Morre Zilda Arns, uma brasileira

 

Zilda Arns (Arquivo: Agência Brasil)

Das muitas notícias em 25 anos de jornalismo, poucas causaram tanta emoção como a sentida durante o programa ao saber da morte de Zilda Arns, da Pastoral da Criança.

Pouco antes de entrar no ar fomos informados de quatro brasileiros mortos durante o terremoto no Haiti, todos em dedicação à Força de Paz que atua no País. Sabíamos que haveria a possibilidade de ocorrerem mais perdas na tragédia.

Cada um dos soldados brasileiros que se transformaram em vítimas deste terremoto tem vida própria, referências da infância, relações mantidas desde a adolescência, fazem parte de uma família que deve estar sofrendo muito neste momento. Todos com o valor que uma vida deve ter.

Até então, porém, as mortes eram relatadas em números. Com a notícia sobre Zilda Arns, que chegou ao estúdio no ritmo da vinheta de plantão, ganharam nome e história. Ficaram mais próximas do nosso cotidiado. E talvez isto explique minha sensação de profunda tristeza durante a audição da notícia.

Líder humanitária e fundadora de um dos trabalhos mais incríveis desenvolvidos no Brasil em favor de crianças e famílias carentes, Zilda Arns é personagem brasileira, mas como lembrou o comentarista Gilberto Dimenstein talvez não com a popularidade – que, por sinal, jamais almejou – que o projeto de vida dela merecesse.

Ouça o comentário de Gilberto Dimenstein sobre o trabalho de Zilda Arns, na Pastoral da Terra

É possível que muitos conhecerão a projeção das suas iniciativas apenas a partir do noticiário da morte que tomará conta da programação jornalística, mas o modelo de atendimento às comunidades desenvolvido por Zilda Arns e sua equipe há muito tem repercussão em organismos nacionais e internacionas com influência em políticas públicas na área de saúde, alimentação, educação e cidadania.

Ouça a entrevista que fiz com Francisco Whitaker, da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, sobre Zilda Arns, logo após a notícia da morte dela

Antes de encerrar o programa, tivemos a oportunidade de ouvir a voz de Zilda Arns a partir de gravação que foi feita pela CBN, em 2005, na qual ela explicou a construção da Pastoral da Criança, sua grande obra:

Ouça o que disse Zilda Arns, em 2005

9 comentários sobre “Morre Zilda Arns, uma brasileira

  1. Como o maioria, sei pouco do grande trabalho de Zilda Arns, até por opção da mesma. Uma pena os caçadores de notícias desperdiçarem tempo procurando quem ganhou a Mega-Sena de fim de ano, e não procurarem divulgar trabalhos como os dela. Divulgação esta que, poderia inspirar muitas pessoas mesmo que minimamente, a fazer algo semelhante até mesmo no bairro onde mora.

  2. milton,

    senti imensa tristeza, também.
    Taí alguém que, se tivesse um fã-clube, me teria como fã de carteirinha.
    Baita mulher!
    Que ainda se fale muito dela.

    ml

  3. Realmente essa perda não tem dimensão, é possível que muitas pessoas se percam nesta tragédia mas dentre tantas peder uma que lutou e tanto fez pelos necessitados é muito triste. Tive a oportunidade de conhecê-la na quando o parlamento gaúcho lhe outorgou a medalha do Mérito Farroupilha. Foi umas das falas mais bonitas que ouvi em solenidade até hoje. Pessoa simples e de exemplos que os nossos parlamentares deveriam estudar todas as noites.

  4. Prática das mais comuns é a crítica à imprensa.
    Não concordo totalmente, apenas em parte, e no contexto da escolhas para divulgação quando sempre se prioriza a noticia triste, ruim e danosa.
    Tenho a impressão que o falecimento desta ilustre brasileira teve menos destaque do que muitos eventos e acontecimentos negativos.
    Este momento de tristeza bem que poderia servir para uma ampla informação da grande obra que está no curriculum da Dra. Zilda Arns. Como exemplo e como ultima homenagem.

  5. Nenhum sentimento supera o fato da morte e o fato da perda que acompanha o desaparecimento de uma pessoa. Contudo, a morte não faria justiça à vida que levou Dona Zilda Arns. O dito latino “FINIS CORONAT OPUS”, nunca coube tão bem a alguém quanto a essa mulher de lutas e batalhas. Não caberia a ela uma morte no lazer(?), ou atrás de uma mesa qualquer. Não lhe seria justo.
    O seu desaparecimento só poderia acontecer em luta, no trabalho.
    Comparo esta grande Mulher e o seu trabalho a outra que se doou por inteira, também: Madre Tereza de Calcutá.
    Dona Zilda, com sua morte, nos mostra a verdadeira dimensão da Doação em Vida.
    Uma nova concepção de Mártir. Não aquele que se doa pela morte, mas aquele que se doa na Vida para que outros possam viver!

  6. Essa maravilhosa mulher realmente merece o céu e todas as bençãos.
    Muito pouco o seu nome e glorias foram divuldados
    Faço minhas palavras do noss carissimo Carlos Gibrail.
    A imprensa em parte evidencia mais as noticias negativas.
    Quantas pessoas anônimas, voluntárias ajudando o próximo
    são e estão esquecidas.
    Em quanto outros que só fazem é prejudicar o próximo………..
    Que Deus a tenha Sra Arns.

  7. Não foi só o Brasil que perdeu Zilda Arns. Perderam a cidadania, a luta pela inclusão social, o combate à pobreza, as crianças. Ela, que foi grande parceira do Bolsa-Escola, costumava alertar: “O governo não chega aos bolsões de miséria”.
    Zilda Arns estava certa. Foi a parceria da Pastoral da Criança com o Bolsa-Escola que garantiu a correta seleção e acompanhamento das famílias assistidas. Zilda Arns defendia com toda a garra a continuidade das políticas públicas. Foi seu espírito de solidariedade e sua fé inabalável que estimularam mais de 150 mil voluntários a trabalhar pela infância no Brasil e no mundo.
    Valorizava e estimulava o controle social, pois tinha plena convicção de que, como o engajamento das pessoas, o próprio governo, pressionado, acabaria aplicando melhor os recursos. “Se a gente ficar olhando o bonde passar sem por a mão na massa, a gente não melhora o país”. Sábios ensinamentos.
    Para mim, fica o exemplo da mulher doce, que agiu em nome do interesse da população. Coisa rara nos dias atuais. E, como disse seu irmão, dom Paulo Evaristo Arns, ela teve “uma morte linda”, pois, no momento de sua morte, colocava em prática seus ensinamentos e valores mais nobres.

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