Por Carlos Magno Gibrail

Marta Suplicy, do “Você é casado?” ao candidato Kassab, do “Relaxa e goza” dos aeroportos, vem agora colocar a moda dentro dos incentivos do governo através da lei Rouanet. Gerando tanta repercussão quanto os episódios anteriores. Menos mal que o tema tenha o lema de “Quebrar o paradigma”, colocando a moda na cultura através do apoio financeiro oficial.
Ronaldo Fraga por apresentar projeto para desfilar no SPFW recebeu sem restrições R$2,1 milhões em direito de captação, onde deverá mostrar uma coleção de moda inspirado nos poetas Mario de Andrade e João Cabral de Melo Neto. Alexandre Herchcovitch inspirado na Antropofagia Cultural Americana apresentará desfiles na SPFW e na Semana da Moda de New York com os R$2,6 milhões em direito de captação, que foram liberados com alguma dificuldade por incluir projeto fora do país. Pedro Lourenço com uma proposta de trabalho baseado no universo de Carmem Miranda não conseguiu aprovação de captação de recurso no valor de R$2,8 milhões para expor em Paris a sua coleção. Público reduzido e local foram os principais argumentos. Pedro entrou então com recurso à mesma CNIC – Comissão Nacional de Incentivo à Cultura e, por interferência de Marta, teve a aprovação. Foi o que bastou para que o mundo da moda entrasse em rebuliço. O Ministério, e parte do público em geral não ficaram atrás.
O concreto nesse episódio com tantas abstrações, quando se discute se a moda envolvida é autoral ou comercial, ou se moda é cultura, ou arte, ou nada, é que não se pode esquecer que a moda é uma indústria intensiva de mão de obra, sendo o segundo maior empregador nacional. Emprega diretamente 1,7 milhões de pessoas, e em toda a cadeia o total de oito milhões de trabalhadores, dos quais 75% são mulheres. Ao mesmo tempo é bom lembrar que países como a França e a Itália apoiam a moda como negócio e marketing nacional. Diante de tais fatos, a análise numérica do CNIC quando correlacionou o investimento com a previsão de 300 pessoas como audiência, é tangível e míope para um fato intangível, que é a formação de marca de um setor e de um país. E, contra isso Marta Suplicy retrucou firme:
“O Brasil luta há muito tempo para se introduzir e ter uma imagem forte na moda internacional. Essa oportunidade tem como consequência o incremento das confecções e gera empregos. E é um extraordinário ‘Soft Power’ no imaginário de um Brasil glamoroso e atraente”.
Só falta mesmo começar a usar marcas nacionais de expressão e divulgá-las. Como fazem as mulheres no poder de outros países. E, neste caso, ao invés de quebrar, criar um paradigma: o do uso feminino dos altos cargos para a difusão da moda brasileira.
Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.