Saudade da pracinha de futebol

 

Por Milton Ferretti Jung

Quem, porventura, leu algum ou alguns dos textos por mim postados neste blog talvez imagine que sou saudosista. Houaiss, porém, informa, no seu dicionário, que essa palavra descreve quem cultiva o saudosismo. Este, por sua vez, significa “tendência, gosto fundado na valorização demasiada do passado”. Eu valorizo, sem demasias, tanto o passado quanto o presente. Já o futuro, embora me preocupe, deixo para lá, porque a Deus pertence, diz o ditado popular.

Seja lá como for, sinto saudade de meus falecidos avós, pais, de minha irmã e de muitos amigos que se foram e de outros que ainda aí estão, mas com os quais perdi contato. Tenho saudade também de coisas: meus times de botões. Guardo-os até hoje, mas nem meus netos se dispõem a jogar comigo. Todos preferem os sofisticados jogos de computador. E lhes dou razão. Afinal, também pratico alguns desses, os menos complicados, claro. Por falar nessas maravilhosas máquinas modernas, apresento mais uma prova de como dou importância ao presente. Gosto de novidades: GPS, IPod, IPad, carros modernos, repletos de air-bags, com câmbio automático e avanços incontáveis em todos os sentidos.

Não esqueço, entretanto, das coisas passadas que fizeram o encanto da minha infância: os terrenos baldios, por exemplo, quase todos, na minha zona, usados para que jogássemos peladas. Esses foram aos poucos se rarefazendo à medida que eram ocupados por residências. Sobrou a “pracinha” – como a chamávamos carinhosamente – um triângulo formado pela junção de duas ruas, situada bem na frente da casa paterna. Nela, praticamos vários esportes, embora o terreno tivesse um declive e quem jogasse na parte mais alta – a ponta aguda do triângulo – sempre ficasse em desvantagem. Havia, na “pracinha”, todo o tipo de jogo, desde bolinha de gude, vôlei e basquete, até um gol a gol disputado com bola de tênis, impulsionada a cabeçadas e, claro, as peladas, nossas preferidas. Às vezes, entretanto, nos transformávamos em espectadores.

Um pouco distante da minha rua havia um campo de futebol amador no qual jogava o União. Para nós, meninos e adultos, era o União do Buraco, porque o gramado ficava ao lado de um morro. Neste, se aboletava a maioria dos espectadores. Da janela do quarto dos meus avós, ouvia-se o barulho da bola chutada pelos “craques” que, não raramente, se desentendiam e partiam para a pauleira. Era um salve-se quem puder. Lembro que muitos dos que fugiam passavam correndo por minha rua. O futebol, no campo do União, fazia a alegria das tardes de domingo, tanto da criançada quanto dos adultos. Bem mais longe, situava-se o campo do Pombal. Este era outro dos times amadores que não deixavam de ter seus torcedores. A vantagem dessas equipes é que não precisavam ceder seus jogadores para seleções de todas as espécies ou para o futebol europeu, árabe, japonês, russo, ucraniano, etc. Não sei se algum dos nossos “craques” chegou a se profissionalizar. Isso, todavia, nunca impediu que a gente torcesse para eles.


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele).

3 comentários sobre “Saudade da pracinha de futebol

  1. Oi Milton, gosto muito de ouvir a CBN e muito mais de ouvi-lo. O brasil carece de pessoas como você, carecemos de pessoas que realmente assumam uma postura de profissional ético e cristão. Parabéns. Eu também sinto falta de tantas coisas que reforçavam os laços das familias e dos amigos, os jogos de Belisco, amarelinhas, petecas, rodas, passar anel e tantos outros onde meninos e meninas brincavem e conviviam sem pular etapas de seu desenvolvimento fisico e metal. Perto de minha casa tem uma pracinha onde realizamos quadrilhas e festas de carnaval com marchinhas dos velhos tempos é uma maravilha. Fique com Deus.

  2. Prezado Sr Milton Pai

    A tendencia do ser humano nas grandes cidades é realmente viver confinado entre paredes
    Morar em apartamentos cada vez menores,
    Passear em shjoppings centers
    Ir ao cinema restaurantes dentro dos shoping centers.
    Ter que ficar enlatado dentro de seus automoveis por horas a fio num transito infernal, nos poucos onibus, nos trens, metros.
    Futebol se uma criança quiser jogar só se for nas diminutas quadras poliesportivas existentes nos poucos predios ou em escolinhas, e obviamente os preços não são nada convidativos.
    FEstas Juninas são confinadas em clubes para poucos.
    e o carnaval, principalmente o paulistano?
    Acabou também confinado no sambódromo na distante Zona Norte.
    Nos feriados do carnaval o que o paulistano mais quer é fugir da cidade para praias, campo, montanha.
    Pior quem mora e vive na periferia.
    De casa para o trabalho, do trabalho para casa e quando esta em casa temm que dividir seu espaço com mais dez parentes.
    Campos de futebol de várzea acabaram.
    Locais para soltar pipas também
    Jogar bolinha de gude nas calçadas de terra, fazer buraquinhos com tampinha de refrigenrante para jogar bolinhas de gude acabaram.
    No mundfo da tecnologia de ponta, da informatica de opnta, acabamos por viver num mundo virtual
    Estamos confinados também dentro das cpus dos nossos pcs.
    C´est la vie!
    Abraços
    Armando Italo

  3. Prezado Sr Milton Pai
    Comentando sobre o passado, lembrei-me destes videos que recebi de um amigo
    Acessem o link
    Os que viveram nos tempos da brilhantina, vão adorar e certamente lembrar de momentos inesqueciveis das suas juventudes e infancia.
    http://blogdoaitalo.blogspot.com/2011/07/cure-o-passado-viva-o-presente-sonhe.html#comments
    “A vida passa muito rápido, devemos curtir todas as fases de nossa vida…pessoas que nos fazem felizes, nós nunca devemos deixar se distanciar!!!
    Os anos passam, as pessoas envelhecem, a tecnologia muda mas a música é a mesma!”

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