Nicomedes e Sérgio são personagens da nossa cidade

 

Sérgio Vaz na Época

Uma dupla satisfação neste fim de semana. Duas das pessoas que admiro pela forma como encaram a vida e pelo tanto que influenciam a dos outros (para o bem) foram destaque na mídia. Sérgio Vaz que teve seu nome apresentado na seleção dos 100 brasileiros mais influentes em 2009, pela revista Época. E Sebastião Nicomedes que conta a reconstrução de sua história na revista Mente Aberta.

De Vaz, criador e criatura da Cooperifa, lembro que aqui esteve inúmeras vezes com seus textos e provocações. Na Época, foi apresentado pela escritora e professora da faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro Heloísa Buarque de Holanda:

Sergio nasceu, foi criado e vive em Taboão da Serra, na Zona Sul de São Paulo, onde bem cedo descobriu o potencial político da palavra. poeta e leitor apaixonado, ele viu que, além de prazeroso, o trabalho com a poesia poderia ser um fator de transformação social. Sérgio pôs mãos à obra e criou a Cooperifa, um dos mais fascinantes laboratórios de tecnologia social de que temos notícia”.

Em meio ao entusiasmo que dá o tom na Cooperifa, descobre-se a palavra como poder, o livro como carta de alforria, o sarau como quilombo. Não se volta para casa incólume quando se assiste a um sarau na Cooperifa. Isso é Sérgio Vaz.

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De Tião, que morou na rua, tive o prazer de conhecer em entrevistas ao CBN São Paulo, primeiro, e com textos que encaminhava por e-mail para publicação no Blog, depois. Em Mentes Abertas, o jornalista Paulo Gratão, traça a caminhada dele desde que nasceu em Assis, a queda de um prédio em obras que o levou ao abandono, a fome que teve de enfrentar e a forma como se ergueu na arte e no aprendizado:

Entramos em uma sala, onde algumas pessoas manuseavam tinta, papel, latas e outros objetos descartados pela sociedade. Tião nos recebeu e pediu que aguardássemos, com uma seriedade de professor, enquanto mantinha a atenção voltada a um brinquedo que era construído por um de seus alunos. Todas as obras surgiram das mãos que víamos ao nosso redor. Mãos calejadas que todos os dias matam leões de fome, miséria e preconceito. Mãos que abatem as lágrimas que rolam quando a necessidade grita. Mãos que constroem a miniatura do Pátio do Colégio com jornais velhos.

Tião nos olhou com um largo sorriso e chamou-nos para o salão vazio à frente, com uma janela de fundo que vez ou outra mostrava o trem e seu evidente barulho, interrompendo a conversa, mas contribuindo para revelar muita coisa que era dita no silêncio

Tião e Sérgio são daquelas pessoas que nos ajudam sempre a acreditar que vale a pena investir no ser humano.

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