O que Dilma e Diletto já não têm mais em comum

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Dilleto

 

Há quinze dias, comentamos aqui neste espaço, que na propaganda e na política dois personagens ilustres tinham usado o artificio da fantasia para ganhar de concorrentes.

 

A Diletto inventou uma estória para valorizar seu produto, e a candidata Dilma artificializou acusações para desvalorizar seus adversários.

 

Na quinta feira, o conselho de ética do CONAR Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária recomendou por unanimidade, que a Diletto explicitasse a fantasia do “nonno” Vittorio. Embora a decisão do CONAR não tenha poder de lei, e da decisão caiba recurso, a Diletto já se manifestou aceitando o julgamento. Vai informar que Vittorio não existe e, que será usado apenas para fantasiar a origem do produto.

 

No meu modo de entender, um esmero de ética do CONAR, embora justifique o próprio nome de seu Conselho. Não menos louvável a atitude da Diletto, que acatará a sugestão, sem apresentar recurso.

 

Interessante notar que nesta mesma reunião o CONAR analisou o caso do suco Do Bem, cuja propaganda diz que: “as laranjas são colhidas fresquinhas todos os dias e vem da fazenda do senhor Francisco do interior de SP, um esconderijo tão secreto que nem o Capitão Nascimento poderia descobrir”. Mesmo sem o auxílio do herói Capitão, constatou-se que fazenda e Francisco existem, e o suco Do Bem ficou com a sua história intacta.

 

Nada mal para um setor em que a criatividade e talento já são reconhecidos mundialmente. O CONAR criado em 1977 para evitar a censura, está contribuindo para que a Propaganda se torne ícone de ética e possa influenciar outros setores a ter também o mesmo procedimento.

 

Ressalte-se que o CONAR se restringe à verdade na comunicação. E, é por isso que os partidos políticos ao invés de proibir jornalistas nos debates, deveriam convoca-los para ajudar no controle da comunicação das campanhas. Se já existisse o CONARP Conselho Nacional de Autorregulamentação Política, conforme sugerimos, a presidenta provavelmente não estaria com a saia justa de hoje.

 


Sobre o mesmo tema, leia a coluna de Carlos Magno Gibrail publicada no dia 2/12

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

6 comentários sobre “O que Dilma e Diletto já não têm mais em comum

  1. “E, é por isso que os partidos políticos ao invés de proibir jornalistas nos debates, deveriam convoca-los para ajudar no controle da comunicação das campanhas.” Esses seriam convocados se costumassem falar só a verdade ou retratar-se quando desmentidos. Mas não é o que acontece. Deveriam seguir o exemplo da Diletto…

  2. Aldo Jung, é isso mesmo, o pessoal da área de Propaganda está criando uma imagem bastante positiva e ética.
    Quanto aos jornalistas a solucao é convocar todos, os comprometidos e os independentes. Quem sabe a entidade que os representa também se proponha imitar o CONAR, e criar uma entidade de autorregulamentacao.

  3. No caso da Diletto, Carlos, apesar da intervenção do Conar, a imagem da empresa sofre arranhões. Ainda nesta semana, ouvi em um ponto de venda, um consumidor comprando o picolé de Coco da Malásia e comentando aos próximos: dizem eles que é da Malásia, né!? Coincidentemente, na reportagem sobre a decisão do conselho, um dos donos da marca dizia que, apesar da história do vô era invenção, os consumidores podiam confiar que o coco que eles compram é da Malásia e o chocolate é italiano. É como político em propaganda eleitoral dizendo que é honesto. Quando você precisa dizer isso o tempo todo, é porque a coisa está complicada para o seu lado.

    • Uma boa história é essencial para a formação, posicionamento, identidade e valorização das marcas. Normalmente o tempo se incumbe de agregar passagens significativas relativas à marca. Querer inventar para apressar o desejo pela marca é um erro cada vez mais perigoso, como o CONAR provou agora neste episódio. E, a denúncia veio da Revista EXAME.
      Há anos tivemos o caso de famoso consultor que inventou cursos que não fez e cargos que não ocupou. Um jornalista foi a fundo e descobriu a mentira.
      CONAR e GOOGLE , dois inimigos mortais destas falsetas.

  4. No caso dos jornalistas, temos duas situações diferentes: não tê-los no debate é um tremendo prejuízo para a qualidade da discussão – e não tem nenhuma relação com o fato deles falarem ou não a verdade, até porque no debate não falam, perguntam; e se perguntam, mesmo que possam usar premissas falsas, o candidato tem seu direito de responder e esclarecer ; já quanto a participação desses no controle das campanhas, não tenho ideia de como se viabilizaria. Aos jornalistas cabe a cobertura eleitoral e a cobrança da verdade. O jornal O Globo, neste ano, fez um trabalho bem interessante ao, com base nas afirmações feitas pelos candidatos, criar um espaço no jornal no qual levantava todas as informações sobre o assunto para mostrar se condiziam com a verdade ou não. O Blog Preto no Branco ainda está no ar e pode ser acessado no link http://oglobo.globo.com/blogs/preto-no-branco/

    • Acredito que a ideia fundamental, é controlar apenas a comunicação. Como faz o CONAR, pois não se preocupa em analisar se os produtos ou serviço são bons, apenas se a comunicação fala a verdade.
      Dentro deste conceito o exemplo do PRETO NO BRANCO é perfeito.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s