Decisões políticas da Copa começam a cobrar a conta

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Algumas das mais expressivas empresas de comunicação do mundo estão revendo seus planos para a COPA 14. Outras estão até cancelando a cobertura local no Brasil, pois os custos devidos à distância, a contratação de habitação, alimentação e mão de obra, são excessivos e bem acima do mercado internacional.

 

Recente reportagem de Carolina Juliano do UOL ilustra o problema. Australianos planejavam montar estúdio no Rio com equipe própria, mas o orçamento de US$ 200mil daria apenas para a locação do imóvel. Uma produtora de São Paulo para cobrir jogo em Manaus levaria sete dias para se deslocar e montar o equipamento necessário, entretanto este custo para apenas 1 jogo é inviável. Ingleses rescindiram contrato que previa transmissão direta daqui com pessoal deles, mas US$ 1 milhão pedido era excessivo e irão trabalhar de lá.

 

Ao estabelecer 12 sedes para os jogos, quando o máximo indicado seria 10, Brasil e FIFA estavam priorizando interesses políticos. Fato agravado pela extensão geográfica de nosso território, que aumenta as despesas de cobertura e algumas vezes impossibilita a mesma equipe cobrir dois jogos seguidos. Tudo indica que as emissoras maiores não virão como previam, pois deverão reduzir as equipes e os gastos, enquanto as menores ficarão em seus países retransmitindo localmente. Os benefícios financeiros e as vantagens da divulgação do país, tão alardeados pelos políticos que conduziram a nossa candidatura, começam a sucumbir.

 

A boa imagem do Brasil, outra das metas perseguidas para o evento, também está correndo sério risco, em função de atrasos de estádios e obras para a estrutura complementar. A gravidade da situação é ilustrada pela metamorfose de Jérome Valcke, na segunda-feira, em Itaquera, vitima e refém da política que apoiou. Diante da arena inacabada, em vez do prometido ponta pé no traseiro lembrou o recorde de procura de ingressos. Também não falou como resolver os R$ 70 milhões que faltarão para as estruturas complementares. E, claro, 2010 deve ter apagado da memória, mas o Estado através dos jornalistas Jamil Chade, Marcio Dolzan e Paulo Favero, lembra que um dos argumentos para tirar a Copa do Morumbi foi a falta de garantias financeiras. Exigências que não foram feitas para o Itaquerão e que repercutiram internacionalmente, ficando clara a opção política.

 

Se a política é inevitável, troquemos os homens.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

8 comentários sobre “Decisões políticas da Copa começam a cobrar a conta

  1. Certamente, o cenário do mês de junho nos causa desconforto, e por que não dizer, apreensão. São muitas as variáveis neste evento e o que nos resta é torcer para um desfecho favorável ao Brasil, sem sombra de dúvida.

  2. Carlos,

    Estou muito distante dos que anunciam uma catástrofe durante a Copa do Mundo no Brasil. O evento se realizará em belos estádios de futebol e veremos um excitação do público brasileiro diante da presença de enorme quantidade de turistas e torcidas estrangeiras. O clima que uma competição desta gera nas cidades pelas quais passa é impressionante. Digo com base na experiência que tive na África do Sul, país que esteve longe de surgir como um primor de organização. Lamento, porém, que muitos dos benefícios que o evento poderia trazer para o Brasil serão desperdiçados, além de assumirmos prejuízo devido ao custo de manutenção dos estádios em locais onde o futebol e mesmo os espetáculos não os sustentarão. O caso do Paraná, desconfio, esteja mais ligado a uma pressão pública da Fifa e dos próprios organizadores locais para que haja a liberação de dinheiro e as obras possam ser aceleradas. Duvido muito que se tire Curitiba deste roteiro, porém, como era de se esperar, o custo desta presença ficará ainda mais pesado para os brasileiros.

  3. Armando Italo, se isto ocorrer será muito negativo ao Brasil. Há contudo alguns expedientes que poderão neutralizar problemas. Um deles é o feriado no dia de jogos nas cidades que sediarão as partidas.
    Em Londres os habitantes atenderam os pedidos do governo para não circular muito e foram atendidos.
    Pessoalmente estou apreensivo.

  4. Milton, espero que você esteja com a previsão correta. Gostaria muito que não haja problemas que possam denegrir a imagem do país.
    Os riscos são enormes, dada a quantidade de possibilidades em função das áreas expostas. Transportes, segurança, atendimento, acomodações, organização dos eventos, etc.

  5. Armando Italo, algumas considerações.
    1. O vídeo é muito bem feito
    2. Mostra cenas reais, entretanto em algumas tomadas manipula a edição no sentido de mostrar apenas um lado
    3. A prioridade para saúde e educação é necessária, mas se esperarmos a plena saúde e educação não haverá nunca verba para outras atividades.
    4. De resto, o exagero dos gastos públicos é fato absurdo, principalmente por- que a promessa inicial era de se fazer uma copa essencialmente privada.

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