Por Maria Lucia Solla

Você quer viver a minha vida?
Eu certamente não quero viver a tua, nem a vida de qualquer outra pessoa. Da mendiga, da princesa, do João ou da Teresa.
Não.
Levamos décadas para começarmos a entender o funcionamento de nossos corpos! É assim mesmo, gostando ou não. Recebemos a máquina novinha em folha, e não temos a mínima ideia de como dirigir. Aí, um dia, quando começamos a entender um pouquinho melhor, a ver melhor, a nos percebermos melhor, ela começa a falhar.
Eu, aqui na minha máquina, – importante confessar que não entendi ainda se sou eu que a dirijo, ou se ela é simplesmente o caminho – , sinto pressa e percebo que a maioria em volta tem pressa. De chegar aonde, não sei; talvez ao dia seguinte, apenas, mas sinto que há um objetivo, e é para lá que me dirijo. Qual ou quais dos meus corpos dirige os meus passos, quando e em que sequência, seria preciso mais que um simples texto para pensarmos juntos, mas temos pressa. Não dá tempo de escrever e não há tempo para ler.
Sentimos que dele temos cada vez menos – jovens e velhos -, e acabamos, em bandos desenfreados, nos batendo uns contra os outros, ou sofrendo o vazio da falta do outro, sendo empurrado, cerceado, renegado ou afagado pela turba do momento e do lugar.
Eu me permito sentir tudo isso, e vou continuar me permitindo sentir. Tem vezes que esse sentir me impulsiona, e tem vezes que trava minhas quatro rodas. Mesmo assim, vou continuar, deixar minha intensidade aflorar e desabrochar ainda mais. Minha intensidade não é do tipo ‘dane-se o mundo’, que esse nunca foi o meu estilo. Também não é do tipo ‘vou pintar os cabelos de azul turquesa’.
Será?
O que tem sido importante para mim é perceber que a vida é magicamente fascinante, e é me permitir agradecer pela oportunidade de estar a bordo. E você, se permite? Se dá conta do enredo? Dá conta do recado?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.
Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung
Querida, acho que temos nos permitido, intensamente, estar a bordo e na luta. Bjs gaúchos, saudosos e colorados. Maryur
Olá,
aqui vai o comentário de um amigo que é avesso a redes – adepto do bom colchão – enviado por e-mail – não teve como não aderir – que eu quero dividir com você. Me fez sorrir, e isso é bom de compartilhar.
…………..só o título “intensidade”, mesmo sem ler, lembrou-me de uma frase de Clarice Lispector: “Liberdade é pouco: o que eu quero não tem nome”
beijo e bom domingo
Ae Mike Lima
Decolo, aciono o piloto automatico entro nas aerovias e la nave vá
Um desvio aqui, outro ali de vez em quando para não topar com um CB pela proa e assim "vamos voando" curtindo o ceu azul e o nosso minusculo planetinha lá embaixo a 12 quilotros de distancia.
Bjus e um domingo cavok!
Sim, Maryur,
a bordo, sim.
Espero que, na luta, cada vez menos.
Na dança, sempre.
Beijos rosados,
Alpha India,
e la nave và. È vero.
E que nave, hein?
O bom é que ela te traz até aqui pra gente papear.
Beijo e bom finzinho de domingo
A bordo, tantas vezes transbordo. Balanço, aprumo e a onda passa. Tem gente que passa pela vida mas, a vida não passa nem perto dela. A sua intensidade me comove. Beijocas e ótima semana com tudo que a vida dá.
Sim, Suely,
com tudo que ela dá e com tudo que ela tira, sem mentira e sem verdade, apenas assim…
Bom te ouvir, como sempre.
Beijo e boa semana
Sim… corpos máquinas! E às vezes esses corpos se levam pela mente… que mente. Pensamos ser incapazes de atitudes, ações e descobrimos que temos energia ainda. Sou dançarina e outro dia a gripe me pegou forte… eu tinha show, acordei murcha, pensando em cancelar… corpo queria só deitar. Mas reagi: vitamina C, própolis e muita reza. Jantar indiano. Cantei, dancei. Vivi. Saí de lá mais forte que entrei. Grata. Missão cumprida (comprida?…): ambas! E todos comemoraram. Pelo encanto da arte que renova. Agradeci a vida e a saúde do corpo que desafia. A vida é maior. Grande e passageira. Não apego, sim chamego. E viva o corpo templo! Obrigada, Malu!!!
E eu me curvo à tua arte e ao teu ser maravilhoso, Zuzu.
Muita, muita saudade de você.
A vida tem me feito experimentar saudade de todo tipo, pra que eu entenda que não ‘tenho’ nada mesmo.
Mas sou tudo! Tudo.
Lindas as tuas palavras e incrível a tua força.
Beijo,