Avalanche Tricolor: Surge uma luz no meio de campo

 

Cerâmica 1 x 2 Grêmio 

 

Gaúcho – Gravataí (RS)

Marco Antonio e Marquinhos comemoram segundo gol (Gremio.net)

 

Fiquei sem luz em casa no início da tarde de domingo, um corte não explicado pela concessionária, que durou poucas horas, mas foi suficiente para me deixar sem telefone, internet e televisão – o portão automático também não funcionava. Incrível como boa parte dos nossos equipamentos ainda depende de energia elétrica, não bastasse a quantidade de fios que somos obrigados a usar para ligá-los e interligá-los. O celular e o Ipad, com o que restava de sua bateria, eram minha conexão limitada, e foi com o primeiro que soube que o fornecimento poderia voltar até às sete da noite. Lá se foi meu jogo do Grêmio, logo pensei. Com o Ipad, tentei assistir a um dos canais “alternativos” na rede, mas por não rodar vídeos em flash, fiquei a ver navios, ou melhor, nem os navios eu podia ver. Mas consegui saber pelo Twitter que o Grêmio havia aberto o placar aos 13 minutos em pênalti cobrado por Kleber – pênalti bem marcado pelo árbitro, diziam os gremistas; mal marcado, retuítavam os colorados (a propósito: o que faziam diante da TV?).

 

Bem antes do previsto, a luz voltou, os equipamentos todos ligaram, bips soaram, o som voltou a tocar, a televisão e o computador deram sinal de vida e a impressora saiu a riscar papel para mostrar que funcionava. Imediatamente, sintonizei-me na partida a espera de uma grande apresentação no acanhado e lotado estádio Antônio Vieira Ramos, em Gravataí, cidade da região metropolitana de Porto Alegre, mais uma no circuito do Campeonato Gaúcho. A energia elétrica poderia ter voltado mais tarde, teria perdido muito pouco, pois as duas coisas mais interessantes aconteceram mesmo no segundo tempo do jogo. Uma delas a belíssima jogada que resultou no segundo gol que se iniciou com a roubada de bola de Kléber – o Batalhador – que estava ajudando na marcação, e o passe para Marquinhos que fez lançamento precioso para Marcelo Moreno, quase dentro da área. Na sequência, a bola é cruzada e quem aparece no meio da área, como se fosse centro-avante, é o ala Gabriel, em uma troca de posição interessante. O gol foi de Marco Antonio que recebeu a bola ao surgir no lado esquerdo e em condições legais. A mecânica do gol é de dar esperança a qualquer torcedor.

 

Por falar em esperança, a outra coisa boa que aconteceu em campo foi a entrada de Facundo Bertoglio que demonstrou autoridade com bons passes e drible produtivo, mesmo sem ter entrosamento. Havia lido semana passada que a diretoria pedia ajuda do elenco para evitar o efeito Escudero, que ficou isolado e teve dificuldade para se adaptar ao clube. Não me pareceu tímido o argentino de 21 anos que entrou em campo com a histórica camisa 7 e muita personalidade. Jogou pouco tempo, pois entrou quando faltavam apenas 15 minutos, mas a persistirem os sintomas, permanecerá titular e se transformará em um diferencial na temporada de 2012.

2 comentários sobre “Avalanche Tricolor: Surge uma luz no meio de campo

  1. Acabar a luz! Isso acontece com frequência no Capão Redondo ,na Zona Sul. Interessante !… A pobreza está acostumada com a escuridão. O problema Eletropaulo transformou -se em um problema cultural-, enraizado na alma do
    povão. Quando acaba a luz , os velhos se debruçam na janela com seus
    radinhos de pilhas , as crianças saem gritando pelas ruas
    hei,hei,heee,como se tivessem comemorando um gol que não existiu.
    Alguns adolescentes aproveitam o escuro para namoricos rápidos. Maria José,a dona Maria Nanica ou dona Maria do Muro ,da rua Carvalho do
    Mar,diz que é bobeira ficar bravo:”Coisa do Governo é assim mesmo,não
    funciona direito”.Dandão,o Bigode, da rua Modelar, trabalhou na rádio
    Bandeirantes, passou pela Jovem Pan e se aposentou na antiga
    Eldorado;se orgulha de ter sido motorista de Geraldo Nunes .Segundo
    ele, não concretizou o sonho de trabalhar na Globo/CBN,onde tem muitos
    amigos . Dandão – como era chamado pelos repórteres – fala que
    qualquer hora vai ao Museu da Pessoa .A minha vida dá uma boa
    história ,diz. Dandão também não confia na AES Eletropaulo e aconselha
    todo mundo ter um radinho de pilha em casa.

    Quando acaba a luz tudo fica divertido e muito perigoso no Capão Redondo. Os mais afoitos desafiam a escuridão com rachas em ruas estreitas[…]

    Devanir Amâncio

  2. A primeira coisa que fiz ao chegar à praia,na Quarta-Feira de Cinzas,foi verificar se o televisor estava funcionando. Levei um baita susto. Ao contrário de São Paulo,aqui não faltava energia elétrica,mas a tv não entrava no ar. Depois de consultar,por telefone, um técnico da Sky,que não resolveu o problema,comecei a apertar as conexões. Não é que deu certo? Aparelho ligado era garantia de que veria o nosso Grêmio,no domingo estreando na Copa Farroupilha,em jogo contra o Cerâmica. Valeu a pena. Vi outro estreante – Facundo Bertoglio (leia-se Bertolio por se tratar de sobrenome italiano). Com apenas 21 anos,parecia estar jogando no Grêmio havia uma década,tamanha a facilidade de entrosamento com os seus inéditos companheiros. Não é preciso que maldigas a falta de luz. Afinal,quando a energia retornou,Facundo brilhou.

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