Tribunal absolve promotor Thales em São Paulo

Colegas que atuam no Conselho Nacional de Justiça não acreditavam na possibilidade de absolvição do promotor Thales Ferri Schoedl. A tese da legítima defesa não era admissível. E um dos motivos seria o fato dele ter tido o cuidado de colocar a arma na cintura antes de correr atrás da namorada que havia saído para aproveitar a noite no rico bairro da Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista.

Pouco adiantará eu seguir descrevendo as outras razões apresentadas pelos integrantes do CNJ que justificariam a prisão do promotor pelos crimes de assassinato e tentativa de assassinato, cometidos em 2004. Hoje já se sabe que o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo absolveu Thales, por unanimidade. Foi legítima defesa disseram os desembargadores.

A tese vencedora é das mais antigas – e, ainda, convincente. Foi assim que Doca Street escapou da prisão na primeira vez que foi julgado pela morte da namorada Ângela Diniz, em 1976. Precisou um segundo julgamento para o assassino pagar pelo que fez.

Mas não foi de Doca que lembrei quando recebi a informação de que o promotor Thales Schoedl foi considerado inocente pelo assassinato de Diego Mendes Nodanez. A primeira imagem foi de outro colega dele de promotoria: Igor Ferreira da Silva. Este foi condenado a 16 anos e alguns meses de prisão por ter matado a mulher que estava grávida de sete meses, em Atibaia, interior de São Paulo, em 1998. Foi julgado pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça, também.

Se a primeira vista, este caso não se parece com o de Thales, afinal o réu foi condenado, é preciso refrescar a memória do leitor deste blog: Igor está desaparecido desde 2001 quando a sentença foi anunciada.

Nos dois casos, os únicos que pagaram pelos crimes foram as vítimas. E com pena capital.

21 comentários sobre “Tribunal absolve promotor Thales em São Paulo

  1. Justiça, neste país, é piada (de muito mau gosto, diga-se). Ainda não recebi, após 20 anos, um dinheiro que é meu e foi surrupiado por conta de planos econômicos; a empresa para a qual trabalhava demitiu 5 mil trabalhadores e não pagou nenhum direito trabalhista a eles e o fundo de pensão virou pó; três rapazes foram condenados pela morte de uma jovem, apesar da confissão de um conhecido estuprador; e agora esse rapaz é absolvido pelos seus pares, numa inequívoca demonstração de corporativismo… Toda minha solidariedade à injustiçada família do jovem morto.

  2. Não conseguimos nem imaginar o que significa justiça para esses grupos de déspotas do legislativo, que com muita propriedade, criam sofismas para justificar a ação de se locupletarem e perpetuarem a sua iniqüidade.
    Nada que não seja muito e demasiado humano, porém não me parece atitude de seres com um mínimo de capacidade de raciocinar, de pensar de maneira abrangente, pois com uma votação unânime, uma das vítimas poderia ser filho de um desses néscios.

  3. Indignação… é o que acabo de sentir lendo esta notícia.
    Legítima Defesa? realmente é uma piada… Tal fato parece estar longe de um homicídio culposo, muito menos de uma legítima defesa.
    Sinceramente, a cada dia fico com mais medo de viver no nosso país, pois o legislativo e o executivo “algumas vezes” atuam em seu próprio interesse e o judiciário ultimamente vem inovando no entendimento do direito. Como diria a música da Legião Urbana: “Ninguém respeita a Constituição”. “Que país é esse!”

  4. Não tenho informação completa sobre o
    ocorrido mas passei por situação pareci
    da no Guarujá com minhas 2 filhas.
    Só não cheguei às vias de fato com um
    bando, por intervenção das prórias e da
    minha esposa que me tiraram de cena.
    Esse meninões quando se juntam viram
    machões e passam a desrespeitar as pessoas mexendo com todos. Depois
    quando a barra pesa ficam todos garoti
    nhos frágeis.
    Os país desses rapazes não devem se
    iludir, não, porque seus filhinhos não são vitimas de amigos barra pesada,
    não !!!
    Tenho pena do pai rapaz assassinado,
    que não caiu na real ainda e acha que
    são todos meninões aprontando traqui
    nagens infantis. Não é bem assim, pos
    so afirmar!!!!

  5. Mais uma vez quem tem dinheiro e “padrinho” escapa da cadeia. Isso é revoltante. Quem confia nessa justiça (com j minúsculo) corrupta? Nós já sabemos o resultado do julgamento se fosse o contrário, se o jovem morto tivesse matado o promotor: seria julgado por júri popular e condenado a passar 30 anos na prisão. Como diz o Bóris Casoi: ´”isso é uma vergonha”. Como cidadã, proponho a campanha de Anulação desse julgamento JÁ!

  6. 14 tiros legítima defesa? Não tenhamos duvidas de que, o outro promotor que matou o Motoqueiro com quantidade semelhante de projeteis com uma pistola calibre 45 (ilegal), tb será absolvido. Podemos considerar que juízes e promotores tem licença para matar. Eu não discuto mais no trânsito ou em qualquer outro lugar, posso me deparar com um promotor armado e serei executado.

  7. Milton fica p*** da vida para falar o menos com esse povo que escuta o galo cantar e não sabe aonde, esse menino o promotor 1,67, que viveu para estudar, pois para ser promotor com 23 anos deve ter ralado muito, chega para agredi-lo seis jogadores cde basquete imagina o tamanho o menor 1,87, garotos que se juntam para agredir os nerds, e o cara do tiro pra cima pq sua namorada foi agredida pela turma alucinada, não tinha outro jeito ou matava ou morria, vide o caso inúmeros que a imprensa mostrou desses garotos pit bull, criados para sair dando porrada quem não le os autos pensa que e cooperativismo não o é tanto que o advogado de acusação é filho de desembargador ex presidente do TJ Lazzarini, então a tese dele ganharia mas levou a maior surra , os velhinhos do TJ são muito duros, esse garoto se safou de boa , mas ele já esta morto mesmo pq o que foi feito contra ele foi pura vingança, nunca se buscou justiça, coisa de família que nunca soube educar os filhos e depois chora a perda

  8. sonia dugaich não sabe o que é vírgula. Mesmo assim respirei fundo e li todo o comentário dela. sonia, tudo o que você disse é fruto da sua imaginação: o acusado não apanhou, nem a sua namorada (a vítima supostamente “mexeu” com ela… deve ter dito um “ae gosotsa!” ou algo do tipo) e se o promotor ia apanhar ou não é uma outra discussão, porque antes disso acontecer ele sacou o revolver e deu 12 tiros. DOZE. Isso é legítima defesa?! Independente do tamanho dos rapazes, você acha que eles não se assustariam ao ver o acusado sacar uma arma? Uma pergunta pra você e para o machão que ia defender a honra das filhinhas: então agora rudeza e falta de cavalheirismo são justificativa para assassinar alguém?

  9. Essa absolvição é mais um exemplo de que o crime no Brasil compensa. Desde que vc tenha dinheiro no bolso e amigos influentes. Nem na Justiça podemos confiar. Vide casos como este, e exemplos recentes como o de Daniel Dantas.

  10. Caro Ibere, realmente eu não sei o que e vírgula e nem acentuação, segundo sou funcionaria do Poder Judiciário há só 22 anos e sei que uma coisa é real juiz odeia promotor, desembargador não gosta de promotor, então eles não são pares, são dois poderes totalmente isolados que se odeiam há muito tempo, imaginação meu caro e a sua que não leu nada do caso se tivesse visto algo mais alem do que quer , saberia que inúmeras testemunhas declararam que ele ia apanhar e muito, quanto a vc leia mais companheiro para falar e não vai pela geral o vulgo nem sempre ta certo.

  11. O que mais chama a atenção é…..quem sairia de casa em um ano novo, de bermuda, camiseta e uma arma completamente carregada para comemorar o ano novo ??? Acredito que só uma pessoa pré-disposta a cometer um crime….

  12. Pergunto aos que criticam a decisão do Tribunal de Justiça: alguém presenciou os fatos, leu os autos do processo ou assistiu ao julgamento? Tenho certeza de que não. Por que, então, não procuram ler a fundamentação do acórdão do Tribunal de Justiça, quando ele for publicado? Ora, o julgamento é público, de modo que qualquer um pode ter acesso a ele, bastando acessar o “site” http://www.tj.sp.gov.br e utilizar como parâmetro de pesquisa o nome do acusado. Não posso dizer se a decisão está certa ou não, sem antes lê-la, mas fico feliz que o julgamento não tenha ocorrido no júri. É que, no júri, os jurados não precisam explicar por que condenaram ou absolveram, diferentemente do que acontece quando o julgamento se dá por um órgão técnico composto por desembargadores bastante capacitados e experientes. Estou ansioso para ler a decisão, principalmente a parte do relatório, na qual são narrados os acontecimentos, de acordo com as PROVAS. Será que podemos julgar alguém com base simplesmente em fofocas?

  13. Domicio e Sonia, é isso. Mas a imprensa gosta dos Iberês, que compram o peixe conforme lhes vendem, e saem por aí revendendo o mesmo peixe no atacado, como se ler no jornal ou ver na TV os transformasse em senhores da verdade. É, aliás, o segredo do sucesso do PT.

    Só – perdão pela inconveniência – esperava mais do anfitrião do blogue, que é jornalista, e tem dever de ir um pouco além da superfície, não é?

  14. Caro Osni,

    Imagino que “ir além da superfície” é concordar com sua opinião, é não questionar a posição do Tribunal de Justiça, é aceitar calado toda vez que enterdemos que a injustiça tenha prevalecido.

    É, Osni, você tem razão. Este jornalista não vai mesmo além da superfície. Prefere olhar a situação daqueles a quem não foi dado o direito de chegar até a superfície. A quem, por injustiça, está, em muitos casos, enterrado cinco palmos abaixo da superfície.

  15. eu estou indignada com a decisão da justiça e com alguns comentários que eu acabei de ler,se esse promotor foi agredido tinha que ter feito como todo cidadão de bem ,ir a uma delegacia e denunciado o caso as autoridades competentes e não ter sacado uma arma e ter dado doze tiros no rapaz.
    apesar de ele ser promotor no nosso país não tem pena de morte e ele deveria saber disso,mas não simplesmente matou o rapaz.
    Outra coisa que eu li e achei bem colocado quem é quem sai armado para uma comemoração?só pode ser uma pessoa que queria se aparecer para a namorada e os amigos não consigo ver de outra forma.

  16. Caro Sr. Mílton,

    Obrigado pela gentileza de responder.
    Não acho que concordar comigo seja ir além da gentileza. Só acho que um jornalista que ocupa a posição que o senhor ocupa, deveria pesquisar antes de lançar opinião.

    Caramba, 23 desembargadores julgaram o caso e todos – todos! – entenderam cabível a legítima defesa.

    O senhor foi à sessão de julgamento? Creio que não, senão teria dito. Leu ao menos a defesa (está disponível pela internet, eu a li e fiquei impressionado)?

    Pessoalmente, acho muito errado que um promotor (ou quem quer que seja) vá a um luau portando arma. Isso não quer dizer (a) que ele não tenha o direito de portar a arma (eu posso não concordar com esse direito, mas ele existe, não é?), nem (b) que, portando a arma, ele não possa defender-se, legitimamente.

    Lendo a defesa do promotor, pensei que haveria excesso de legítima defesa – afinal, segundo se noticiou, foram dez ou doze tiros.

    (continuo em seguida)

  17. (continuando do comentário abaixo)

    Mas as testemunhas, a perícia e as outras provas devem ter levado à conclusão de que não houve excesso. Afinal, 23 desembargadores ficaram convencidos disso.

    O seu comentário, enfim, julga o caso, sem conhecer os detalhes, preconceituosamente. E, ao fazê-lo, põe em cheque a honestidade ou a capacidade de 23 desembargadores e, por isso mesmo, do Estado de Direito.

    Desculpe, mas a posição que o senhor ocupa e a visibilidade que tem, exigem mais cuidado.

    Respeitosamente.

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