Secretaria não tem comissão “formal” para analisar livros, diz secretário

“Inadequado” foi a expressão usada pelo secretário estadual da Educação Paulo Renato de Souza ao se referir aos livros “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol” e “Poesia do Dia” distribuídos nas escolas públicas. Em ambos, foram encontrados textos que faziam referência a sexo, drogas e violência de maneira inapropriada para crianças de oito e nove anos. O último caso, denunciado por este blog, nessa quarta 27.05, está ligado a dois poemas de Joca Reiners Terron (leia mais aqui).

Na entrevista ao CBN SP não ficou muito claro o critério e a formação da comissão  que escolheu 818 títulos para serem usados pelos professores em sala de aula. Paulo Renato disse que não existe uma comissão formalizada, mas há, sim, um grupo de professores sob responsabilidade do programa Ler e Escrever que, a partir de lista enviada pelas editoras, faz a seleção.

O secretário disse que foi solicitada uma revisão nos livros que integram o programa e  na quarta-feira da semana que vem todos estes livros serão apresentados aos jornalistas: “vou chamar toda a imprensa para examinar cada um dos títulos”.

Ouça a entrevista do secretário da Educação Paulo Renato de Souza para Tânia Morales

Trote será discutido na Câmara Municipal

Estudantes universitários e do 3o. ano do ensino médio se reúnem na Câmara Municipal de São Paulo para discutir formas de acabar com o trote violento aos calouros que se repete todos os anos colocando em risco a vida de jovens. O encontro é promovido pelo vereador Gabriel Chalitta (PSDB) que desenvolve trabalho voltado ao combate ao bullying, prática que se caracteriza sempre que uma pessoa ou um grupo age com o objetivo de intimidar ou agredir pessoas na maioria das vezes incapazes de se defender.

Chalitta diz que não haveria sentido o vereador elaborar projeto de lei para tentar acabar com esta atitude que marca o início do ano letivo em várias universidades brasileiras: “cabe a nós promover este debate e tentar criar uma comissão de trabalho que discuta medidas eficazes para mudar esta situação”.

A  Tania Morales conversou, hoje, com o presidente do G20 que reúne as associações atléticas acadêmicas de São Paulo, Guilherme Ruggiero. Ele participará do encontro na Câmara Municipal e entende que será oportunidade de dividir experiências sobre trotes solidários e sociais que tem sido realizados em várias faculdades.

Ouça a entrevista com Guilherme Ruggiero

Leia aqui outros posts e artigos sobre bullying e trote universitário publicados no Blog do Milton Jung:

 Calouríadas para combater o trote violento

 Trote: Origem e Destino, por Carlos Magno Gibrail

Trote universitário: quando perdemos nossos filhos, por Ricardo Gomes

Trote violento reproduz o que jovens fazem na escola

Esse cara eu escolhi para ser meu irmão

Por Abigail Costa

Na sexta-feira, por conta da morte de Zé Rodrix, foi marcada uma entrevista com Ronnie Von. O momento era de tristeza, claro. Mas existia uma ternura nas palavras do Ronnie falando do amigo que o ambiente ganhou leveza.

Chamou-me atenção uma frase dele se referindo ao cantor-compositor-instrumentista-arranjador-publicitário-autor:
– Esse cara, eu escolhi para ser meu irmão!

Caramba! Que forte isso.

Desfrutar da companhia de alguém por décadas, alguém escolhido a dedo;, e em quase 50  anos de amizade, falar isso com a mais pura admiração. Não pela fama, pelas composições ou pelos prêmios conquistados. Falar pela gratidão da amizade. E olhe que a referência aqui são dois homens, senhores de 60 e alguns anos.

Ter alguém que se importe com você.

Ronnie lembrou as boas cobranças:
– E aí meu irmão, já fez o check-up, dizia Zé ?

Ouvi atentamente o amigo-irmão falando do outro por mais de uma hora.  Agradeci a entrevista e nos despedimos.

Levei a frase na cabeça: “escolhi esse cara para ser meu irmão”.

Enquanto pensava, contava: Quantas pessoas elegi como parente?  E quantas ainda se sustentam no poder? Não tive dificuldades em fechar a soma.

Colegas, companheiros, parceiros, esses entram e saem na vida da gente durante quase todo o tempo. Mas, “Os Caras” ? Esses são raros, poucos e bons.

Depois de puxar o traço, me dei conta de um resultado que me enche de orgulho. Eles não chegam a dois dígitos se pensarmos na quantidade. Mas em qualidade não tenho do que me queixar.

E você? Quantas pessoas fazem parte da sua família, por livre e espontânea vontade?

Abigail Costa é jornalista, escreve no Blog do Milton Jung às quintas-feiras e sabe o valor de uma amizade

Avalanche Tricolor: O velho Grêmio em campo. E na torcida

Teve de encarar até a chuva artificial

Caracas 1 x 1 Grêmio

Libertadores – Caracas, Venezuela


Invicto e a um passo da semi-final. Assim o Grêmio deixa a Venezuela, após enfrentar um adversário poderoso, capaz de desarmar mesmo os mais talentosos jogadores, de impedir a troca de passe veloz ou de eliminar a possibilidade de um drible mais habilidoso: o gramado.

O gramado do estádio Olímpico de Caracas deve ter sido usado para provas de hipismo poucos antes dos dois times entrarem em campo. A quantidade de buraco na grama não permitia que o toque de bola se completasse. Jogadas rasteiras acabavam no peito do companheiro. Ao quicar era impossível saber para que lado a bola iria correr, normalmente costumava seguir para o menos provável. A encrenca era tal que bastou o empate sair para o sistema de irrigação ligar “sozinho”, esfriar a reação do Imortal e encharcar o gramado.

Mesmo assim, e principalmente no segundo tempo, o Grêmio colocou a bola no chão, a cabeça no lugar e com calma chegou ao gol que nos põe em vantagem para a partida de volta que somente se realizará na segunda quinzena de julho. Tempo para Paulo Autuori moldar o time conforme sua visão de futebol.

Foi no segundo tempo, aliás, que o Grêmio esboçou um estilo de jogo que o novo técnico deve estar imaginando ser o ideal para nos levar ao tricampeonato da Libertadores. Ao trocar Jonas, nosso goleador, por Alex Mineiro, Autuori conseguiu fazer com que a bola voltasse a passar de pé em pé e o talento prevalecesse, apesar do gramado. Um futebol que quase lembra aquele que levou o Barcelona ao título da Copa dos Campeões.

A Coligay está de voltaOk, retire a última frase, foi apenas uma brincadeira de quem terminou o jogo feliz pelo resultado. Satisfeito por ver que o velho Grêmio, aquele que sai atrás e chega na frente; que não sabe ganhar jogo fácil, mas é capaz de driblar os buracos do campo; que joga fora de casa sempre dando a impressão de que as coisas não vão dar certo, mas elas acontecem; está de volta.

A propósito, quem também parece estar de volta, pelo menos foi o que li em uma faixa presa no alambrado, é a Coligay, a primeira torcida organizada assumidamente gay do Brasil. E com orgulho.

Poesia para crianças da rede pública fala em droga, sexo e estupro

Trechos extraídos de Poesia do Dia

As frases acima foram extraídas de duas poesias de Joca Reiners Terron, escritor, designer e editor,que estreou na literatura em 1998 e tem textos publicados no exterior, também. Terron é um dos nomes que surgiram nos últimos tempos no cenário literário brasileiro com muito destaque pela força e qualidade de seu discurso. Merece ser lido e estudado. O que professores da rede pública estadual de São Paulo estão em dúvida é se “Manual de Auto-ajuda de Supervilões” (do qual faz parte as duas primeiras frases) e “Perdido nas cidades” (as duas últimas) são apropriados para garotos e garotas de oito e nove anos da 3a. série, conforme propõe a Secretaria Estadual de Educação.

As poesias fazem parte do livro “Poesia do Dia”, organizado por Leandro Sarmatz e publicado pela Editora Ática, comprado e distribuido pelo Estado, no programa Ler e Escrever que tem como intenção “oferecer recursos para garantir as melhores condições de ensino às crianças que frequentam as primeiras séries do ensino da rede pública estadual”.

Há uma semana, o livro “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol”, publicado pela Via Lettera, foi recolhido pelo Governo do Estado depois que professores identificaram a presença de textos pornográficos (leia aqui). Antes deste fato, cartilhas com erros de geografia foram retiradas das escolas, após o Estado gastar dinheiro público com o material pedagógico.

No caso do “Dez na Área”, o governo admitiu o erro, disse que este teria sido de responsabilidade de uma comissão da Secretaria Estadual da Educação e prometeu verificar quem teria avaliado de maneira errada o material literário distribuído para crianças da rede pública.

Para ler os textos completos das poesias acesse aqui:

Manual de Ajuda de Supervilões

Perdidos nas cidades

Consumidores-autores, do Oiapoque ao Chuí

Por Carlos Magno Gibrail

Procura-se: Consum-AuthorsDe norte a sul, do Pará ao Rio Grande do Sul.

O sociólogo italiano Francesco Morace, do Future Concept Lab de Milão, que há uma semana apresentou sua tese e livro em São Paulo, certamente não se surpreendeu com fatos ocorridos em sequência.

Consumo Autoral é o titulo da pesquisa realizada por Francesco que, seguindo a linha dos que advertem que as marcas não mais pertencem às empresas e sim as pessoas que as consomem, decreta que vale a grife de quem compra, não de quem vende.

Nasce um novo consumidor – “Uma pessoa que não é passiva, que compreende as qualidades dos produtos, a estética, o design, e decide melhor por causa das tecnologias que permitem compartilhar conhecimento com outras pessoas”.

No dia seguinte ao evento do Consumo-Autoral, Sergio Abranches relatou que em Paragominas, Pará, presenciou uma cena inusitada. Autoridades locais e pecuaristas, tradicionais desmatadores, estavam tentando impedir a execução de uma licença legal para desmatamento, pois isto impediria a certificação da carne produzida na região. (ouça aqui). O autor da façanha era o cliente da carne que deixou de comprar até que se eliminasse o desmatamento.

Três dias depois, surge o movimento para mostrar a incidência dos impostos no país. Ou seja, se você paga imposto, pode ficar contente, pois hoje, quarta-feira, é o terceiro dia de trabalho do ano em que começa efetivamente a receber a sua remuneração. Até segunda-feira, 25.05, você trabalhou para os municípios, estado e federação. Sim, 40% do que você produz que equivale a 400 bilhões de reais considerando a renda da sociedade brasileira é para pagar impostos.

E o Dia da Liberdade de Impostos, idealizado e realizado por entidades representativas de contribuintes-autores, percorreu o Brasil. Ofertaram-se produtos que foram comprados sem os impostos, embora recolhidos.

O tão decantado tratamento ao consumidor, tipo agradar, encantar, surpreender, vai dar lugar efetivamente ao reinado do cliente. Não porque está sendo concedido pelas empresas ou pelo Estado, mas porque é o consumidor que está se apropriando das ofertas, dos produtos e serviços através da escolha pessoal. Ou autoral conforme preconiza o italiano Morace.

Às empresas é preciso preparação para esta nova classe de consumidores. A começar pelas livrarias. O “Consumo Autoral” que teve extensa reportagem na Folha de sábado passado, até hoje só é encontrado em uma loja de uma das cadeias de MEGA LIVRARIAS. Só o consumidor-autor focado em internet encontra para compra imediata. E, em nenhuma das 6 lojas visitadas havia vestígio da existência do livro e muito menos da reportagem de 66% de página no jornal de maior tiragem do país. Mais, numa das MEGAS ao perguntar para a segunda vendedora fui informado que não adiantava, pois toda a equipe estava no primeiro dia de trabalho.

Aos governos e políticos é necessária a visão do contribuinte-autor passando antes pela do eleitor-autor. Não dá para lidar com compradores-autores obrigados a comprar produtos sem saber o valor total dos impostos. Também não é possível aos eleitores-autores votar obrigatoriamente.  Afinal, estamos ou não numa democracia?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e às quartas traz sempre uma visão contemporânea ao Blog do Milton Jung

Mudança climática vai além de pedágio e fretado

O debate em torno do acesso dos ônibus fretado ao centro de São Paulo e a imposição do pedágio urbano ocupou boa parte do tempo da discussão sobre o projeto de lei do Executivo que prevê medidas para combater as mudanças climáticas, em São Paulo. O tema que pode ser votado nesta quarta-feira, pela Câmara Municipal, porém, é muito mais abrangente e importante para a cidade.

O pedágio foi descartado como forma de restringir o acesso do automóvel. E a discussão sobre os limites dos fretados, meio importante de transporte da população que mora na região Metropolitana e trabalha na capital, ainda necessita ajuste para que as partes se entendam. E. como diria minha vó, a emenda não fique pior do que o soneto.

Mas não podemos olhar apenas para estas questões, afinal o buraco é muito mais em cima e se não tomarmos medidas no ambiente urbano sofreremos com os prejuízos em breve. Alguns já sentimos no próprio nariz, nos pulmões, na saúde do cidadão. Vá conhecer a situação dos pacientes dos principais hospitais paulistanos que tratam de doenças respiratórias.

O Movimento Nossa São Paulo promoveu nos últimos dias abaixo assinado com o objetivo de mobilizar a Câmara Municipal a votar o projeto de lei. São mais de 600 assinaturas eletrônicas até agora. E, agora, convida a sociedade a acompanhar a votação no plenário da Câmara Municipal.

Em conversa por email que mantive com a organização do Movimento recebi alguns pontos do projeto de lei que vão muito além doaqueles que temos acompanhado na mídia.

– Redução de 30% das emissões de gases de efeito estufa na cidade até 2012;
– Prefeitura só poderá contratar obras que empreguem uso de madeira certificada e legalizada.
– Redução dos combustíveis fósseis no transporte público em 10% por ano a partir de 2008 e a substituição integral em toda a frota a partir de 2017;
– Ampliação da oferta e estímulo ao uso de transporte público, principalmente os de menor potencial poluidor, priorizando a rede ferroviária, metroviária, de trólebus, e outros meios de transporte utilizadores de combustíveis renováveis; 
- Ampliação de infra-estrutura para o uso de bicicletas;
– Implantação de faixas exclusivas para veículos com dois ou mais ocupantes nas rodovias e vias principais ou expressas;
– A concessão de licenças ambientais para grandes empreendimentos condicionadas a medidas compensatórias ambientais;
– Prefeitura vai reduzir o custo da construção acima do limite para empreendimentos que usarem energias renováveis; 
- A instalação de 96 ecopontos (um por distrito);
– locais de entrega de entulho e material reciclável;
– que atualmente são em 32.;
– Condomínios, shoppings e outros conglomerados deverão instalar coleta seletiva;
– Prefeitura deverá implantar a coleta seletiva de resíduos em toda a cidade.

Se você considerar algum desses pontos importantes para a qualidade de vida na capital paulista, vá até o site da Câmara Municipal de São Paulo e mande um e-mail para o seu vereador pedindo o apoio dele ao projeto de combate às mudanças climáticas. Se você discordar de alguma dessas ações, não deixe também de participar com sua opinião e sugestão.

O que você pensa da lei municipal de mudanças climáticas ? (postado às 15:23)

A pergunta foi feita a três entrevistados no CBN SP, ouça o que cada um deles falou sobre o assunto:

José Police Neto, vereador do PSDB e líder do Governo na Câmara Municipal

Maurício Broinizi, coordenador do Movimento Nossa São Paulo

José Goldemberg, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP

A bancada do PT na Câmara de Vereadores foi procurada pela produção do CBN SP, mas a alegação é que nãop havia vereador disponível para falar sobre o assunto.

Canto da Cátia: Fretados na campanha

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Um ônibus fretado substitui 20 carros, é a mensagem que os empresários do setor transmitem no protesto que realizam nesta quarta-feira, em São Paulo, com faixas na lateral dos veículos que circulam pela cidade. A campanha registrada pela Cátia Toffoletto, nessa manhã, é para pressionar os vereadores a não aprovarem lei que restringe circulação dos ônibus.

Trânsito: mortos, feridos e atropelados

A Lei Seca é apontada como uma das formas de se combater a violência no trânsito, mas a comparação com o modelo implantado em outros países deixa claro que o Brasil ainda precisa avançar muito. Enquanto na França são realizados 9 milhões de testes de bafômetro por ano, aqui no Brasil temos 300 mil.

Se por lá, as autoridades públicas precisam prestar contas a cada três meses sobre os números de mortes e vítimas em acidentes de trânsito e se justificar sempre que houver aumento, aqui no Brasil … bem, aqui no Brasil você sabe como as coisas são.

Hoje, 26.05, realizou-se o Seminário Internacional de Segurança e Proteção no Trânsito e nos Transportes. E o CBN São Paulo conversou com o representante da OMS, Organização Mundial da Saúde, doutor Marcos Musafir, sobre o efeito da violência que enfrentamos no dia a dia no trânsito dos centros urbanos e os caminhos para amenizar este cenário.

Durante a entrevista, levantamento feito pela Monica Poker, que acompanha o tráfego na capital paulista durante a manhã, apontou até às 10 horas, 19 acidentes – número abaixo da média. Houve neste período nove atropelamentos.

 Ouça a entrevista com o dr. Marcos Musafir (OMS)

Aterro sanitário melhor; lixo, pior

A qualidade dos aterros sanitários no Estado de São Paulo melhorou, segundo Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Domiciliares 2009, divulgado nesta terça 26.05. O avanço pode ser constatado na comparação com o primeiro monitoramento feito em 1996 quando apenas 4 % dos locais destinados para depósito de lixo eram considerados adequados. Atualmente, 52% dos aterros receberam aprovação da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

Na capital paulista, os três aterros receberam nota alta, a partir de 8,9, mas a avaliação não leva em consideração o fato de que estes locais estão com sua capacidade esgotada. Uma realidade que muda pouco é a quantidade de lixo enviada aos aterros. Calcula-se que mais de 90% dos resíduos produzidos acabam nesses terrenos quando boa parte poderia ser reciclada ou reaproveitada.

Um dos aspectos apontados no Inventário é que de cada cinco aterros um não tem licença para operar, o que não quer dizer que não estejam em condições adequadas.

Ouça a entrevista com Aruntho Savastano Neto (Cetesb), coordenador do Inventário de Resíduos Sólidos