Haja paciência, vereador !

 

“O exercício de um cargo público exige também o exercício da paciência”.

A frase abre artigo assinado pelo vereador Aurélio Miguel do PR que está publicado em jornal de bairro que circula em redutos eleitorais dele. Nada mais apropriado do que ele falar sobre o tema, afinal é um vereador que chegou a política impulsionado por seus feitos em esporte no qual a paciência é um mérito.

Surpreendeu-me, porém, o que li nas demais linhas de texto que tomou espaço considerável da publicação.

Aurélio Miguel não exercita a virtude da paciência para suportar a pressão de grupos econômicos poderosos que tentam – e conseguem – influenciar as decisões na Câmara. Ao menos não é sobre isto que o vereador escreve.

Como também não é sobre a necessidade de praticá-la com o intuito de obter sucesso nas negociações com forças políticas antagônicas dentro da Casa. Menos ainda a propósito do tempo para o convencimento de seus pares na aprovação de algum projeto de lei que, por ventura, tenha interesse em particular.

O que demanda muita paciência do vereador, está escrito, é o comportamento de instituições que “se auto-intitulam fiscais dos mais diversos poderes”.

Diz lá: “a crítica fácil, os julgamentos apressados e feitos sob critérios pouco claros, sem rigor técnico, baseados no ‘achismo’ de seus autores terminam publicados como verdades ‘verdadeiras’. Notas são dadas pelos desempenho dos legisladores e governantes”.

E reclama: “No caso da Câmara Municipal, boa parte dos avaliadores nunca sequer colocou os pés no Palácio Anchieta. Baseiam suas análises a partir de dados parciais, critérios subjetivos e sem nenhum conhecimento do trabalho legislativo”.

Aurélio Miguel não é original em seu pensamento, lamentavelmente.
Reproduz o que parte de seus pares diz nos gabinetes ou mesmo no plenário da Câmara. Ficam incomodados pela  vigilância do cidadão – organizado ou não. Preferem o eleitorado amorfo que se restringe ao ato de votar.

Mesmo tendo se consagrado pela coragem com que enfrentava seus adversários, no artigo Miguel preferiu não citar o nome das “organizações não governamentais (ongs) e outras instituições particulares”, apenas levantar suspeitas: “A questão está em saber quem as financia e quais os verdadeiros motivos que as movem”.

É uma pena, pois com isso vai me obrigar a partir para o ‘achismo’ que tanto exige de sua paciência.

Das instituições que fiscalizam o trabalho dos vereadores, conheço bem ao menos uma: o Voto Consciente. A esta, porém, não cabe a crítica de que seus integrantes desconhecem a ação parlamentar, pois os ‘fiscais’ assistem às reuniões das comissões, participam de audiências públicas e acompanham as sessões em plenário. Mais não controlam porque a própria Câmara impede.

Tampouco procede a reclamação sobre os critérios usados pelo Voto Consciente para a avaliação anual que faz dos vereadores. Estes são de conhecimento público, devidamente divulgado aos parlamentares e, em sua maioria, objetivos. Não se avalia, por exemplo, o comportamento de um determinado vereador quando tem seus interesses negados em uma determinada subprefeitura. É difícil de ver e mensurar tal atitude.

Dos cidadãos que expandem seu papel de eleitor ao cotidiano do legislativo, conheço alguns,  parte reunida em torno de uma ideia lançada no CBN SP, o Adote um Vereador. Mas a estes chega a ser risível a desconfiança sobre o interesse de seus financiadores e do que os move. Do cafezinho que pagam nas reuniões mensais a passagem de ônibus que usam para visitar a Câmara Municipal, o dinheiro tem origem conhecida: o trabalho de cada um.

A motivação ? A cidadania.

(“E o senhor acha pouco ?”, perguntaria o motorista Eriberto França.)

Sei lá se são estes grupos e pessoas que levaram Aurélio Miguel a desabafar. Tivesse sido mais transparente, facilitaria a vida deste leitor.

Mas que fique bem claro, aos incomodados e impacientes: o cidadão tem o direito – chego a dizer, o dever – de fiscalizar, monitorar e controlar o trabalho dos parlamentares, conheça ou não o que é feito dentro da Câmara Municipal, na Assembleia ou no Congresso Nacional.

E para fazer este trabalho é preciso mesmo, vereador, muita paciência !

12 comentários sobre “Haja paciência, vereador !

  1. E um cidadão aproveita a deixa do “humilde” vereador para pergunta-lo: “Quem o financia? Quais os setores econômicos e empresas que fazem doações para seu trabalho como vereador”.
    Que eu saiba, você recebe dinheiro do cidadão paulistano, então vamos trabalhar melhor para nós cidadãos. Seja mais humilde, o judô não te ensinou isto?

  2. Lutamos diariamente pelo nosso pão, pelo bem da nossa família e doamos um pouco do nosso tempo, da nossa força de trabalho a pessoas que não tem oportunidades como eu tive por exemplo. Oportunidades que fui buscar, vale registrar.

    Paciência é uma virtude de manter um controle emocional equilibrado, sem perder a calma, ao longo do tempo. Consiste basicamente de tolerância a erros ou fatos indesejados.

    Nós do povo, queremos uma cidade melhor, um lugar bom para se viver, mas infelizmente estamos distante disso. Ter uma cadeira no palácio deveria ser um motivo de orgulho, o povo te deu esse direito de representá-lo, olha que orgulho!

    Até ontem o Sr. era campeão, lutava a favor pessoal, do patrocínio e porque não do nosso Pais. Que maravilha.

    Hoje atuando como vereador, não se pode fraquejar diante das dificuldades, paciência é o povo que deve ter por tolerar cada coisa que os representantes fazem.

    Sair de casa correndo de madrugada, sem tomar café…ai na câmara tem café na hora que quiser, e na xícara da realeza.
    Ficar esperando o ônibus muitas vezes o primeiro do dia… Lotado, sem nenhuma condição de mínimo conforto.
    Chegar correndo no trabalho, fazer a correria do dia, procurar um lugar mais barato para almoçar.
    A noite, novo desafio de pegar o ônibus lotado. Quando o motorista, sem paciência já com o trabalho stressante passa direto, nova espera.
    Passa no açougue e verifica as moedas com a esperança de comprar um quilinho de carne moída, desta vez não deu, vamos de ovo.
    Em casa sobre a mesa os boletos para pagamentos….novo desafio, paciência!

    Representar o povo é algo que deve ser orgulho para uma pessoa. Paciência é o que o povo tem que ter quando dá o seu voto para representantes sem paciência!!!

    Povo está prestes as estourar a sua paciência.! Aguarde!

  3. Decepcionante o “parecer” do nobre vereador…
    Critéiros para avaliar um desempenho não nos faltam…
    Quer dizer, nobre vereador, q somente pode ser avaliado por quem já tenha pisado no Palacio Anchieta ?
    OK… é o seu critério mas meu voto nunca mais o terá. É o meu critério …

  4. Paz+Ciência=ciência da paz=PACIÊNCIA.
    Este item para o vereador em evidencia, deixou de exisitir ainda por cima em se tratando de praticande de artes marciais, judô!
    O que mais me espanta, treinei judô durante muitos anos na mesma a academiasituada na Vila Sonia e com o mesmo mestre do Aurelio Miguel.
    Shinohara sensei e seu filho Jun.
    Grandes mestres, grande escola, fabrica de campeões realmente!
    Um dos maiores ensinamentos filosóficos do judô e justamente a paz-ciência, depois a perseverança, a vontade, a honestidade, lealdade!
    Itens estes que deixaram de exisitir.
    Contradizendo anos de aprendisado e ensinamentos.
    Literalmente jogando no lixo!
    Diz um ditado:
    -Diga-me com quem andas que te direi quem és”
    Para os detentorres de personalidade frágil, certamente será dominado pelo meio que vive.
    Pois o meio “pode fazer” o homem.
    E assim foi feito!
    Coincidente hoje recebi email de um conhecido achei interessante publicar no blogdoaitalo.
    Já imaginaram se na Terra Brasilis fosse assim também.
    Se me permitem aqui vai o link do video.
    http://blogdoaitalo.blogspot.com/2010/09/em-quando-isso-nos-eua.html#comments

  5. Não poderia eu deixar de comentar o Haja Paciencia do Vereador Aurélio Miguel, e retruco com a minha boa dose de Paciência que venho tendo ao acompanhar o tão “ex-glorioso judoca” Aurélio Miguel que ha tempos deixou de ter a antagonica paciencia oriental aprendida nos tatames.

    O Voto Consciente, o Movimento Nossa São Paulo, sempre estão lá da campana no “PALACIO DO POVO” (se fosse do povo a denominação palacio erronea é incerta pois o palácio é ocupado pelo monarca).

    Nós do ADOTE UM VEREADOR fazemos o que mais conhecemos, cobrar e exigir, pois como POVO que somos e não ALIENADOS as figuras que se acreditam ser donos desta cidade mantemos de pé a bandeira DEMOCRACIA que é simplesmente; GOVERNO DO POVO.

    Portanto caro Vereador Aurelio Miguel: acostume-se pois para estar no cargo a paciencia é uma virtude (que não tens) ja que representa o POVO que o elegeu.

    Não estamos aqui para pedir areia para a obra ou favores para passar na frente de algumas listas, estamos aqui para cobrar a sua função, aquilo pelo qual foi eleito:

    Fiscalizar as ações da Prefeitura
    Fazer e Negociar Leis que sejam para o bem da população e melhorias para a cidade.

    Se fosse de outra maneira, o teriamos eleito para celebrar o dia da Cataluã, o dia do Judô, o dia do Butantã, e dia do Raio que o Parta!

    Basta de parlamentares que se acham e não causam!

    Vejam no meu blog a Nota que dei a ele (já faz um tempo)
    http://adoteiaureliomiguel.blogspot.com/

  6. E meus compatriotas;
    .
    tbm pratiquei JUDO, iniciei antes do quatro anos, mas ñ tive a paciência e o prazer de conhecer Shinohara, com quem o internauta ARMANDO ITALO teve o prazer de entender o que é JUDO;
    .
    compartilho o sentimento tbm do internauta Paulo Toledo;
    .
    porém espero que VCs ñ fiquem bravos comigo, mas no meu entender NÓS CIDADÃOS somos mais do que paciente, tornamos-nos na verdade acomodados, dominados, passivos, deixamos de realmente viver, de ter a felicidade de verdade…;
    .
    …não tenho a intensão de ofender ninguém, porém ñ vou mentir sobre os meus pensamentos e o que acredito e no que vejo!!!
    .
    E insisto, que todos nos temos obrigação de fiscaliza-los, é que fazer tal parece ser desagradavel, mas quando vermos o nosso $ aplicado 100% realmente a onde tem que estar, veremos transformações incriveis, ira paracer até mágica,…
    .
    …mas na verdade é só a dignidade ao alcance de todos os cidadãos, podem acreditar, ai sim estaremos caminhando para um Brasil de todos e quem sabem inluênciando outros países a seguirem o mesmo caminho!!!
    .
    Transparência e fiscalização com o dinheiro público é um direito e dever de todos nos!!!;
    .
    tenham todos uma ótima semana;
    .
    ass: Douglas S.DaCosta – The Flash
    .
    http://eujafuiprejudicadoporservicospublicos.wordpress.com

  7. Sou e sempre fui contra a eleição das ditas “celebridades”, como o brasileiro não sabe votar eles acabam sempre se elegendo. Baseado em suas popularidades elegem-se e depois não conseguem sucesso na carreira eleitoral e dá nisso: Haja paciência!!!

    Estas figuras deveriam tomar vergonha na cara e conscientizar-se de sua significância!

    Veja o caso no Vereador Netinho de Paula, que deve aos cofres públicos (União) quase R$ 800 mil reais, sem contar os processos que tem nas costas e práticamente falido.

    Todos sabemos que não é mais capaz de recuperar-se na carreira artistica, sua fase passou, recorre a carreira politica confiando sem sua “popularidade” e pregando humildade, até evangélico diz que é hoje.

    Mesmo endividado com a União e tendo como sua segunda suplente a ex-ministra Matilde Ribeiro (que o favoreceu quando ministra) consegue apoio do presidente da república que é a primeira pessoa que deveria repudiar estes candidatos oportunistas.

    Liderando as pesquisas de intenção de votos e confiante em sua eleição abandonou de vez a CMSP, agora fica a pergunta:

    O que credencia um político como este a nos representar no senado???

    Haja paciência!!! Eleitores!!!

  8. Impressiona-me o não exercício cívico que muitos desses “políticos” não buscam fazer.

    Bem oportuno o comentário do colega acima que disse “carreira política” esses caras simplesmente entram na política e fazem miséria com os recursos públicos o dinheiro que pagamos de impostos nunca nos é revertido em nada, muito pelo contrário, nosso dinheiro serve para sustentar essa corja e suas famílias e nem citarei o nepotismo cruzado.

    Até quando isso perdurará? fica ai a pergunta.

  9. É triste saber que o vereador, que possui cargo efetivado com o voto da população e pago dinheiro público, considere tão pouco os eleitores que o elegeram e a população a quem DEVE prestar contas.
    A população tem TODO o direito de EXIGIR desempenho de seus parlamentares. Estamos cansados de ver nossos “representantes” considerando o cargo público como uma ferramenta para benefício PESSOAL e não de toda a sociedade.
    Os políticos só vão mudar se o eleitorado mudar. Exigir, fiscalizar, cobrar, é um direito mas também um dever do cidadão. É o nosso dinheiro que está lá, sendo gasto – isso MERECE uma satisfação.
    O Adote um Vereador ajudou a esclarecer milhares de eleitores neste último pleito e espero, continue crescendo, para que a mudança venha de fora. Desta forma, políticos que não ligam prá nós, serão VAPORIZADOS nas urnas.
    Cargo público é para o BEM COMUM, não para benefício próprio. Se você quiser ganhar dinheiro na moleza, vá vender Maria Mole. Legislar é trabalhoso e exige dedicação, perseverança e consideração pelo próximo.

  10. Não vou comentar o Haja Paciência, quero PARABENIZAR os Mosqueteiros, os cidadãos, o povo FINALMENTE aqui representado pelos autores dos comentários acima. Fico feliz em ver que a sociedade civil deixa de ser submissa, conivente pelo comodismo do “é tudo igual, não muda nada …” e começa a exigir qualidade do trabalho do seu representante, exigir qualidade no serviço prestado por aquele que deve gerenciar a prestação do serviço público visando o interesse público a nossa qualidade de vida comunitária. Assim nasce uma nova sociedade, que não suportará que usem a vida pública = os cargos como trampolim para interesses pessoais. Em breve, não será utopia termos homens públicos, políticos sérios, competentes e interessados em ser político em fazer política pública pelo povo e para o povo.

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