As irmãs Aldeneide e Luana dos Santos Freitas foram pacientes do antigo Hospital Matarazzo, na Bela Vista. Tinham problemas respiratórios durante toda a infância e ficaram curadas pouco antes da instituição ser fechada. Luana, aliás, nasceu na maternidade Condessa Filomena Matarazzo, em 1984. A mãe delas também frequentava as salas de ortopedia, otorrino e clínica geral.
A intimidade com o local as levou de volta à instituição, curiosas que estavam para descobrir o que iria acontecer com aquela área por enquanto abandonada próximo da avenida Paulista. O que viram foi chocante, segundo elas próprias descrevem. O hospital, marco da história paulistana, em pedaços.
As imagens acima foram feitas por elas, o texto abaixo, também. Como salvar o Hospital Matarazzo, é desafio de quem acredita na preservação da história, em São Paulo:
Havia 16 anos que eu não pisava no Hospital Matarazzo, que eu não tinha mais notícias concretas sobre esta instituição que faz parte das minhas lembranças de infância. Até que no ano passado minha irmã e eu resolvemos fazer pesquisas para saber o que havia acontecido com o hospital e ficamos indignadas com o que descobrimos.O Hospital Matarazzo, tombado pelo Condephaat e pelo Conpresp em 1986, foi comprado pela PREVI ( Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil ) ainda em 1993, mesmo ano em que foi fechado. A intenção era implementar um empreendimento imobiliário do escritório do arquiteto Júlio Neves. Segundo o projeto, grande parte do hospital seria demolida para a construção de um shopping e flats comerciais.
A PREVI conseguiu que o Hospital Matarazzo fosse destombado pelo Condephaat e conseguiu até alvará da prefeitura, autorizando as demolições. Mas graças a uma Ação Civil Pública movida por associações da Bela Vista o destombamento foi anulado e o projeto foi embargado. A PREVI recorreu e o processo ainda está na justiça. A partir dessas descobertas quisemos ver com nossos próprios olhos a situação em que se encontrava o hospital. Então, em julho do ano passado, agendamos com a PREVI nossa primeira visita.
A reação que tivemos ao rever o hospital foi de choque, seguido por uma grande tristeza no que se transformou aquele lugar que frequentamos durante nossa infância . Se transformou num espectro, um lugar sem vida , repleto de lembranças de um tempo que não volta mais !
Naquela época, o hospital atendia pessoas não só de São Paulo, mas de várias outras cidades, independentemente da classe social. O Hospital Matarazzo foi considerado um dos melhores do Brasil e apresentava um diferencial arquitetônico: um palacete florentino construído pela comunidade italiana de São Paulo, cercado por belos corredores com jardins ao redor que ligavam as alas.
Foi muito triste ver o Hospital Matarazzo em ruínas, repleto de infiltrações, humidade, rachaduras nas paredes, encanamento podre, fiação elétrica exposta, forro do teto arrancado e o telhado esburacado. Boa parte da cerâmica desapareceu. Há sujeira por toda parte. Pombos, piolhos de pombos, ratos, baratas, pulgas, cupins que destroem os telhados. A fachada está decaracterizada. Estão acabando com o hospital !
Desde a nossa primeira visita em julho do ano passado até a mais recente em abril deste ano a situação dos prédios vem piorando progressivamente. Segundo relato de um vigia, desabam pedaços de forro quase todos os dias e sempre vem caçambas para recolher o entulho.A situação é crítica. Ainda assim parece haver um fio de esperança, um resto de vida que insiste em resistir à ação do tempo e a especulação imobiliária. Ao descaso. Senti como se aquele lugar pedisse socorro. Urgentemente, antes que não tenha mais volta. A vida ainda pode prevalecer sobre a morte naquele lugar tão carregado de lembranças que faz parte da história de São Paulo.
Estamos nessa luta ( minha irmã e eu ) e, à medida que o tempo passa, estamos conseguindo o apoio de mais pessoas : ex-pacientes, ex-funcionários, associações etc … E se depender de nós, nosso querido Hospital Matarazzo ressurgirá das cinzas, como fênix !
Nosso objetivo é que os atuais proprietários façam obras emergenciais nos edifícios. Queremos que os prédios sejam restaurados com a finalidade de se transformar em hospital “público”. Para isso ser possível estamos em campanha e pedimos que o governo municipal ou estadual compre o imóvel da PREVI e assim recupere o complexo hospitalar.
Tenho certeza de que a vida prevalecerá sobre a morte ! O coração paulistano falará mais alto e o hospital será reativado !
Mais um descaso, pouco caso, desinteresse.
Impressionante como as coisas acontecem no Brasil
O que mais o povo precisa é de saude, casas de saude, hospitais em condições plenas de funcionamento.
Olhem que contradição e ironia amigos
Meu pai também foi tratado durante anos nesta importante e linda casa de saúde
E agora!!!
Abandonada!
Alem de ser a edificação uma verdadeira obra de arte arquitetonica tamém.
Será que alguma grande incorporadora esta com pretenções de construir mais horrorosas e sombrias torres?
Vejam por exemplo a Nova Faria Lima, Vila Olimpa, Tatuapé, Lapa, sendo totalmente destruids, descaracterizados dia a dia.
Horrível que vem acontecendo em São Paulo a exemplo do Humberto Primo e ninguem toma nenhuma iniciativa
E assim São Paulo vai ficando sem historia, insuportável, só de vermos a exemplo desta materia.
Apesar de tudo
Um bom dia
Armando Italo
O Hospital Matarazzo também faz parte das memórias de minha infância. Foi para lá que meu querido (e já falecido pai) foi levado, em 1978, depois de sofrer um grave acidente de carro quando ia para o trabalho. Foi lá, no Hospital Matarazzo, que ele passou 17 dias na UTI antes de ser transferido para o quarto, onde passou mais 5 meses e 5 dias de sua preciosa vida (ceifada em 1999 por um cancer no pulmão). Também andei e sonhei pelos corredores daquele Hospital… Por isso, podem contar comigo nesta luta! Vamos salvar o Hospital Matarazzo!!!!
Sou moradora da Bela Vista, na Pamplona, bem perto do Hospital Matarazzo. Pelo que sei, desde da época em que nesse espaço houve uma Casa Cor, a Capela e Maternidade e as árvores são tombadas pelo Patrimônio Histórico. Isso não impede que todo o complexo esteja abandonado.
Ele é explorado como estacionamento e há pouco tempo, foi interditado pela prefeitura, acho que ainda está. Há algun tempo foi congitado a idéia de ser feito um shopping, mas me parece que isso não aconteceu por causa da Associação dos MOradores da Bela Vista. É uma pena que todo esse complexo fique abandonado, ainda tem um prédio que começou a ser construído e está só a carcaça…Precisa-se fazer algo ali, tomar conta desse pedaço que faz parte da história de São Paulo.
Admiro muito o trabalho delas. Tive a oportunidade de conhecê-las em um trabalho, justamente sobre o hospital.
A PREVI não autoriza mais as visitas na área interna, nem os vigias nos deixaram entrar.
Na época que o estacionamento ainda funcionava, consegui tirar algumas fotos da parte externa e tive a oportunidade de admirar algumas áreas daquele belo complexo. (Uma vez enviei ao Milton algumas fotos, estão no link acima)
Podemos sentir um forte odor de mofo pela Rua Itapeva, vindo do hospital. É uma pena ver tudo aquilo abandonado e deteriorado. Um dos vigias nos contou que desabamentos acontecem com freqüência e tenho até medo do que possa acontecer se a área não receber cuidados.
Parabéns Luana e Aldeneide pelo empenho e ao Milton pela oportunidade de divulgar esse descaso!
O Governo do Estado de São Paulo deveria comprar o Hospital Matarazzo para o Instituto de Reabilitação Rede Lucy Montoro, que pretende dar uma nova perspectiva aos cerca de três milhões de paulistas com deficiência física e dificuldades de locomoção.
Invés disto estão comprando o HILEA, Cento de Vivencia da Maturidade, localizado em área nobre do Morumbi, por R$ 60 milhões.
Será que com este valor poderiam comprar e reformar o Hospital Matarazzo, localizado em área bem mais acessível à população,
É muito mais conveniente comprar um local pronto, um projeto 5 estrelas, único no Brasil, inaugurado em Dez-2007
Os investidores deste projeto não esperaram a maturidade do investimento e resolveram vender ao Governo do Estado de São Paulo no momento em que o equilibrio operacional foi atingido, com 50% de ocupaçao.
As famílias que pagam entre R$ 10.000 e R$ 30.000 por mes estão sendo convidadas a procurar outro local para colocar seus parentes que residem no HILEA.
E p projeto premiado, único no Brasil, vai ser vendido para o Governo do Estado de São Paulo
Sem comentários adicionais…………
Minha falecida mãe afirmou certa vez que o busto, numa das fotos do Conde Matarazzo que está no salão principal foi fabricado na fundição Globe pertencente a um dos meus tios,(a confirmar) localizada no Bairro da Lapa de Baixo ironicamente a exemplo do Hospital Matarazzo, econtra-se em processo de degradação, por causa da abusiva, especulação mobiliaria, com a construção das horrendas torres residenciais, altissimas
E assim freneticamente, com apoio dos codigos de obras, outorga onerosa, a nossa São Paulo vai ficando sem historia, sem qualidade de vida, sem dono, sem perspectivas de reabilitação, sem horizontes, cada vez mais cinza, adensada, poluida, transito caotico, etc etc etc etc
Abraços
Armando Italo
FAÇO QUESTÃO DE DECLARAR A INDIGNAÇÃO DOS RESIDENTES E PACIENTES DO HILÉA , QUE ESTÃO SENDO DESPEJADOS , COM DESCULPAS ESFARRAPADAS POR PARTE DOS INVESTIDORES. O PIOR , É SABER QUE O GOVERNO DO ESTADO É O COMPRADOR DE UM PRÉDIO LUXUOSO QUE TERÁ QUE SOFRER REFORMAS CARÍSSIMAS PARA PODER OPERAR. TRATA – SE ´REALMENTE UMA OBRA ELEITOREIRA !! ESPERO QUE O NOSSO GOVERNO, PERCEBA O ERRO A TEMPO …
Eu nasci na Maternidade Matarazzo, em 1954 – não sei se na época era chamado de Humberto I. Minha mãe falava da maravilha que era o hospital. Estive lá mais de 20 anos depois para visitar uma amiga, que tinha tido a 1ª filha lá, e fiquei encantada com os prédios, o terreno amplo, tudo tão lindo e sem aquela “cara feia” de hospital. Numa certa época quiseram fazer um Shopping Center lá, e fui uma das que assinou o Abaixo-assinado contra um shopping center ali. Gostei muito da sugestão do Carlos Paiva, de que o governo do Estado faça lá o Instituto de Reabilitação Rede Lucy Montoro, pois acredito que aquele incrível complexo não pode ter melhor destinação do que voltar a ser um Hospital, e com objetivo tão nobre e importante quanto o de atender as pessoas com deficiência física e dificuldades de locomoção.
Moro na Bela Vista desde a minha infância e também sempre recorria ao Hospital Matarazzo quando tinha minhas crises de bronquite. Foi para lá também que em 1985 levei minha mãe as pressas com uma crise de Ulcera suporada e que imediatamente foi muito bem atendida, operada e curada. Lembro-me muito bem da belíssima construção dos prédios.
Em 1994, trabalhando no prédio do Banco Real, me utilizei do estacionamento que havia lá e sempre procurava espreitar pelas janelas os aposentos abandonados, naquela época ainda havia uma senhora que era paciente do hospital e por não ter família, continuava morando lá e sendo cuidada pelos ex fuincionários que a mantinham com doações (isso até a sua morte). É preciso que se faça algo com urgência, antes que acabem, desculpem-me, acabe acontecendo um desmoronamento “acidental”, como ocorreu com a outra mansão proxima, na Av. Paulista e que hoje é um estacionamento.
É preciso cuidar e resgatar a memória histórica de nossa cidade e do Bairro da Bela Vista!