Grêmio 2 x 1 Brasil-Pelotas
Gaúcho – Arena Grêmio
Havia um menino, desses que entram em campo de mãos dadas com os jogadores, que me chamou atenção no momento em que o Grêmio ainda cumprimentava sua torcida. Estava com a camisa tricolor, calções pretos, meias brancas, vestido de jogador. O cabelo tinha o mesmo corte (estranho) usado por Pará, e ficou ao lado dele boa parte do tempo, o que me faz crer que o lateral gremista seja um dos seus ídolos, assim como também é um dos meus. Não foi o estilo da cabeleira, porém, que fez o garotinho se destacar em meio a tantos mascotes que acompanharam o time na saudação inicial. Com o menino havia um sorriso sincero e emocionado, que brilhou ainda mais quando, com os braços erguidos, imitou o gesto dos jogadores. O olhar voltado para a arquibancada era de uma alegria contagiante. Deveria estar ali imaginando que todos os gritos e aplausos com que os torcedores recepcionaram o time fossem para ele. Deve ter por alguns segundos sonhado que assim que o árbitro soasse o apito, ele é quem estaria correndo atrás da bola, driblando os adversários, chutando a gol, livrando seu time dos perigos com cabeceios lá no alto e carrinhos rente à grama. Sei lá o que estava pensando aquele menino, mas me fez relembrar as vezes em que meu pai me ofereceu a oportunidade de ter as mesmas sensações ao entrar em campo de mãos dadas com Loivo, Anchieta e tantos outros craques que admirei.
De volta à arquibancada, o garotinho de cabelo estranho e rosto tomado pela alegria deve ter comemorado com seus pais ao ver Dudu, jogador com tamanho e apelido de menino, furar o mais complicado bloqueio defensivo que já enfrentamos nesta temporada e dar início a vitória que nos levou à final do Campeonato Gaúcho. Saltitou sem conter a emoção quando percebeu que o talento de Luan, outro dos nossos meninos, que já havia sido decisivo no primeiro gol, seria capaz de superar a mais violenta marcação que encarou na sua carreira com a camisa tricolor e, sem tituberar, roubar a bola, driblar dois zagueiros, o goleiro e fazer o gol que sacramentou nossa conquista. Aquele menino, o da torcida, com certeza sofreu nos minutos finais diante da possibilidade de um revés, fechou os olhos nas bolas alçadas para nossa área e vibrou com as bolas despachadas lá de dentro. E voltou a sorrir, se emocionar, quem sabe chorar, quando o jogo se encerrou e todos seus desejos (ou quase) se concretizaram nesta noite de futebol.
Eu, assim como ele, também me emocionei, vibrei, sofri e sonhei. Sonhei em ter o direito de ser aquele garotinho ao menos mais uma vez.
Belo comentário. Como os gauchos em especial os gremistas sabem torcer com paixão sem igual. Como pano de fundo fico a imaginar a narração pelas ondas da gaucha ou guaiba de locutores também apaixonados como o cronista. Parabéns pela cronica, Milton, valeu e que o Gremio seja campeão.
Arlindo Nunes
Santos
Botafoguense desiludido.
Arlindo,
Bom tê-lo conversando neste espaço. Quanto as narrações lembradas no passado me causavam mais arrepios pela precisão e emoção que se misturavam na voz dos profissionais do rádio. Já em relação ao Botafogo, não se abale pelo Campeonato Estadual. Importante é não desistir da luta na Libertadores.
O Grêmio está de volta, ao seu lugar de origem. A final do Campeonato Gaúcho, para lutar por mais um título estadual. E será contra nossos coirmãos de vermelho. A primeira partida na Arena e será o momento de conquistar uma boa vantagem para a volta (sabe lá onde, se no Beira-Lago ou Novo Hamburgo). O detalhe interessante é que este ano o Tricolor ainda não perdeu diante de sua torcida. Espero que continue assim. Aliás, olhando as fotos que colocou, reparei como está cada vez melhor o gramado do primeiro estádio moderno a ficar pronto no Brasil, mas que não estará na Copa devido a politicagens. Também não faço questão, sabendo do histórico de corrupção da FIFA/CBF. Que o Grêmio siga alegrando muitos outros garotinhos como o desta quarta e também alegre as crianças torcedoras existentes em cada um de nós.
Abs, Milton.
Bruno,
A dúvida é porque não jogar a partida final do estádio do rival, seria excelente jogo-teste para ver as condições do palco da Copa. O nosso palco, como você percebeu precisamente, está cada vez melhor.
Milton,se sonhaste em ter o direito de ser aquele garotinho ao menos mais uma vez,por que eu não poderia sonhar em ser,também mais uma vez,o pai do meninozinho que o Pará conduziu até o meio do gramado da Arena?
Milon, talvez eles tenham medo de o visitante estragar o evento com uma bela vitória, já que o estádio deles sempre foi um dos salões de festa preferidos do Grêmio, hehehe.
Mílton,
só alguém que mantém esse garotinho dentro de si poderia escrever poesia recheda de comentário, ou vice-versa.
Parabéns e sim, sim, que o Grêmio seja mais uma vez campeão (sorry, Maryur Tedesco…)
Beijo,