Preocupações de pai

 

Por Milton Ferretti Jung

Assino embaixo de tudo o que o Mílton escreveu em sua Avalanche Tricolor depois do empate do último domingo, aquele malsinado Grêmio 2 x 2 Atlético GO. O texto, como já ocorreu várias vezes, me emocionou, mas não por ter driblado com maestria o que se viu em campo (ou seria o que não se viu?), nada agradável para nós, gremistas, mas pelas reminiscências nele contidas. Ainda há tempo de lê-las. Quem não fizer isso, perderá a mágica. Ou não é pura mágica trazer de volta ao nosso mundinho o seu padrinho de casamento Ênio Vargas de Andrade, meu inesquecível amigo e, na minha opinião, o melhor técnico de futebol dos muitos cujas carreiras acompanhei. Como os times de futebol, meu filho teve uma temporada infeliz nos estudos, o que lhe pareceu uma experiência trágica. Quem leu a Avalanche ficou sabendo que Ênio, tal qual deve ter feito muitas vezes com Renato Gaúcho, colocou a mão no ombro do menino, que não tinha coragem de contar para o seu pai que precisaria repetir o ano, aconselhando-o a encarar a bronca. Não lembro, creio, porém, que as “justificáveis reprimendas” não foram das mais azedas.

No tempo em que os meus filhos eram estudantes fui um pai um tanto ausente por culpa da profissão: narrador de futebol e outros esportes. Isso me ocupava, especialmente, quando era escalado para viajar. Recordo-me que fiquei 45 dias, certa vez, cobrindo a seleção brasileira. Por isso, não podia ser muito severo com eventuais notas ruins da menina e dos dois meninos. Acho que Greg e Lorenzo, os filhos do Mílton, não causam ao pai grande preocupação como estudantes. Prova disso, está na história que o responsável por este blog contou no mesmo dia em que produziu a Avalanche Tricolor: a alegria emocionada do Lorenzo ao ver seu esforço na segunda metade do ano pelo Conselho de Classe de sua escola. Esta permitiu ao pai satisfeito produzir esta frase no encerramento do seu texto (frase que gostaria fosse lida pelos jogadores do Grêmio): “O mérito da vitória não existe para aqueles que não lutaram por ela. Ele lutou e nós vibramos muito com isso. Não posso dizer o mesmo do meu time”. Nem eu, Mílton. Pior, porém, e preciso fazer isso à guiza de desabafo, é aturar os narradores de futebol televisivos. Todos entendem que têm de imitar os narradores das rádios. Se não fizerem isso, pensam, não passarão emoção aos telespectadores.Triste engano. Parecem acreditar piamente que somos todos deficientes visuais. Dizem tudo o que vemos. E ainda nos enchem com estatísticas que nada acrescentam. O pior é que os assinantes de PPV, com eu, necessitam pagar caro para ouvir obviedades.


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

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