Bicicleta: “ruas não são um ringue”

 

Ciclovia da Radial Leste

 

As cidades amigáveis da bicicleta e os benefícios que esta traz para a saúde foram temas do comentário de Sérgio Abranches, no Ecopolítica, que vai ao ar, no Jornal da CBN. Pouco depois de falarmos sobre o assunto, soube da morte de mais um ciclista na capital paulista. Hoje, também, recebi a mensagem do ouvinte-internauta Wilson Teixeira Soares, jornalista e ciclista, que compartilho com você. Além de chamar atenção para o papel dos jornalistas na mudança de comportamento da sociedade, também destaca medidas fundamentais para que as cidades brasileiras apareçam na lista citada por Sérgio no comentário que você ouve clicando aqui. Mas antes, leia o texto do Wilson:

A cada dia, quando de casa para o treino saio, ouço, quando começa, o teu programa na CBN. Hoje, pouco antes das sete, abordavas com um especialista na matéria a questão do sódio na alimentação. E o especialista elogiou o fato de os meios de comunicação terem, de maneira regular, abordado o assunto, o que levou os consumidores brasileiros a terem interesse em saber o que estão a comprar, para tanto consultando a tabela nutricional dos invólucros.

 

Findo o treino – como não é a passeio, giro, com os camaradas de treino diário, nas vias públicas de Brasília, compartilhando-as com os veículos motorizados -, guardei a bicicleta, liguei o rádio do carro e escutei teu bate-papo, sobre ciclovias, com o Sérgio Abranches. Boa conversa.

 

Mas, por quais cargas d´água te escrevo? Por singela razão: ciclovias são necessárias? São. Ciclofaixas, igualmente, são necessárias? Por suposto.  Mas nós, que treinamos, que socamos a bota, usamos as vias públicas.  Porque somente um rematado idiota se dá ao desplante de girar forte em uma ciclovia, colocando em risco o ciclista de lazer, o usuário da bicicleta que a utiliza para ir trabalhar. Como sabemos, o trânsito é um ambiente de risco.

 

Para reduzir os riscos, um tripé é fundamental: obras de infraestrutura, fiscalização e educação. Na verdade, deveria ser um quadrilátero: obras, fiscalização, educação e maior rigor na aplicação da legislação. E educação para o trânsito, para que o conjunto da sociedade tenha consciência de que a vias públicas são um ambiente que a todos pertence – pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas de ônibus, caminhões e automóveis -, é o elemento diferencial. O mais importante. E, no Brasil, desprezado.

 

Por isso, torço, espero, desejo que continues a abordar o assunto. Que seja essa uma pauta constante, regular. Porque se foi pelo martelar do assunto que o consumidor brasileiro passou a se interessar pela composição e pela data de vencimento dos alimentos que adquire, será, também, pelo bater na tecla de que as ruas não são um ringue, não são uma arena, de que são um ambiente de convivência, que se expandirá a consciência de que ciclistas, por estarem expostos ao perigo quando pedalam nas estradas, avenidas e ruas, têm de ser objeto de precaução por parte dos que eventualmente estão atrás do volante.

 

Um grande abraço, Wilson Teixeira Soares – jornalista, ciclista, membro do grupo ciclístico Coroas do Cerrado, conselheiro da Ong Rodas da Paz.  

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