O Brasil não é para principiantes

Por Carlos Magno Gibrail

“As únicas coisas que negros sabem fazer bem são música e esporte”. É o que acreditam 20% dos brasileiros, segundo os recentes dados do Datafolha.

Ficou faltando quantificar o percentual daqueles que nem nisso acreditam. Sugiro que comecem nova pesquisa no “sofisticado” Clube Paulistano na cidade de São Paulo.

E, além do “quatrocentão” Paulistano passem pelo “contemporâneo” Paineiras do Morumby e analisem a necessidade deste aviso: “É proibida a permanência sem camisa e de maiô, no Restaurante Social” .

O velho Chacrinha, mestre da comunicação dizia que só gostava de ir à casa de pobre ou de gente muito rica, pois são autênticos.

Nas vésperas do terceiro Jornarilismo que debaterá “Popular x Sofisticado” eis que sócios do Paulistano contra o show de Zeca Pagodinho se manifestam: “Esse cachaceiro que vá se apresentar no Corinthians”.

Evidente falta de conhecimento e de educação carregada de preconceito, destes associados de clubes de São Paulo, que é a maior cidade japonesa fora do Japão, maior cidade portuguesa fora de Portugal, maior cidade espanhola fora da Espanha, terceira maior cidade libanesa fora do Líbano e terceira maior cidade italiana do mundo.

Tamanho “blend” deveria resultar em exuberante receita de amistosidade. Entretanto os fatos mostram que ainda falta fortalecer conceitos saudáveis para evitar preconceitos maldosos.

O sofisticado é algo refinado, apurado e pode ser encontrado em tudo aquilo que se trabalhou para melhoria. Quer serviço ou produto.

Música, vinho, prosa, verso. Através de cultura ou erudição, ou seja, apreendido por observação natural ou por metodologia.

Sofisticação, portanto, é sintonia fina, rara, como uma refrescante água cristalina direto da nascente, um perfume exaustivamente elaborado, uma partitura magistralmente executada de música erudita, uma cachaça de Paraty destilada artesanalmente pelo Príncipe de Orleans e Bragança ou pela Maria Izabel, sucessora da Branca do Peroca.

Luis Nassif dá um gole final: “Apesar das Brahmas e Schincariois, sou fã do Zeca Pagodinho, que considero da mais fina estirpe do samba de roda”.

O popular pode ser sofisticado e o sofisticado pode ser popular.

Graças à democracia e aos bons costumes.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta-feira está aqui com artigos sofisticados que já se transformaram nos mais populares do blog.

18 comentários sobre “O Brasil não é para principiantes

  1. Belíssimo texto, carlos magno!
    Ainda não foi possível espremer a sofisticação e colocá-la num vidrinho ou numa cápsula, para venda nas farmácias mais sofisticadas do mundo, mas consciência é um bom fortificante para tem tem um fiapo dela.
    Beijo,
    ml

  2. É uma pena que tudo aquilo que não presta e não trás benefício nenhum à cultura de nosso povo, nós temos a mania de copiar, sinto que perderemos logo, se por esse caminho formos, aquilo que nos é quase um atributo, me refiro ao povo brasileiro, que é a mistura de povos e a hospitalidade. Nunca deixemos cair no esquecimento que a raça é a HUMANA.

  3. Aristocracia? Este pessoal é parte decadente da sociedade paulistana que, nem de seus filhos souberam cuidar. Filhos esses desiquilibrados drogados mal amados e etc., conforme muitas reportagens que ja vimos. São recordistas de falências de grandes fortunas, construidas por seus patriarcas em sua maioria pobres vindos de outros países, e aqui se fizeram através da perversidade e amizade com os antigos políticos que ja tivemos. Não gostam de Zeca Pagodinho? que fiquem com Naji Nahas, Mansur, Chiquinho scarpa e um monte desses decadentes com suas mansões que estão virando ruínas por falta de dinheiro para uma simples pintura e funcionários domesticos que ficam meses sem salário. Este tipo de gente esta sendo espurgada não só do Brasil, como do mundo e, o que lhes resta é, babar ovo da aristocrata Paris Hilton.

  4. Essa atitude dos sócios do paulistano, além de ser um ato de discriminação, mostra claramente a decadência da suposta “elite paulistana”
    Belo artigo Carlos.
    Bastante oportuno e servirá para muitos “ricaços” reavaliarem os seus reais conceitos.
    Será?
    Sem mais comentários.

  5. Olha, não vou nem me deter no caso Zeca Pagodinho, pois é de um ridículo total, quem contratou o show não foi ninguém do curintia.. nas sim a diretoria social do próprio clube.
    Eles se acham tão superiores, que até a baixaria sobre o conserto da piscina saiu na coluna social.
    abraços

  6. Belíssimo comentário.
    A Barbara Gancia lembrou em sua coluna ,que o mesmo Paulistano mostrou suástica para um grupo de crianças da Hebraica ,durante uma competição em seus domínios .
    E que frase infeliz , atacando música, raça,cachaça e Corinthians.

    Abraço

  7. Resposta ao comentário 2.

    E acabamos de ver o exemplo norte americano, que há pouco lutava contra K* KLUX KLAN, assassinatos sequencial de presidentes e de líderes democráticos e agora elege um presidente negro.
    Belo exemplo a ser seguido.

  8. Ideli,
    É mesmo para perder as palavras, com tanto absurdo.
    O Datafolha realmente deve abrir mais um segmento na sua pesquisa, pois além dos 20% que acreditam que os negros só servem para música e esporte, ainda existem brasileiros que acham que nem isso .

  9. Resposta ao comentário 4.
    Tenho a impressão que vale a percepção do Chacrinha e este tipo de postura deve partir dos não muito ricos
    Realmente é provável que sejam decadentes ou ascendentes desistentes.

    Obrigado pela presença

  10. Armando Italo,
    Tenho a impressão que evoluiremos no sentido de ficar visível este grupo de elementos que não acompanham as mudanças.
    Com tanta possibilidade de adquirir conhecimentos, repensar velhos conceitos e preconceitos é muito retrógrado e reacionário não usufruir de sistemas mais abertos. Em todos os sentidos, mente, corpo e alma.
    Essa gente não sabe o quanto está perdendo ao escolher rigidamente o caminho dos conceitos estanques.
    É só mirar a natureza e perceber a beleza da abertura, da posição disponibilizada ás mudanças.

  11. Jarbas, e estão perdendo porque não apreciam música e pelo jeito muito menos a cachaça.
    É bom lembrar que os países desenvolvidos são grandes consumidores da “caipirinha” com pinga.
    Também não sabem que usufruir de Paraty com as refinadas cachaças é algo realmente sofisticado.
    Enquanto assistimos manifestações preconceituosas de plebeus, eis que a familia real portuguesa resolve endossar a MARÉ ALTA do Principe Dom João de Orleans e Bragança( que aind é encontrada em algumas lojas ). Quer mais sofisticação, realeza chancelando cachaça ?
    Para finalizar sugiro que entre no site http://www.mariaizabel.com.br e constate que definitivamente é bebida real, enviada sistematicamente a Portugal e para visitas de monarcas, como o Rei da Bélgica no inicio do século XX

  12. É patético e decadente. E vamos lembrar que nas grandes Empresas, preconceito é motivo de demissão sumária afinal o mundo corporativo globalizado é naturalmente uma mistura saudável de raças, cor, sexo, classe social entre outros. Tenho a curiosidade de saber como os decadentes do clube paulistano se comportam no seu trabalho.

  13. E por acaso o Zeca Pagodinho precisa do Paulistano?
    E esse negócio de sofisticado?Para mim é só mais uma maneira de segregação; ou você tem ou não tem.Mas o que é sofisticado para uns, para outros não é.Alguém algum dia morreu de sofisticação, ou tropeçou nela, ou então obliterou a sua fome com um prato de sofisticação?Para que serve isso?

  14. carlos magno, fico impressionada. Certo que é preciso registrar atos de preconceito de que tipo for, uma vez que preconceito é burrice.
    Você notou que a maioria dos comentários são de um preconceito virulento?
    Pena…
    Beijo,
    ml

  15. Adonis, realmente o Zeca Pagodinho hoje não precisa de mais nada, haja visto o que já relizou e o espaço que ocupou.
    A questão do sofisticado em parte depende do observador, entretanto não podemos nos divorciar dos conceitos genéricos. Neste caso a minha opinião, baseada em conhecimento existente e dentro do juízo de valor que sempre há que considerar, pois é impossível abdicar totalmente dele, o sofisticado pode ser popular e o popular pode ser sofisticado.
    Depende , além do observador das contingencias.
    Abraço e obrigado pela colaboração ao tema, que como vimos no Jornalirismo é sofisticado e popular.

    Carlos Magno Gibrail

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