Sofisticado, no popular

As possibilidades de diálogo entre o simples e o sofisticado na comunicação e cultura brasileira estão em discussão no 3o. Jornalirismo Debate. Provocado pelos organizadores do evento para falar sobre esta relação enviei o seguinte texto:

Jornalista não sabe nada do que fala, mas conhece quem sabe. Adepto a frase do jornalista e escritor Zuenir Ventura, fui procurar a opinião de quem entende de sofisticação e popularidade, meu colega de blog Carlos Magno Gibrail, doutor em marketing de moda:

Considerando que o sofisticado normalmente é algo que necessita de apuração, como o gosto por um bom vinho, pela música erudita, pela seleção de um perfume, em principio é mais dificil encontrar algo sofisticado que seja do agrado da maioria das pessoas.Se o homem não desenvolve seus 5 sentidos , suas habilidades ficarão atrofiadas.. Entretanto alguns produtos naturais são sofisticados, tais como uma pura água gelada de nascente, uma cachaça bem elaborada, um peixe recém-pescado, sem nenhum tempero , uma havaiana com camiseta hering e calça de jeans bem produzidos num ambiente adequado a este traje. Um samba de uma nota só. João Gilberto e um violão. Será que o samba e João Gilberto são populares? Ou pagode e Zeca Pagodinho? Bem, estes não são sofisticados embora dependendo das circunstâncias tornar-se-ão, por exemplo numa casa de praia com sol e boa cerveja. Que tal? Aí já é um luxo se for com exclusividade.

Quando passava férias em Paraty, local com muita chuva de verão, a preocupação era se ia ou não chover. Aprendi a consultar os pescadores que sempre acertavam as previsões. Entendi daí a diferença entre cultura e erudição, pois eles eram cultos, na medida que cultivaram através da observação um conhecimento natural e sofisticado, pois raras pessoas podem usufruir de algo funcional e necessário.

O dificil é responder tudo isso em meia dúzia de palavras. Para isso precisaremos sofisticar, ou seja, apurar, filtrar. Que saco hein? Puxa mas aí já é bem popular

Depois da aula, me lembrei da frase de um sofisticado escritor brasileiro muitas vezes criticado porque apesar de genial empobrecia o texto: “Dizem que os diálogos que eu crio são pobres. Só eu sei o trabalho que dá empobrecê-los”- Nelson Rodrigues.

Este conversa entre mim e Carlos Magno Gibrail o inspirou a escrever o artigo publicado na quarta-feira (26/11) no blog. Para ter acesso ao texto, clique aqui e vá até “O Brasil não é para iniciantes”.

3 comentários sobre “Sofisticado, no popular

  1. Apesar das manifestações bairristas normais em qualquer parte do mundo, a maioria do povo brasileiro é de uma sofisticação inigualável em termos de receptividade e solidariedade. A informação de um pescador sobre o tempo, e igual para um mendigo ou para um dito “sofisticado”.

  2. O curioso é que usei o exemplo do Zeca Pagodinho sem saber que alguns dias mais tarde ele estaria sendo citado pelo ocorrido no Paulistano.
    Curioso também é que baseado em nota na VEJA, na FOLHA , no blog do LUIS NASSIF fiz refencia ao fato e agora identifico que o foco das reclamações é este veiculo comandado pelo Milton Jung.
    Menos mal, pois atesta importancia inusitada .

    Carlos Magno Gibrail

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