Torcer por um clube de futebol

 

Por Milton Ferretti Jung

Nem todos possuem um time para o qual torcem. Há quem nem sequer goste de futebol ou somente se fixe neste esporte quando a Seleção Brasileira entra em campo. Existem torcedores de todas as espécies, dos apaixonados aos raivosos, dos que freqüentam estádios aos que preferem acompanhar os jogos pelo pay-per-view e também pelas rádios.

Vou tratar, hoje, dos que têm time ou clube, que não chegam a ser sinônimos, mas podem ser entendidos como tal. Talvez quem me dá o prazer de ler o que escrevo aqui prefira falar em clube, eis que os times, ao contrário daquele, mudam de formação com freqüência. O clube, dependendo de sua grandeza, é eterno ou quase isso.

Minha abordagem versará sobre como se cria um torcedor. Creio que a maior influência venha dos pais, nem digo que seja paterna, porque muitas vezes o casal torce para times diferentes e a força de persuasão de um é mais forte do que a do seu par. Tirante esta dupla, há também padrinhos, tios, irmãos e outros parentes que tentam puxar o visado para o seu lado com todo o tipo de artimanhas, inclusive as que começam com os presentes que são dados aos recém-nascidos: camisetinhas, calções e meias de times de futebol. Esses, quando chegam à idade da razão, nem sempre fazem o que é esperado… e passam a torcer para o rival. Existem também os que, para fazer desfeita ao pai, vão para o lado oposto.

Na minha casa, impera a democracia. Todos têm de ser gremistas. E ninguém traiu o seu pai. Estão aí o Mílton (o texto da Avalanche Tricolor diz bem qual a sua paixão clubista), a Jacque, que vai ao Olímpico às vezes, mas prefere ficar acompanhando a marcha do jogo pela Internet, e o Christian, torcedor gremista também, mas mais ligado em música e apaixonado por fucas, sobre os quais escreve no blog MacFuca. Na sua infância e adolescência, o Mílton não só jogou na escolinha de futebol do Grêmio como foi integrante do times tricolor de basquete, no qual jogou dos juvenis à equipe de adultos.

Quanto ao pai deles, este seu criado, que estreou no rádio, como locutor, no distante ano de 1958, jamais escondeu sua paixão pelo Grêmio. No meu tempo de foca no ofício, na Rádio Canoas, cheguei a narrar um jogo no Estádio da Montanha, entre o dono da casa – Cruzeiro – e o Renner, equipe que foi campeã gaúcha em 54 e, no mesmo ano, acabou extinta. Muitos de seus jogadores, entre eles Ênio Vargas de Andrade, depois técnico famoso, trabalhavam na fábrica Renner. Mas retorno ao assunto. Na Rádio Guaíba, onde estou desde 1958, fui narrador durante muitos anos e – desculpem-me por falar sobre mim – participei do Terceiro Tempo e, hoje, do Ganhando o Jogo. Cito isso para dizer que já não preciso ser imparcial, o que era como narrador.

Faltou contar que, quando menino, um companheiro de peladas me convenceu a torcer para o Grêmio. Meu pai se dizia torcedor do São José. Logo, não teve nenhuma influência na minha escolha. Minha paixão só apareceu, de fato, quando, no internato, ouvi a transmissão de um jogo via rádio. Nessa, fã que era do goleiro Júlio Petersen, fiquei sabendo que ele se aposentara e seu substituto se chamava Sérgio Moacir. Foi a primeira irradiação de um jogo do Grêmio que acompanhei. Faço questão de lembrar, para concluir, que o meu gremismo, por não atentar contra a minha imparcialidade, nunca me criou problemas com os torcedores do Inter.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

9 comentários sobre “Torcer por um clube de futebol

  1. As razões pela qual se escolhe um time são misteriosas. Ruben Alves diz que escolhemos um time por causa da torcida e pelo time. Pode ser.

    Meu pai morava em Porto Alegre quando via o Grêmio no jornal, preto e branco, nem sabia que era o Grêmio mas mostrava para meu avô: gostava do time de camisa listrada. A cidade mudou e a paixão, não.

    Morando em São Paulo a maior parte da minha vida, segui o caminho de meu pai. Nem poderia ser diferente me chamando Tarciso.

    Como o Sr., gostava dos goleiros; o Mazza, Danrlei e agora do Victor. Minhas filhas, ambas paulistanas, gostam do Grêmio, não importa as más influências ao redor.

    No final das contas, não importa para qual time você torça, o que vale é a diversão e o discernimento para entender as forças que podem manipular o futebol, mas não podem manipular a paixão genuína pelo esporte bretão.

  2. Olá Miltonsll – Pai, Filho, Espírito Santo, Amém! Gostei muito do seu Gremismo, mas acho que Milton Ferreti Jung está nos devendo um texto sobre Ruidi Armim Petry, um dos maiores Gremistas e desportistas que o Grêmio forjou. Lembro do Terceiro Tempo dos bons tempos…. Abraço, e Sucesso no retorno do nosso Correspondente Renner…

  3. Sou Santista porque meu irmão era Santista. Morava no Matogrosso do Sul tinha uns 8 anos quando ele apareceu com a camisa do Santos na cidadezinha de Porto Murtinho e ai passei a gostar do Peixe. Hj tenho 44 anos e agradeço ao meu irmão que chegou na minha cidade indo de Sampa passar as férias na nossa Terra Natal com uma camisa de número 10 do Santos Futebol Clube. hj sei que esse 10 pertenceu ao maior craque da História do Futebol Nacional e Internacional. Acredito que a família é responsavel pela nossas escolhas, mas hj acho que a mídia faz esse papel. Hj muitos filhos de Corintianos torcem para o Santos por causa do Neymar.

  4. Sou paulista, Corinthiana de sangue, alma e coração. Em meados de 1995 entrei para uma empresa cujo tesoureiro era Gremista. Sua paixão quando falava do Grêmio era contagiante.
    Sempre gostei de futebol mas meu ex marido abominava o assunto em casa. Preferia ouvir Raul Seixas. Em 2008 já separada, comecei a assistir aos jogos do Timão e vibrar aquela paixão até então escondida.
    Então conheci um gaúcho de Esteio-RS, gremista e que se tornou meu namorado. Bom, o namoro findou mas o amor ao Grêmio reascendeu. Hoje posso dizer que tenho dois times, dois clubes, duas paixões. E pretendo em breve poder assistir um jogo do Grêmio no Olímpico. E se Deus assim ajudar, quem sabe ver o Timão em seu estádio…

  5. Ola Sr Milton pai

    Sou São Paulino por convicção, porem confesso que ultimamente não estou ligando muito para o futebol brasileiro por causa da cartolagem gananciosa, lobbys, jogadores mercenários que so pensam em dinheiro.
    Pele , Gerson, Falcão, Jairzinho, Rivelino, Zito, Mengalvio, Pepe, Dario Pereira, Serginho Chulapa apesar da “sua maluquice, Zé Sergio, Dr Socrates, Zico, entre outros tantos do passado que tinham personalidade e não se deixavam se levar por modismos ridiculos.
    Esses sim jogavam o verdadeiro futebol arte, tinham nos seus DNA o couro da bola.
    Grande abraço e parabéns pelo ,artigo.

  6. Caro Rui Pedroso,gostei tanto do texto que o meu filho criou,lembrando Rudi Armin Petry,que não me atrevo a escrever outro sobre o mesmo tema.

  7. O meu pai é santista, minha mãe é são paulina.
    Meu avô é palmeirense e minha tia corinthiana!
    Aos dozes anos (em 95), quando o Grêmio deu um chocolate no Palmeiras do meu avô, comecei a prestar atenção naquele time com uma bela camisa listrada!
    No jogo da volta (já que moro em São Paulo), o Grêmio mostrou raça novamente, e tirou o sonho da libertadores de meu avô!
    Me apaixonei! E hoje sou uma torcedora, paulistana, fanática pelo meu imortal!
    Esse ano está bem difícil achar alguém para discutir sobre futebol. Ninguém quer falar sobre a libertadores comigo… 😦

  8. Prezado Milton , apesar de nossa diferença clubistica sempre lhe admirei muito como profissional de imprensa .
    Sou porto-alegrense , colorada fanática e concordei com seu texto em genero , número e grau .Acho que as nossas raizes e ancestrais definem nossa paixões , principalmente a futebolística .
    Meu pai, Ruy Tedesco construi o Beira-Rio , mas desde meus 4 anos frequentava com ele o velho Eucaliptos.
    Meu filho Pedro Alberto Silber , hoje com 46 anos foi eleito aos 18 ,como o mais jovem conselheiro do Inter.
    E se o sr .se interessar por nossa “receita” , acesse o blog da Maria Lúcia Solla , e conheça meus netinhos de 20 dias e veja porque concordei com seu texto . Cordialmente Maryur Tedesco silber

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