Táxi ! Por favor, com elegância

 

Por Dora Estevam

Taxi, na galeria de Stephen Geyer

Esta semana, observei alguns pontos de táxis.  O que me chamou a atenção foi a roupa dos motoristas. Notei que, atualmente, eles estão mais sociais na maneira de se vestir, e isso me causou uma boa impressão.

Quando estão em grupo, é fácil identificar o que estão vestindo, parece uniforme mesmo: calça bege ou preta, camisa branca e sapato social. Barba bem feita e carro limpo … Para combinar, é claro.

“Esta é uma das nossas preocupações, além da ética no atendimento com o cliente”, diz Natalício Bezerra Silva, presidente do Sindicato dos Taxistas de SP. “Nosso compromisso com o passageiro vai  desde o relacionamento até o bem estar dele em toda a viagem. Imagine se um passageiro entra no carro e da de cara com um motorista todo sujo e mal cheiroso”.

Eu jamais pegaria um táxi se o motorista estivesse cabeludo, barbado e de óculos escuros, isso depõe contra o profissional. “E se eu fosse um cliente me manteria longe deste tipo”, ensina Edson Lamonica, motorista com ponto no Real Park, em SP.

“Aqui no ponto, nós trabalhamos durante a semana com roupas sociais, somente no sábado partimos para o casual, mas sempre bem arrumado. Procuramos estar com o rosto sempre a mostra, o carro limpo e organizado e, em todos os pedidos, descemos do carro para abrir a porta para o passageiro, seja ele uma empregada doméstica ou um grande executivo” – conta.

Edson trouxe na bagagem a experiência de 12 anos como motorista de empresa particular. Assim, foi mais fácil a adaptação. Ele até passa dicas para os amigos.

Estar barbeado e asseado faz parte do compromisso com o passageiro, a regra é fiscalizada e cobrada pelos coordenadores das praças.

“Assim como a roupa, o motorista tem de ser discreto: Não podemos falar mal da cidade de São Paulo nem tampouco dos passageiros, seja ele turista ou morador.” Discrição, também, em relação ao cliente, explica Natalício: “não podemos sair por ai contanto tudo o que ouvimos ou vimos dentro do táxi”.

O carro é como se fosse uma empresa. O motorista precisa se vestir adequadamente, falar bem e ter educação. O perfil dele indica a maneira com que conduz o carro. Um motorista bem arrumado causa boa impressão.

Ao pegar um táxi, espero que o motorista seja discreto, limpo, tenha bom senso, não ouça rádio com som alto e não encha minha viagem com histórias tristes, sobre a vida dos outros ou reclamando da própria. Espero que ele saiba me ouvir e me compreenda, além de chegar ao destino pelo melhor caminho.

Assim, certamente, ele fará parte da minha agenda, tão discreta e elegante.

Dora Estevam é jornalista, escreve aos sábados no Blog do Milton Jung e anda de táxi na cidade de São Paulo

12 comentários sobre “Táxi ! Por favor, com elegância

  1. Olá Dora
    antes de postar desejo a todos uma feliz páscoa.

    Por opção, deixei de ser “um feliz proprietário” de automoveis.
    Porquê, na minha opinião, sinceramente atualmente dirigir na cidade de São Paulo, é um tormento, sofrimento, este que vai elém das nossas forças.
    Não há necessidade de pormenorizar este aspecto.
    O trânsito na caótica São Paulo
    Sou um dos que utilizam com freqüência os serviços de taxi, além do precário transporte publico.
    “Sou cliente” mais migo dos taxistas de um ponto de taxi onde todos os motoristas, se vestem de forma impecável.
    Elegantes, e os que por ventura ” se descuidam das suas aparencias, prontamente são advertido pelo cordenador do ponto e dos outros profissionais.
    Falar em gíria?
    Jamais!
    Um dos motoristas deste ponto, ex piloto de aeronaves, outro economista, outro professor no periodo noturno e quantos profissionais liberais, ex empresários, filosofos, advogados estão por necessidade, porque atingiram certa idade, para muitos empresários, “inservíveis” em suas empresas?
    Tiveram coragem de tirar as máscaras, passaram a viver os seus próprios e naturais valores e hoje estão ai como taxistas, em muitos casos obtendo um ganho muito maior que muitos jovens eessoas, que “se acham os reis da cocada preta” só porque trabalham em uma grande corporação, se veste de forma impecável, com ternos impecáveis.
    Por necessidade, meus pais não pertenciam as classes mais abastadas de São Paulo, ambos trabalhadores, eu criado num sistema realista, pela vida, na ex periferia de São Paulo, hoje considerado bairro “chic”, fui orientado por ensinamentos de meus pais, antigos mestres nas escolas publicas onde estudei, vale dizer que pertenci também a esta laboriosa, valorosa, classe como taxista durante um bom tempo, nos tempos dos Chevrolets Bellair, DKW, AeroWillys, trabalhando num ponto em frente a um grande hotel no centro de são paulo, quando ainda estudante, ex recruta, na busca de um lugar ao sol como todos.
    Era o segundo motorista, pois u taxi pertencia a um dos meus tios.
    ele trabalhava a noite e eu depois das aulas no periodo da manhã, trabalhava no periodo da tarde até por volta das 21 horas.
    Taxistas, nos meus tempos, usava uniforme, calça marrom, camisa social beje, e o inseparável quepe.
    E para muitos passageiros mais tradicionais eramos chamados pomposamente por chaufeur, ou chofér no portugues popular.
    E posso afiemar com toda convicção
    Se um dia, acontecer alguma “zica” em minha vida profissional atual, portas se fechares nos setopres que atuo, arquitetura de interiores e instrutor de voo particular, certamente a praça de São Paulo terá mais um taxista.
    Gostaria de aqui aproveitar para homenagear todos os taxistas da cidade de São Paulo.
    São verdadeiro heróis por conseguirem trablhar nesta cidade pavorosa e caótica, ter que suportar calados pessoas mal carater, mal criadas, prepotentes, discriminadoras, que fazem e desmerecem esta classe realmente trabalhadora imaginando que por trabalharem como executivos, possuirem um dipRoma, se acham superiores.
    Mas a verdade amigos, executivos atuais que ainda se acham os reis da cocada preta, os sabem tudo, os “eu posso tudo, eu tenho”, mas não sou, etc e tal………
    Rreflitam sobre isto:

    NINGUEM CONHECE E SABE O DIA DE AMANHÃ!

    Pois muitos que se acham de forma equivocada e erroneamente que “estão posicionados” em seus pedestais no andar mais alto que muitos.
    Mas estes pedestais podem ser feitos de vidro nem de cristais.

    Pensem nisto por favor.

    Abraços
    Armando Italo

  2. Dora: boa tarde!
    Acho que atualmente estamos bem servidos de “taxis” em São Paulo. Sou daquelas que, muito antes da lei seca e de descontos do “motorista amigo”, saía com meu marido para , eventos, teatros, restaurantes e festas sempre de taxi. Perto de qualquer teatro ou restaurante há sempre um ponto, ou podemos recorrer ao rádio-taxi. Evitamos problemas com estacionamentos e manobristas.
    Concordo com você que o nível de educação e de responsabilidade dos taxistas está cada vez melhor. Veja, minha mãe, senhora de 89 anos e com uma boa atividade semanal, tem 03 motoristas que se revezam em atendê-la… disputam quem “vai buscar ou levar a Vó”, todos muito educados,solícitos e no caso dela, com bastante carinho e compreensão, já que ,certa vez, ela chamou dois para a mesma corrida!!!!!!! Beijo

  3. Olá Dora, excelente sua matéria. O Rio segue a mesma cartinha mas infelizmente são poucos os que têm GPS ou ainda, o bom e velho Guia Quatro Rodas. A maioria conta que o passageiro sabe como chegar ao seu destino. Isso é a grande diferença entre os taxistas em SP e os do Rio.
    Um beijo grande para vc e Boa Páscoa !

  4. Olá Dora, excelente artigo ! Aqui no Rio os motoristas seguem esta mesma cartilha. Sempre aprendo um novo caminho com eles ou ainda dicas sobre uma nova oficina. A maior diferença (infelizmente) é o fato que a maioria não tem GPS e nem o bom e velho, Guia 4 rodas. É chato pq recai sobre o passageiro a responsabilidade de saber como chegar ao local. Mas isso está mudando… Beijos e boa Páscoa, Suely

  5. Dora, Feliz Páscoa!!!!
    Mais uma vez adorei seu artigo por fazer-me lembrar de meu avô paterno que era taxista dos anos 30 até os 70 do século passado. Uau”!!! Século passado!!!!.
    Na época ele fazia casamentos, levava grandes empresários às suas empresas e os buscava no final do expediente, levava as esposas dos mesmos para fazer compras nas lojas “Clipper”, “Almeida e Irmãos”, “Mappin”, ” A Exposição” etc… Sempre trabalhou, como se dizia antigamente “na estica” e “alinhado” …rssss, de terno gravata e quepe, com muita compostura, educação e ética. Pelas histórias contadas por meus familiares, ele tinha ponto na Praça da Sé em frente a uma charutaria que era de sua propriedade.
    Como taxista educou e criou seus filhos de modo diferenciado para a época.
    Dizia meu pai que todos os fins de semana, por terem carro é obviu, eles faziam pequenas viagens, almoçavam em restaurantes ou simplesmente iam fazer pic-nic no Hortoflorestal, na beira de estradas, que naquela época tinha infraestrutura para isso.
    Eh!!! tempo bom…. Pessoas simples, humildes, mas que sabiam viver. Sempre tive e continuo tendo o maior orgulho desse meu avó pelos exemplos de vida e pela cabeça avançada para o seu tempo. Não morreu rico, muito menos deixou bens materiais para seus filhos, mas deixou muitos exemplos e saudades.
    Abraços.
    Walnice

  6. Dora, querida!
    Eu dificilmente pego táxi, mas sempre que preciso de um procuro chamar de algum ponto conhecido, justamente para não ter problemas.
    O que eu acho que incomoda muito quando você pega um táxi é o taxista desandar a falar e nem se importar se você quer ou não manter a conversa. Às vezes você quer ficar quieto no seu canto e não tem o menor interesse naquele blábláblá…. Outra coisa que me incomoda demais é o cara ligar o ar condicionado no último sem perguntar se você está ou não com calor…. E também odeio rádio em estações bregas ou pops demais….
    Beijo e boa semana!!

  7. Olá queridos leitores Armando e Walnice,
    Fico feliz em saber que este artigo tocou o coração dos dois por relembrar momentos marcantes em suas vidas.
    Espero poder, através desta coluna, compartilhar com outros momentos assim. A idéia é trazer um assunto que seja verdadeiro e parecido com o público que nos acompanha. É mostrar a realidade das pessoas, sem hipocrisia.

    Abraços e obrigada

  8. Querida Liliam
    Adorei a sua visita neste blog.
    O legal é que eles além de apresentarem este comportamento tão gentil, vão mais além, respeitam os idosos, como você demostrou aqui. Imagina o idoso que precisa tomar ônibus nesta cidade, faz idéia o que acontece com eles?
    Beijos para você e toda a família.
    Dora

  9. Querida Suely,
    imagino que na sua atividade o táxi seja uma ferramenta de trabalho, praticamente. Ainda bem que eles são simpáticos. O GPS vai chegar ai, com certeza. Vamos torcer.

    Beijos e boa sorte nos negócios.
    Ah, e volte sempre por aqui.

  10. Querida Mônica,
    Incomoda também quando está muito quente e ele abre aquele vidro do carro, o cabelo fica esvoaçando, você chega no lugar toda bagunçada. Por isso que eu falo, pegou um bom motorista já põe na agenda.
    beijinhos

  11. Meu pai participou dessa reportagem (Edson Lamonica), e tudo o que disse sobre seu comportamento é verdade. Sempre bem arrumado, educado, discreto e respeitador.

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