Ônibus a etanol, o Brasil não faz a lição de casa

 

Na Região Metropolitana de São Paulo apenas dois ônibus a etanol rodam em caráter de teste, enquanto na Europa os passageiros já são transportados há muitos anos com álcool produzido no Brasil.

CORREDOR ABD

Adamo Bazani

Ninguém tem dúvida: o Brasil é dos maiores produtores mundiais de álcool combustível, o etanol. Nem por isso as cidades brasileiras são beneficiadas pelo uso de ônibus com motores movidos a combustível mais limpo. A afirmação é de especialistas do projeto Best (BioEthanol for Sustainable Transport).

O Best é responsável pelos estudos de operação de ônibus a etanol em diversas regiões do mundo. É ideia da União Europeia e coordenado pela prefeitura de Estocolmo na Suécia. Aqui no Brasil, está a frente dos estudos Centro Natural de Referência em Biomassa – Cenbio.

O coordenador do projeto no Brasil, José Roberto Moreira, acompanha os testes de dois ônibus urbanos a etanol que rodam na Região Metropolitana de São Paulo, incluindo a capital. Um modelo opera desde 2007 no corredor Metropolitano ABD, que liga São Mateus, zona leste, a Jabaquara, zona sul, e passa pelas cidades de Santo André, Diadema, São Bernardo do Campo, com extensão para Mauá. É um Marcopolo Viale Scania. O outro ônibus é um Caio Millenium II Scania, que opera apenas na capital desde novembro de 2009.

Os veículos reduzem em até 80% o nível de poluição em relação aos ônibus a diesel. Para chegar a esta conclusão, foram colocados atrás dos ônibus a etanol dois ônibus “sombra” a diesel. Assim é possível fazer a comparação simultânea tendo as mesmas condições climáticas, que interferem na qualidade do ar.

Apesar de os testes indicarem menor poluição e bom comportamento dos ônibus em operação, José Roberto Moreira disse em diversas entrevistas que faltam incentivos do governo brasileiro para o desenvolvimento de mais pesquisas e, principalmente, para tornar mais barata a produção de veículos a etanol.

O “Ponto de Ônibus” entrou em contato com a Metra, empresa que opera o corredor ABD, e funcionários da empresa, desde engenheiros a motoristas, declaram que o comportamento do ônibus a etanol no corredor é muito bom: “não fica atrás dos veículos a diesel convencionais”. No corredor também operam trólebus, ônibus híbridos e um a hidrogênio, ainda em testes na garagem.

Uma verdade que não surpreende, por exemplo, Estocolmo, na Suécia, onde a Scania, empresa com sede mundial no país, apresentou recentemente a terceira geração de ônibus a álcool – 80% do produto, ironicamente, fabricados no Brasil.

Scania lança 3a geração na Suécia

Na opinião dos técnicos, o Brasil tem tecnologia para a produção destes ônibus, modernos centros de pesquisa e combustível em abundância. Mas enquanto aqui rodam apenas dois ônibus – em teste – na capital sueca são cerca de 600.

O etanol é mais caro que o diesel – basta conferir na bomba de combustível mais próxima da sua casa -, porém o ganho ambiental faz valer a pena o investimento maior. Sem contar que o diesel é consumido mais rapidamente nos motores, ou seja, rende menos quilômetros por litro.

Para os técnicos do Projeto Best que acompanham a situação dos transportes no país e o impacto que este tem no meio ambiente, o Brasil tem o material didático (etanol, veículos modernos e centros de pesquisa), mas não faz a lição de casa.

Adamo Bazani é repórter da CBN, busólogo, escreve às terças no Blog do Mílton Jung e preza seus pulmões.

4 comentários sobre “Ônibus a etanol, o Brasil não faz a lição de casa

  1. Eu acho que tudo isso que se fala do Etanol é furada, tenho a impressão que enquanto tiver petróleo a vontade pra vender irão vender. Estão estocando Etanol para um futuro programado para quando faltar o petróleo sairem vendendo o Etanol a preço da gasolina/Diesel. Qd se viaja para o interior de SP ou Mg, vê um enorme plantio de cana, não é possível faltar ou elevar o preço do Etanol/açúcar no patamar de hoje. Jogo de mercado para encher o governo e os donos das usinas de dinheiro, poís a maioria dos donos são políticos ou parente dos mesmos. Abraço

  2. No Brasil esse tipo de tecnologia não “engrena” por que quem manda nos serviços de transportes são os empresários, e não os gestores públicos.
    Aqui os lucros falam mais alto que qualquer outra coisa: conforto, preservação ambiental, modernização… E a omissão do poder público com essa área tão importante só piora ainda mais a situção.
    Enquanto no Brasil as autoridades não enxergarem o transporte público como meio de difundir a cidadania e de melhorar a qualidade de vida da população, vamos continuar vendo as cidades empanturradas de micrô-ônibus e midi-ônibus movidos a diesel.

  3. Milton, Ádamo e amigos,

    Foi dado algum prazo para a verificação de resultados do ônibus a etanol?

    Porque se está em fase de testes tudo bem, acho que é correto se testar antes, porém é preciso ter uma data para o término e começar a pensar na possível implementação de mais ônibus a etanol.

    Há alguma previsão se a passagem, já cara, poderia aumentar? Mesmo o etanol sendo mais caro se ele rende mais é possível que o preço da passagem não seja aumentado, o que elimina uma possível “desculpa” para a não adotá-lo.

    Como a maioria dos paulistanos se locomovem por ônibus acho que seria uma boa tê-los causando menos poluição.

  4. Apesar de ser um combustível mais limpo ,eu acho que o etanol e muito caro ,aqui no Brasil trazendo pouco retorno financeiro .
    Eu gostei mais foi dessa lindsa carroceria da marcopolo .Só faltou um chassi ”low floor” ao invés de piso baixo

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