Avalanche Tricolor: tenho orgulho de ser gremista

 

Grêmio 2 x 1 Hamburgo (ALE)
Inauguração da Arena Grêmio

 

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Tenho orgulho de ser gremista. A inauguração do novo estádio colocou o Brasil no primeiro mundo das Arenas multiuso, escreveu em letras garrafais o jornal O Estado de São Paulo, na edição que li na manhã de sábado. A manchete que abriu reportagem de duas páginas do diário paulista, reconhecido por seu jornalismo crítico e independente, descrevia bem o significado daquele momento que viveríamos à noite, no bairro de Humaitá, zona norte de Porto Alegre. O Grêmio, mais uma vez, seria protagonista da história do futebol. Desta vez, da própria história do Brasil.

 

Tenho orgulho de ser gremista. A cerimônia de inaguração trouxe de volta parte das emoções que havia sentido uma semana antes na despedida do Olímpico. Foi além, pois abriu as portas para o futuro relembrando a construção da sua própria história, com imagens que destacavam o heroísmo dos primeiros anos e as conquistas que elevaram o nome do Grêmio, das quais muitas comemorei com os demais torcedores na arquibancada. De todos os craques que vestiram nossa camisa, o mais emocionante foi ver Milton Kuelle, aos 79 anos, único jogador vivo que desfilou talento no pioneiro estádio da Baixada e no Olímpico Para Sempre Monumental. Talento, na frase anterior, não é exagero da retórica. Kuelle, que viria a ser meu dentista quando morei em Porto Alegre, jogava futebol moderno para os anos de 1950 e 1960, ao se destacar por excelente preparo físico e domínio de bola que o permitiam atacar, marcar e se descolar com maestria. Ele também estava emocionado no novo palco.

 

Tenho orgulho de ser gremista. O acordeon de Renato Borgetti se agigantou como sempre ocorre quando este artista da música regional passa a dedilhar seu instrumento. No meio da Arena, tocou o Hino Rio-Grandense vestindo a camisa 7 de Renato Gaúcho e brincou com a banda marcial que fazia performance no palco.  Era mais uma lembrança dos meus tempos de guri na escola em Porto Alegre, onde fomos colegas de sala.  Antes dele, a imagem de Lupicinio Rodrigues, autor do hino que embala os gremistas, já havia surgido para provar que nossos talentos não estão apenas dentro de campo.

 

Tenho orgulho de ser gremista. O destino quis que um dos jogadores mais identificados com o torcedor, André Lima, marcasse o primeiro gol na Arena do Grêmio. Poderia ter sido outro,  pois muitos mereceriam esta marca histórica. Poderia ter sido, até mesmo, o adversário. Afinal se a festa pode ser programada  – e o foi com genialidade e sensibilidade – não haveria como interferir no resultado da partida. Na noite desse sábado, porém, nem mesmo o imponderável seria capaz de nos surpreender. Marcamos primeiro, como na final do Mundial contra o Hamburgo; sofremos o empate, da mesma forma que no Japão; e se não vencemos na prorrogação, pois não haveria esta possibilidade, deixamos para fazer o gol da vitória praticamente no fim da partida, com Marcelo Moreno.  Alguém, sabe se lá de onde, decidiu que o roteiro deste jogo teria de relembrar o feito de 1983. Talvez para fazer justiça com um clube que ergueu, por conta própria, sua Arena e pensando apenas na sua torcida e na sua história.

 

É por tudo isso que tenho orgulho de ser gremista.

8 comentários sobre “Avalanche Tricolor: tenho orgulho de ser gremista

  1. Milton, aos talentos tão bem descritos, é importante ressaltar agora o talento administrativo , que possibilitou o feito de cumprir obra tão importante sem o recurso do apadrinhamento político. Quer dos cartolas da CBF , quer do poder público.
    Uma independência invejável, que pode ter lhe custado a sede das COPAS que virão em 2013 e 2014.
    Como brasileiro e amante do futebol, também tenho orgulho deste destemido GRÊMIO. Lição e tanta para tantos.

  2. Um estádio que enche todos os gremistas de orgulho. Foi emocionante, ver aquela festa e a vitória só poderia ser com o placar de 83. Ouvi durante a transmissão, ou li no Twitter, que se a torcida comparecer e lotar todos os jogos, o Grêmio consegue suprir as despesas de manutenção do estádio. Mas sabemos que a lotação máxima não ocorrerá em todas as partidas, principalmente no Gauchão. Fica aqui um desafio aos torcedores, comparecerem ao máximo de jogos possíveis na Arena. E que muitas outras vitórias possam vir!

    Abs

  3. Milton, orgulho de sermos GREMISTAS com certeza, embora este nosso orgulho não tenha aumentado após a bela festa de inauguração do nosso novo estádio, pois independentemente de vitórias dentro ou fora do campo, seremos GREMISTAS para o que der e vier, mesmo que a pé temos que ir!
    Não cabe aqui abrir espaço aos nossos co-irmãos que moram na beira do rio, mas por outro lado não podemos ignorar e registrar a bela homenagem que fizeram ao publicar a carta de parabéns, pois mostra que somos rivais em campo, mas que deve prevalecer a sabedoria e inteligência em momentos como estes, assim como cabe também fazer voar nos céus de Porto Alegre o aviãozinho com faixa tocando flauta em momentos ruins de um ou de outro.

    Orgulho ontem, hoje e sempre!

  4. Esperei, ansiosamente, por esta Avalanche Tricolor,a primeira da nossa Arena e,quem sabe,a última. Sugiro-te,porém,que mantenhas,mesmo que as autoridades deem cabo da avalanche, o nome que marcou os teus belos textos após cada jogo do nosso Grêmio. O que acabei de ler foi,sem dúvida,mais um produzido com o teu coração gremista. Sigo feliz por ter inspirado a tua paixão.

  5. Um grande orgulho, meu caro. Parabéns pelo texto. Não sei se viste um que enviei para ti. Temos orgulho da Arena..como tínhamos da Baixada. E do Olímpico. Adoro saber que a torcida do meu time valoriza tanto o título da segunda divisão, com sete em campo, quando o mundial, contra o Hamburgo…Não sei se estou confundindo as bolas, mas acho que um dos jogos que mais me emocionou no rádio foi um confronto contra o Criciúma, quando teu pai narrou magistralmente a partida…E nem consigo lembrar se foi em uma época que lutávamos para não cair ou quando disputávamos a final da Copa do Brasil…Tens como apurar ou contar essa história? abs

    • Airton,

      Vou ter de pesquisas mesmo, pois o “velho” também não é chegado a puxar seus momentos da memória, quando o faz é para escrever seu post aqui no Blog e, mesmo assim, recorrer a outras fontes. Quanto ao seu texto, não recebi e teria o maior carinho em publicá-lo porque conheço bem seus dois talentos: da escrita e da torcida.

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