Justin Bieber chega a maior idade com extravagância em Tv americana

 

Por Dora Estevam

 

A uma hora destas, Justin Bieber já deve estar dirigindo o carro que ganhou do agente dele nesta semana, dia primeiro de março, quando fez 18 anos. O cantor canadense é um fenômento da música teen desde que explodiu com suas canções em 2007, no YOU TUBE. Disputadíssimo pelos programas de televisão, Justin comemorou seu aniversário no The Ellen DeGeneres Show, talk show do canal NBC assistido por mais de 3 milhões de americanos.

 

A produção de Ellen preparou uma série de atrativos: teve anúncio de novo album, fã dentro de uma caixa de presente, e, a grande surpresa, deixada para o final, o carro que Bieber ganhou de presente do agente dele Scooter Braum. O álbum será lançado no próximo dia 26 e um dos singles que está saindo é “Boyfriend”, que também promete arrasar corações pelo mundo.

 

Aperte o primeiro play e comece a entrar no clima desta festa divertida, bem humorada e rica em produções:

 

 

A seguir, a fã dentro de uma caixa:

 

 

O que dizer diante do carro espetacular de US$ 100 mil. Um Fisker Karma 2012, preto, com teto solar e uma tinta feita de pó de diamantes. Confesso, não sabia que existia algo semelhante:

 

 

A se pensar: o agente Scooter Braum comentou que eles tinham um trato de não fazer exibicionismo com o dinheiro, mas esta regra acaba de ser quebrada por ele, haja vista a festa de aniversário do rapaz, transmitida para todos os Estados Unidos.

 

O que você acha: esta extravagância beneficia ou atrapalha a construção da imagem de Justin Bieber, agora que ele é maior de idade ?

 


Dora Estavam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

O impacto da vida digital na vida familiar

 

No começo da semana, Ethevaldo Siqueira, comentarista do Mundo Digital, nos apresentou parte dos resultados de pesquisa mundial feita pela Ipsos Public Affairs, encomendada pela fabricante de biscoitos Oreo, que mostram que o convívio entre crianças e adultos está praticamente desaparecendo e um dos fatores que mais influíram nesta mudança radical na vida familiar e no isolamento das pessoas é, em grande parte, o uso intensivo da tecnologia digital. Meninas e meninos estão conectados na internet, nos celulares, nos games e na televisão, enquanto pais vivem obcecados pelos dispositivos e aplicativos que lhes oferecem aumento de produtividade e ganhos financeiros. Nas palavras do próprio Ethevaldo: a vida em família pode entrar para a lista de espécies ameaçadas de extinção.

 

A maioria dos pais pesquisados acredita que as crianças estão crescendo mais depressa do que as das gerações anteriores, diz que seus filhos deveriam ter mais tempo para simplesmente serem crianças, e confessa que não se diverte diariamente com eles.

 

Enquanto escrevo este post, estou em uma mesa redonda na qual há três computadores conectados, ocupados por mim e meus dois filhos, em uma sala que combina espaço de trabalho, estudo, som e televisão. Sempre preferimos manter os terminais longe dos quartos para evitar o isolamento e garantir, de alguma forma, nossa interação. Um deles está jogando em rede com amigos e o outro aproveita a máquina, em um chat, para estudar para a prova do dia seguinte. A todo momento trocamos impressões, tiramos dúvidas e mostramos uns aos outros aspectos interessantes que encontramos na internet. Costumamos nos levantar para fazer um lanche juntos – agora há pouco, demos uma bela colherada em um brigadeiro que minha mulher deixou pronto antes de ir trabalhar -, às vezes apenas conversamos, e quando o assunto na televisão está mais interessante nos jogamos em um sofá e fazemos uma sessão coletiva. É bem provável que a internet, em especial, nos tome mais tempo do que deveria, nos emaranhando nas interligações digitais; além disso, tem a caixa de correio sempre me chamando, a troca de informação nas redes sociais e outras demandas que surgem a partir do computador. Tenho certeza, porém, que não fosse o acesso que este me oferece não seria possível realizar a maior parte do meu trabalho em casa e isto me afastaria deles, me levando a chegar tarde, desperdiçar tempo no trânsito, na fila do banco e na visita a lojas e casas de serviço.

 

A diretora global da Oreo, Sheeba Philip, com os dados da pesquisa em mãos, comentou que “precisamos restaurar e reconquistar o espírito da infância em todo o mundo”, contou-me Ethevaldo, em nossa conversa na CBN. Concordo com ela, mas não devemos nos enganar e fazer das máquinas bode expiatório de um problema que, me parece, é mais da vida humana do que digital: a dificuldade dos pais de definirem prioridades, e colocarem no topo desta lista a sua família.

É nas escolas que a casa está caindo

 

Coluna publicada na revista Épocas São Paulo, edição de março, que está nas bancas:

 

Demolição da favela Jardim Edite

 

Um amontoado de casebres, construído de forma irregular com puxadinhos para os lados e para o alto, sempre me chamava atenção quando passava pela Avenida Roberto Marinho, no Brooklin. Até 2009, ali existia a favela do Jardim Edith, vizinha às obras estaiada – novidade que, mesmo suntuosa, não atraía meu olhar como as cons- truções populares. Eu ficava impressionado com a arquitetura local, feita de improvisação e audácia, adaptada à fal- ta de espaço para se expandir pelo terreno (já cercado de prédios e interesses imobiliários). Algumas casas ganhavam um ou dois andares com uma rapidez incrível. Quando menos esperava, mais um cômodo havia sido concluído. Como se mantinham em pé aquelas habitações mambembes? Tanto me intrigava que procurei engenheiros da prefeitura e, com surpresa, descobri que haviam sido realizados ensaios que com- provavam a segurança das obras. Problema, mesmo, era a ausência de área de escape. Em caso de incêndio ou desmoronamento, não havia para onde correr.

 

Lembrei-me dos “prédios” do Jardim Edith ao acompanhar, em fevereiro, a sequência de que- das de edifícios no Rio de Janeiro e em São Bernardo do Campo, ambos construções antigas e consolidadas, nas quais morreram 20 pessoas (18 no Rio e duas no ABC). Especialistas especularam sobre o que teria causado as tragédias. Nos jornais, reformas malfeitas são apontadas como as principais suspeitas, o que só poderá ser comprovado após a conclusão da perícia téc- nica. Seja como for, a probabilidade de barracos despencarem sempre foi muito maior do que a de qualquer prédio construído com alvará. Mesmo assim, nunca tive notícia de que uma das 400 famílias que viviam no Jardim Edith tenha perdido um parente devido a um desmoronamento.

 

A política de conveniência que pauta a administração de Gilberto Kassab (PSD) o levou a defender, agora, uma lei que obriga a vistoria, a cada cinco anos, em edifícios com mais de 500 metros quadrados. Em 2009, ele mesmo vetara projeto do vereador Do- mingos Dissei (PSD), alegando que interferiria no trabalho do Departamento de Controle e Uso de Imóveis (Contru). Após as quedas de fevereiro, Kassab pede para que os vereadores derrubem seu veto e mandem a conta de mais uma burocracia para os cidadãos – sem qualquer garantia de que isso impedirá, em São Paulo, acidentes como os do Rio e São Bernardo.

 

“Kassab tem de se preocupar com a estrutura das escolas, e não dos prédios”, ouvi de Seu Venceslau, companheiro de pastel no sacolão perto de casa. “É lá que a casa está caindo”, disse, sem notar o tro- cadilho. Tens razão, amigo Venceslau! De cada 10 alunos da rede pública paulistana, apenas três sabem razoavelmente mate- mática, diz relatório do Movimento Todos Pela Educação. Talvez por não saber fazer contas, mais de 60% dos estudantes que entram em engenharia na USP desistem do curso. Resultado: no Brasil, apenas 10% dos formandos são engenheiros, enquanto esse índice chega a 40% em países mais avançados. Como faltam engenheiros, contratamos mestres de obra para reformar nossas casas; e, no lugar do mestre de obras, pedreiros – que sabem mais por hábito do que pela técnica. Na falta de conhecimento, partimos para o improviso, o jeitinho brasilei- ro, que funcionou enquanto éramos só Terceiro Mundo. À medida que o Brasil cresce, como os puxadinhos, tem se tornado um desastre.

 

A imagem deste post é do meu álbum digital no Flickr e foi feita pela estudante de jornalista Beatriz Salgado, durante a destruição da favela do Jardim Edith