Por Maria Lucia Solla
Olá,
Já nos demos conta de que o dinheiro ultrapassou todas as fronteiras e de que a idéia dele se instalou na boca e no pensamento de todos; de A a Z, de baixo para cima e de um lado ao outro do planeta. Se o pensamento já ocupava um espaço precioso do nosso interesse, agora dominou. Em todas as línguas, unificou vocabulário e expressão facial. Pôs rugas onde rugas não havia, levou uns trocados de alguns e dilapidou o patrimônio de outros. Os mais atingidos chegaram a perder amores, amizades, empregos e sonhos. Houve os que perderam a esperança, mas o certo é que a maioria ganhou um pensamento fixo, que tomou o planeta e veio para ficar por um bom tempo. E já era mesmo tempo de vir para ser olhado de frente e reavaliado. Nossa relação com ele chegou ao ponto de o trairmos com simples papéis. Quem souber aproveitar vai sair ganhando em todos os sentidos. Para isso serve a crise.
Vale lembrar que há muitos séculos, as moedas eram feitas de metais nobres e refletiam seu valor, no peso. Dinheiro era bom e ninguém tinha vergonha de possuí-lo. Imagine como devia ser lindo ver algumas moedas de ouro, sobre uma mesa de madeira maciça, brilhando ao toque do sol. Pura magia! Naquele tempo, os sacerdotes, sábios astrólogos, indicaram o ouro e a prata, para a confecção das peças pela ligação do ouro com o sol e da prata com a lua. A idéia era manter a associação de tudo que se relacionasse ao homem, com o Todo. Com a natureza e com o fluir da vida. O ouro e o sol, representando a energia Yang e a prata e a lua, a energia Yin.
Acontece que, com o passar do tempo, a cotação da nossa sofisticação externa subiu, enquanto a da compreensão da vida e do que pretendemos fazer com ela, baixou. E nossa relação com o dinheiro e com a idéia dele foi se transformando, foi evoluindo (!), e virou amor bandido. Proibido. Escondido.
Dinheiro é pecado! (Na mão do outro)
Dinheiro é sujo. (De papel! Como poderia ser diferente?)
Dinheiro corrompe. (E o que não corrompe?)
Dinheiro traz culpa e não felicidade. (Chocolate é muito melhor porque traz os dois)
Dinheiro tranca a entrada no Céu. (Me dá o seu que eu mando abrir as portas para você. Sou assim com Deus!)
A relação do homem com o dinheiro ficou tão deteriorada que acabou em crise. Agora, o resultado disso tudo, nem espere que venha de fora. Ele depende de nós e da reavaliação que fizermos de valores, pesos e medidas. Não depende de novos presidentes de cores e culturas variadas. Eles são apenas réplicas de mim e de você. Não depende de cúpulas disto ou daquilo. Depende de mim e depende de você, para que os valores saiam ilesos, mas sacudidos e postos em ordem social mais do que pessoal. Para que os pesos sejam os mesmos para mim e para você e as medidas, de tamanho único.
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.
Ouça este texto na voz da autora:
Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de inglês, autora do livro De Bem Com a Vida Mesmo Que Doa, publicado pela Libratrês, e escreve todo domingo neste blog.
Maria Lucia, tenho a impressão que a relação do homem com o dinheiro não evoluiu . Apenas mudou ,de forma a adptar-se ao novo arsenal de armas á disposição.
Antes da moeda brigava-se por mercadorias. Depois quando a moeda foi feita mercadoria era por ela que se lutava.Nixon decretou o fim da reserva ouro e passou-se a brigar pelo dolar.
Na minha opinião um dos entraves para avançarmos é a dissimulação de que o dinheiro não é importante.
Vamos ter coragem e dizer que o dinheiro traz felicidade.
Vamos ter coragem e dizer que o homem sem dinheiro é zero.
Colocando-o em seu devido lugar, teremos condições de enfrentá-lo,
Ou não?
Pense nisso.
Maria Lucia, o comentário 1. é meu.
Adorei o tema e o pensamento.
É uma baita discussão.
Falando em evolução , quem mais progrediu nestes 40 anos foi os EUA. e não estou falando de Economia. Pura sociologia.
Grande abraço
Carlos Magno
Prezado anônimo,
evoluir é um verbo amoral. Dá nome ao que muda de configuração. Ao que se transforma. Eu diria que antes da moeda trocava-se mercadoria. Você entende que “brigava-se”. Veja que tudo é apenas uma questão de olhar. De onde você olha. Meu filho diz que o melhor ponto de vista é aquele com vista para o mar. Sábias palavras.
Entendo seu ponto de vista. Na verdade vivemos a mesma chamada realidade. Apenas usamos vocabulário diferente. Não vejo necessidade de enfrentá-lo. Apenas de compreender sua função.
Mas você está certo (a). Não dá para parar de refletir e de mudar, transformar, evoluir. Uns para baixo, outros para cima, para a esquerda e para a direita. O importante é não ser atraído pela estagnação.
Obrigada pela sua contribuição. Bom domingo e um abraço,
ml
Carlos Magno!
A pressa é inimiga da perfeição. E quem dá bola para perfeição? Rsrs. Saí respondendo o primeiro comentário e nem vi que era você. Só não entendi a história dos EUA terem evoluído mais… Se não for abusar, como é que vc vê isso?
Beijo e bom domingo,
ml
Ola ML
O meu conceito sobre o dinheiro, filosoficamente falando, dentro ou fora dom tema:
“TUDO QUE O DINHEIRO POSSA COMPRAR É BARATO”
Bom domingo a todos.
A questão do dinheiro é a seguinte :
Se a pessoa não tem dinheiro não pode ter saude, não pode desfrutar dos serviços e produtos contemporâneos.Não está inserida no contexto do unico regime existente no mundo de hoje, que é o capitalista.
Se sem dinheiro não há felicidade, então o dinheiro é condição necessária para tê-la, embora não suficiente.
O enfrentamento se dá quando voce estiver se relacionando com pessoas que colocam o dinheiro acima de tudo.
Quanto aos EUA, a referência é em relação ao progresso da segregação racial.
Maria Lucia e Armando, bom domingo
Armando,
fiquei com a tua frase na cabeça. Muito louca! Adorei.
Beijo
ml
Ola M.L
Anda sobre o dinheiro, outras considerações particulares.
“A maioria das pessoas, deste mundico capitalista, avalia o outro pelos seus bens materiais, pelo dinheiro que possui, e não pelo que é infelizmente”.
Boa semana
Obrigado!
É verdade, Armando. Como sempre, a velha receita. Equilíbrio entre ter e ser pode levar ao crescimento.
Boa semana,
ml
Na minha opinião o dinheiro é necessário para a felicidade como complemento de outras condições também fundamentais. Dependendo do meio em que cada um vive, é necessário mais ou menos dinheiro. Porém muitos religiosos pregão a vida simples, o desapego material, a ambição como pecado, o luxo como desperdício. Ora pelo que andei lendo sobre o poder da atração e do pensamento, enquanto o pessoas tiverem preconceito contra a riqueza, vendo o conforto e o luxo como disperdício, imaginando que o dinheiro não traz felicidade, e julgarem os ricos como exploradores e ostentadores com o falso argumento de que “não preciso disto ou daquilo”, vão continuar pobres. A colonização da América Latina deu-se com total influência da Igreja de Roma, que tanto exaltou a pobresa e abominou a riqueza(para proteger a classe dominante que tanto a patrocinava). Já a América do Norte teve na sua colonização muita influência dos protestantes que vêem a riqueza como evolução, conforto como merecimento.
Epa! Esqueci de assinar, esse comontário ai embaixo é meu.
Grato
ML, bom dia
Se dinheiro não traz felicidade, com certeza ele compra!!
Mas vale ressaltar e avisar os que têm…se amanhã você perder tudo e se ver numa situação delicada, quase sem saída, é aí que você verificará e terá certeza quem merece seu apreço, e só pessoas que passaram por isso tem condições de analisar a situação a fundo…vão se os “amigos”, pessoas amadas se distanciam e você realmente vê quem faz a diferença na sua vida!!!
Abçs
O que vejo constantemente em alguns endinheirados e o pouco caso que estes fazem dos menos afortunados.
O Dinheiro é necessário sim para suprir muitas coisas e aspectos em nossas vidas.
Mas colocar o dinheiro, a riqueza, o status, o poder, acima de tudo e de todos não deve ser feito, pois quem sabe um dia para aquêles que não querem e nem gostam de ver a realidade, esse mesmo dinheiro
poderá ser a causa de muitas infelicidades e infortúnios.
Como disse a M.L abaixo:
O bom senso, o equilíbrio entre o “ter” e o “ser” deve prevalecer e só nos faz bem.
Boa semana
Luiz, Armando, é isso!
Fabio, bem vindo ao grupo.
Abraço,
ml
Oi Malu!
Lembra daquela propaganda que dizia que
“o dinheiro não traz felicidade, manda buscar”?!
Pois é. Temos muito o que refletir sobre o tema.
Grande beijo
Sandra Tenório
O dinheiro hoje é algo tão abstrato… ele quase sempre passa por nossas mãos de maneira virtual. Mas tudo o que não é concreto dá espaço a fantasia, assim perde-se a noção de quanto dinheiro realmente é preciso para viver. E é aí que nos perdemos, tiramos os pés do chão por não encontrarmos mais o limite, pois lidamos com algo sem forma. Vou juntando, juntando, preciso comprar um apartamento, quitar minhas dívidas, e finalmente conseguirei largar aquele emprego horrível. Mas não estamos lidando com algo real, e as “necessidades” logo aumentam, e junto com elas o medo de mudar de vida por simplesmente não saber quanto precisamos de verdade para viver. As vezes penso que somos como o burro com a cenoura pendurada na frente, precisamos de uma incentivo para seguirmos, para não olharmos para os lados e encararmos os obstáculos da vida, e o que melhor do que algo tão abstrato como o dinheiro?