A moda gay

 

 


Por Dora Estevam

Tenho visto muita moda masculina nos últimos tempos. Algumas fotos e vídeos de desfiles compartilhados aqui com você internauta. Muitas produções, looks e shapes que estão pipocando nas passarelas que certamente irão para as lojas para tentar vender. Só que também percebi que muito do que é mostrado não é exatamente a moda que um heterossexual usaria.

A moda masculina tem mostrado  modelos de roupas que os gays gostam de usar. Os cortes são mais ousados, as cores mais alegres. Não que todo gay saia por ai todo colorido, não é isso. Mas é fato que os gays se vestem super bem.

Tem muito gay discreto que respeita antes a profissão. Eu diria que é como um executivo ou um parlamentar que no exercício da função precisa usar costume, mas no fim de semana relaxa e veste bermuda e sandália para ficar a vontade. Normal. Como também tem gay danoninho, que se veste com regata, shorts e chinelinho.

Vamos relembrar alguns fatos do processo da moda masculina-gay.

Que o gay tem uma personalidade singular não se discute. Ele passeia pelo lado masculino e feminino com a maior facilidade. No passado, precisou se vestir de maneira mais viril para esconder a homossexualidade, mas para liberar o lado gay teria que assumir o jeito sem ser marginalizado, vestindo os coloridos e os acessórios da moda. Daí veio a onda “ eu sou gay e demonstro através do meu comportamento e pela minha roupa”. Foi uma verdadeira farra, reccorreram às roupas masculinas por falta de opção, valia de tudo para contrapor: brinco e tamancos.

Só para você se situar estamos falando da década de 70.

Com o surgimento da Aids as coisas tomaram outro rumo. Ser gay, magrinho, fininho, queimadinho do sol virou sinônimo de doença. Então os moços começaram a recorrer para as academias: a regra era tornar o corpo mais fortinho, comer mais e ficar com cara de mais saudável. Magreza e cara branquinha, pálidos, estavam fora das características de fragilidade que já estavam sendo confundidas com o aspecto de doença.

Mas a mudança se estendeu até a forma de se vestir, muitos preocupados com os comentários voltaram a se vestir com roupas masculinas, com isso a caricatura de mulher estava descartada.

Já nos anos 80 ninguém mais falava do gay mulherzinha, afeminado, ficou totalmente fora de moda.

Com os corpos definidos e a pele bronzeada, o visual ficou com cara de macho. Só que os amigos criativos deram um jeitinho de não serem tão durões assim. Na prática os tecidos eram estampados e listrados, na cartela de cores prevaleceram os tons sur tons.

Um estilo mais andrógino que para completar os nossos amigos passaram a usar bigodes.

Apesar de tudo isso temos que lembrar que os melhores estilistas nacionais e internacionais de moda são gays, eles tem um papel fundamental na moda. Com isso passaram a divulgar a moda gay em bairros como Village, ao Norte de Nova York. Daí para frente a moda homossexual foi se expandindo até virar em centenas de lojas que não só atendiam ao público gay mas também aos simpatizantes.

Ainda nesta década não posso deixar de relembrar que o gay começou a usar aquelas roupas de couro, lenços no pescoço, adereços como brincos…emfim tudo para se distanciar daquele gay dos anos 70.

Hoje mesmo o “rapaz alegre” procura se vestir de maneira mais simples: jeans e camiseta. Mas não dá para negar que a moda masculina hoje é sugerida para o homem gay.

O fato é que o gay vai sempre se diferenciar, seja num echarpe jogado no pescoço ou um brinco bacana.

Não que o brinco seja um adereço gay, mas uma forma de o homem brincar com a moda masculina.

Por fim, hoje até a publicidade é feita com casais gays, em situações rotineiras como comer um salgadinho a beira da piscina com seu amor.

Curtam o clip.


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

10 comentários sobre “A moda gay

  1. Nunca tenho certeza se existe uma visão gay, assim como se há uma feminina e uma masculina. Os seres se diferenciam e se aproximam por outras linhas de sua perosnalidade e formação. Porém, se este olha gay existe, creio que seria extremamente útil para o desenvolvimento da sociedade sabermos usá-ló em todas as suas perspectivas. Teríamos comunidades menos violentas e plurais.

  2. São extremamente detalhistas, perfeccionistas, caprichosos
    tudo o que se propoem a realizar é bem feito.
    A exemplo dos gostos pelas vestimentas, acessorios.
    Não esquecendo de evidenciar no segmento de artes, arquitetura, design, publicidade, moda, criação.
    Bom findi

  3. Peço licença para aproveitar o titulo e superficialmente comentar sobre O GAY NA MODA, embora o tema seja a MODA GAY.
    Com mais de 40 anos atuando no Sistema da Moda, não tenho duvida da contribuição dos gays para o desenvolvimento do setor. Inclusive na moda feminina. E é aí que venho observando em todas as áreas a maior facilidade daqueles que experimentaram e não apenas estudaram .
    Os comentaristas de futebol que foram jogadores, tem mais facilidade e credibilidade do que os eruditos do tema.
    Os gays que criam moda feminina por mais femininos que sejam, precisam de esforço maior para lidar com a essência do feminino.
    Embora nem tanto quanto um religioso celibatário compulsório ter que aconselhar casais em dificuldades.
    É um tema e tanto para discussão, embora sem nenhum preconceito mas cheio de juizo de valor.

  4. Interessante a tua análise Dora.
    Não sou um sujeito que acompanha as tendências; parei na do jeans e camiseta, mas é bem claro olhando na rua, como a moda foi dando passo a revolução de costumes de nosso tempo. Ainda acredito que a individualidade faz a moda e não o contrario mas sem duvida é interessante acompanhar o indivíduo agrupado por ela.
    Bom domingo.

  5. Oi Sérgio, de fato quando olhamos para a moda lá atras o que vemos hje fica bem distante, mesmo que os estilistas tenten renovar ou reinventar, não é igual, por vários fatores.
    Abraço

  6. Dora
    Além da aviação, informatica atuo a mais de trinta anos no segmento de arquitetura e design de interiores.
    Sendo o ultimo segmento acima citado como um dos mais frequentados por gays.
    E são os gayz quando projetam criam algo é de ficar boquiaberto.
    Atuo neste segmento a mais de 40 anos e certamente tenhoi amigos e colegas gays, homens e mulheres.
    Quantas veses me deparei com problemas e obras, com materiais, quando minha mãe adoeceu seriamente e veio a falecer, todos me ajudaram a tocar 3 obras em andamento.
    Com frequencia sou convidado para ir a festas, reuniões, eventos pelos mesmos amigos “gays”
    Vou sempre com muito prazer, levo minha mulher, filhas e maridos.
    Abraços
    Armando Italo

  7. Oi Ítalo, e ainda eles não têm medo de perder lugar ou de ocupar o que não é deles. Foi lá ajudou eficou tudo bem. É isso, no fim temos muito que aprender nesta vida.
    Abraço e boa semana.

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