Por Maria Lucia Solla

Cronos Saturno Tempo, como queira chamar, é uma plataforma onde armazenamos os eventos vividos e os pretendidos. Cada tudo e cada nada. Ontem isso, anteontem aquilo, um ano ruim, o outro bom, isso sim, aquilo não. Nascimento, dor, enterro, amor, desterro, obedecemos à cronologia.
Pois a plataforma anda instável, e a cronologia fora do ar. Estão se atualizando, imagino. E nesse processo os eventos arquivados escorregam de pastas, caem, voam, se perdem, se encaixam em velocidade de rebentos da Luz, e falta tempo para respirar.
Sei que isso não acontece só na minha vida e na vida daqueles de quem eu sei riso e lágrima. Também sei que essa bizarrice temporal não quer dizer que Cronos resolveu mudar de área, que Saturno pulou Carnaval e assumiu a fantasia, ou que Tempo mudou de partido. Não senhor. Não senhora.
Nós é que não conseguimos nos desvencilhar da urgência de nos agarrarmos a algo que se mantenha, que permaneça para alimentar nosso ranço de rebeldia contra mudança, contra o crescimento que nossa noção de ordem considera desordenado. Nos vemos pedindo ajuda ao desconhecido para amenizar a chegada do próprio desconhecido que, fragmentado e multiplicado, desponta de todos os confins, muda tudo, desestabiliza a condição humana que já não prima pela estabilidade, e descortina, numa puxada tensa e brusca, a paisagem que não nos preparamos para ver.
Divido esta reflexão com quem me ouve, não porque queira ensinar ou disseminar algo que tenha chegado a mim por ter sido escolhida pelos deuses, ou por ser melhor do que alguém. Quem dera eu fosse melhor do que eu. Divido, buscando multiplicar a vontade de entender, procurando acender o letreiro do desejo de continuar a busca pelo melhor, sem perder a paisagem. Divido, para multiplicar a coragem de encarar o que vem e de reconhecer o que vai; para somar coragem de continuar a busca do caminho do meio, para aceitar o que não dá para mudar. Divido, para que juntos possamos compreender. Divido porque me salvo, dividindo.
E hoje, apoiada na prerrogativa da incoerência, peço a Cronos-Saturno-Tempo, que a cada descompasso nossos corações busquem harmonia, que possamos agradecer à Vida pela vida, que possamos nos servir de serenidade para aceitar o que não podemos mudar, de coragem para mudar o que podemos, e de sabedoria para reconhecer a diferença. Enfim; uma pitada de paz.
Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung
Amiga Maria Lucia,
Boa noite.
Linda mensagem,profunda,direta,objetiva,factivel e acima de tudo prática.
Como diria Pedro Calderon De La Barca LA VIDA ES SUEÑO.
Abraço
Farininha.
Mama,
O Tempo-Cronos-Saturno é a Sabedoria. Confiemos…
Que possamos seguir focados e presentes… porque presente, só recebe quem está presente!
Viva a Vida que Deus nos deu!
Viva o Sol… viva a Lua… Viva as Estrelas!
Pi
É verdade amiga, quanto precisamos, sobretudo, de paz e aceitação! Bjs, Maryur
Amigo Farina,
às vezes pesadelo.
beijo e boa semana,
mls
Amigo Farina,
e às vezes pesadelo, né?
beijo e boa semana,
mls
Viva, filho!
beijo,
mm
Maryur,
sempre é bom ter você aqui. No reino da aceitação, você me deu o passe livre. Grata sempre.
beijo e boa semana,
mls