Deputado não vai ‘escarafunchar’ gasto público na Assembleia

Um gabinete para o cargo de deputado, outro para o de ex-presidente. Gastos dobrados e  um só dono. É o que acontece na Assembleia Legislativa de São Paulo em uma mordomia mantida pelo dinheiro público, conforme destacou o jornal Estadão desta segunda-feira. Como prêmio pelos serviços prestados à Mesa Diretora – formada pelo presidente, vices e secretários -, o legislativo paulista oferece um gabinete especial aqueles que deixaram a função sem que precisem abrir mão do seu gabinete de origem.

Nada disso abala o presidente da casa, deputado Barros Munhos (PSDB), que diz não ter tempo para ficar “escarafunchando” estes assuntos. À repórter Luciana Marinho falour que tem coisa mais importante, omo fazer andar a obra do anexo da Assembleia (que já custa mais de R$ 280 mi), reabrir o restaurante (fechado pela Vigilância Sanitária) e os banheiros que fedem (é ele quem diz).

Ouça o que disse o presidente da AL, Barros Munhoz (PSDB), para Luciana Marinho

Canto da Cátia: Mortes na casa

Desabamento 3

Uma obra irregular teria sido o motivo do desabamento de uma casa que matou mãe e filha no bairro de Pedreira, na zona sul de São Paulo, na madrugada, enquanto chovia forte na cidade. A Cátia Toffoletto esteve lá pela manhã e registrou a situação em que ficou o terreno após o acidente. Um muro estava sendo construído no terreno ao lado e teria caído provocando o desmoronamento. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) esteve no local e ao ser entrevistado pela Cátia comentou que a construção era irregular mas imagina que o dono da propriedade estivesse agendo de “boa fé”.

Ouça trecho da reportagem de Cátia Toffoletto

Funilarias denunciam seguradoras, em CPI

A pressão das seguradoras sobre as oficinais de funilaria e pintura para que usem peças não-originais e recondicionadas foi denunciada na CPI das Seguradoras, realizada pela Assembleia Legislativa de São Paulo. De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria de Funilaria e Pintura do Estado de São Paulo, Ângelo Coelho, as companhias desrespeitam o Código de Defesa do Consumidor e interferem na segurança dos automóveis e dos motoristas.

Ângelo foi além e acusou as seguradoras de colaborarem com o crime organizado ao negociarem veículos retirados do mercado por terem apresentado perda total.

Ouça a entrevista com ângelo Coelho, do Sindifupi

O CBN São Paulo pretende conversar com outros setores envolvidos no tema durante a semana. Se você tiver alguma reclamação envolvendo seguradoras registre neste blog.

Defensoria entra com ação contra fila em posto de saúde

Ação da Defensoria Pública do estado de São Paulo tenta reduzir tamanho da fila de espera para consulta com médicos especialistas na rede de saúde municipal, na zona sul da cidade. Em cada Unidade Básica de Saúde há em médioa de mil a dois mil pacientes aguardando consultas, exames e procedimentos cirúrgicos com especialistas, segundo o defensor Guilherme Piccina, entrevistado pelo CBN São Paulo.

Conforme Prestação de Contas da prefeitura de São Paulo do 3º trimestre de 2008, quase cinco milhões de consultas médicas foram realizadas, apenas 20.094 com especialistas. Os números, segundo os defensores públicos, demonstram o descompasso que existe entre o o atendimento inicial e o tratamento propiamente dito.

Ouça a entrevista com o defensor público Guilherme Piccina, ao CBN SP

Foto-ouvinte: Nunca feche o cruzamento

Não feche o cruzamento

Sinal aberto e os carros parados a espera do motorista deste caminhão que não sabe ler ou não tem vergonha na cara, mesmo. O colaborador do Blog do Milton Jung, Marcos Paulo Dias, estava no congestionamento provocado pelo caminhoneiro às sete e meia da manhã de quinta-feira passada, no cruzamento da Salim Farah Maluf, e aproveitou para registrar esta imagem.

‘Adote’ pede sessão noturna na Câmara de Jundiaí

Reunião Adote um Vereador

Em quase três horas de entusiasmo, ceticismo e ideias, cidadãos envolvidos na campanha Adote um Vereador estiveram reunidos na sexta (abril, 03) à noite, na sede do Ciesp, em Jundiaí. Havia jornalista de rádio e jornal; tinham estudantes e professores; adotadores e adotados, pois dois vereadores do PT estiveram no encontro, além do representante de um outro do PDT.

“Se não fosse esse horário” é o nome do movimento que será lançado na cidade do interior paulista para convencer a Câmara Municipal a transferir para a noite as sessões de votação. “Torna-se inviável a participação popular às nove da manhã de terça”, segundo informou Henrique Parra, coordenador da ONG Voto Consciente Jundiaí que organizou o “Debate Colaborativo”.

Um dos adotadores, que acompanha o trabalho do presidente da Casa, vereador José Campos, o Tico, do PSDB, disse que a alegaçõo dele é o custo para o município que teria de desembolsar cerca de R$ 1 milhão a mais, por ano, para o pagamento de adicional noturno  aos funcionários.  A vereadora Marilena Negro, do PT, que esteve na reunião, e também foi adotada, entende que este valor está superestimado, e imagina que não haverá problema para cobrir as despesas com as sessões noturnas porque todo o ano a Câmara deixa de gastar cerca de R$ 4 milhões previstos no Orçamento.

Da reunião, ainda foi possível tirar o comprometimento do DCE da Faculdade Anchieta e da Comissão da Juventude da Prefeitura de Jundiaí com a promoção da ideia de os cidadãos adotarem um vereador da cidade.

Particularmente, foi um experiência comovedora assistir às discussões de gente interessada em tornar melhor a qualidade de vida dos moradores de Jundiaí através da política.  Havia um temor de alguns dos presentes em relação a maneira como pessoas comprometidas com vereadores poderiam se aproveitar da campanha para transformar seus blogs em peça publicitária do mandato.

Assim como o medo de outros de que a falta de limites para a divulgação das informações dentro do “Adote um Vereador” levasse ao descrédito do trabalho realizado. Uma das sugestões foi que alguma organização se prontificasse a corroborar o trabalho daqueles que estejam atuando dentro do que se propõe a campanha.

Evidentemente, quando se tem a internet como principal plataforma do projeto a liberalidade que existe nesta mídia assusta. Mas devemos estar preparados para estes desvios, afinal vivemos em comunidade e não se imagina que todos aqueles que dela participam sejam íntegros.  Credibilidade não se conquista com selo de garantia oferecido por quem quer que seja.

A construção da consciência cidadã, no entanto, já pode ser percebida quando tantas pessoas se dispõem a deixar seus afazeres e lazeres em uma sexta à noite para discutir política. O Adote um Vereador, não se sabe, pode acabar amanhã ou depois, mas a ação daqueles que lá estiveram e de todos os demais que entenderam o recado dado vai permanecer.

Das muitas coisas que ouvi, gostei da frase de uma professora e ativista social de quem só guardei o primeiro nome, infelizmente, Regina: “O vereador se não for cutucado adormece”.

Avalanche Tricolor: A César o que é de César

Grêmio, teu negócio é Libertadores

Inter 2 x 1 Grêmio
Gaúcho – Beira Rio

Comemorar 100 anos de história é momento marcante. Tem de se planejar bem a festa. Convidar as pessoas certas. Deixar a casa bonita. Aproveitar cada instante para relembrar seus feitos. Dar o que se tem de melhor. Fazer de conta que todas as vitórias foram conquistadas sem ajuda externa, um apito amigo ou coisa que o valha (ou não valha). Dar um colorido especial mesmo para aquelas lembranças nem tão felizes assim como o primeiro clássico, a goleada imperdoável, o título jogado fora no último jogo, ou o pênalti desperdiçado. As datas são para serem celebradas, mesmo.

Por tanto, é muito justo que, neste domingo – mesmo com um injusto resultado -, os colorados tenham deixado o Beira Rio cantando “Parabéns a você”. Merecem, neste centenário, ser campeões do Campeonato Gaúcho. É o que merecem.

Ao Grêmio, a Libertadores, que disputou 12 vezes, foi campeão em duas e vice em mais duas. Da qual é líder invicto e tem das melhores campanhas até aqui nesta temporada.

Aliás, quando entrar no gramado do estádio Olímpico, já nesta terça-feira (sim, apenas 48 horas após o Gre-Nal, pois os torneios estaduais ainda são considerados importantes por alguns), o Imortal Tricolor terá  a oportunidade de olho no olho, respirar fundo e dizer: Libertadores, enfim sós !

De sacríficio

Por Maria Lucia Solla

Sacríficio de Issac, RembrandtOlá,

Entre as opções de ser e não-ser feliz, prometemos voto à primeira, mas na realidade, fazemos campanha pela segunda, que tem ganhado disparado.

A felicidade traz junto o prazer, e prazer anda muito mal falado. O medo da felicidade levou embora a noção. A gente perdeu. A sensação é de que andamos pela crosta terrestre sem entender coisa nenhuma,  enredados num labirinto de sacrifício.

A gente come e vomita. Come para suprir o que falta. Come demais porque falta tudo. Come errado porque falta tempo. Não come porque falta dinheiro. E, simplesmente, não come, ou vomita o que come, em prol da forma do momento.

Quando é que teremos aula de felicidade na escola? Aula de amor; pelo amor dos deuses; do passado, do presente e do futuro. Antes, bem antes das noções de sexualidade.

Olhe em volta. Olhe para dentro também. A gente reclama de tudo!  A gente escolhe a dor e descarta o amor, e em prol de quê? Do sacrifício? Já se deu conta de quantas vezes por dia você se boicota? Cozinha e reclama, come e reclama, respira e reclama. Se dorme, reclama; se não dorme, para não perder o costume, reclama também.

Sacrifício deve trazer prazer. É um atalho para chegarmos aonde a nossa alma quer ir. Sacrum + facere = sacrifício = fazer (tornar) sagrado. Sacrifício serve para fazer sagrados os nossos passos.

De tempos idos e de religião conheço pouco, mas ouvi dizer que o sacrifício foi forçado a se casar com a solidão, e que os dois têm se alimentado de certeza, posse, razão, e outros quetais. Menos de amor.

Enquanto o sacrifício for mal entendido e dons e instintos condenados à clausura, continuaremos a criar milhões de monstros frustrados que matarão pelo prazer de matar outros milhões, até acabarmos com tudo.

Como você entende o sacrifício?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça “De Sacrifício” na voz da autora. A música é Duas margens, de Chico César, em “GREENPEACE em defesa do planeta”

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, aqui no blog, exercita a felicidade que irradia durante toda a semana aos que se aproximam dela.

Ouça o debate sobre o Plano Diretor de São Paulo

(reeditado às 13:15, abril 04)

Wilhein, Bucalen e Luiz Carlos

Foram quase duas horas de discussão sobre a revisão do Plano Diretor Estratégico nas quais concordâncias foram apresentadas e divergências reforãdas em torno do texto elaborado pela prefeitura de São Paulo que estão em discussão na Câmara Municipal.

Fica muito claro o temor de setores da sociedade com a qualidade do debate que se realizará entre os vereadores e as barreiras para a ação das entidades organizadas. Assim como também a desconfiança sobre a forte influência que o mercado imobiliário terá nas decisões finais do Plano.

Pela prefeitura, o discurso é que o debate será democrático e a cidade terá oportunidades iguais na forma de construir o Plano Diretor Estratégico. Além da certeza de que apresentou uma revisão muito mais voltada para a ideia da cidade sustentável do que aquela aprovada em 2002.

Participaram do CBN São Paulo o secretário de Densenvolvimento Urbano Miguel Bucalen, o ex-secretário de Planejamento Jorge Wilhein, e o arquiteto Luiz Carlos Costa, do Movimento Defenda São Paulo.

A intenção do CBN São Paulo é ampliar este trabalho com o intuito de socializar as decisões em torno do projeto, conforme pediu o arquiteto Luiz Carlos Costa ao fim do programa. Aceitamos sugestões de como atender este objetivo.

Ouça aqui o debate que está separado por blocos, na ordem em que foi ao ar, para faciliar sua audição:

Debate do Plano Diretor – Abertura (10h00 – 10h30)

Debate do Plano Diretor – Parte 2 (10h30 – 10h45)

Debate do Plano Diretor – Parte 3 (10h45 – 11h00)

Debate do Plano Diretor – Parte 4 (11h00 – 11h15)

Debate do Plano Diretor – Parte 5 (11h15 – 11h30)

Debate do Plano Diretor – Parte 6 (11h30 – 11h45)

Debate do Plano Diretor – Final (11h44 – 12h00)

Plano Diretor: A opinião de Nabil Bonduki

O projeto de lei encaminhado pela prefeitura à Câmara Municipal não é uma revisão, mas uma alteração ilegal do Plano Diretor Estratégico (PDE). Se levado adiante como está, irá mutilar o mais importante instrumento de ordenamento territorial do município, ameaçando jogar por terra o esforço feito para criar um processo ordenado de planejamento urbano na maior cidade do país. Ademais, será criado um processo que gera enormes incertezas na regulação urbanística de São Paulo.

O PDE, aprovado em 2002 com unanimidade pela Câmara Municipal após um acordo pactuado por todos os segmentos da sociedade, criou um processo contínuo e descentralizado de planejamento, iniciado com os planos regionais das subprefeituras, construídos de forma participativa em 2.000 oficinas.

Em vez de implementar o PDE para que, em dez anos, a cidade tivesse alterado seu modelo de urbanização, a prefeitura quer alterar, de forma ilegal, seus objetivos e diretrizes, sob o argumento de que pode mudar a qualquer tempo qualquer um dos seus artigos. É o antiplanejamento. A ilegalidade mais evidente é a desobediência ao artigo 293, que estabelece que a revisão se limita à redefinição das ações estratégicas e à inclusão de novas áreas para a aplicação dos instrumentos previstos no Estatuto da Cidade. Diretrizes e objetivos estruturais não podem ser alterados na vigência do plano, ou seja, até 2012.

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