Vida de rico

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Milton e Nego no Jd Europa

O morador de rua, Costinha, mudou da Avenida Paulista para o Jardim Europa. Ele e o cão Nego, da raça labrador, estão morando há dois meses na Praça Coração de Maria. Mílton Costa, quando gesticula, lembra o ex-prefeito Jânio Quadros. ”O Nego é um grande companheiro… Seu latido é forte! Este cachorro tem uma grande história… A Paulista já era! Virou rota da pobreza. Lá, cansei de pepepê, pepepê. As pessoas olhavam para mim e dizia: coitadinho! Aqui, os pássaros cantam na madrugada. Entenda bem! O mundo dos ricos é silencioso. Os verdadeiros intelectuais se realizam na observação… A cada dia as palavras estão perdendo a sua inocência, o seu significado… O Nego sente o cheiro de caviar de longe… agora – 20.10.09, 17h – está comendo macarrão especial com peito de peru desfiado… O que ele come ou deixa de comer não interessa. Daqui a pouco vão pensar que vim pra cá atrás de esmola grossa. Vão achar que estou achacando rico. Olha minhas roupas, são todas de marcas! Não peço nada… os ricos chegam discretamente… pobre, pobre ajuda um parente e abre o gogó. Enquanto Costinha discursava, apareceu uma senhora: “senhor, senhor, o senhor gosta de caqui espanhol?”Ele está lendo um livro sobre anatomia humana.

N.E: Mílton, meu Xará, foi coadjuvante de Nego em reportagem que fez parte da série sobre animais de estimação produzida pela Tv Record e apresentada pela jornalista Abigail Costa, que escreve – quando consegue – neste blog. Lá, porém, Nego era chamado de Hans.

2 comentários sobre “Vida de rico

  1. alguns são felizes porque são infelizes; aprendem a conviver com o sofrimento, tanto, até (de certo modo) dar sentido a ele. Um paradoxo inacessível à nossa capacidade de compreender.

    Abs,
    _

  2. Milton,
    Eu muito casualmente, acompanhei a reportagem da Abigail com o Hans( Nego) e foi aquela reportagem que me ajudou a escrever a minha contribuição para o Blog Action Day. Podia falar mais dos animais, mas vou só pegar carona no comentário do Júnior e emendar:
    Não só estamos perdendo a capacidade de sermos felizes por nós mesmos, mas substituímos as coisas mais simples e completas por cópias mal acabadas, vide o nosso personagem que ouve os pássaros e não há aparelho digital que faça frente à tecnologia dos bichinhos…
    Nem duvidaria se alguém me dissesse que estão já estão testando um Hans digital capaz de dormir no colo e de fazer companhia por pura afeição.

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