Airton Pavilhão entra para a Imortalidade, aos 77 anos

 

Airton Ferreira da Silva, o Pavilhão, zagueiro como poucos que tiveram na história do futebol brasileiro, chegou acompanhado por amigos e apoiado em uma bengala. Tive o atrevimento de apertar-lhe a mão e dirigir-lhe um sincero muito prazer. O rosto está envelhecido, sinal de uma doença que não perdoa nem os merecedores da imortalidade.

 

 

Era a final da Libertadores de 2007 quando vi, pela última vez, Airton Ferreira da Silva, o maior zagueiro que já vestiu a camisa do Grêmio. Tive a oportunidade de cumprimentá-lo como lembrei na abertura da Avalanche Tricolor (reproduzida acima) que contou a história daquele dia que passei no Olímpico Monumental, ao lado do meu pai. Melhor, tive a chance de, mais uma vez, reverenciá-lo. Mesmo demonstrando a doença e a bengala era majestoso no passeio próximo da torcida, como o foi dentro dos gramados onde se consagrou pela elegância com que desarmava os atacantes, nos anos de 1950 e 1960.

 

Quando o conheci pessoalmente já estava aposentado. Era quase um trófeu sempre exposto na porta da casa que ficava ao lado do portão principal do Olímpico. Cumprimentá-lo a caminho do estádio era uma obrigação de todo gremista. Os mais exaltados gritavam seu nome e o aplaudiam, a maioria, provavelmente, como eu, jamais o assistiu jogando, mas ouviu falar das mais impressionantes cenas que um zagueiro poderia ser protagonista.

 

Airton é o zagueiro do time dos sonhos de todos os gremistas e uma prova de que era possível haver vida inteligente dentro da área. Ganhou o apelido Pavilhão porque o passe dele foi comprado do Força e Luz pelo Grêmio em troca de um lance de arquibancada do velho estádio.

 

Uma das suas jogadas mais tradicionais era quando levava a bola até quase a bandeirinha de escanteio, atraindo o centro-avante, e a recuava para o goleiro de letra. O que era para ele a melhor forma de espantar o atacante – muito melhor do que um pontapé que fosse -, que preferia ficar distante do zagueiro para não ser humilhado novamente. Foi o que sempre ouvi meu pai contar, e os amigos dele confirmavam. E os inimigos, também.

 

Se você tem dúvidas sobre as qualidades de Airton, pergunte a Pelé que o considerava o melhor zagueiro do mundo, capaz de jogar contra ele, roubar-lhe a bola e sem jamais ter necessidade de fazer uma só falta. Consta que foi também o único que se atreveu a dar um chapéu no Rei.

 

Airton morreu aos 77 anos, em Porto Alegre, nesta terça-feira, escrevem os jornalistas. Morreu coisa nenhuma. Airton é Imortal Tricolor.

 

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