Meu pedido de Natal para São Paulo

 

Post escrito para o Blog Adote São Paulo

 

Natal na música - Shopping Aricanduva

Quando o Natal chegar, estarei voltando a São Paulo com a família, marcando o fim das férias que nos deixaram ainda mais próximos. Algumas horas após aterrissar na capital e sem muito tempo para desfazer malas, começarei a pensar no primeiro dia de retorno ao trabalho, na segunda-feira, dia 26, em ritmo de plantão de Ano Novo – os jornalistas sabem o que significa uma redação nestas condições, com pouca gente fazendo muito e todos cruzando os dedos para que nenhuma tragédia apareça. Estive longe da cidade nestas últimas semanas, mas acompanhei pela internet a movimentação intensa dos dias que antecederam o Natal. Ruas, avenidas, estacionamentos e corredores de shopping congestionados. Lojas abrindo mais cedo e fechando mais tarde com vendedores e compradores estressados. O cenário de todos os anos, apesar de sempre termos a impressão de que neste foi pior.

São Paulo voltou a se iluminar, em especial os grandes prédios e algumas vias. A prefeitura colaborou para incrementar o visual natalino e deixou alguns espaços até que bem interessantes. Moradores esticaram fileiras de lâmpadas e ensaiaram uma decoração nem sempre com o melhor resultado, mas com a melhor das intenções. Aqui em Nova Iorque, de onde escrevo este post, os exageros também existem, mas parecem combinar mais com a cidade e o tipo de vida que os americanos levam. Apesar de alguns penduricalhos bregas, as vitrines das lojas são bem mais criativas do que na capital paulista e também estão cheias. Ruas e calçadas estão tomadas de gente, pois mesmo que o dinheiro esteja escasso no País, não faltam turistas – brasileiros estão aos montes por aqui.

Cada vez que visito a cidade – boa parte do tempo fico em uma casa distante de Manhatan e da confusão – noto que o pedestre e o ciclista ganham mais espaço com vias importantes tendo as pistas estranguladas aos automóveis, estacionamentos públicos desaparecendo e carros sendo obrigados a esperar uma leva de pessoas atravessar, quase sempre na faixa de segurança. Me impressiona ver o respeito dos motoristas ao fazerem a conversão, mesmo que muitos deles demonstrem impaciência (principalmente os taxistas que me conduzem). Em boa parte do caminho, há sinalização para o respeito à bicicleta e faixas segregadas.

Este clima todo me inspirou a escrever uma cartinha e deixá-la embaixo da árvore de Natal:

“Papai Noel,

Sei que a cidade de São Paulo não se comportou como o senhor gostaria, neste ano. Nossas notas na escola não foram muito boas, nem cuidamos tanto assim da saúde como o senhor sempre recomenda. Não ocupar o espaço que é dos outros e compartilhar o que é de todos foram tarefas que esquecemos de realizar muitas vezes. Sem contar nossos administradores que pareciam mais preocupados com seus problemas do que com os da cidade. Mesmo assim, quero pedir ao senhor que não nos esqueça neste Natal. E, se for possível, dê uma bicicleta de presente para São Paulo, tenho certeza de que com ela nosso prefeito ficará mais próximo das pessoas, vai enxergar os buracos nas ruas, as calçadas irregulares, o lixo espalhado, o bueiro fechado, a multidão de indigentes e drogados, e, claro, como uma cidade que dá preferência a pedestres e ciclistas tende a ser uma cidade melhor.

Feliz Natal !”

Exultação

 


Por Suely Aparecida Schraner
Ouvinte-internauta da CBN

Exultais povo de São Paulo que habitas na capital. Exultais e fotografais todo o brilho e parafernália da avenida mais famosa, com seus carros “bibelôs de asfalto”.

Árvores a competir em tamanho e grandeza vos contemplarão do alto dos seus patrocinadores. Tudo o que reluz é ouro? Ouvireis jingle e buzinas a cada esquina. Exultais. É chegada hora da messe e aquisições por impulso. Xing Ling ou não, os sinos badalam em sua glória.

Exultais ainda que sejais contristados por várias provações no trânsito caótico, sob um sol incandescente. Um rebanho a clamar pelo tempo que se foi e pelo ano que já vem. A luz emoldurará as cãs e a neve da decoração surreal refrescará toda alma natalina.

A falta de bois, jumentos, reis ou incenso será compensada com lojas abarrotadas e apelo irresistível. Não reduzireis o consumo. Não reutilizareis as embalagens. Não reciclareis os resíduos. Não recusareis o que não é necessário. Entretanto, repensais esta atitude e sereis perdoados de todo egoísmo praticado no ano que se vai.

Os fogos espocando e suas luzes, como idéias reluzentes, acalentarão corações e mentes. Exultais e também orais. Com o advento da temporada das chuvas e das enchentes, virão escorregamentos. Na São Paulo de inundações, o medo das bactérias da urina do rato, será ofuscado pelo brilho incontido das luzinhas multicoloridas.

Exultais que por ora, prevalece o espírito natalino. Exultais que neste advento, as doações são mais generosas e os sentimentos mais fraternos. Exultais que é tempo de celebrar.

Exultais e orais, para que o festim pantagruélico, não corroa o fígado cansado de guerra. Orais para que se precisar, os doutores estejam lúcidos e não transformem seu diagnóstico em simples virose.

Meu presente de Natal

 

Por Milton Ferretti Jung

Quase às vésperas da data principal dos cristãos, entre os quais me incluo, elegi, para compor este papo de quinta-feira, um assunto natalino, embora de cunho pessoal. Lembro, com saudade, dos antigos Natais, o que não tem nada de espantoso. Afinal, creio que é imenso o número de pessoas que comunga de sentimento idêntico. As melhores lembranças, é claro, as minhas, pelo menos, são as que me remetem para a infância e a adolescência, épocas da vida em que aguardamos com ansiedade,  por dois dias do ano: 24 e 25 de dezembro. O Dia Santo de Guarda é aquele no qual recordamos o nascimento de Cristo, mas era – e ainda é – na véspera dele que os presentes esperavam por nós ao pé da árvore de Natal.

Eu gostava, como não, de todo e qualquer mimo natalino. Ano após ano, no entanto, torcia para que o meu pai lembrasse daquele mais querido por mim: uma bicicleta. Minha irmã, quatro anos mais nova, já ganhara a sua bike como presente de Natal. Fiquei magoado e, confesso, com inveja dela. Fez por merecê-la ao se sair bem no ano letivo, coisa que não ocorreu comigo, fato não incomum na vinha infância, adolescência e juventude. Ainda bem que ela costumava concordar em me emprestar a sua Monark. Era meu consolo. Mirian, este o seu nome, quando ganhou sua bicicleta, passara de ano, no colégio, com notas altas. Ao contrário, eu havia ficado em segunda época em matemática, o que acontecia quase todos os anos. Imaginei que talvez pudesse ganhar a minha no Natal de 1945.

Meu pai colocou à minha disposição um vizinho, que era professor universitário de física. Com este reforço, ele acreditava que me salvaria de uma repetência. E o mestre, realmente, deixou-me em condições de evitar o pior. Passei. Na esquina da rua em que morava minha família havia uma loja que vendia máquinas de escrever, calculadoras e outras coisas do tipo. Um belo dia, olhando pela vitrina, o que vi? Uma belíssima bicicleta. Sequer me atrevi a entrar para vê-la de perto. Nunca, evidentemente,eu ganharia uma igual. Talvez, quem sabe, teria de me contentar com uma usada, como uma Opel que foi emprestada ao meu pai por um amigo, mas apenas para ser aproveitada na nossa casa, na praia.

Para minha surpresa, a alegria paterna com o meu avanço no colégio valeu-me não uma bicicleta, mas a que eu vira na loja da esquina, nada mais, nada menos do que uma Centrum, importada da Suécia. Possuía guarda-lamas e aros de alumínio, pneus do tipo balão, bagageiro com caixa lateral de ferramentas, banco com molas bem mais macias do que as encontradas em bicicleta modernas. E de cor azul, como se soubesse que o seu dono seria um gremista fanático. A linda Centrum ainda roda de vez em quando, pilotada pelo  meu filho Christian, seu herdeiro. Valeu a pena esperar por ela.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Sorte que Steve Jobs não era brasileiro

 

Por Carlos Magno Gibrail

Se fosse, provavelmente o mundo não teria conhecimento da vida e obra de Jobs através do meio mais convencional e didático. Sua biografia. Através das lentes mais diversas. Até mesmo das adversas, o que para a cultura geral democrática é bem recomendável.

O cantor Roberto Carlos e a família de Mané Garrincha são brasileiros e, portanto, corremos um risco enorme de não deixarem à posteridade os feitos e os fatos relevantes de ambas as trajetórias. Que poderiam servir para futuras gerações como estímulo, alerta e cultura efetiva, mas a lei está beneficiando o poder destas e demais personalidades nacionais.

Se não houver mudança na lei e nem na interpretação dos juízes, a biografia total do “Rei” e do “Mané” não ficará para a história. E as riquezas de todas as demais biografias também estarão fora da pauta das principais editoras nacionais.

O Código Civil diz que sem autorização de herdeiros ou biografados a publicação de informações ou imagens pode ser proibida se “atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade de retratados”.

É uma anomalia, e para não ir longe podemos imaginar a biografia da Sra. Roriz excluindo a parte quando, ao vivo e a cores, recebia propina.

Felizmente dia 7 foi aprovado na Comissão de Educação e Cultura o projeto de lei de Newton Lima (PT-SP) para mudar esta parte do Código Civil, e ao texto foram agrupados dois projetos semelhantes e encaminhado a CCJ Comissão de Constituição e Justiça. Se aprovado, seguirá para o Senado.

A boa notícia não para aí, pois o SNEL Sindicato Nacional dos editores de livros está constituindo uma associação para levar ao STF esta disputa, pois anteriormente um “drible já na prorrogação” barrou proposta semelhante na CCJ.

As editoras farão uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra o artigo 20 do Código com o argumento do conflito com a liberdade de expressão contida na Constituição.

Para Roberto Feith, presidente da SNEL, o artigo é um “acidente”. “Estavam preocupados em preservar a privacidade do cidadão comum, mas esqueceram de que esse mesmo texto poderia ser aplicado a grandes figuras da vida nacional.”

Como vemos, os poderosos e famosos sempre levam vantagem, até mesmo quando se intenciona proteger os cidadãos anônimos. Esperamos que a lei e sua correta aplicação destravem este bloqueio. A história não pode ficar só com estórias.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung
 

O Keynote de Jobs é fascinante

 

Aproveito as férias para ler a biografia de Steve Jobs, lançada por Walter Isaacson, livro bem escrito e com detalhes interessantes, alguns que conhecia desde que li iWoz, escrito pelo co-fundador da Apple Steven Wozniak. Gosto das biografias muito mais do que qualquer outro gênero talvez por cacoete adquirido no jornalismo, onde se tende a falar de fatos reais. Enquanto leio, lembro-me de uma encomenda que havia sido feita pelo editor da revista MacMais, especializada no mundo Mac, para que eu escrevesse sobre o que mais me admirava no genial Steve Jobs. O texto jamais foi publicado e acabo de encontrá-lo entre vários arquivos expostos na mesa do meu MacBookPro:

Nasci no jornalismo em 1984 quando Steve Jobs trouxe a nós o Mac II, que tinha como grande façanha permitir o acesso do cidadão comum a um mundo até então reservado aos nerds. Mas apenas fui descobrir as coisas fantásticas que ele e sua equipe criaram muitos anos depois ao comprar o primeiro PowerBook, na virada do século. Rapidamente me apaixonei pela praticidade e criatividade das máquinas e da marca. Airbook, MacBook, IMac, Ipod, Iphone, Itouch e, finalmente, o Ipad se misturaram aos móveis da minha casa. E da minha vida.

Mais do que as máquinas, porém, foi sua performance no palco, ilustrada por um incrível Keynote, que me fascinou. Estudei, me atentei e explorei o programa de apresentação até onde meu conhecimento rasteiro permitiu. Difícil encerrar uma das muitas palestras sobre comunicação – foram 150 em três anos – sem que alguém da audiência não me venha cumprimentar pelas telas e recursos que aplico. Retribuo com um agradecimento envergonhado. Sei que boa parte daquele sucesso se deve a Jobs.

Consumi cada novo livro que o citava, cada página de revista que trazia informações sobre ele. Considero-me relativamente informado sobre o homem que liderou uma das empresas mais revolucionárias do mundo a ponto de não me iludir com as fantasias e mitos que surgiram em torno dele. Nada me tirou, porém, a paixão por sua obra e criatividade. A arte de Steve Jobs é a inovação e isto nos marcará para todo e sempre.

A moda 2011 em retrospectiva

 

 

Por Dora Estevam

Das declarações desastradas aos incríveis casamentos, a moda fez parte das conversas entre amigos, e inimigos, também, neste 2011. Ou seja, foi notícia, e algumas das mais importantes deste ano separei para vocês neste artigo:
 
Quem não se recorda do discurso retórico antissemita de John Galliano, em um bar de Paris. Negado por ele, inicialmente, mas comprovado em vídeo que fez “sucesso” na internet, foi o que bastou para a indústria da moda demiti-lo, imediatamente, depois de 14 anos na Christian Dior. Apesar de grandes nomes terem diso indicados para a substituí-lo, a Dior vai entrar 2012 procurando um estilista à altura da marca (e de Galliano). Relembre o caso nas imagens da The Sun.

 


 
A musa da música se tornou a musa da moda. Em março, Lady Gaga fez um ensaio para a grife Thierry Mugler, este que foi apenas o começo. Colunista das revistas Vogue e Bazaar; espaço na Barneys New York; livro publicado com imagens inéditas de turnê; fotos ao lado do cantor Tony Bennett sem roupas para a Vanity Fair – aliás, o segundo ensaio para a revista. Sem contar as músicas, o sucesso extraordinário das músicas. Imagine o que será 2012 para ela.
 

  
O casamento real também foi notícia, e como. O vestido usado por Kate Middleton virou peça de exposição e foi visto por mais de 600 mil pessoas. A estilista Sarah Burton, da grife Alexander McQueen, considerou o modelo clássico, simples e elegante. Depois do casamento, Burton se tornou uma das estilistas mais famosas do mundo. A escolha de Kate foi um tributo tanto para a moda britânica quanto para McQueen, que havia morrido no ano anterior.
 

O casamento da modelo Kate Moss também rendeu muitas páginas. Com três dias de duração, o “Mosstock”, como a festa foi apelidada em um brincadeira com o nome dela e o do festival de música de Woodstock, foi literalmente um show. Todo fotografado por Mário Testino, o casamento virou editorial da Vogue setembro. E como Moss sempre gera polêmica usou um vestido trabalhado por Galliano, que já enfrentava o protesto por antissemitismo.
 

 
A modelo brasileira Lea T, descoberta pelo amigo e estilista Riccardo Tisci, da grife francesa Givenchy, ganhou fama internacional. Transexual, bonita e bem educada, a história dela chamou a atenção do público e de quem entende de moda. No Brasil, sua vida ganhou ainda mais um ingrediente por ser filha do ex-jogador da seleção brasileira de futebol Toninho Cerezo. Lea voltou para o Brasil e desfilou para o estilista Alexandre Herchcovitch.
 

   
Este ano falou-se muito em “It”. Elas viraram mania entre as meninas e tudo começou com Elle Fanning. Depois do sucesso em “Um Lugar Qualquer”, quando interpretou a filha de um astro de cinema, em 2010, a menina se destacou em um curta para grife americana Rodarte, obra do fotógrafo Todd Cole, logo no início de 2011, e marcou presença na campanha de Marc by Marc Jacobs. Com apenas13 anos, Elle Fanning já está na estrada há bastante tempo e parece que vai muito mais longe ainda. É a queridinha de Hollywood. Dá uma olhada neste especial de TV para você relembrar a carreira da menina.
 


 
Ah ! Não posso esquecer da briguinha judicial entre o famoso estilista de sapatos Christian Louboutin e a YSL. Na coleção Cruise YSL 2011 foram criados quatro estilos de sapatos com fundo vermelho, uma marca de Louboutin, e isto bastou para que ele tentasse interromper a produção. A justiça não se sensibilizou com a reclamação do estilista e decidiu que o vermelho na sola do sapato não é privilégio de ninguém.  Como tudo na vida há o que se comemorar e o que chorar, na indústria da moda não poderia ser diferente. A notícia virou motivo de muita risada.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, no Blog do Mílton Jung.

Futebol em rede e na rede

 

O mundo vive em rede muito antes do Twitter, Orkut e Facebook surgirem, mas a ideia da conexão e seu reflexo na sociedade atual ganharam ressonância neste século e têm sido referência para todas as relações que mantemos. O que se assistiu na final do Mundial de Clubes é um símbolo dos modelos de administração vigente nas corporações como demonstrou em dois gráficos Paulo Ganns, da Escola de Redes, que conheci pelo Twitter de Augusto de Franco. Os quadros mostram como Barcelona e Santos se comportam em campo e não é preciso muito esforço para entender qual o tipo de relacionamento é mais produtivo em nossas vidas:

É proibido

 

Por Maria Lucia Solla


Ouça “É proibido” na voz e sonorizado pela autora

Antes de ajudar alguém, fazemos a nós mesmos três perguntas muito simples:

A pessoa pediu ajuda?

Se a resposta for negativa, paramos por aí. Bico calado! Congelado! Não há nada a fazer. Se, no entanto, a resposta for positiva, podemos passar para a segunda pergunta:

A pessoa disse o que quer? Disse do que precisa?

Se a resposta a essa segunda pergunta for negativa, podemos até dizer que quando ela souber o que quer, quando souber do que precisa, pode contar com nossa boa vontade para tentar ajudá-la, e ficamos por ali. Aguardamos. Só se a resposta for positiva, passamos para a terceira pergunta:

Eu tenho para dar o que a pessoa precisa?

Se a resposta for negativa, não há o que fazer. Não podemos dar o que não temos. Se for positiva, podemos oferecer o que temos sobrando, o que não vai fazer falta, e oferecer simplesmente, sem exigir que a pessoa a quem estamos ajudando use o que lhe demos ou siga nosso conselho. Podemos ajudar sem exigir que a pessoa siga nossa orientação. Podemos ajudar sem exigir que a pessoa engula a pílula oferecida.

Só se pode levar um cavalo com sede até a beira do lago, mas jamais obrigá-lo a beber a água. Podemos chorar de tristeza ao vê-lo morrer de sede, com tanta água à disposição, mas não podemos forçá-lo. Não podemos obrigá-lo a beber. Lembre-se que muitas vezes quanto maior o benefício oferecido, maior pode ser a ingratidão. Nos machucamos à toa e atraímos sentimento negativo.

Você já deve ter ouvido não te pedi nada! Ou depois de fazer das tripas coração, passa um tempo e você ouve: Você nunca me ajudou, nunca fez nada por mim! Isso quando não é acusado injustamente de coisas que nunca nem pensou em fazer. Lembre-se de que, mesmo respeitando as perguntas e respostas, o caminho é escorregadio. É preciso cuidado, concentração e energia. E principalmente instinto de sobrevivência. Você concorda?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

(Trecho do meu livro “De bem com a vida mesmo que doa”, revisitado.)


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: Turismo, um bom negócio sem aventura

 

As oportunidades para novos empreendedores no turismo brasileiro vão muito além dos negócios ligados a Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016. Eduardo Sanovicz, ex-presidente da Embratur e professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, apresenta uma série de possibilidades que está à disposição de quem pretende investir neste mercado, na entrevista ao Mundo Corporativo, da rádio CBN. Para ele, o turismo brasileiro está aberto aos jovens e mulheres, e pronto à inovação e ao conhecimento, porém é preciso planejar bem para que o negócio não se transforme em uma aventura frustrante. Na conversa que tivemos, Sanovicz destacou a necessidade de se desenvolver ações de qualificação dos profissionais que pretendem atuar neste segmento. O bate-papo foi bastante agradável e instrutivo, e ainda rendeu duas boas dicas para quem pretende viajar no fim de ano.

O Mundo Corporativo é apresentado às quartas-feiras, às 11 horas, no site da rádio CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo Twitter @jornaldacbn e pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br. Aos sábados, o programa é reproduzido no Jornal da CBN.

A lição do gari

 

Por Devanir Amâncio
ONG Educa SP

Sujeira em bueiro
   

Garis ficaram impressionados com a quantidade de sacolinhas plásticas que encontraram ao fazer a limpeza  de bueiros na rua  25 de Março, na região do Parque D.Pedro, centro de São Paulo. Como grandes observadores das ruas, eles recomendam humildade ao prefeito Gilberto Kassab ao falar sobre  enchentes. Segundo os garis, a cidade resolveria significativamente o problema  das enchentes se instalasse ‘telões’ ( grades em ferro fundido) em todas as  bocas-de-lobo da cidade. Ainda prevêem enchentes devastadoras no futuro se a prefeitura não modernizar a construção de bocas-de-lobo e adotar equipamentos eficientes (modernos) na limpeza de galerias pluviais.

“Uma equipe de três pessoas limpa apenas 10 bocas-de-lobo por dia, às vezes uma”, diz um gari, que desistiu ao fazer a conta do tempo que demoraria para desentupir a cidade.

Nem sempre deve-se avaliar a competência de uma pessoa pelo salário que recebe. Os limpadores de esgoto e varredores de rua ganham cerca de 800 reais e têm ideias simples e inovadoras para  os problemas urbanos . Os salários desses humildes trabalhadores são insignificantes se comparar com a fortuna salarial de um subprefeito que chega a 35 mil reais 

Quais são as projetos  de cidade do segundo escalão da Prefeitura de São Paulo, que teve um reajuste salarial de mais de 200 por cento ? Não é um exagero? Por que a oposição, se é que existe, ficou calada? E o décimo terceiro dos vereadores?  Esses últimos acontecimentos envolvendo dinheiro público, uma espécie de êxtase lesa-cidadão, poderiam  ser colocados na lista das grandes injustiças sociais de nossa cidade. E muitos desses ‘servidores do povo’ ainda dizem com a boca cheia:” Eu amo São Paulo.” 

Enquanto isso as subprefeituras, e o Serviço Funerário – o maior cabide de emprego municipal do Brasil – estão sucateados[…]. São agora tubarões da administração pública, perderam o sentido ético, desprezam o senso-comum, menosprezam os valores sublimes que têm os mais humildes cidadãos que vivem com dignidade a sua pobreza. Os mesmos cidadãos,  vítimas das dezenas de milhares de cartinhas escárnio de vereadores desejando-lhes  “Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!” . 

Qual dos vereadores e demais funcionários de vida abastada dos ricos teria a coragem de devolver aos cofres públicos parte do que ganham ou, para contestar, distribuir aos pobres em praça pública suas moedas?

A eles,  votos  que aprendam o valor social dos garis e limpadores,  coveiros, sem-teto  quilombolas e inúmeras minorias. Que pensem  na prática  a  sustentabilidade, e projetos de saúde para a legião de viciados em crack que fecha ruas em São Paulo; votos que encontrem uma solução para as milhares de crianças sem creche.

Votos que os políticos vençam todos os  tipos de sujeiras e extravagâncias. Só assim, o “amor ” que tanto se ouve falar em ano eleitoral, terá  sentido.