De expressão

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

O que é que faz o cidadão responder ‘estou desinformado, no momento’, em
vez de dizer ‘não sei’?

 

O que é que faz o político dizer ano após ano que vai fazer isso ou
aquilo, bem feito, como se cada ato no conduzir a tarefa que lhe foi
confiada fosse favor?

 

O que é que faz o repórter dizer ‘o motorista, ele saiu do carro e caiu no
barranco;  a gerente do banco, ela foi sequestrada’. Arma
neurolinguística? Para encher linguiça, mesmo, ou é moda?

 

O que é que faz a maioria dos políticos, depois de eleitos, se
transformarem em bonecos plastificados e sorridentes, viverem em delírio
constante usufruindo da marajalança, ficarem ricos e gordos por fora, mas
pobres de espírito e mirradinhos por dentro?

 

O que é que faz o policial se dirigir ao povo que mal fala português, em
policialquês, dizendo que o ‘meliante adentrou o recinto’? O bandido
entrou na casa não pode ser dito por quê? Porque se disser a palavra
‘bandido’ -antes do cidadão ser julgado e condenado, antes dele apelar e
sair rindo da nossa cara, e antes dele fazer tudo de novo com mais
cuidado-, vai ter que responder a processo?

 

O que é faz ser necessária uma Declaração Universal dos Direitos Humanos?
A gente já não nasce sabendo quais são os direitos, e quais são os
deveres? Os animais sabem dos seus direitos e deveres… Declarações e
decretos pretendem nos colocar nos trilhos? Quais? Que levam para onde?
Todos? Alguns? Pretendem fazer brotar em nós o bem pelo bem, amor,
gratidão, respeito, consideração, amizade, lealdade? Pretendem nos ensinar
a não matar, não roubar, a não maltratar, a não desprezar e a não
desrespeitar um ao outro?

 

Bom fim de semana e um feliz dia dedicado às mães.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

8 comentários sobre “De expressão

  1. Segundo o Dib se cada um cumprisse o seu dever, automaticamente os direitos seriam respeitados, com o que concordo.
    Parabéns para ti também pelo nosso dia, bjs Maryur

  2. É verdade, Maryur e Dib, é simples assim!

    Às vezes dá uma vontade enorme de parar de escrever; de parar de falar. Vontade de zerar o HD e recomeçar a cada dia com maior simplicidade. Falamos muito. Criamos quase nada. Cuidamos da agenda e não cuidamos de nós…
    Bem, é isso.

    Beijo e obrigada por ter vindo até aqui.

    Beijo,

  3. Alpha India,

    eu sei.

    Sinto o mesmo quantas vezes, mas aí me dou conta de que nenhum curso é fácil quando se começa um estágio novo. E é onde estamos, cada um na sua turma, mas todos na oportunidade de aprender.

    Eu, particularmente, adoro o minha turma.
    O resto faz parte do curso.

    Beijo e boa semana,

  4. Isso é o modismo de funcionário ser chamado de “colaborador”. Você contrata um colaborador? Esses “rh” da vida querem ser politicamente corretos. Quanto ao político, discordo, pois ele é a nossa média que nos representa. Quero dizer que não somos muito melhores que eles não,já que não vieram do Peru, do Paraguai, da Lua ou de Marte. Saem de nosso meio, ou seja é a nossa média nos representando.

  5. É, Maria Lucia… assim como são as pessoas, são as criaturas. Vai entender! passei aqui pra de desejar um feliz dia das mães. Beijo goiano.

  6. Joao,

    é regra demais, decreto demais, regulamentação demais, consciência de menos, respeito? artigo mais raro do que educação. E a gente? A gente fica na mão.

    Sim, não tem como refutar uma verdade. A que você trouxe à tona. Político, empresário, professor, ladrão, assassino, cientísta, tudo amostragem do bolo.

    Está na hora de perder a esperança, ou já passou?

    Essa é a pergunta!

    Obrigada por tua participação, e boa semana,

  7. Elizabeth,

    obrigada, querida, pela companhia.

    Interessante você falar de pessoas e de criaturas.
    Há alguns anos, um outro ser humano, do mesmo formato que eu, braços, pernas, a parafernália toda, me acusou de não ser filha de Deus, mas apenas criatura, pois eu não tinha sido ‘batizada’ na ‘sua’ igreja. Eu só passaria a ser filha de Deus quando e se eu o fizesse.

    Pois é, não fiz e nem vou fazer, portanto, conte-me na turma das criaturas.
    Rssss
    Só pra descontrair.
    Afinal, é segunda de manhã…

    Beijos paulistanos

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