“É proibido calar!” estará no Paraná e Rio Grande do Sul nesta semana

 

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As semanas têm passado em alta velocidade devido a série de viagens pelo Brasil para o lançamento de “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos” (Editora Best Seller). Terminei a semana passada no Rio de Janeiro após dois dias no Distrito Federal. Em um lugar e em outro, a conversa com os ouvintes e leitores foi revigorante. Além de reencontrar amigos e colegas de trabalho, tive contato com pessoas que acompanham o meu trabalho no rádio e esperam encontrar no livro uma parte daquilo que conheceram através dos meus comentários e entrevistas — minha torcida é que após lerem o livro preservem a imagem que tinham até então.

 

Nova semana se inicia e uma nova angústia aparece. Talvez nunca tenha dito isso a você, caro e raro leitor deste blog, mas a ansiedade em saber quem aceitou o convite de comparecer ao lançamento do livro consome o meu dia. Sempre tenho a impressão de que ninguém estará por lá — motivos não faltam, afinal todos nós temos uma quantidade gigantesca de compromissos na agenda. Ao mesmo tempo, fico com a esperança de que posso ser surpreendido com a presença de uma ou outra pessoa.

 

No Rio de Janeiro, quinta-feira passada, além de muita gente boa e generosa que esteve por lá, reencontrei um amigo de infância, que morava na mesma rua que a minha em Porto Alegre, foi meu aluno na escolinha de basquete do Grêmio, nos anos de 1980. “Sabe quem eu sou?”,  perguntou ele. Claro que minha memória não era capaz de voltar tanto tempo, até porque o cara, casado, com jeito de quem trabalhou duro na vida para montar sua rede de restaurantes, estava bem diferente daquele guri da Saldanha que eu conheci. “Sou o Ismael, irmão do Samuel” — frase que serviu de senha para liberar minhas lembranças e me emocionar. A imagem do guri da Saldanha voltou a mente e substituiu o cara, casado, com jeito de quem trabalhou duro na vida para montar sua rede de restaurantes. Passaram a ser a mesma pessoa.

 

Tomara seja capaz de encontrar velhos conhecidos em Curitiba, na terça-feira, dia 28, quando lançarei “‘É Proibido Calar!” na Livrarias Curitiba, no Shopping Palladium, às 19 horas. Ou quem sabe, encontre novos conhecidos, entusiasmados com a ideia do livro de que os pais, as mães e os adultos de referência das nossas crianças sejam responsáveis pela educação dos seus filhos — uma educação que precisa ser baseada em princípios e valores éticos.

 

Na sexta-feira, estarei em Porto Alegre. Na minha terra natal, serei o palestrante que encerrará o Congresso de Comunicação Legislativa para Câmara Municipais — convite que me fizeram pela participação que tenho no Adote um Vereador, um dos temas que tratei no “É proibido calar!”. Farei a palestra “Comunicar para liderar no legislativo”, baseada em meu livro anterior “Comunicar para liderar” que escrevi em parceria com a fonoaudióloga Leny Kyrillos.

 

Seja em Curitiba seja em Porto Alegre, só tenho a dizer o que tenho dito em todos os lançamentos que fiz até agora de “É proíbido calar!”: não me deixem sós.

Avalanche Tricolor: por Marcelo, vamos ganhar este Gauchão

 

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Gaúcho – Beira Rio/Porto Alegre-RS

 

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Marcelo Grohe comemora a classificaçao em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Sofrimento não faltou neste campeonato.

 

As escolhas no início da temporada não deram o resultado esperado. Com um time de jogadores da base, salvo alguns agregados do grupo principal, o desempenho ficou aquém da expectativa. O nome do Grêmio rondou a parte mais baixa da tabela de classificação até praticamente as últimas rodadas da primeira fase.

 

Os catastróficos estavam prevendo o pior, sem levar em consideração o potencial do time que, sob o comando de Renato, se preparava nos bastidores para a temporada longa de jogos importantes. Dois deles, inclusive, logo no início do ano quando disputamos e vencemos a Recopa Sul-Americana.

 

Houve até quem fizesse discurso, diante de algumas injustiças cometidas por árbitros, que o Grêmio deveria deixar de lado o estadual para não prejudicar a campanha nas competições que realmente interessavam no ano: Libertadores e Campeonato Brasileiro, por exemplo.

 

Os matemáticos chamados a mostrar suas contas pareciam incrédulos na possibilidade de o Grêmio impor uma sequência de vitórias que lhe tirasse da parte de trás da competição e o colocasse entre os oito classificados às finais. Preferiam falar em chances para não cair. Pobres coitados! Tão obstinados pelos números, esqueciam do poder de reação que sempre marcou a história gremista.

 

Ao fim e ao cabo, o Grêmio chegou às quartas de final não na última vaga, mas em sexto lugar e com uma vitória na casa de seu principal adversário, que lutou desesperadamente por um empate apenas para não ter o dissabor de enfrentar o tricolor já na etapa seguinte. Sabia o que teria pela frente.

 

O Grêmio chegou grande e forte no momento decisivo da competição e mostrou sua superioridade no domingo passado, na Arena quando encaminhou sua classificação à semifinal com uma goleada de 3 a 0.

 

Na noite desta quarta-feira, diante da torcida adversária e de um time que tem como sua maior pretensão no ano a conquista do estadual, o Grêmio somente precisava carimbar a passagem à próxima etapa. Fez um jogo sabendo desta missão.

 

É provável que ciente de sua superioridade e da grande vantagem que havia garantido no primeiro jogo tenha sobrado soberba. E isso sempre cobra um preço por mais talento e técnica que seu time tenha.

 

O Grêmio, como diz o lugar-comum dos jornalistas esportivos, jogou com o regulamento embaixo do braço, e se expos a riscos. Riscos calculados é verdade, pois como se viu nos momentos finais da partida, bastava colocar a bola na grama, trocar alguns passes e o talento que nos deu a Copa do Brasil, a Libertadores e a Recopa, nestes últimos anos, se revelava novamente.

 

Jogou o suficiente para se classificar e aprendeu a lição. É o que espera Marcelo Grohe, segundo se ouviu na entrevista que ele concedeu ao fim da partida. Nosso goleiro confidenciou ao repórter de campo que antes do jogo se iniciar lembrou a seus colegas que neste ciclo vitorioso que estamos vivendo ainda não havíamos vencido o Gauchão.

 

Marcelo, um dos dois únicos remanescente do último título gaúcho que o Grêmio conquistou, ainda chama o estadual no aumentativo, coisa que evito há bastante tempo, pois entendo que o campeonato perdeu importância especialmente diante dos verdadeiros desafios que temos pela frente.

 

É bom que ele alerte seus colegas e chame minha atenção, também, para a necessidade de reconquistarmos este troféu. Até porque, Marcelo sabe que o Grêmio está condenado a disputar cada jogo como uma decisão. É assim que nossas história foi forjada. E, independentemente do tamanho do campeonato, o Grêmio tem de ser grande em campo, sempre.

 

Vamos ganhar o Gauchão – e o chamarei assim, a partir de agora – por Marcelo Grohe.
 

Avalanche Tricolor: o Gigante no Beira-Rio

 

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Gaúcho – Beira-Rio/Porto Alegre-RS

 

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A alegria de Luan, a nossa alegria (foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA)

 

A trilha sonora no quarto de hotel em que estou é dos anos de 1980. Naquela época ainda estava em Porto Alegre. Havia uma certa excitação provocada pela chegada à universidade e a possibilidade de iniciar carreira. Mal sabia o que viria pela frente: da mesma maneira que a tristeza me importunou com a morte de minha mãe – a mais dura de todas as tristezas que vivi até hoje -, alegrias e esperanças surgiram com as transformações que se avizinhavam. Foi um tempo em que a vida e o futebol me causaram emoções incríveis. E por ser este um texto dedicado ao futebol é com ele que vou dialogar daqui pra frente.

 

Foram os anos de 1980 que fizeram o Grêmio gigante. Até lá havíamos sofrido para conquistar o domínio regional; disputávamos cada campeonato gaúcho como se fosse a maior batalha a ser vencida em campo; ganhar um clássico estadual era a conquista a ser alcançada, independentemente do que mais viesse a acontecer. Foi uma etapa importante de nossa vida, pois forjou nosso crescimento.

 

Foi quando descobrimos que o nosso futebol não caberia mais nas fronteiras do Rio Grande. Conquistamos o Brasil, a América e o Mundo. Ganhamos respeito e deixamos história por onde passamos. Revisitamos muitas dessas conquistas para orgulho de nossa torcida, nos anos seguintes.

 

Nessas quase quatro décadas que nos separam dos anos de 1980, o Grêmio rodou o mundo; e ao Campeonato Gaúcho ofereceu sua verdadeira dimensão, sem jamais desmerecê-lo, mesmo que esse nem sempre merecesse nossa atenção.

 

Neste ano, pensando grande, aceitou o risco de escalar times jovens ou desentrosados. Calculou o perigo que corria ciente dos objetivos que busca na temporada. Sofreu pressão, ouviu intriga e ensaiaram até mesmo uma crise: nada disso foi suficiente para tirar o Grêmio de seu rumo.

 

Neste domingo, contra seu principal competidor no Rio Grande do Sul, que dedica 100% de suas forças à competição regional, e diante de um estádio praticamente tomado pela torcida adversária, o Grêmio mostrou-se mais uma vez gigante.

 

Em campo, provou porque é o time do Rio Grande do Sul mais respeitado e temido da atualidade. Fez um primeiro tempo quase que perfeito. Colocou seu oponente nas cordas, trocou passes com precisão, desfilou talento em campo e deu oportunidade para Luan apresentar seu cartão de visita, onde se lê: Rei da América.

 

Com dois gols, domínio total da bola no pé e sorriso no rosto, Luan é a cara do Grêmio que surgiu daqueles anos de 1980.

 

Apesar de ainda se parecer com um menino, tem apenas 24 anos, é um guerreiro em campo, não tem medo de cara feia, provoca o marcador a ponto de fazê-lo perder o equilíbrio, e o desequilibra com sua desenvoltura no meio de campo. Quando chuta a gol, toca na bola com uma delicadeza como se estivesse agradecendo por ela ser tão generosa com ele. E a bola responde, dirigindo-se de maneira certeira em direção às redes. Eles se entendem como poucos.

 

No segundo tempo, surpreendido logo cedo, outra versão gremista se revelou: a do time capaz de se defender de tudo e de todos. Calejado pelo tempo, segurou a pressão daqueles que pareciam desesperados por um empate para tentar evitar o confronto direto já na próxima fase do mata-mata. Foi então que Geromel e Kannemann confirmaram o que sabemos deles há algum tempo: são bons de mais.

 

O Grêmio foi grande como tem sido desde os anos de 1980.

 

O Grêmio, sem provocação, foi o Gigante no Beira Rio.

Avalanche Tricolor: “nos pênaltis, ora bolas!”

 

 

Novo Hamburgo 1×1 Grêmio
Gaúcho – Estádio do Vale/Novo Hamburgo

 

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Barrios marca o gol do Grêmio, reprodução de imagem da SPORTV

 

Porto Alegre foi onde estive nesses últimos dias, após uma rápida estada em Gramado, interior do Rio Grande do Sul. Cheguei de lá na noite deste domingo quando o Grêmio já estava em campo decidindo uma vaga à final do Campeonato Gaúcho.

 

Estar com a família, relembrar histórias das quais fomos protagonistas juntos, entender como cada um de nós chegou até aqui e perceber que fomos feitos de alegrias e tristezas, sendo que ambos sentimentos deixaram suas marcas, tornaram esses dias intensos ao lado de minha irmã e meu irmão, e junto com minha cunhada e sobrinhos.

 

Rever o pai, então, é sempre uma sensação única. Gosto de abraçá-lo fortemente para agradecer pela sua presença entre nós e, em especial, para deixar nele a certeza de que tudo que vivemos até aqui valeu a pena, independentemente do que tenhamos enfrentado no passado.

 

Até porque naquele passado, filhos e pais nem sempre se abraçavam e se beijavam com o desejo que esta relação sempre mereceu. Sei lá, parece que rolava uma timidez, uma vergonha sem explicação de dizer o quanto te amo. Coisa de adolescente, talvez.

 

Verdade que o pai sempre se esforçou para mostrar isso para mim. Eu só não entendia.

 

Quando eu chegava tarde em casa, ele me esperava acordado, fumando um cigarro atrás do outro, sempre imaginando que o pior poderia ter acontecido. Sobrava bronca pra todo mundo. Eu achava desnecessário e desconfortável. Hoje percebo tudo isso com maior nitidez: era apenas amor.

 

Ao lado dos campos de futebol e das quadras de basquete, onde tive o prazer de representar o Grêmio por anos a fio, ele sofria desesperadamente, esbravejava contra o juiz e dizia palavrões desajeitados. Tiveram cenas hilárias, como o dia em que correu atrás do árbitro, cansado de tanto vê-lo apitar contra nós. Que vergonha! Vergonha, nada! Era apenas amor.

 

Naqueles tempos, abraços intensos e desavergonhados só mesmo quando assistíamos aos jogos do Grêmio. Eram momentos em que parecíamos ter a mesma idade. Socávamos as cadeiras azuis do Olímpico a cada lance desperdiçado. Saltávamos efusivamente para comemorar nossos gols. Os títulos mereciam celebração especial que se iniciava no estádio, seguia com a gente pelas escadarias até o vestiário e se estendia pelo caminho de volta a nossa casa, que ficava bem pertinho dali.

 

Diante do revés, ele voltava a ser meu pai. Pois era quem sabia me consolar, usando às vezes a razão outras apenas a ilusão para explicar os motivos de uma derrota. Nem sempre havia coerência na justificativa, mas ele insistia naquela história para não ver seu filho triste. Era mais um sinal de seu amor.

 

Hoje, voltei para São Paulo e, depois de um abraço bem apertado, deixei o pai lá em Porto Alegre antes de a partida se iniciar. Precisávamos vencer para estar na decisão. Nem que fosse nos pênaltis. Repetimos os feitos (ou defeitos) do primeiro jogo da semifinal quando saímos na frente e não foi necessário muito esforço do adversário no ataque para entregarmos o empate. Jogamos fora a possibilidade de classificação em pênaltis mal cobrados.

 

Estivesse aqui ao meu lado, em São Paulo, arrisco dizer que o pai encontraria uma desculpa qualquer para não me ver abatido com a desclassificação. Talvez tentasse me convencer que mais importante é conquistar a Libertadores.

 

Eu sei, pai, mas nós sempre queremos ganhar todos os títulos que disputamos.

 

Quem sabe, me lembraria que somos os atuais campeões da Copa do Brasil, o Rei de Copas, título nacional de muito mais destaque do que um regional.

 

Você tem razão, pai, mas eu ando com saudades de um título gaúcho. E você, também.

 

Ora bolas, mas só perdemos nos pênaltis! – tentaria uma última cartada.

 

É, ele é assim mesmo: para me consolar, o pai não desiste nunca. É amor, eu sei!

Avalanche Tricolor: sem exagero!

 

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Gaúcho – Vieirão – Gravataí

 

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Miller e Ramiro marcaram os gols, foto de LUCASUEBEL/GrêmioFBPA

 

 

 

É exagerado este futebol, não?

 

O acanhado estádio da cidade de Gravataí, com direito a estacionamento logo atrás do gol e arquibancadas expostas ao sol intenso do verão gaúcho, tem, oficialmente, oito mil lugares. Dizem os registros que foi inaugurado em 2008 e batizado Antonio Vieira Ramos, um dos fundadores do Cerâmica, que alugou o local para o Cruzeiro, ex-Porto Alegre, levar suas partidas enquanto  espera a entrega do seu estádio próprio.

 

O fato de o estádio ser enxuto e ter dependências simples não impede de o pessoal da cidade chamá-lo de Vieirão. Soa quase como uma brincadeira entre amigos. Aliás, como fazíamos nos tempos de guri quando convidávamos os colegas para uma pelada no “Areião” ou no “Aterrão”, que nada mais era do que um pedaço de terra pura, com uma sequência de buracos a serem driblados a cada ataque e goleiras sinalizadas com pedaços de pau que, em todos os jogos, tínhamos de cravar novamente, porque um espírito de porco fazia questão de arrancá-los nos dias sem jogos.

 

O uso do aumentativo se disseminou com narradores esportivos que exageram na dose para compensar a baixa qualidade do espetáculo que transmitem pelo rádio e TV. Por exemplo, em toda minha vida vivida no Rio Grande do Sul e isso significa até 1990, só lembro de a competição estadual que disputávamos ser chamada por seu nome próprio: Campeonato Gaúcho. Hoje, quando sua importância é restrita, tem menos clubes e tempo de duração menor, é Gauchão.

 

Nada mais contraditório, porém, do que o apelido dado aos goleiros de futebol. Independentemente do tamanho do frango que engolem ou das falhas que cometem, todos invariavelmente são chamados de “goleirão”. Às vezes com ironia, mas na maior parte das vezes por mania.

 

Não vou entrar aqui em outro dos exageros comuns que cometemos ao falarmos de futebol que é o de transformar em craque qualquer um capaz de dar um drible a mais no adversário. Pode ser um passe de letra, uma pedalada sem sequência ou uma assistência que permita que o colega bote a bola para dentro, tudo isso já é suficiente para cutucarmos o amigo sentado ao lado na arquibancada: “bom de bola esse guri, bate um bolão que só vendo, heim!”.

 

Dito isso e colocando de lado os exageros, vamos a partida deste Sábado de Carnaval.

 

A vitória de 2 a 0, mesmo que não tenha tido desempenho capaz de agradar Renato, e é bom que seja assim mesmo, me marcou pelo desempenho de alguns de nossos jogadores:

 

Marcelo Grohe e suas defesas no primeiro tempo, especialmente a do pênalti, que convertido causaria um estrago tremendo, mais uma vez mostrou que é uma baita goleiro.

 

Miller com sua movimentação no meio de campo, distribuição de jogo e um golaço de fora da área quando o time não estava jogando lá essas coisas, deixou mais uma vez claro que é um baita jogador.

 

Ramiro com mais um gol na estatística, batendo de primeira a bola cruzada por Lincoln, tem se revelado um baita cara.

 

Tudo bem, não foi um jogão, mas podemos dizer que Grohe foi um goleirão, Ramiro bateu um bolão e Miller merece o título de o craque do jogo disputado no Vierão. Sem exagero!

Avalanche Tricolor: o sinal da vitória!

 

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Brasileiro – Beira Rio/POA-RS

 

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Douglas comemora único gol no Gre-nal, em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

O rapaz da manutenção apareceu aqui em casa com a camisa do Grêmio, mas disse que é palmeirense: “uso a camisa porque acho a mais bonita” (eu, também!). Aproveitei para mostrar-lhe a coleção que está em fase de reconstrução desde que tive meu acervo roubado, em São Paulo.

 

O padre gremista que sempre me recebe na porta da igreja aos domingos estava de vermelho e branco. Ao cumprimentá-lo com olhar desconfiado, ele arriscou: “será uma premonição?”. Sem saber o que responder, sorri amarelo para, em seguida, ouvir outra pergunta: “pode dar azar?”.

 

Padre falando em sorte e azar? Fiz o sinal da cruz e entrei.

 

Para um domingo de Gre-nal, palmeirense com a camisa do Grêmio e gremista com as cores do adversário, convenhamos, são sinais conflitantes.

 

Antes de o jogo se iniciar, tentei decifrá-los, na tentativa de antecipar o que aconteceria em campo logo em seguida. Mas não encontrei resposta razoável, a não ser a preocupação.

 

E foi com dose extra de preocupação que me postei diante da TV, neste domingo pela manhã.

 

Assim que a bola rolou, vi nosso time com aquela marcação sob pressão já no campo de defesa do adversário. Era sinal de que jogaríamos com a postura de quem está em casa, mesmo não estando.

 

Havia pouco espaço para jogar de um lado e de outro. O passe precisaria ser muito preciso e o drible faria a diferença. Douglas, Giuliano, Luan e Everton mais à frente, ensaiavam algumas jogadas, mas sem chegar na condição ideal para o gol.

 

O melhor sinal mesmo vinha lá de trás, com a defesa firme na marcação, roubando bolas e jogando para longe quando necessário – às vezes, para escanteio, o que poderia ter sido evitado.

 

Em um jogo congestionado, o contra-ataque era a chance de se tocar a bola com menos sufoco. E foi o que aconteceu aos 19 minutos do primeiro tempo, com a roubada de bola no nosso campo e a disparada para o ataque, com passe de pé em pé, jogadores próximos um dos outros, deslocamento rápido de Everton pela esquerda, o chute que já virou uma de suas marcas e a sobra para quem aparecer dentro da área: Douglas, o camisa 10, apareceu e marcou.

 

O Grêmio saía na frente do placar, mas não seria suficiente para sinalizar o que poderia ocorrer no restante do jogo, mesmo porque esquecemos que estar com a bola no pé é a maneira mais segura de evitar qualquer risco.

 

Riscos não faltaram no segundo tempo, com bola cruzando de uma lado, cruzando de outro, passando rente a trave, sendo despachada pelos zagueiros de cabeça, com o pé ou o do jeito que desse. Tinha também Marcelo Grohe para evitar o pior que se avizinhava.

 

“Estamos dando muita sorte para o azar”, pensei em voz alta e logo lembrei de um dos diálogos com o padre na porta da igreja.

 

Sorte? Azar? Meu Deus do Céu, lá vem a bola de novo!

 

Àquela altura, a nosso favor apenas o relógio que não parava um segundo sequer e a cada segundo que passasse nos deixava mais próximos da vitória. Havia também o desespero adversário que colocou quem pode dentro da nossa área, até o goleiro . Falharam todos.

 

Diante daquela situação, o sinal mais comemorado foi mesmo o apito final do árbitro que nos garantia a vitória no Gre-nal.

 

Com a conquista do clássico, mais três pontos na tabela e as perspectivas mantidas na busca pelo título do Campeonato Brasileiro, tentei entender o que todos aqueles sinais antes da partida tentaram me dizer.

 

Do palmeirense com a camisa gremista, imagino que seja o respeito a quem está chegando para tirá-los da liderança.

 

Já o vermelho e branco que se destacavam na vestimenta do padre e na decoração da igreja eram o convite para mais uma festa. Lá na igreja, pela solenidade dos apóstolos Pedro e Paulo; lá na casa do adversário, pela vitória do técnico que prefere dirigir um time de qualidade a um trator de pneu furado.

Quintanares: O dia abriu seu pára-sol bordado

 

 

Poema de Mário Quintana
Publicado em A Rua dos Cataventos
Interpretado por Milton Ferretti Jung

 

Para Érico Veríssimo

 

O dia abriu seu pára-sol bordado
De nuvens e de verde ramaria.
E estava até um fumo, que subia,
Mi-nu-ci-o-sa-men-te desenhado.

 

Depois surgiu, no céu azul arqueado,
A Lua — a Lua! em pleno meio-dia.
Na rua, um menininho que seguia
Parou, ficou a olhá-la admirado…

 

Pus meus sapatos na janela alta,
Sobre o rebordo… Céu é que lhes falta
Pra suportarem a existência rude!

 

E eles sonham, imóveis, deslumbrados,
Que são dois velhos barcos, encalhados
Sobre a margem tranqüila de um açude…

 

Quintanares é um programa que foi ao ar, originalmente, na Rádio Guaíba de Porto Alegre.

A gente que se dane

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Salve-se quem puder!

 

Para viver nas principais metrópoles brasileiras é preciso ter presente a frase com a qual abri o texto de hoje, eis que grande é o risco de vida que corremos.

 

Não necessito dizer as razões que deixaram a maioria das pessoas de bem entregues a bandidos de todas as espécies, a maioria vitaminada por traficantes de tóxicos. Esses brigam entre si para disputar quem manda mais. Ainda se tais disputas não atingissem quem gostaria de ficar longe delas, mas, lamentavelmente, muitos não têm como se refugiar sem correr riscos de morte. Inocentes de todas as idades morrem vítimas de balas perdidas.

 

O vice-prefeito da nossa Chicago,isto é,Porto Alegre, como a apelidei, participava de uma reunião que tratava da insegurança que ronda, permanentemente, a Capital gaúcha, por força dos homicídios e tiroteios quase diários. Nesse encontro, Sebastião Melo, esse o nome do vice de POA, cobrou postura diferente da do nosso governador José Ivo Sartori, seu colega de legenda. Na noite passada, enquanto debatia os problemas da cidade, Melo ouviu uma série de tiroteios de armas de fogo. Ao descrevê-lo, o vice-prefeito,em entrevista à Rádio Gaúcha, pediu que fossem tomadas medidas mais fortes para combater a criminalidade. Para Melo, o governador deveria criar uma “sala de crise”. O nome é bonito, mas duvido que a tal de “sala” seja criada.

 

O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, gostaria de ver em ação a Força Nacional. Sartori já havia pensado nisso. Fortunati,no entanto,tem no secretário estadual de Segurança Pública,Wantuir Jacini, não digo um inimigo, mas alguém que não concorda com o prefeito de Porto Alegre. Esse retruca, dizendo que a presença de Força Nacional não resolve, mas ajudaria. Para o prefeito, já foram suportados todos os limites. Jacini, do “alto de sua sapiência”,porém, deve saber tudo sobre o que deve ou não deve ser feito para que esta cidade amaldiçoada se aproxime do seu normal. Enquanto isso,pessoas continuam morrendo assassinadas,como ocorreu com Norberto Soares Vieira,trucidado a tiros,bem próximo do Pronto Atendimento da Vila Cruzeiro,um legítimo antro de traficantes de tóxicos. O local havia sido fechado quando um médico, que dava plantão, não suportou permanecer trabalhando.

 

O diabo é que os bandidos demonstram que não temem ninguém,especialmente porque quem deveria definir como minimizar o problema,está longe de encontrar solução.

 

E os porto-alegrenses que se danem,não é?

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve de Porto Alegre no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: gols, pipoca e rock and roll

 

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Gaúcho – Arena do Grêmio

 

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Foi um fim de sábado intenso, que começou ali pelas cinco horas da tarde com a partida do Grêmio, na televisão, e se encerrou depois da meia-noite quando voltei a pé do Morumbi, após assistir ao show dos Rolling Stones.

 

Cheguei a titubear: ver o jogo do Grêmio até o fim e chegar em cima da hora para o show, arriscando ficar distante do palco? Não ver o jogo do Grêmio e garantir espaço nas primeiras filas da pista?

 

Não sei porque ainda encaro esses dilemas quando sei de antemão a resposta: assisto ao jogo do Grêmio, sempre (ou na maioria das vezes). Foi o que fiz e por pouco não me arrependi. Não que lá no estádio, pela hora que cheguei, não tenha conseguido uma boa visão do palco, muito beneficiada pelos incríveis telões que integravam a paisagem eletrônica.

 

O arrependimento bateu forte quando vi, já no segundo tempo, aquela escapada pelo corredor que havia no lado direito da nossa defesa, a bola cruzando toda a área para encontrar o atacante que entrava livre pelo nosso lado esquerdo.

 

Este show já havia assistido, nesta temporada. O Grêmio com muito mais futebol, chegando à defesa alheia com velocidade, chutando e desperdiçando oportunidade atrás de oportunidade. Consagrando o goleiro adversário. De repente, uma bobeada e tomamos o gol. Outra, e gol novamente. Ontem, corremos riscos mais duas ou três vezes. Ainda bem que nosso goleiro é sagrado.

 

Para ver espetáculo com o mesmo enredo, tivesse seguido mais cedo para o Morumbi, pensei cá com as listras tricolores da minha camisa. Lá estava com encontro marcado com velhos conhecidos: no palco estariam os mesmos astros e seus clássicos que curti em janeiro de 1995, no Pacaembu, e em abril de 1998, na pista de atletismo do Ibirapuera, apenas com uma roupagem diferente. Sim, eu estive com eles nas duas vezes anteriores e só não me meti entre os 1 milhão e 200 mil pessoas que assistiram à apresentação, em 2006, em Copacabana, porque casamento e filhos nos dão um certo senso de responsabilidade.

 

Gosto dos Stones e poucos são capazes de me emocionar como eles, especialmente quando somos milhares no mesmo espaço comungando o som que tocou minha geração. E, pela juventude que pulava ao meu lado, a de muitos outros, também.

 

Assim como das outras vezes, a expectativa era ouvi-los em “Jumpin’ jack flash”, “You can’t always get what you want” e “Satisfaction” – os sucessos de sempre. Já sabia que Mick Jagger conversaria com a gente em um esforçado português britânico, iria saracotear de uma lado para o outro e brincaria com a turma do palco.

 

Apesar da impressão de que tudo aquilo já havia sido visto anos atrás, mais uma vez assistir aos Stones seria único, grandioso e emocionante. Um espetáculo que queria ver de novo, e de novo, e mais uma vez se possível. Diferentemente daquele que o Grêmio apresentava na Arena, em Porto Alegre, e eu insistia em assistir até o fim, mesmo que isso pudesse atrapalhar meu compromisso mais tarde.

 

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Luan marca mais uma vez Foto Grêmio Oficial/Lucas Lebel

 

Quando o Grêmio joga, mesmo nos piores de seus dias, sempre quero acreditar que algo surpreendente possa acontecer. E estamos bem distante destes maus dias. O que ocorre hoje é apenas a necessidade de afinar melhor nossos instrumentos: o passe, a aproximação, o deslocamento, a marcação, o chute a gol e a confiança. Roger, que comanda a nossa banda, tem se esforçado neste sentido, pois conhece bem o potencial de cada um dos seus integrantes. Sabe que somos capazes de oferecer um espetáculo vitorioso. E que faremos isso, em breve.

 

A surpresa veio quando já havia trocado minha camisa tricolor pela que estampa a cara envelhecida dos Stones: minha insistência, e muito mais a de Roger e dos jogadores, foram premiadas com dois gols no fim da partida, com Henrique Almeida (que seja o primeiro de muitos) e Luan (mais um de muitos que já marcou) completando o que Giuliano e Geromel haviam iniciado. Uma goleada construída de maneira estranha, mas que foi muito mais realista ao que havia acontecido em campo.

 

Mesmo com o adiantado da hora, cheguei em tempo de entrar no gramado do Morumbi e me intrometer no meio da massa que ocupava quase todo o espaço disponível. Fiquei no centro do campo, diante do palco e com milhares de pessoas embevecidas pelo espetáculo que assistíamos desde o primeiro acorde. Emocionei-me de novo com Mick, Keith, Ron e Charlie. E fui surpreendido com algumas performances no palco, além da beleza de “She’s a rainbow” e o ineditismo de “All down the line”(ao menos nesta turnê). Assim como o Grêmio, os Stones sempre me surpreendem.

 

Na volta para casa, ainda entorpecido pelo som dos Stones, cruzei por um pipoqueiro na saída do estádio: “doce ou salgado?”, perguntou-me. Quero um grande com o sabor da alegria (e uma pitada de ironia, por favor).

Deus que nos ouça, por que se depender dos homens … haja violência!

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Estatisticas

Gráficos e estatísticas publicados pelo jornal Zero Hora/RS

Não sei se estou ficando repetitivo nos meus textos,ainda mais naqueles em que trato do Rio Grande do Sul e de suas mazelas. Essas não são poucas,e ficam claras quando se acompanha as manchetes dos nossos jornais sobre o que rola nas editorias de polícia,coisa que me levou a comparar Porto Alegre com a antiga Chicago dos tempos em que a máfia era tipo (como a garotada costuma dizer) dona da casa. Acostumamo-nos, inclusive,a assistir à vasta filmografia sobre os “feitos”dos mafiosos.

 

Aqui,os comandantes do tráfico de entorpecentes mandam e desmandam. E como matam gente inocente de todas as idades, no afã de liquidar a tiros os seus rivais, com as famigeradas balas perdidas. Perdi o número de crianças que morreram atingidas por essas.

 

“Ladrões fazem arrastão em vagão do trensurb”

 

Os “artistas” que protagonizaram esse episódio,em sua maioria se deram mal,quem sabe,por serem apenas aprendizes. Os passageiros do vagão, invadido pelos bandidos,assustadíssimos,disseram que não sabiam o que fazer para escapar dos ladrões. Esses,porém,não souberam como fugir dos PMs que os perseguiram no centro de Porto Alegre. Menos mal que esse foi o primeiro arrastão no Trensurb. Entre os ladrões havia menores,tipos que são considerados “coitadinhos” por uma política do meu Estado.

 

Em Dois Irmãos,suspeitos de cometer o assalto no qual foi morto o primeiro sargento da Brigada, Arílson Silveira dos Santos,eram egressos da prisão em que se encontravam ,”só que a Susepe não soube explicar como os detentos escaparam”. Coisas do tipo são comuns no Rio Grande do Sul.

 

Essa,que também rendeu manchete, foi a do médico assaltado no posto de saúde em que trabalhava, situado na Vila Cruzeiro,reduto de ladrões de toda espécie e que chegou a ser desativado faz algum tempo,eis que não era local seguro para os seus funcionários. Foi a segunda fez em que um médico desistiu de prestar serviço no que ficou conhecido como Postão da Vila Cruzeiro,com carradas de razão.

 

Com o que acabei de relatar, creio que as pessoas de Estados mais bem servidos de policiamento do que o nosso Rio Grande do Sul,entenderão por que tenho produzido textos nos quais despejo o meu HORROR diante do que se vê,sem vislumbrar solução de continuidade. Muitos que saem para as nossas ruas, já foram assaltados por “especialistas”em todas as espécies de crimes,desde os mais comuns até os mais perigosos,e correram risco de perder a vida,além dos seus bens.

 

Sexta-feira passada, futuros policiais militares,civis e bombeiros,que aguardam,sem sucesso,a sua convocação,fizeram manifestação, na frente do Palácio do Governo e da Assembleia Legislativa,com a esperança de que as autoridades maiores do Rio Grande do Sul encontrem uma solução que permita a todos nós não precisarmos estampar, na praça da Matriz,frases como:”Economizar em Segurança custa vidas;”Chega de Terrorismo” e “Queremos mais Segurança”.

 

Deus que nos ouça – eis como concluo o texto de hoje. Isso por que, a cada dia que passa, acreditamos menos nos homens. Especialmente nos políticos!!!

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista, mora em Porto Alegre e é meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)