Ethos lamenta decisão da Petrobrás

Leia a resposta do Instituto Ethos à decisão da Petrobrás de se desligar da organização por discordar da pressão que sofre devido ao não atendimento da decisão do Conama que prevê a produção de diesel mais limpo para a frota brasileira. A posição da Petrobrás você tem um pouco mais abaixo aqui no blog:

“O Instituto Ethos lamenta a decisão unilateral da Petrobras de desligar-se do seu quadro de associados. Esta é mais uma demonstração da redução do compromisso da companhia com a Responsabilidade Social Empresarial.

Em seus 10 anos de atuação, o instituto procurou contribuir para que empresas superassem seus dilemas na construção de uma cultura de responsabilidade social empresarial e sustentabilidade e sempre se colocou à disposição para facilitar diálogos, construir pontes e encontrar saídas para lidar com as diversas contradições e dificuldades encontradas nesse caminho.

Não foi diferente com a Petrobras. Assim que a questão do diesel começou a se tornar um problema de saúde pública, o Ethos não economizou esforços junto ao conselho de administração, à presidência e à alta direção da companhia para encontrar formas de manter o melhor espírito de governança, em uma relação transparente com as partes interessadas. Foi sugerido que ela assumisse a liderança pró-ativa na discussão e se mostrasse à altura da expectativa do mercado, que espera uma postura responsável de uma empresa pública e que, além disso, é líder no seu setor na América Latina.

Esses esforços se deram por meio de inúmeras reuniões que culminaram, inclusive, na abertura de um espaço durante a Conferência Internacional do Instituto Ethos 2008, para que a Petrobras e a Anfavea pudessem prestar contas e apresentar sua posição e perspectivas para o futuro.

O instituto acredita que a demanda por ética e transparência, aspectos essenciais em uma gestão socialmente responsável, não tem qualquer relação com interesses políticos. Mas, infelizmente, o discurso da companhia tem demonstrado uma posição defensiva, confundindo a exigência por prestação de contas junto à sociedade, com perseguição política ou ofensa.

Com uma postura defensiva em relação às perspectivas sustentáveis, a Petrobras passou a sofrer diversos revezes junto a entidades-chave na discussão da RSE e também no mercado financeiro. A crise de reputação que a empresa tem enfrentado está, sob a ótica da sustentabilidade, intimamente ligada à sua incapacidade de rever sua atuação e procurar desenvolver mecanismos de gestão mais responsáveis, voltados para as reais necessidades do mercado, da sociedade e do planeta.

No início do ano, a decisão do CONAR com relação às campanhas publicitárias da empresa, foi a primeira demonstração de cobrança da sociedade por mais transparência e responsabilidade. Em novembro, a saída da companhia do Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa (ISE) também foi uma decisão tomada por uma entidade composta por diversas instituições, seguindo critérios rígidos e amplamente discutidos com a sociedade civil e as empresas. Portanto, fica claro que a postura do Ethos em alertar para uma mudança de atitude da Petrobras, em seu negócio como um todo, é compartilhada por diversos atores sociais.

O Ethos crê que a decisão da companhia de se desligar do instituto tem como intenção punir o instituto por estar cumprindo sua função. Porém, o Ethos jamais se prestará a ser um instrumento de marketing socioambiental das empresas, assim como repudiará posições empresariais que sabotem o caminho da RSE no país. Foi assim no combate ao trabalho escravo, à corrupção e ao trabalho precário no agronegócio, e tem sido assim também nas cadeias produtivas da Amazônia.

O Ethos reafirma sua visão de que as empresas são parte fundamental no esforço da construção de uma sociedade sustentável e justa. Por isso, o instituto acredita que parte dessa contribuição passa pelo compromisso público e a coragem de enfrentar dilemas, mantendo sempre a ética e a responsabilidade.

O Ethos gostaria de ver a Petrobras, com toda a importância que tem em seu setor, liderando as discussões sobre energias limpas, na busca pela urgente descarbonização da economia. Porém, sua decisão parece confirmar que a companhia escolheu o caminho oposto. Lamentamos sua postura, pois ela reitera uma grande perda para o movimento de desenvolvimento sustentável no Brasil. Uma empresa pública que, portanto, pertence a todos nós, deveria estar alinhada às necessidades da população. Por isso, independente do seu quadro de associados, o instituto continua com as portas abertas para o diálogo com todos aqueles que estiverem dispostos a caminhar rumo a uma sociedade sustentável.”

2 comentários sobre “Ethos lamenta decisão da Petrobrás

  1. Sinto muito pela atitude da Petrobras de se retirar do Instituto Ethos, de se sentir perseguida, mas o fato é que o problema existe.
    O nosso diesel é impróprio, totalmente inadequado, para a União Européia pelo alto teor de enxofre.
    Surpreende-me a coragem do Instituto Ethos, em um país que tem Macunaíma e Cap. Nascimento como heróis, mas isso traz a esperança de um futuro melhor e peço, como brasileira e cidadã do mundo, que a Petrobras retorne às negociações e consiga produzir um diesel mais limpo e menos poluente, para o Brasil e para o mundo, para esta e para as próximas gerações.
    Se o problema é pedir desculpas à Petrobras, eu peço, humildemente: Desculpe-me, Petrobras! Agora, vamos sentar e resolver o problema?
    Precisando de ajuda, estou à disposição em caráter voluntário, pois é meu dever enquanto cidadã.
    Profa. Mônica Roberta Silva
    (monicarobs@oi.com.br)

  2. As grandes organizações privadas começam a sinalizar que a busca da maximização do lucro está manchando a ética e o bom atendimento.
    Fato que Galbraith previu há 30 anos.
    Previu também que certas organizações estatais poderiam ter comportamento similar.
    É o caso da PETROBRÁS.
    Mas ,há anos envia alguns milhões para o CRF .
    Este ano 16,5 milhões .
    Nem a MRV e o BANRISUL chegam a ser tão parciais.
    Particularmente acho que eleger o Flamengo como único patrocinado é de uma liberalidade digna de uma politica de laissez faire total.Própria de companhia de um dono só.
    A PETROBRÁS não tem o direito de decidir unilateralmente.
    Meu humilde protesto.

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