Conte Sua História de SP: nas ladeiras e bailes do Sumaré

 

Por Tarcísio Barbosa
Ouvinte-internauta da CBN

 

Ouça esta história sonorizada pelo Cláudio Antonio

 

Nasci em 15 de fevereiro de 1963, era um sábado de carnaval. Minha paixão por São Paulo pode ser descrita pela minha infância. Nasci e cresci no bairro do Sumaré num momento interessante de transição da cidade, dos anos 70 a 80.

 

Morávamos muito próximo da extinta Rede Tupi, que era a Globo da época, com liderança absoluta de audiência em todos os horários, sete dias por semana. Foi interessante conviver com o murmúrio dos fãs e atores que circulavam pelas redondezas. As novelas eram filmadas no terreno da “caixa d’água” como chamavam o reservatório de água da região, que ficava em frente ao prédio da Tupi, hoje MTV. Agora, ali é uma praça pública.

 

O bairro do Sumaré, por sua topografia, foi o berço do skate paulista. A pracinha do skate, na verdade, era um circuito de ruas muito calmas que estão entre a Dr. Arnaldo e a Heitor Penteado, com ladeiras perfeitas para o esporte. Nos fins de semana, se reuniam mais de 500 pessoas e até o tráfego de veículos era comprometido.

 

A década de 1970 foi recheada de skate, bailes domingueiros na Sociedade Esportiva Palmeiras e os bailinhos que aconteciam sextas e sábados nas garagens ou nas próprias casas. Nestas festas eram comuns brigas de turmas pois a rivalidade existia entre os moradores de diferentes locais do bairro.

 

No Sumaré também soltávamos muito pipas, diversão típica nas férias escolares.

 

Um fato interessante foi o convívio com os irmãos Vilas Boas. A sede da FUNAI funcionou durante anos em frente ao prédio que minha família morava na Rua Capital Federal. Assim convivíamos com os índios que eram trazidos do Xingu para tratamento ou outras necessidades.

 

Já na década de 1980, o bairro se tornou muito mais populoso e com concentração enorme de prédios. Não era mais possível andar de skate devido ao trânsito. A Tupi foi extinta, e virou Rede Manchete com suas operações concentradas no Rio, tirando todas as atividades da antiga sede. A Funai saiu do bairro. E a Sociedade Esportiva Palmeiras deixou de promover os famosos bailes domingueiros.

 

Não quero parecer nostálgico. A proposta não é essa. Quero, sim, dizer que amo minha cidade. São Paulo me proporcionou ser quem sou, e ter tido uma infância rica em brincadeiras na rua, em contato com as pessoas, sem medo de violência e desfrutando do convívio de muita gente interessante.

 

Vou completar 50 anos e, atualmente, moro no Cambuci com minha mulher minha filha e meu filho. Faço questão de passar pelas ruas do Sumaré sempre que possível, é uma forma de relembrar como foi boa minha infância e adolescência.

 

Tarcisio Barbosa é o personagem do Conte Sua História de São Paulo. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br e vamos comemorar juntos os 459 anos de São Paulo.

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