Aos mestres, sem carinho …

Por Carlos Magno Gibrail

E aos jornais, TVs, revistas, rádios, internet, políticos, governos e todos que poderiam ter ajudado o ensino e não o fizeram.

Na carona de notícia policial a mídia dá atenção.

Felizmente há indícios que o destaque não será tão passageiro. Carlos Silva, autor do título acima, ombudsman, cobra da Folha maior cobertura e mais densidade.

A CBN entrevista pessoas envolvidas e que poderiam melhorar a situação do ensino. Constatamos que precisamos de mais ação e competência.

Pobreza e paternidade não vale mais como desculpa. Steven e Stephen autores do Freakonomics, trazem à tona o trabalho de Judith Harris. Ela diz que a crença que os pais contribuem imensamente na educação dos filhos é um “mito cultural”. “A influência de cima para baixo dos pais é suplantada pelos efeitos imediatos da pressão dos iguais, a força esmagadora exercida diariamente pelos amigos colegas de escola”.

Uma bomba em 1997, seu livro de tão polêmico teve dois títulos, um dos quais foi “Os pais são menos importantes do que se pensa, e os amiguinhos, mais”.

E o espanto continuou, porque pesos pesados, como Steven Pinker, psicólogo cognitivista e escritor best seller chamou as idéias de Judith de “perturbadoras” no bom sentido.

Países em desenvolvimento também não servem como justificativa de educação pública problemática, pois os EUA têm tido muitas dificuldades, a ponto de recentemente a cidade de Washington estar oferecendo bônus de 400 reais mensais para pontualidade e aplicação nas escolas públicas.

Obama coloca as filhas em dispendiosa escola privada, abrindo mão de atitude politicamente oportunista, preservando, certamente, uma melhor educação às meninas.

Dimenstein sonha: “A magia está em converter a rua, com seus encantos, numa aventura do conhecimento e, assim, fazê-la entrar na escola”.

Nem tanto, pois Montoro, governador, em 1983 encomendou pesquisa sobre a Educação e, de acordo com o pesquisador da época, Julio Tannus, da JT Pesquisa de Mercado, uma das soluções sugeridas, era abrir as escolas à comunidade para que esporte, cultura e lazer estivessem à disposição permanente da população local.

Carlos Magno Gibrail
é doutor em marketing de moda, escreve toda quarta-feira aqui no blog e sabe que é preciso derrubar as paredes da sala de aula para aprender mais.

10 comentários sobre “Aos mestres, sem carinho …

  1. Olá Carlos
    Como sempre, a educação em último lugar.
    Começando pelos governantes, secretarias de educação e pelos próprios alunos.
    NO final, “quem paga a conta, o culpado de tudo” do que e ruim que acontece na nossa “educação” de todo descalabro que presenciamos, caos, etc é o pobre do professor.
    Em parte, graças ao ECA.
    Por em quanto sem mais comentários.
    Abraços

  2. O filósofo Mário Sérgio Cortella disse, semana passada, que quando a criança entra na sala de aula em seu primeiro dia já foi submetida a 5 mil horas de televisão. Um volume de informação inimaginável há poucos anos. No entanto, diz Cortella ao sentar na carteira escolar a criança ouve a professora-tia ensinar que o “vovô viu a uva”. Há um descompasso entre o que se aprende nas ruas e o que se ensina na sala de aula.

  3. ML, se o governador Montoro executasse o que a pesquisa que ele sábiamente encomendou , teriamos um mundo melhor nestas terras de Piratininga.
    Pesquisou e não realizou.
    Abraço

  4. Armando Italo, é isso mesmo, dizem que as obras de saneamento básico são passadas para trás, entretanto, quanto ao Ensino assistimos discussão de escolas de lata, como se bastasse o prédio.
    Além disso quem não se lembra da perda de tempo na campanha de prefeito com os ataques pessoais?

  5. Milton, esta distorção não se restringe aos cursos iniciais.
    Leciono em cursos de mestrado e pós graduação e , ainda existem professores que além de não usarem recursos eletrõnicos, ainda utilizam quadro negro e giz.
    Em cursos de MODA, que envolve atualização e estética.

  6. Olá Carlos!
    Creio que não será fácil mudar as coisas, ainda que a esperança não morra nunca. Como lidar com isto se temos um Presidente que orgulha-se por não ter estudado?
    O trabalho realmente deve começar na base, com as crianças ainda nas creches, já sendo orientadas e atraídas para os livros, esporte, arte, música, enfim tudo o que possa despertar nelas valores reais de vida.
    Temos uma longa estrada para mudanças, mas creio que poderemos percorrê-la.
    Grande abraço
    Sandra Tenório

  7. Sandra,
    Sugiro que leia o texto do Julio Tannus acima.
    É uma pesquisa feita há anos e totalmente atualizada, pois nada foi feito embora se soubesse das causas reais do problema.
    Se tiver tempo, leia a preciosidade e profundidade dos trablhos indicados.
    Grande abraço

  8. Professor Nelson Barrizzelli, agradeço ao e-mail recebido.Idem às palavras.
    Realmente o espaço é pequeno mas o artigo do Julio Tannus complementa bem . Por sua vez os textos por ele indicados são bastante profundos.

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