno

Como se escolhe um(a) candidato(a) a prefeito(a)no 2o turno

Por Maurício Xixo Piragino

Nestes vinte anos de Constituição cidadã, já aprendemos muito, mas, ainda temos que aprimorar mais a nossa democracia e seus instrumentos. As cidades médias e grandes têm o segundo turno das eleições exatamente para dar oportunidade ao eleitor escolher com mais confiança, além de estabelecer um governo municipal mais respaldado. As campanhas publicitárias na mídia vendem um produto: o(a) prefeito(a). Ficam longe da realidade, maquiam, exageram, falam meias verdades, escondem, criam verdades, esbarram na ética e, por fim, despolitizam o processo.
Então, quais são bons critérios para escolhermos um(a) prefeito(a)?

1- ser ético em todas suas ações públicas e particulares;
2- atue acima de tudo por justiça social, isto é, invista com eqüidade no cidadão (agindo mais para quem precisa mais e menos para quem precisa menos) e atue em todas as áreas da cidade sem privilégios aos que já possuem mais;
3- ambientalmente responsável;
4- tenha uma história política coerente e retire seu ego de cena e lembre sempre que ele é um empregado do povo;
5- defenda a coisa pública, isto é, seja republicano;
6- ‘desprivatize’ o Estado e enfrente os interesses particulares nas questões públicas,
7- respeite as leis aprovadas e faça-as cumprir, principalmente a lei orgânica e o plano diretor estratégico e, quando for revisá-lo faça-o de forma transparente e participativa;
8- que se comprometa e trabalhe com metas por distritos em todas as áreas e publique isto no início do governo(lei de metas), isto é, planejamento a curto médio e longo prazo transparente;
9- descentralize o poder, isto é, crie e/ou fortaleça subprefeituras e também descentralize todo o orçamento;
10- discuta os orçamentos (geral e por região) em audiências públicas regionais com a população;
11- na regionalização da cidade faça a população referendar os subprefeitos (e num futuro breve escolher diretamente);
12- crie os conselhos de representantes, cidadãos eleitos para gerir a região junto com o subprefeito;
13- governe com a população, isto é, facilite a participação direta de todos nos distritos e deixe-a decidir diretamente nas questões importantes através de plebiscitos;
14- fortaleça os conselhos municipais e use-os também para co-gestar a cidade;
15- tenha uma boa equipe técnica e política, pois ninguém governa o poder executivo sozinho, além de valorizar o servidor público;
16- estabeleça relação republicana, com os poderes legislativo e judiciário, respeitando a divisão dos poderes e não fazendo intercambio com cargos e interesses;
17- organize espaços (salas do cidadão) em vários locais e órgãos públicos, no qual qualquer pessoa possa ter quaisquer dados do município, com acesso fácil e disponível e gere transparência nas ações;
18- invista no “e-gov”, isto é, no governo eletrônico dando oportunidade para todos cidadãos participarem, resolverem questões, solicitarem serviços, terem informações e levantar dados do município de forma virtual;
19- atender com prioridade as pessoas com deficiência na questão da mobilidade urbana;
20- privilegie o transporte público e a mobilidade urbana geral (pedestres, ciclistas) sobre o transporte particular;
21- seja ideológico, isto é, mostre claramente seus princípios políticos porque eles refletem na forma de olhar e gerir a cidade;
22- facilite e respeite o controle social da sociedade civil organizada;
23- aja contra o nepotismo;
24- tenha a ficha limpa;
25- não deixe as conclusões de obras ou ações gerais para as vésperas da eleição, no caso de prefeitos que tentam a reeleição. Caso tenha sido ou é prefeito, é mais fácil para o eleitor, caso não, devemos observar o programa de governo apresentado na campanha e as ações na vida pública passada.

Critérios ruins: vida pessoal ou sexual do(a) candidato(a), antipatia ou simpatia do(a) candidato(a), interesse de classe e grupos(por exemplo, ‘voto porque protege os taxistas’), interesses locais e manutenção de privilégios (por exemplo,’vai fazer no centro uma obra’,’faz obras para facilitar a vida de quem tem carro particular’) pois, prefeito(a) é clínico geral, isto é, vê os problemas específicos mas jamais pode se esquecer do todo. Estes critérios ruins não ajudam a cidade a ser igualmente justa e ambientalmente desenvolvida. Numa cidade agradável de viver, todos cidadãos sentem-se pertencentes a ela e isto é antagônico à exclusão.

O candidato que atender todos estes critérios será um Estadista de um novo tempo, de um novo Brasil.

Maurício Xixo Piragino é diretor da Escola de Governo de São Paulo e coordenador do grupo de trabalho de Democracia Participativa do Movimento Nossa São Paulo.

3 comentários sobre “Como se escolhe um(a) candidato(a) a prefeito(a)no 2o turno

  1. Prezado Mauricio,
    Supondo que cada item tenha o mesmo valor e que 5 seria uma nota aceitável, o que já ém muito boa vontade, concluo que o voto para SP Capital é em branco.
    Entretanto isto não invalida o seu texto, muito pelo contrário.
    Vamos á luta, seu trabalho já é uma forte contribuição.

  2. Coluna de Mônica Bergamo publicada na Folha deste sábado, 25/10-2008:

    MÃE DE MENTIRA
    A campanha de Gilberto Kassab (DEM-SP) usou como figurantes dos comerciais do Mãe Paulistana mulheres que nunca foram atendidas pelo programa. As gestantes, que não dão depoimento, mas aparecem em várias cenas dos anúncios, foram convocadas para o teste de vídeo por e-mail, por participarem de e-groups sobre parto e gravidez. Uma delas, de Campinas, teve o filho em hospital particular e, no comercial, recebe um bebê das mãos da enfermeira da rede pública -mas ainda estava grávida quando a cena foi gravada. Na convocação por e-mail, a produtora GW oferecia cachê de R$ 500 para as mães e de R$ 400 para os bebês. [continua]

    Leia online:
    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2510200806.htm

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