Conte Sua História de São Paulo: os robôs que humanizaram o atendimento hospitalar na pandemia

Lilian Ishida Arai

Ouvinte da CBN

Foto: Divulgação

Sou médica otorrinolaringologista e uma das fundadoras do Hackmed, uma startup de fomento à inovação em Saúde. Em janeiro de 2020,  quando ainda era possível fazer uma aglomeração, organizamos um grande evento com referências das áreas de saúde, tecnologia, governo e academia para discutir inovação em saúde. Para abrir a atividade, produzimos um vídeo que ilustrava algo futurístico, simulando uma rotina de robôs circulando pelos corredores de um hospital, onde todos interagiam de forma natural. 

Em março de 2020, veio a pandemia.  O Hospital das Clínicas transformou o Instituo Central em um covidário com 600 leitos de enfermaria e 300 de UTI para pacientes de média a alta gravidade. Os pacientes chegavam de ambulância. Grande parte deles, em isolamento e bastante debilitados. Sem direito a um contato sequer visual com a família. O HC não tinha WIFI aberto. E a maioria dos pacientes não tinha plano de dados para internet.

Foi quando me pediram para encontrar robôs de telepresença. Uma empresa emprestou três deles. Dois especialistas se voluntariaram a ajudar na implantação do programa. Médicos se uniram para incluir os demais colegas no sistema. Ainda desenvolvemos um suporte para 40 tablets e trabalhamos com alunos voluntários para que as televisitas ocorressem.

….

Um senhor que já estava com diagnóstico de câncer terminal e pegou COVID, estava internado. Há dias ele só dormia. Pedimos que a família mandasse um áudio gravado. A filha gravou uma música cantada por ela. Enquanto reproduzíamos o áudio, ele abriu os olhos como que procurando alguém. E com a mão limpou as lágrimas que corriam no rosto.

Uma senhora prestes a ser internada recebeu a televisita da filha que trazia palavras de esperança e alegria. Nem mesmo a dificuldade de respirar, impediu-a de dar gargalhadas naquele momento.

Uma mãe, que chorava muito e mal conseguia falar com seu filho devido a falta de ar, usou os robôs para se despedir. E como toda mãe, mesmo em dificuldade, estava preocupada com o filho: “amanhã, acorda cedo porque tem aula virtual”.

Foram três meses de trabalho voluntário e exaustivo até que todos os protocolos da televisita fossem validados. Aquela visão futurística de janeiro de 2020, se fez presente.  Por mais contraditório que possa parecer, os robôs humanizaram o atendimento. E se o fizeram é porque seres humanos estavam por trás deste projeto. Gente como Spencer Santos, Marcius Wada, a turma da Hackmed, Pluginbot e Voice Technology. E todos os demais voluntários, estudantes e profissionais da área de saúde, que tornaram possível essa realidade.

Lilian Ishida Arai é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto, também, e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Fernando Torelly, CEO do HCor, defende que empresas promovam a saúde de seus trabalhadores

“Revogamos o organograma e implantamos o funcionograma —- como as coisas tem de funcionar” 

Fernando Torelly, CEO do HCor

Quase dois anos acompanhando o pai internado quando ainda era adolescente, no Hospital das Clínicas, em Porto Alegre, foram determinantes para a carreira do economista Fernando Torelly. Recém-formado em Ciências Econômicas na PUC do Rio Grande do Sul, teve oportunidade de trabalhar na tradicional siderúrgica Zivi-Hércules, fundada em 1931, e, atualmente, com seus produtos em 90 países. Apesar de a vaga ser bastante atrativa, as visitas frequentes ao hospital influenciaram sua decisão de aceitar outro convite que havia recebido na mesma época, para ser o chefe de treinamento e recrutamento do Hospital das Clínicas. 

Já tendo passado por hospitais de excelência, como o Moinhos de Vento, em Porto Alegre, e o Sírio Libanês, em São Paulo, Fernando Torelly assumiu a superintendência corporativa do Hospital do Coração —- HCor, às vésperas do início da pandemia, em janeiro de 2020. Um desafio que, segundo ele, se diferenciou de todos os demais que enfrentou ao longo da carreira. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, o executivo conta que a Covid-19 impactou a saúde de uma quantidade enorme de funcionários e profissionais dentro do próprio hospital:

“Sempre pensamos na indústria aeronáutica como a mais segura porque piloto e tripulação estão dentro do avião e eles próprios é que fazem o checklist de todos os controles. A pandemia colocou os profissionais de saúde dentro do seu próprio avião. Os protocolos de controle passaram a ser uma obsessão”.

Além da necessidade de reestruturar o atendimento dos pacientes —- com ou sem Covid-19 —, foram adotadas medidas para proteger os funcionários e seus familiares. Diante do receio de levarem o vírus para casa, os colaboradores puderam ficar em quartos de hotéis alugados pelo HCor. Com o apoio da instituição também trocaram o transporte coletivo pelo individual —- táxis e transporte por aplicativo. Outra preocupação foi com o suporte emocional para que os trabalhadores tivessem condições de exercer suas funções.

O processo de comunicação dentro da instituição teve de ser melhorado ao longo da pandemia, de acordo com Torelly. A prática era de fazer com que a informação seguisse uma hierarquia, sendo passada primeiro para gerentes e supervisores até chegar aos funcionários na frente de trabalho. Em alguns casos, isso levava a demora de até dois dias para que os novos procedimentos fossem adotados. Na pandemia, não se podia perder tempo:

“O processo de comunicação e hierarquia foi completamente modificado no hospital. Nós passamos a fazer duas reuniões com 200 pessoas, ao dia, com todas as lideranças para que pudéssemos atualizar todo o andamento da evolução da Covid … Tivemos de fortalecer a decisão de quem estava na ponta do atendimento do paciente”.

Para o executivo não é mais possível abrir mão desse modelo de comunicação, porque esse é o novo jeito de as organizações trabalharem. E um modelo que não se restringe a administração hospitalar. Tem de estar presente em todas os ambientes. Perguntado sobre que ensinamentos a experiência de liderar uma instituição da dimensão do Hospital do Coração podem ser levados para outras corporações, Torelly diz não ter dúvidas:

“A revolução dos processos de comunicação não hierárquicos, onde você conversa com todos os níveis, online e realtime. E a preocupação de transformar o ambiente de trabalho em um ambiente mais acolhedor e estimulador para o profissional fazer o seu melhor trabalho”. 

A comunicação entre hospital, profissionais de saúde e pacientes é outro aspecto que o executivo chama atenção. Para ele, ainda é preciso evoluir muito nesse sentido e usar da tecnologia disponível para que as informações circulem de forma mais rápida e transparente. Torelly lembra que o paciente muitas vezes está ansioso porque ele quer saber o que está acontecendo e como o tratamento está evoluindo. Uma forma de resolver essa questão é permitir que, através de plataformas digitais que os hospitais já mantém, os pacientes tenham acesso a todos os procedimentos realizados.

Das estratégias corporativas no hospital para aquelas que precisam ser adotadas por todas as demais empresas, Fernando Torelly destaca a importância de as organizações cuidarem muito mais da saúde dos seus colaboradores. Lembra que a doença que mais cresce no mundo é o burnout — “a depressão relacionada ao trabalho”: 

“Eu sou um ativista da transformação dos ambientes organizacionais em locais que trabalhem para gerar saúde aos seus funcionários e não o adoecimento físico e psíquico … Nós vamos nos envergonhar daqui uns 5 ou 10 anos da maneira como cuidamos da saúde dos nossos profissionais.”

Em lugar de entregar um cartão de plano de saúde para o funcionário e fazê-lo buscar atendimento em diversos lugares, as empresas têm de incentivar o cuidado com a atenção primária, com a identificação de médicos de referência e trabalhar a prevenção e a promoção da saúde. 

Assista à entrevista completa com Fernando Torelly, superintende executivo e CEO do Hospital do Coração, em São Paulo:

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN e nos canais da rádio, no YouTube e no Facebook. O programa vai ao ar, aos sábados, 8h10 da manhã, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. E está disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

“Dou conforto na passagem e não tormento”

Dra. Isadora Jochims

reumatologista, artista visual

Conheça a história da Dra Isadora Jochims publicada na revista Vogue

Guerra / Não estou em uma guerra /

Cuido de vidas, não ceifo /

Dou conforto na passagem / E não tormento /

Não sou movida a ódio / Mas a amor e afeto /

Não quero ganhar / Quero empate /

Minhas bombas são de infusão / Elas seguram almas /

Seus barulhos são de alerta / E não de explosão e morte /

Não sou um soldado /

Minha vida vale / Não sou um número /

Sou a ponte / Para o outro lado /

Não julgo / Não quero saber seu passado /

Apenas da sua vida /

Agora / O ato / A cura /

Não tenho armas / Nem balas /

Tenho a ciência / O conhecimento das medicinas /

Das prevenções / Do cuidado /

As vacinas /

Estou na linha de frente / E não escondido em uma trincheira /

Na linha da frente / Da vida e da morte /

Não obedeço ordens / Tenho autonomia /

Penso / Existo /

Trato precocemente a loucura / Da disputa e do poder /

Por isso não esqueça / Não estamos em uma guerra! /

A vida é mais do que perder / E ganhar /

Nem tudo vale! /

Me paramento / Se paramente / De amor /

Para a esperança enfim / Renascer em nós!”

Conheça a história da Dra Isadora Jochims publicada na revista Vogue

Mundo Corporativo: Paulo Chapchap, do Sírio Libanês fala de gestão hospitalar

 

 

Tecnologia e infraestrutura são fundamentais para que hospitais e serviços de saúde possam oferecer serviço qualificado a seus clientes, porém nenhum investimento nestas áreas terá o resultado alcançado se os funcionários, dos diferentes setores, não estiverem preparados para atender os pacientes e seus familiares. Diante disto, o treinamento dos seus 6.500 colaboradores, seja do departamento de limpeza e segurança seja do corpo clínico, é primordial na opinião do doutor Paulo Chapchap, superintendente de estratégia corporativa do Hospital Sírio Libanês, entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Chapchap fala da estratégia que foi implementada no grupo para ampliação das dependências e modernização dos equipamentos disponíveis nas cinco unidades, em São Paulo e Brasília. Além disso, mostra como as instituições privadas podem colaborar no desenvolvimento do setor público, através de parcerias e troca de experiência.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br. E os ouvintes-internautas participam com perguntas no e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de SP: assustada com o barulho dos aviões, em Congonhas

 

Por Maxionilda Schiavinatto Gubolin
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Com muita alegria escrevo essas linhas pra contar um pouco da minha história, da minha vida na grande cidade de São Paulo. Eu era menina, tinha 11 anos de idade. Era de Jales no interior, e vim para São Paulo trabalhar como babá na casa da Dona Ivone e do Dr. Amaury, olhando o pequeno Fernando, na época com oito meses. Morávamos em uma casa com sua irmã Zoraide e seu esposo Dr Velozo, diretor do Hospital Osvaldo Cruz, e os filhos deles, Maria Angélica e José Roberto. Essa casa era próxima ao aeroporto de Congonhas em frente a um quarteirão da Aeronáutica, onde, lembro bem, nós pegávamos água. A Aeronáutica continua lá, mas em frente ao Shopping Ibirapuera. Nas férias, os filhos desses doutores iam para nossa casa no interior para brincar, mesmo sendo uma casa de pau à pique era muito divertido. Aqueles senhores gostavam muito de nós e sempre pediam aos meus pais que deixassem eu morar na capital para estudar, mas retornei para Jales.

 

Outra coisa que ficou marcada em mim foi o 25 de janeiro de 1954. São Paulo fazia 400 anos. A Dona Ivone sentou ao meu lado e disse: “Maxionilda, hoje São Paulo faz 400 anos estamos todos aqui, mas quando fizer 450 anos posso não estar mais, mas você estará para lembrar esse dia”. Lembro-me de ir à igreja de Moema, ao circo Arrelia, de ver a Angela Maria cantando na televisão que tinha acabado de ser lançada, das idas ao parque do Ibirapuera e de andar de bonde. Foi uma época maravilhosa o tempo da garoa. Lembro-me de ter visto o sol raras vezes em três meses que fiquei aqui. Ah! Lembro também de acordar assustada com o barulho, mas logo eles me acudiam dizendo que era o avião decolando ou pousando. A iluminação das ruas era com lampião de gás.

 

Há algum tempo voltei àquele lugar e procurei notícias sobre Dona Ivone e o Dr. Amaury, mas os vizinhos me disseram que tinham mudado para o Brooklin. Gostaria muito de revê-los. Enquanto não consigo, aproveito para deixar um abraço para eles. Hoje, tenho 71 anos, três filhos e três netos, moro em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. Sempre conto aos meus netos essas gostosas aventuras, pois sou muito honrada por ter vivido histórias tão lindas na capital.

 

Maxionilda Schiavinatto Gubolin é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade, mande seu texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Conte Sua História de SP: nada como a Holanda para enfrentar ETs

 

 

Por Álvaro Donizeti de Carvalho
Ouvinte da rádio CBN

 

Acompanhe o texto completo enviado pelo ouvinte; e no arquivo a seguir, ouça o programa que foi ao ar no CBN São Paulo, sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

 

Bairro da Penha, verão de 1976. Tempos áureos do Mercado Municipal que resistiu bravamente a um incêndio na década passada, da belíssima Basílica de Nossa Senhora da Penha, da Loja Eletroradiobraz que virou Extra, da papelaria “A Estudantil” na rua Dr. João Ribeiro, e da charmosa “Loja das Bagunças” na Av. Penha de França, atrás da Igrejinha do Largo do Rosário que, assim como a Estudantil, permanece imponente no endereço original.

 

Na “Loja das Bagunças”, meus pais compraram meu primeiro carrinho de brinquedo: o famoso Pé na tábua, um carrinho de fórmula 1 feito de plástico movido pelo impulso de ar que recebia de um tipo de fole que se encaixava na parte de trás do brinquedo. Bastava pisar no fole e o bicho saia em disparada. Na papelaria “A Estudantil” comprávamos o material escolar que não encontrávamos no bazarzinho da simpática dona Herminda que funcionava bem ao lado da escola: o Grupo Escolar Esther Frankel Sampaio onde eu estudava.

 

Os alunos das escolas públicas estaduais usavam avental branco com um mapa vermelho do estado de São Paulo estampado em um bolso gigante no lado esquerdo do peito. Naqueles tempos, a escola pública era de respeito e nós, alunos, ficávamos em pé quando os professores ou o diretor entravam na sala de aula.

 

Eu, na época com 11 anos, levava a típica vidinha de moleque dos anos 1970: futebol no campinho de terra batida, na travessinha da Rua Barra do Rio Grande; pião, bola de gude, taco, pipa nas férias de janeiro e julho, pega-pega e até queima (quando as meninas nos desafiavam). Depois do futebol, a gente corria para a vendinha do Seu João, palmeirense roxo, que ficava lá na Rua Goiapi para encher a pança de doce e refrigerante. Na vendinha o cliente comprava fiado e deixava marcado numa caderneta que o dono preenchia à mão mesmo. Nossos pais, lógico, só ficavam sabendo daquele montão de doces no fim do mês quando acertavam as contas com o Seu João. Era bronca para todo lado.

 

Vou narrar um caso que me lembra o Hospital da Penha, que durante décadas, foi a opção de tratamento mais tradicional da região. No início, apesar de particular, o hospital possuía convênio para atendimento público (anos 1970 e 1980). Durante os anos 1990 passou a atender exclusivamente como hospital particular. Fechou no início dos anos 2000 e reabriu administrado pelo Sociedade Beneficência Portuguesa. Eu e todos os meus irmãos nascemos lá. O prédio na rua Santo Afonso (ao lado da Igreja Velha da Penha) que durante tempos foi usado como consultório, não foi reaproveitado e hoje está para alugar. Pena, pois pela beleza arquitetônica deveria ser tombado. O outro prédio, na rua Arnaldo Vallardi Portilho ainda não foi totalmente reativado, mas conserva incrivelmente o mesmo aspecto de décadas atrás.

 

Eu preferia brincar na rua como a maioria dos moleques, mas também assistia à TV quando, nos horários em que minha mãe ia trabalhar, ficava encarregado, com o meu irmão, de tomar conta da casa e de nossa irmãzinha chorona e babona de apenas 3 anos de idade. Bem, garoto que se prezava não gostava de assistir à novela. Preferia Ultraman, Vingador do Espaço, Fantomas ou qualquer outra atração grotesca que tivesse monstros no enredo.

 

Foi naquele verão que, apesar do ótimo desempenho escolar, bom relacionamento com vizinhos, amigos e até de tocar na banda da escola (que a gente chamava carinhosamente de fanfarra), o garoto que vos escreve passou a ter certos “pesadelos noturnos” nos quais a Terra era invadida por seres extraterrestres os quais controlavam monstros gigantes que destruíam tudo que encontravam em seu caminho. Durante à noite, eu levantava e corria pela casa dormindo, gritando e acordando todo mundo para que fugissem dos tais alienígenas.

 

Depois de cortar sem resultados a TV, meus pais, já preocupados com a situação, resolveram procurar um médico. O bom doutor me examinou, fez um montão de perguntas para ver se eu regulava bem das ideias e, depois de muito coçar a cabeça, resolveu me encaminhar para um exame neurológico, que consistia na extração, por meio de seringa com agulha, de líquido da medula espinhal (dói só de lembrar isso!!!).

 

Naturalmente, meus pais tentaram me tranquilizar dizendo que era só uma “picadinha”. Eu, malandramente, logo quis aproveitar a oportunidade para fazer uma chantagenzinha: concordei em fazer o exame desde que eles me comprassem o jogo de futebol de botão da seleção da Holanda.

 

Lembro-me que o exame estava marcado para a manhã de um sábado e lá fomos nós para o hospital. No caminho, fiz minha mãe parar no pequeno bazar da japonesa que ficava no finzinho da Rua Penha de França ao lado do mercado da Saúde (início da Avenida Cangaíba) para mostrar o jogo de futebol de botão que eu queria ganhar.

 

Chegamos adiantados ao hospital e lá conhecemos uma jovem e simpática senhora que também aguardava o exame. Ela era loira, bonita, aparentava ter por volta de 40 anos e era muito comunicativa. Conversa vai, conversa vem e ninguém falava em outra coisa além do “bendito exame.”

 

Ela entraria antes de mim e havia outros pacientes que fariam o exame depois. Eu tinha saído de casa tranquilo mas aos poucos fui ficando desesperado com tanto burburinho:  “fulano não sentiu nada, mas ciclana quase morreu”,  “ouvi falar que a agulha é pequena!” ” Não, a agulha parece carga de caneta bic!”. Percebendo que eu estava de olhos arregalados e apavorado com os comentários dos outros pacientes, a jovem senhora e a minha mãe tentaram desconversar. “É muito tranquilo. Meu sobrinho que é pequenininho já fez e nem chorou” – disse a mulher com um sorriso nada convincente. A enfermeira então apareceu na sala e chamou a jovem senhora. Acompanhada pela irmã e pela enfermeira, ela rumou para o fim do corredor meio escuro onde ficava a salinha do médico.

 


Minha mãe então recomendou: – fica quietinho que vai acabar logo e a gente vai pra casa. No entanto, a mulher não saía mais da sala do médico e eu ali paralisado não conseguia tirar os olhos daquele corredor escuro. Depois de um tempão, vi que três vultos vinham caminhando. Era a jovem senhora, escorada de um lado pela irmã e do outro pela enfermeira. Ela que tinha pele clarinha estava vermelha como um pimentão maduro. Ao chegar perto de mim, fitou-me com os olhos ainda cheios de lágrimas e balbuciou, com a voz toda trêmula: – Não dói nada, não… O quê? Não tive dúvidas, aos berros fui me afastando e gritei para a o bairro inteiro da Penha ouvir: – Não quero, não vou fazer, eu vou embora! Naquele momento, minha mãe toda envergonhada, a enfermeira e outros pacientes tentavam me agarrar e me arrastar para a sala do médico, que, ao ouvir a gritaria saiu até o corredor para saber que “barraco” era aquele. Não teve jeito, Nem médico, nem enfermeira, nem os outros pacientes conseguiram me segurar. Como um foguete eu ganhei a rua e ainda ouvi o médico gritar algum tipo de elogio que eu não entendi, mas também não fiz a menor questão de saber o que era.

 


No caminho de volta, sozinho e ainda assustado, passei em frente ao pequeno bazar da japonesa para dar “adeus” ao presente que eu certamente não iria mais ganhar. Morávamos em um sobrado e eu, com medo de levar umas belas palmadas, tratei logo de subir no telhado e puxar a escada para não ser alcançado. Assim foi o sábado inteiro, sem café nem almoço, até que, à noite, meus pais finalmente me convenceram a descer prometendo que eu não seria punido. Tive apenas que escutar um longo sermão durante o jantar. Eles decidiriam, depois, se remarcariam, ou não, o exame médico. Nem foi preciso. Eu nunca mais tive pesadelos. O medo da tal agulha gigante que parecia “carga de caneta bic” espantou, para sempre, os seres espaciais.

 


Bem, a vida segue. Hoje, adulto, acho graça quando vejo as crianças assistindo aos seriados bobos de monstros na TV e sempre que passo pela Penha, lembro, com saudades, daquela travessura de meus tempos de moleque.

 

O IPTU de São Paulo, a coceira e a falta de lógica

 

Por Julio Tannus

 

Em um país como este, salve-se quem puder!

 

1) Após aguentar por um bom tempo uma coceira pelo corpo, resolvi dar um basta. Procurei uma médica dermatologista. Saí de seu consultório esperançoso, com receitas e exames a serem feitos. Com o passar do tempo, não obtive nenhum diagnóstico e a coceira voltou.

 

Minha caminhada continuou sempre focada na ideia de dar um fim a esse sofrimento. Consultei uma clínica especializada em alergia e o resultado foi idêntico. Imediatamente consultei outro dermatologista e o resultado foi o mesmo: minha coceira persistiu.

 

Resolvi então apelar para uma médica dermatologista especializada em acupuntura. Parecia que finalmente estava chegando ao fim do túnel. Paralelamente foi recomendado que eu fizesse alguns exames na tentativa de encontrar a origem da coceira.

 

Recorri então a um dos mais conceituados hospitais para me submeter a um raio-x e ultrassonografia do abdômen total. O laudo da ultrassonografia dizia: “Discreta alteração textural hepática, com pequena área hipoecogênica junto à bifurcação portal (a tomografia computarizada pode trazer informações adicionais). Fui recomendado a fazer a tomografia. Dirigi-me então ao mesmo hospital para fazer uma tomografia computadorizada de abdômen total. O laudo dizia: “Achados da transição tóracoabdominal: acentuado enfisema pulmonar centrolobular e parasseptal e irregularidade cortical na porção lateral do 11º. arco costal esquerdo, podendo representar fratura consolidada”.

 

A dermatologista recomendou que eu fosse de imediato a um médico pneumologista para aprofundar o diagnóstico de “acentuado enfisema pulmonar”. Recorri então a um médico do próprio hospital onde havia realizado os exames. Após a leitura das imagens da ultrassonografia e da tomografia e de um exame clínico, eis o diagnóstico do médico especialista: “O senhor não tem absolutamente nada no pulmão, o laudo está totalmente equivocado”.

 

2) O cidadão, por problemas de segurança (teve sua casa assaltada), resolve mudar para um apartamento. Passados sete anos em sua nova residência, ele se dá conta que o valor do IPTU mais que dobrou no período. Como ele vive de aposentadoria, resolve consultar a Prefeitura de São Paulo sobre o porquê do aumento tão elevado, uma vez que sua aposentadoria não teve qualquer aumento, e sim as correções decorrentes da inflação. A explicação que conseguiu apurar para esse fato é que os imóveis na região foram muito valorizados.

 

E ele então arguiu: se sou proprietário de um imóvel e não tenho nenhuma intenção de comercializá-lo, porque um órgão público quer se beneficiar de sua valorização? Não seria o caso de obter vantagem sobre essa valorização apenas no caso de venda do imóvel?

 

E desfiou seu descontentamento e indignação para o atendente da Prefeitura: o retorno obtido com esse elevado aumento do imposto é inexistente! Continuamos com as vias públicas em péssimas condições, esburacadas, cheias de remendos mal feitos. A iluminação pública, no geral, é deficiente, propiciando todo tipo de insegurança aos cidadãos. Toda a vegetação não tem o tratamento adequado. Sem falar na falta de segurança. Que tristeza!

 

E agora nos vemos frente à frente com um Prefeito e Câmara de Vereadores aumentando mais ainda esse maldito imposto. Um dos argumentos usados é que o valor dos condomínios nesses bairros com imóveis mais valorizados são bem mais elevados que o IPTU. Raciocínio ridículo, para não dizer totalmente idiota. Ora, se descontarmos o valor dos impostos nas despesas de condomínios, que só no caso das despesas com funcionários acresce-se cerca de 50%, o argumento cai por terra.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada
Co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung

Sistema de saúde em estado crítico

 


Por Milton Ferretti Jung

 

O Sistema Único de Saúde,conforme imagino, não goza da simpatia da maioria dos brasileiros que dele precisam, não só para se tratar de pequenos males,mas até dos capazes de pôr em risco a sobrevivência dos doentes. Nós,jornalistas,estamos mais acostumados a criticar o SUS do que a o elogiar. Aliás,chego a duvidar se poderíamos achar alguma coisa partida dele merecedora de louvor. Nesta semana,os jornais de Porto Alegre,com repique nos noticiários televisivos e radiofônicos,informaram que,em protesto,hospitais que atendem pelo famigerado Sistema,cancelaram esse tipo de serviço. Pensei, de imediato,nos inúmeros brasileiros que seriam prejudicados em consequência da interrupção.

 

Apenas aqui no Rio Grande do Sul,a previsão era de que 5 mil procedimentos, no mínimo,deixariam de ser efetuados. Terão sido todos os pacientes avisados com antecedência acerca da remarcação das consultas,exames e cirurgias já agendados? Talvez sim,talvez não. Só no RS, a Federação das Santas Casas e hospitais Beneficentes,Filantrópicos, afetadas pela desmobilização pontual, reúne 245 estabelecimentos. O “consolo” é que as pessoas necessitadas de auxílio emergencial serão atendidas.

 

Desta vez,porém,não há como colocar a culpa pela ausência de atendimento nos hospitais. A paralisação faz sentido. Como sobreviver atuando em defesa da saúde pública se,para cada R$100 gastos por esses estabelecimentos,o repasse recebido do SUS,leia-se Governo,é de R$65? Estados e municípios,com R$35,cobrem o restante,de acordo com as instituições. Convém não esquecer que os médicos são mal pagos,tanto os que servem ao SUS quanto os que trabalham para os planos de saúde. A propósito,recomendo aos leitores do blog do Mílton (os que não leram a edição de terça-feira),que deem uma olhada no texto em que ele escreve sobre um médico cardiologista que conheceu em Nova Iorque,o Dr.Evan Levine. Os doutores americanos,segundo Levine,também se queixam dos planos de saúde. Mas leiam a história contada pelo Dr.Levine ao meu filho. Eu fico por aqui.

 

Clique aqui para ler o artigo “Nos EUA, seu cão rende mais ao médico do que o ser humano”

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele).

De raposa e galinheiro

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

A gente nunca sabe onde termina a ficção e começa a realidade, ou vice-versa. É a tal da zona cinzenta; mas onde tem rumor tem qualquer coisa que rime com ele, de horror e humor a amor. Então entra comigo na zona, e vamos deixar que a ficção nos ajude a ver melhor a realidade que nos cerca. Refletir faz bem.

 

Xiquinha, finalmente recolhida por uma ambulância, vítima de colisão entre a esperança e a lambança, sofre, sofre, geme, pede a Deus que lhe dê alento e que resgate o seu talento para se manter viva e respirando. Passam-se horas até que a providência divina, ocupadíssima que anda nestes tempos conturbados, dá um jeito na Logística e desvia uns dois ou três anjos para dar conta do recado. Nada de místico no babado.

 

Xiquinha vive na Sociedade do Eu Primeiro, onde a Lei Divina que se oferece para orquestrar a sociedade perdeu o lugar para a Planilha do Excel, o Grande Irmão de rabo escondido pelo camisolão, que foi criado para servir o homem, – como diria o Tufão da novela das nove, para servir a Humanidade: homem, mulher, criança, cachorro… e acabou sugando, porém, a sua seiva, gota a gota.

 

Faz um teste, pega o fio de qualquer situação difícil na tua vida, que envolva outros da tua espécie, e vê aonde vai dar. Na Planilha do Excel. Mas volto ao caso da Xiquinha, que é resgatada. Está pobre de Saúde. Seu caso é grave, talvez gravíssimo. Prende o pescoço, faz alavanca nas costas. Agora, levanta com cuidado. Tem plano de saúde, perguntam vozes desconhecidas. Sim, balbucia entre um e outro ai. Para onde você quer ir, perguntou amorosamente uma voz conhecida e que a acalmava. O caso dela não é para ir aonde ela quer, é para ir ao hospital mais próximo. Decisão tomada, lá foi ela, acompanhada por dores e temores. No hospital, foi encaixada num espaço no corredor, onde havia outros seres que também precisavam de socorro e que gemiam e choravam. Onde está o médico? Cadê o pobre coitado que tem como objetivo cuidar dos seus semelhantes na hora da precisão? Correndo feito louco entre uma cabine e outra, diagnosticando a granel, ouvindo lamentos e, Xica me disse, parecia bem intencionado. Era gentil, tinha a compaixào sadia e malhada. Você teve sorte senhorita Xica, poderia ter ficado para sempre numa cadeira de rodas. Tome estes remédios para sentir menos dor. São remédios hospitalares. Procure se mexer o mínimo possível, mantenha este colar cevical por ao menos um mês. E sabe o quê? Deu alta imediata a Xica, depois de analisar as radiografias.

 

Por que teria ele dispensado Xica assim, com tanta pressa? O que o teria impedido de abrigá-la no hospital onde houvesse quem a ajudasse e lhe aplicasse a medicação? Como é que ela iria se alimentar, se vestir, tomar banho, ir ao banheiro? Afinal paga regiamente pelo socorro de um plano de saúde e já estivera internada no mesmo hospital, por quase uma semana e fora muito bem atendida. Certamente o plano de saúde tinha ressarcido o hospital pelos gastos comigo. Isso já acontecera outras vezes, em outros hospital. O hospital mudara de nome. Teria também mudado os seus objetivos?

 

Dias depois, Xica descobriu que o plano de saúde dela tinha comprado o hospital; e chorou.

 


Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

De remédios

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Falávamos de remédios, suas fórmulas, marcas, grifes e genéricos. Esse tem sido um assunto recorrente na pauta de papos aqui em casa, lá em cima, no jardim, em volta da mesa redonda. Nos perguntávamos principalmente como funciona essa coisa de grife e genérico. Alguém me diz se isto faz sentido: digamos que eu tenho um laboratório de produtos químicos, e um dos meus pesquisadores pesca uma fórmula que navegava no mar dos pesquisadores. Próximo passo é a comprovação de sua eficiência nos casos previstos disso, daquilo e daquilo outro. São os animais, as cobaias, que primeiro se submetem a testes que nem sempre dão certo. Feito receita de suflê. Só que como os animais não têm necessariamente nem isso, nem aquilo, e muito menos aquilo outro, é preciso que as doenças neles sejam provocadas, para então dar início à tentativa de curá-los com a nova receita. Se um percentual desses animais, que foram feitos doentes, se curarem ou ao menos sobreviverem, então recebo autorização para aliciar um número de pessoas que não têm dinheiro para continuar a comprar as drogas necessárias para abrandar ou mesmo curar seus males, ou não têm coisa melhor a fazer na vida, para substituírem os animais. Não vem me dizer que se submetem a isso por amor aos nossos irmãos, os humanos, ou que se entregam de bandeja pelo desenvolvimento da ciência.

 

E assim, a partir desse passo, se os resultados forem satisfatórios, segundo critérios que desconheço, passo a ter uma fórmula aprovada para combater ou abrandar os sintomas dos tais males, e consigo um atestado de comprovação da sua eficiência por um órgão governamental.

 

Nós que ainda reclamamos da burocracia e da dificuldade aqui no nosso patamar de vis mortais, nem podemos imaginar quantos despachantes e lobistas, quanto tempo, quanta paciência, quanto rapapé e quanto dinheiro são necessários para a autenticação de um trem desses e sua consequente fabricação.

 

Obstáculos superados, muito tempo e muita verba depois, diploma da fórmula na mão, lá vou eu reproduzir essa receita, pagar pela criação de peças de propaganda, desenhar embalagens atraentes para convencer o prezado público de que ele precisa daquela receita, e fazer muita visita, oferecer mimos, amostras, e às vezes mais do que isso, aos médicos das áreas específicas. Confecciono então caixas de dez ou de quinze comprimidos, quando a dosagem usual mínima são cinco. Aliás, nas andanças por hospitais e farmácias, descobrimos que existe uma lei que diz que podemos pedir para abrir a caixinha e comprar metade dos comprimidos, pagando portanto metade do preço, ou um terço deles, ou a quantidade prescrita pelo médico, de acordo com minha idade, peso, condições físicas, histórico do mal que me aflige, entre outros, mas as farmácias não são obrigadas a obedecer essa lei (!) se não tiverem em suas dependências uma sala com especificações laboratoriais de higiene e uma série de exigências determinadas por um desses órgãos governamentais. Daí que como todos os donos de grifes de farmácias ou os seus franqueadores dizem que não têm recursos para projetar e executar a tal sala, e como existe outra lei dizendo que ninguém pode obrigá-los a fazer isso, ninguém faz. Resultado, ninguém vende o número de comprimidos que precisamos, e fica por isso mesmo, e pronto. Levamos os tais comprimidos para casa, tomamos a quantidade prescrita e esperamos que seu prazo de validade vença, ou vai que…, para aliviarmos o armarinho dos remédios, que representam um risco enorme e causam acidentes sérios com crianças que estão na fase de descobrir o mundo a partir de suas casas, dos armários de panelas e de tudo que possam alcançar se esticando ou trepando em banquinhos mambembes para chegar ao desconhecido.

 

Mas aí transitamos também por outra lei; a dos genéricos. Agora, vamos pensar juntos: se eu confecciono uma receita de droga com nome de Bolo e o mesmíssimo item sem nome, mas com a sua receita no rótulo, eu deveria vender aquele que tem a receita no rótulo, mais caro do que vendo o outro que tem apenas quatro letrinhas. Mas parece que também não funciona assim. O item sem nome, o genérico, custa, às vezes, menos da metade do preço do produto que só traz quatro letras em seu nome. E tem mais, se eu sou dona da receita, devo disponibilizá-la para que possa ser elaborada por outros laboratórios, ou pelo meu mesmo. O importante aqui, e meu maior ponto de interrogação, é saber como é possível fabricar a mesmíssima coisa, com nomes diferentes, pela metade do preço. E aqui não falamos de bolsa ou cd pirata. Falamos de vidas, de bem-estar e de saúde; da vida do cidadão.

 

Será que só eu tenho estas perguntas? Quanto a mim, é só o que tenho, por isso, entro com as perguntas, e se você puder e quiser me ajudar, entre com as respostas, ou não, e até a semana que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung