Avalanche Tricolor: as imagens podem ajudar muito

 

Ponte Preta 0 x 0 Grêmio
Brasileiro – Campinas (SP)

 

 

Faltava um segundo para o final quando o lutador brasileiro de taekwondo Diogo Silva recebeu um golpe tão rápido na cabeça que o árbitro não viu, mas graças ao regulamento do esporte o americano Terrence Jennings pediu revisão das imagens. O combate estava empatado e a disputa da medalha de bronze nos Jogos Olímpicos iria para o golden score, mas os juízes analisaram o vídeo e perceberam o erro, voltaram atrás e deram os pontos para o representante dos Estados Unidos. Dias antes quase assistimos à tremenda injustiça na partida entre Brasil e Rússia no vôlei feminino quando uma bola que bateu dentro da quadra adversária foi sinalizada como sendo fora e impediu que as brasileiras marcassem um ponto importante. A televisão repetia à exaustão o lance, as jogadoras reclamavam do árbitro, mas, irredutível, senhor da verdade, ele confirmou seu erro. Menos mal que tivemos a maturidade para manter a calma e protagonizar a mais incrível vitória do vôlei nesta Olimpíada.

 

Você, caro e raro leitor, deve estar se perguntando por que ocupei todo o primeiro parágrafo desta Avalanche Tricolor para falar de lances polêmicos que ocorreram em Londres quando aqui pertinho, em Campinas, o Grêmio empatou seu primeiro jogo no Brasileiro, resultano suficiente para se manter entre os quatro melhores da competição? Antes de mais nada porque não perco a oportunidade de chamar a atenção para a necessidade de os esportes de alta performance passarem a aceitar os benefícios oferecidos pela tecnologia. O futebol americano já nos ensinou isso, o tênis aderiu, descobri nesta Olimpíada que o taekwondo e a esgrima também permitem a revisão das imagens, mas, infelizmente, o nosso futebol, o vôlei, o basquete e tantas outras modalidades ainda não entenderam que não se pode correr o risco de prejudicar uma campanha inteira de uma seleção ou clube apenas porque o olhar dos árbitros é incapaz de acompanhar a velocidade das jogadas. Os prejuízos financeiros e históricos são irreparáveis.

 

Na partida de hoje não tivemos tantos lances que merecessem uma revisão de imagens, apesar do árbitro manter a tradição neste campeonato e mais uma vez ter errado em algumas marcações. No entanto, tenho certeza de que amanhã quando a equipe do Grêmio sentar diante da televisão e rever o jogo perceberá que quando coloca a bola na grama – mesmo que esta seja em um campo ruim como o desta noite – a possibilidade de se aproximar do gol é muito maior. Foi o que aconteceu na parte final da partida, depois que cansamos de dar chutão para frente e fazer lançamentos sem destino. Um time que tem Zé Roberto e Elano como armadores não pode fazer com que a bola passe por cima deles, tem de fazer com que a bola passa por eles. Já que não podemos aproveitar as imagens para rever lances duvidosos durante o jogo, que estas sirvam para consertamos nossos erros depois da partida. Mesmo porque, como Elano lembrou bem, domingo tem mais.

5 comentários sobre “Avalanche Tricolor: as imagens podem ajudar muito

  1. Mais uma vez vou concordar com o teu comentário,Mílton. Viu-se um Grêmio ruim no primeiro tempo,muito por culpa dos abusivos e malditos chutões.Bastou que o time,no intervalo, ouvisse Luxemburgo,eis que retornou ao irregular gramado trabalhando,de preferência,com a bola no chão. Ficou faltando o gol da vitória,mas é inegável que o Grêmio voltou melhor do que o adversário e pode agora enfrentar o São Paulo com fé em um bom resultado. Ah,não concordo nem com Pelaipe nem com Luxa que entendem que,nessa quinta,o Grêmio perdeu dois pontos. Ganhou um,isso sim,porque pegou um adversário dos mais qualificados. Fora de casa,se for apenas de vez em quando,um ponto não e nada desprezível. Se zero,como os dois disseram,é uma pontuação (ou falta dela)melhor do que um,meus professores de matemática estavam todos errados.

  2. Este ponto conquistado em Campinas, só terá seu valor agora, se vier acompanhado de uma vitória diante do São Paulo no Morumbi. Sim, é possível e o Grêmio já o fez algumas vezes.

    Confesso que cheguei a cochilar no segundo tempo, fruto do cansaço e também de um primeiro tempo sem grandes momentos. Não fosse a boa defesa do goleiro da Ponte, Edson Bastos – por sinal, nascido em minha cidade, Foz do Iguaçu – o Tricolor poderia estar mais próximo dos líderes. Prevejo um segundo turno de fortes emoções para nós, gremistas.

    Abs

  3. Pois como é triste ver que nem gramados de estádio de futebol o brasileiro consegue manter com qualidade! Não é só na Olimpíada de Londres que temos gramados como verdadeiros tapetes verdes, é só observar os campeonatos da Alemanha, Espanha….

  4. Concordo plenamente com o uso da tecnologia. Esse pessoal que argumenta pelo prazer da incerteza deveria ir ao estádio a cavalo, de carruagem ou a pé.Para fazer jus ao raciocínio primitivo.
    Quanto aos erros atuais no campeonato brasileiro, os impedimentos marcados erroneamente são absurdos. Principalmente porque os bandeirinhas sempre erram favorecendo a defesa. Se pelo menos na dúvida favorecessem o ataque, seria menos ruim.

    • Ontem, soube que no basquete o uso das imagens para determinadas situações já é aceito, também. Os árbitros podem se valer do recurso quando tiverem dúvidas em relação ao tempo em que o arremesso foi feito. Por exemplo, se a bola foi arremessada antes ou depois do sinal oficial que encerra o jogo ou tempo de ataque destinado a cada time.

      Quanto aos bandeirinhas, erram duplamente pois não seguem a recomendação da Fifa que pede para que na dúvida beneficiem o ataque. Ou seja, deixem a jogada correr. Em geral, preferem se proteger dado o prejuízo que seu erro pode acarretar e impedem o seguimento da jogada tremulando seu “instrumento de trabalho”.

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