Transportadores: Os Bandeirantes Urbanos (I)

Transportadores: Os Bandeirantes Urbanos (I)

Por Adamo Bazani

João Antonio Setti Braga
Empresário Setti Braga ao lado de funcionários posam diante de uma jardineira restaurada

“Um investimento de risco e que exigia visão”. Foi assim que um dos proprietários das empresas que compõe o grupo originado pela Auto Viação ABC, João Antônio Setti Braga, de 60 anos, classificou o início dos transportes coletivos na região do ABC e na Capital Paulista.

Investimento de risco e visão, porque ele se recorda que bem nos primórdios da Grande São Paulo, como conglomerado urbano, os ônibus (ou jardineiras até os anos 40) iam até loteamentos e chácaras praticamente sem habitação nenhuma.

“Assim como os bandeirantes que cortavam matas e enfrentavam morros, assim foi com os pioneiros dos transportes, tanto empresários como funcionários. É como se os transportadores fossem bandeirantes urbanos” – afirmou João Antônio Setti Braga. Após a criação dos pontos finais nestes loteamentos, é que eles cresciam, tornavam-se vilas, bairro e até centro comerciais.

O empresário viu e contribuiu para o crescimentos de bairros, considerados hoje importantes, em São Bernardo do Campo, como Baeta Neves, Batistinni, Baraldi e Cento. Ele viu também pequenos caminhos, praticamente tomados por lama e terra se tornarem importantes vias, como a Avenida Pereira Barreto, uma das principais ligações entre Santo André e São Bernardo do Campo e, claro, a Rodovia Anchieta nascer e crescer, unindo na época de maneira mais segura, o Litoral, a Capital e o ABC.

O envolvimento da família Setti Braga com os transportes vem bem antes da criação da Viação ABC, fundada em 1956 por José Fernando Medina Braga e Maria Myrtis Setti Braga. Já nos anos 20, Adelelmo Setti deu os passos nos transportes no ABC Paulista. O trabalho foi assumido por João Setti. Em 1925, um ônibus jardineira fazia a ligação entre a Vila de São Bernardo do Capo e a Estação de trens de São Bernardo, hoje, estação da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – em Santo André (na época, era tudo um município só). Com a entrada de João Fernando Medina Braga no ramo, em 1947 o grupo tomou corpo o que proporcionou a criação da Viação ABC.

Mas a história do grupo vai muito além da atuação de empreendedores.

Motoristas, mecânicos, cobradores, gerentes empreenderam suas vidas e forças para o sonho dos transportes da Grande São Paulo, se tornar realidade. Muitos deles, são considerados pelos proprietários do grupo como da família, e até hoje atuam na empresa.

Elisiário Bonfim dos Santos
Elisiário Bonfim que trocou o status da metalurgia pelos ônibus

É o caso do mecânico Elisiário Bonfim dos Santos, de 67 anos. Natural da Bahia, ele foi com a família para Marília, onde atuou em duas empresas de ônibus, depois veio para São Bernardo do Campo. Em 1964, ele ia tentar um emprego na Volkswagen, quando encontrou o empresário José Fernando Medina Braga na porta da garagem. Os dois conversaram, Braga ofereceu um emprego na empresa e, na hora, Elisiário esqueceu a montadora (na época, trabalhar numa montadora era um sinal grande de status).

“Formei meus filhos, fiz minha vida e conquistei tudo devido à Viação ABC. Fui ajudado a comprar um terreno para construir minha casa e até a lua de mel a empresa me pagou quando casei”. O mecânico se recorda de cada detalhes dos diversos modelos que passaram pela empresa. “Fomos os pioneiros a ter o monobloco 0 364, da Mercedes Benz, em serviços urbanos. A própria Mercedes gravou uma propaganda comigo e com os carros da empresa, que passava antes da abertura do Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão”, orgulha-se ao lembrar.

(Continua amanhã, quarta-feira))

Adamo Bazani é repórter da rádio CBN e busólogo, um apaixonado e pesquisador da história dos ônibus. Toda terça conta um novo capítulo para você que acompanha este blog.

9 comentários sobre “Transportadores: Os Bandeirantes Urbanos (I)

  1. Mais uma vez gostaria de parabenizar a iniciativa da rádio CBN, de seu âncora Milton Jung e do repórter Adamo Bazani, por ceder este espaço e falar sobre a história do transporte no Brasil. As histórias são muito cativantes.

  2. Milton, gostaria de parabenizá-lo por essa iniciativa de mostrar em seu blog um hobby que vem crescendo muito no nosso país, vencendo o preconceito daqueles que não o entendem. Os busólogos, quando consultados, tem soluções imediatas para o transporte na nossa cidade, no ponto de vista operacional e incentivar esse hobby é incentivar o próprio crescimento do transporte de passageiros. parabenizo ao Adamo Bazzani pela bela reportagem e que continue divulgando nosso hobby.
    Um forte abraço.

  3. Milton e Adamo, parabens mais uma vez pela bela reportagem, continuem sempre resgatando a memoria dos transportes do Brasil, pois só assim, revendo o passado é que poderemos planejar melhor o futuro. Abraços Vitor Matos

  4. Parabéns Adamo, CBN e Mílton Jung!

    Muito obrigado por nos apresentar histórias riquíssimas sobre o transporte e sobre as empresas. Este espaço é muito importante não somente para os busólogos, mas para toda a população.

    Obrigado por difundir cada vez mais o hobby da Busologia. Até minha mãe ficou feliz quando descobriu que existem outros apaixonados como eu por ônibus. Ela disse:
    “Que bom que meu filho não é o único louco por ônibus!”

    Um grande abraço à todos, busólogos ou não!

    Rafael

  5. Adamo, muito boa reportagem, eu tenho curiosidade de saber como é que a familia adquiriu a Viação Leste Oeste?Abraços ……………………..

  6. OLÁ ! adamo gostaria de saber se vc não pode me ajudar a trabalhar na viação stu em sorocaba , trabalho n a metra a 10 anos e gostaria de estar mudando de cidade , muito obrigado

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