A falta de educação é mais violenta do que o MMA

 

 

O artigo publicado na quarta-feira, neste blog, assinado por Carlos Magno Gibrail, entra na discussão sobre o MMA, provocada pelo acidente com Anderson Silva. Para começo de conversa, deixo registrado que não me satisfaz assistir às lutas, assim como não gosto de acompanhar muitas outras modalidades esportivas, algumas, inclusive, olímpicas. Na madrugada do domingo, estava mais preocupado com a viagem de férias do que em ver aquela turma agindo com violência no ringue (que agora chamam de octógono). Somente soube da lesão de Anderson Silva quando já estava no aeroporto e a foto da perna redobrada foi suficiente para sentir dor e lamentar o acontecido. Não gosto do esporte, mas admiro Silva pelas conquistas e pela imagem serena que transmite, diferentemente de muitos brutamontes do MMA.

 

Em contrapartida, gostava de lutas de boxes, em especial quando Cassius Clay estava no ringue. Lembro que, ainda guri em Porto Alegre, tive a oportunidade de ver Éder Jofre treinando no ginásio que ficava quase no quintal da minha casa. Eu e meu irmão menor, o Christian, ganhamos do pai, pares de luva de boxe de brinquedo. Protagonizamos grandes embates sobre o tapete da sala de TV que delimitava o espaço do nosso ringue imaginário. Penso que não nos tornamos mais violentos nem alimentamos inimizades. Talvez um ou outro tenha jogado a toalha para reclamar com a mãe um golpe baixo. Desde o fenômeno Mike Tyson nunca mais tive motivação para assistir às lutas na TV. As luvas de brinquedo foram abandonadas.

 

É válida a discussão sobre os benefícios e limites do MMA, pois ganhamos sempre que o debate visa preservar a integridade física do ser humano, mas soa ridícula a tentativa de proibir a exibição dos eventos na TV sob a alegação de que as cenas geram violência. Não bastasse o fato de as lutas serem transmitidas tarde da noite em apenas um canal de TV aberta, portanto, tendo o cidadão o direito de escolher pelo programa que bem quiser. É a mesma lógica que move grupos a pedirem o fim de personagens sórdidos nas novelas e restrições à venda de vídeo game sob a alegação de que causam más influências. Tenta-se resolver os problemas complexos da vida em sociedade com pensamentos simplistas.

 

No Canadá, não muito distante de onde estou, as jogadas brutas e as agressões físicas fazem delirar os fanáticos do hóquei no gelo, nem por isso vivem em uma sociedade mais violenta do que a nossa. O que faz mesmo diferença é o fato de os canadenses estarem em sexto lugar no Pisa com escore 524, enquanto nós aparecemos em 53º lugar com 412, abaixo da média internacional que é 493. Ou seja, a solução não está na proibição do MMA, mas na educação.

 

N.B: A propósito, Carlos, inclua no seu cardápio esportivo hóquei na grama feminino: as meninas fazem frente à Sharapova.

6 comentários sobre “A falta de educação é mais violenta do que o MMA

  1. Boa tarde Milton,
    Estamos falando de duas realidades bem distintas. Especialmente se levado em consideração que a oferta de canais e a diversidade da programação no Canadá, é quase 20vezes superior a ofertada aqui. A discussão é das boas, válida. Mas ainda ela, sendo levada a cabo em espaço público e caro como é o da televisão, tomaria o lugar de outras com muito maior impacto e por tanto mais importantes. Há muito de nossa cultura esquecido, partes inteiras do país das quais se conhecem apenas um ou outro estereótipo. Como eu vejo, a questão não se trata de proibir, mas de priorizar. A comunicação social também educa. Abraço.

  2. Sérgio,

    A discussão não é o que passar na televisão, mas o que fazer na sala de aula.

    Você realmente acredita que um programa “educativo” na madrugada de domingo resolverá nosso problema?

    A propósito: o que andam fazendo as emissoras educativas no Brasil?

    Seguindo a tese da proibição, proponho aqui uma lista de programas para serem retirados do ar: MMA, BBB, a Fazenda, Programa do Gugu, Programa do Luciano Hulk, Super Pop da Luciana … Não gosto de nenhum deles. Evidentemente que esta lista mudará de acordo com o censor da hora.

  3. Oi Milton !

    Pratico Artes Marciais desde criança e considero o MMA uma caricatura do que é um bom combate.
    Vai contra tudo o que os Grandes Mestres pregam e eu conheci muitos e treino com um dos melhores; Grão Mestre Chan Kowk Wai.
    Passei anos da minha vida sendo juíza e naquela época assim que notava que um dos adversários era superior tecnicamente ao outro dependendo do caso a luta podia ser encerrada para preservar os lutadores.
    Por experiência própria digo que não é nem um pouco divertido dar surra em ninguém; talvez seja para quem tem problemas estruturais de caráter, mas, aí é outro departamento.
    Na minha opinião, o Anderson não entrou bem para esta luta, estava muito tenso e travado; Ele apanhou do começo ao triste fim. Torço para que retorne a sua vida normal, leve, alegre e sem ter que provar nada para ninguém.
    Minha torcida também vai para você e sua família, desejando leveza, paz e harmonia em 2014.
    Seu texto dispensa comentários. Perfeito.
    Abraços de sua ouvinte internauta.

  4. Mlton
    As emissoras de TV deveriam voltar aos tempos quando passavam filmes, documentarios, nas madrugadas
    Cinema também é cultura.
    Quantos classicos poderiam ser passados nas madrugadas?
    Ao invés de BBB, MMA, Luciana Gimenes mencionados por você
    Programas tipicos da cultura inutil e fútil

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