Acordo às escuras mantém ar envenenado pelo diesel

Texto publicado do site do Nossa São Paulo

As milhares de pessoas e dezenas de organizações que se engajaram nos últimos anos na luta por um diesel mais limpo têm agora um motivo forte para lamentar. Contrariando os interesses públicos e a saúde da população que respira o ar contaminado nas grandes cidades brasileiras, um acordo fechado na madrugada de ontem, sem a participação da sociedade civil, adia por mais quatro anos a comercialização do diesel com menos quantidade de enxofre.

A decisão foi tomada na presença do Ministério Público Federal (MPF) e ocorreu entre o governo federal e representantes da Petrobras, da Fecombustível, da Agência Nacional de Petróleo (ANP), do governo do estado de São Paulo, da Anfavea e das montadoras de motores. O chamado acordo judicial foi fechado como parte das compensações pelo descumprimento da Resolução Conama 315/02, que estabelecia para o dia 1º de janeiro de 2009 a obrigatoriedade da venda do diesel com, no máximo, 50 partículas por milhão de enxofre (50 ppmS), em todo o País.

O enxofre, altamente cancerígeno, é responsável pela morte de cerca de 3 mil pessoas somente na cidade de São Paulo. Hoje, a concentração da substância no diesel é de 500 ppmS nas regiões metropolitanas e de 2000 ppmS no interior. Na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, a proporção é de 10 ppm e a tendência é chegar a zero no curto prazo. A necessidade de controlar a emissão de poluentes é consenso em todo o mundo. E os efeitos fatais à saúde da população são comprovados cientificamente e, no Brasil, têm a chancela da Faculdade de Medicina da USP.

O acordo firmado ontem deixa claro que o Ministério Público Federal e o governo cederam às pressões e abriram mão de exigir o cumprimento integral da resolução do Conama. “É uma sentença de morte”, enfatiza Oded Grajew, do Movimento Nossa São Paulo. Grajew também lembra o compromisso feito pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, durante o seminário “Conexões Sustentáveis: São Paulo – Amazônia”, realizado entre os dias 14 e 15 de outubro, de não fechar nenhum acordo sem a participação da sociedade civil. “Isso foi desrespeitado. A palavra do ministro não foi cumprida”, completa.

3 comentários sobre “Acordo às escuras mantém ar envenenado pelo diesel

  1. TIRE A ROUPA SE NÃO QUISER APARECER
    No texto de quarta feira, respondi a ouvinte internauta, que não tinha certeza sobre o que poderia estar comunicando o colete do ministro Minc. Como politico havia a possibilidade de simulação ou de forçar uma determinada posição, que de qualquer forma tira o valor da análise.
    Depois desta falseada , descumprindo a palavra sobre tema tão relevante, já tenho segurança para defini-lo através da leitura do colete.
    Utilizando a tipologia de Fatima Whitaker, seu estilo é o OPULENTO, oriundo do TRADICIONAL, que prioriza o poder.Descarto assim o FASHION, o ARTISTA e o ECOLÓGICO.
    Portanto, caro ouvinte internauta Pedro, o lifestyle do nosso ministro é o caso mais agudo do TRADICIONAL o OPULENTO, que busca poder ao lado dos poderosos. Fica bem com PETROBRAS e INDUSTRIA AUTOMOBILISTICA.
    Tudo atrás de um simples colete.

  2. Com tal atitude mais um vez os políticos comprovam que não estão nem ai com o povo brasileiro.
    Depois dessa, sem mais comentários
    L A M E N T Á V E L!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  3. Alguem pode me explicar porque os motores a diesel que já estam rodando não usar o novo óleo com menos enxofre. Não seria o caso de fazer apenas ajustes no moteres, emquanto se fabricam os novos.

    eu não entendo.

    Santana

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