Novo prefeito tem de apresentar metas para os 96 distritos em SP

Texto publicado no Blog Adote São Paulo, da revista Época SP

 

Escola Carumbé

 

Tem sido bem interessante acompanhar as reportagens que a equipe da CBN está fazendo na série “Meu bairro, nossa cidade”, que começou semana passada com a promessa de visitar os 96 distritos da capital e mostrar os problemas que os moradores enfrentam em seu cotidiano. Nesta primeira etapa, as repórteres Cátia Toffoletto e Maria Eugênia Flores têm concentrado esforços nas zonas leste e norte. Dia desses, a Cátia mostrou que comerciantes de Ermelino Matarazzo têm de pagar pedágio a bandidos para manter suas lojas abertas, enquanto a Mage identificava a dificuldade para os 500 mil moradores de Jacarepaguá irem trabalhar devido aos problemas no transporte público. Ouvi, também, que na Casa Verde, as pessoas não têm acesso à saúde, pois faltam unidades que atendam emergências, exigindo que elas deixem a região em busca de socorro. Dos depoimentos que mais me incomodaram foi o de um cidadão que mora em um casebre à beira do córrego, no Carrão, e disse, conformado, que aprendeu a conviver com os ratos, basta colocar um rede nas entradas da casa. (você pode ver os vídeos e as reportagens aqui)

 

Desculpe-me se pareço cabotino ao abrir este post falando do trabalho da equipe de repórteres da emissora na qual trabalho desde 1998, mas o diagnóstico que fizeram das carências dos distritos visitados até aqui é capaz de mostrar o grande desequilíbrio que existe na cidade de São Paulo e como o poder público é ineficiente em suas ações. Aliás, indicadores levantados pela rede Nossa São Paulo, a partir de pesquisa feita pelo Ibope e com base em dados oficiais, também são claros ao revelar esta triste realidade. Há uma enorme quantidade de zeros em itens como hospitais, bibliotecas, teatros e outros que deveriam servir de ponto de partida para as ações do poder público. E de metas a serem propostas nos programas de governo de candidatos à prefeitura e de partidos que buscam vagas na Câmara Municipal de São Paulo.

 

A propósito, um fato que os próximos legisladores não poderão ignorar, é que a lei de metas, em vigor desde 2009, obriga a prefeitura a divulgar os objetivos a serem alcançados em todos os 96 distritos. A atual administração resumiu a Agenda 2012 a metas por setores e sem ter os indicadores de desempenho como referência. Será necessário, por exemplo, dizer o que se pretende fazer com a falta de unidades de saúde na Casa Verde ou quantas unidades habitacionais se pretende entregar para reduzir a ausência de moradia no Carrão. O grande objetivo da cidade tem de ser “zerar os zeros” ou seja oferecer a todo o cidadão seus direitos mais fundamentais. Não deixe de cobrar do seu candidato este compromisso.

3 comentários sobre “Novo prefeito tem de apresentar metas para os 96 distritos em SP

  1. Bom Dia MIlton e aos colegas blogueiros.

    Bom Milton! Apresentar com certeza eles vão. Vão prometer mundo e fundos.
    Se for condidato do dem/psd/psdb, vão prometer até terreno em marte.
    Agora cumpri, são outras moedas. Taí o exemplo do kassab. Ele não cumpriu nem a metade do que prometeu e que fez, fez mau feito. Sem falar no rombo financeiro que ele vai deixar para o proximo.
    Com certeza, esse trabalho que a CBN juntamente com os seus profissionais estão fazendo, é muito bom. É um trablho que vai mostrar a dura realidade das periferias da cidade/estado de SP. E vai dar de mão beijada as situações desses locais para o proximo prefeito/governador. Eu espero que seja proximo mesmo.
    Vcs e a CBN estão de parabens. Mais um vez sairam na frente e mostram realidade de uma população esquecida por ns governo do psdb/dem/psd.
    Há Milton a esquecida Ilha do Bororo esta nesse roteiro? Se não, seria uma ótima ideia coloca-la.

    Abr,

    JS.

  2. Uma alternativa – Projeto para moradias de 1970

    Conjunto Habitacional em Cumbica;
    projeto do escritório técnico da cecap
    In “Acrópole”, São Paulo, nº 372, Abril 1970, pp. 32-37

    O Conjunto Habitacional Zezinho Magalhães Prado, localizado no munícipio de Guarulhos, nas proximidades da Base de Cumbica, a cerca de 20 km do centro da Capital paulista, é um projeto da CECAP – Caixa Estadual de Casas para o Povo – autarquia do governo do Estado de São Paulo que se constitui no seu principal instrumento de ação para fixação de uma política habitacional. Dentro do programa da CECAP, o conjunto de cumbica é a realização mais importante, não só pelo vulto da iniciativa – são 10.560 unidades capazes de abrigar uma população de 55.000 pessoas – mas também pelo caráter das propostas formuladas e pela filosofia geral que informa o projeto.

    Basicamente os arquitetos procuraram atender as seguintes diretrizes:
    – reformulação do conceito de habitação, pela valorização do equipamento urbano do projeto e das áreas comunitárias dedicadas ao lazer e à recreação; a reserva de 50% da área para verdes é uma boa indicação da preocupação dominante;
    – aproveitamento máximo das possibilidades tecnológicas existentes de modo a permitir , de um lado, o barateamento dos custos de construção e, de outro, a elevação dos padrões construtivos; esse mesmo princípio deve permitir, durante a construção, a maior incorporação possível às unidades habitacionais dos equipamentos domésticos indispensáveis à vida moderna.

    O projeto – O projeto foi resolvido em edifícios padronizados de 3 pavimentos sobre pilots; os edifícios são interligados dois a dois, através de um jardim sombreado, e cada bloco assim constituído admite 60 apartamentos, com área de 64,0 m2 cada um. Trinta e dois blocos constituem um setor ou “freguesia”, com grau de autonomia quanto ao abastecimento cotidiano e instrução escolar primária. A área toda, cerca de 180 hectares, permitiu lançar 6 freguesias e o equipamento comunitário proposto: 6 centros educacionais, 1 centro integrado de ensino técnico, 11 blocos de comércio cotidiano, 2 blocos de comércio central, 1 entreposto de abastecimento, um hospital, um centro de saúde, um estádio para 15 mil espectadores, um clube, uma igreja, um teatro de arena.

    A freguesia é a unidade urbanística fundamental do projeto, com seu comércio e seu centro educacional acessíveis a pé, libertos do esquema viário geral. O centro comercial da freguesia localiza-se na praça de 22 mil m2 e é caracterizado por dois blocos de dois pavimentos, otérreo reservado a serviços e pequeno comércio, o superior a escritórios e consultórios. A área da freguesia é toda interligada oekis espaços verdes, que se insinuam entre os próprios edifícios e estabelecem ainda uma interligação global da área através de uma extensa faixa central ajardinada. Nessa faixa central, localizam-se os principais equipamentos de uso comum e é a ela que se articula o centro principal do núcleo, uma área de cerca de 100 mil m2 onde se inserem o estádio e dois blocos de comércio principal como suas lojas departamentais, hotéis, restaurantes e cinemas.

    A planta dos apartamentos é flexível, prevendo a proposta-tipo, unidades com três dormitórios, sala, banheiro, cozinha e lavanderia; o acesso aos apartamentos será através de escada localizada no jardim sombreado entre edifícios, cada escado servindo a quatro unidades do edifício, por andar.

    Os índices alcançados no projeto definem o caráter da proposta: densidade bruta do projeto: 308 hab/há; área pavimentada, 38%, área das praças, 12%, área verde, 50%; área da freguesia, 15 há; densidade bruta da freguesia, 650 hab/há; oferta escolar: 192 salas, 13.000 estudantes.

    Esses índices deixam clara a intenção do projeto de não se isolar mas de se integrar no contexto urbano em que se insere: as escolas, as áreas verdes, assim como os centros comerciais, o hospital etc. deverão ser usadas não só pela população do conjunto, mas também pelos habitantes da região.

    Definições técnicas – A equipe responsável pelo projeto empenhou-se em incorporar à proposta todos os recursos oferecidos pela tecnologia mais avançada sem o comprometimento da flexibilidade das soluções. O projeto estrutural admite desde a solução por métodos construtivos convencionais até a pré-fabricação total, passando por processos intermediários.

    Os elementos-chave da proposta estrutural são peças em T e duplo T, com 40 cm de altura, projetadas para vencer vôos de 8 metros, cuja justaposição compõe o tabuleiro das lajes; tais peças prestam-se bem à pré-frabricação. De qualquer forma, qualquer que seja o método construtivo adotado, a racionalização do projeto estrutural deverá trazer uma economia no consumo de concreto da ordem de 30%.

    O mesmo espírito orientou o projeto do abastecimento de água do núcleo: a rede de distribuição abastecerá diretamente os pontos de consumo, elimindando-se os reservatórios elevados nos prédios; estas diretrizes deverão permitir uma redução de custo nas tabulações da ordem de 35%.

    As paredes de vedação externa de todo o conjunto serão constituídos de peças leves de concreto pré-moldado que já servirão também como armários, o que permitirá melhor organização do espaço interno e incorporará, na fase da construção, um equipamento doméstico básico com economia apreciável.

    Os blocos de apartamentos têm três pisos sobre pilots e cada bloco é composto por dois edifícios iguais, interligados por cinco conjuntos de escadas. Todas as unidades são iguais, com área útil de 64 m2 e a planta tipo prevê sala, 3 dormitórios, cozinha, banheiro e área de serviço.
    As úncas paredes permanentes são aquelas que definem o banheiro e a área de serviço. As sparações entre os quartos são de material leve, facilmente removíveis, permitindo ampla flexibilidade no uso dos espaços. Os espaços internos ganham melhor aproveitamento pela própria solução construtiva dos peitoris que foram projetados como armários.

    Os Centros Comercias das Freguesias estão situados em espaços amplos, constituindo verdadeiro ponto de encontro para o dia a dia e o projeto prevê grande flexibilidade de utilização, seja no térreo (lojas), como no primeiro piso, destinado a escritórios, consultórios ou ateliers (costura, artesanato etc.).

    Os Centros Educacionais, em número de seis, têm a mesma planta, mas recebem diferentes implantações junto as Freguesias, atendendo às exigências da política de ensino do Estado.

    O reservatório elevado, pelas próprias peculiaridades do terreno onde está implantado constitui uma Praça onde se buscou atendimento ao lazer. O projeto define uma grande área de sombre e toda a área ao redor será densamente arborizada.

    • Carlos,

      Interessante enxergar este projeto descrito em sua mensagem, pois muitas vezes diante de uma construção não somos capaz de compreender a intenção de seus criadores. O investimento na arquitetura beneficia o ambiente urbano e oferece mais qualidade de vida ao cidadão.

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