De aniversário


Por Maria Lucia Solla

Olá!

Quando era pequena, achava que a cada aniversário eu seria outra marialúcia, depois de partir o bolo e apagar a velinha. Sentia medo e curiosidade. Não queria ser diferente, mas queria ir em frente. Tinha medo de perder o chão, mas vivia nas nuvens; e ainda sou assim.

Com o passar dos anos, o medo foi diminuindo, e a curiosidade ganhou espaço e tomou o quanto pode. Quero mais. Quero muito mais. Hoje sei que todas as marialúcias, de todos os dias e de todos os anos, moram aqui mesmo. Dentro de mim. Tem vezes que entram num conflito danado, mas acabam fazendo as pazes e unem as forças, em prol de todas.

Em mim, mora a menina que busca mão forte, proteção e direção, e também mora a adolescente que abomina a idéia tanto de proteção quanto de direção. Aquela que clama por liberdade sem limite. O tempero quem dá é a mulher que mora em mim, a mulher que quer usar a liberdade conquistada para testar os próprios limites. Que anseia pela mão forte que também esteja em busca de proteção e que saiba negociar a direção a seguir. Essa mulher quer que a mão forte roce a sua, por pura traquinagem, antecipando o momento de se perderem em meio a todos os seus eus. De ontem, de hoje, de amanhã.

E você, conhece quem mora em você?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça este texto na voz e sonorizado pela autora:

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira; escreveu o livro “De Bem Com a Vida Mesmo que Doa”, publicado pela Libratrês; e recentemente comemorou o nascimento de mais uma marialúcia

6 comentários sobre “De aniversário

  1. Maria Lucia,
    Para manter a coerencia de personalidade, adepto do conhecimento e da técnica, fui buscar ajuda na psicanálise, linha freudiana.
    Achei ótimo e aconselho quando me pedem opinião.

    Feliz 2009.

    Carlos Magno

  2. carlos,
    estava papeando com minha amiga, Dra. Lúcia Gutman, e concordamos que a visão do ser e a busca de seu equilíbrio, por esse caminho, tem muito da análise transacional, também. O que vc acha?
    Beijo e boa semana,
    ml

  3. Maria Lucia, não conheço a analise transacional,então fico sem opinar.
    Quanto à psicanálise dentro da linha freudiana ,tenho experiência como analisado. Na verdade o grande recado é que tudo depende de você mesmo.
    O encontro consigo mesmo é dos mais dificeis, não há projeções para responsabilizar terceiros.
    Vale inclusive para RH nas empresas, lugar em que a culpa no outro é tão comum.
    Ao se conhecer melhor , passa a tomar decisões pessoais mais firmes e rápidas .

    Abraço

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