Obrigado, 2018! Bem-vindo, 2019!

 

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Obrigado, 2018!

 

Sei que você — caro e raro leitor deste blog —- tem os mais variados motivos para reclamar do ano que se vai. Muita gente boa, perdemos nesse caminho. Outros tantos, se perderam por aí. Tem quem se encontrou, mas do lado oposto que se imaginava e não conseguiu voltar. E no meio dessa multidão, houve crise ampliada, emprego perdido, doença que maltrata, golpe na praça e tantas mazelas que levaram muitos de nós a desejar o fim deste ano, o mais rapidamente possível.

 

E acabamos formando uma torcida  pela chegada de 2019, não pelo que nos reservam os próximos 365 dias, mas por aquilo que queremos deixar para trás,  como se a virada do calendário fosse uma espécie de “zerésima”, em que tudo começa do zero — dos problemas às contas. Infelizmente, não é assim que funciona. Ou felizmente, porque seria muito ruim se à meia-noite do dia 31 de dezembro zerassem as memórias dos instantes que nos fizeram sorrir e dos problemas que nos fizeram aprender.

 

Ok, não foi fácil para ninguém, não é mesmo?

 

Comigo não foi diferente.

 

Fui exposto a alguns desafios e tive de olhar no olho do adversário. Houve momentos em que pensei que o melhor era atravessar a rua e não encontrar o desafeto — como se o desvio eliminasse os males proporcionados pelo outro. Tive de fazer escolhas, e nas escolhas sempre deixamos para lá alguma que teria proporcionado muito mais prazer do que encontramos no caminho que decidimos percorrer.  Tive medo, fui inseguro, preocupei-me em demasia e as minhas fragilidades tornaram muito mais difíceis os desafios que fui obrigado encarar. Sem contar os amigos dos quais nos afastamos diante dos mais variados motivos. E as doenças que deixaram pessoas queridas mais distantes.

 

Dei trabalho para os mais próximos, também. Porque não sou fácil de entender. Perdi a chance de comemorar com a devida alegria algumas das conquistas, pois me emaranhei na dúvida do merecimento.  A preocupação chegou muito antes da hora e sem me dar o direito ao princípio da presunção do sucesso. Atrapalhei-me comigo mesmo e atrapalhei os outros, mesmo que muitos tenham dito: tudo bem, não precisa se desculpar!

 

Não, 2018, não foi fácil para ninguém.

 

Que me perdoem os céticos e rabugentos, a despeito de todo e qualquer problema, meus e seus, não posso encerrar este ano sem agradecer por 2018. E não agradeço pelo seu fim, como talvez muitos o façam durante o estouro dos foguetes. Agradeço pela sua existência.

 

Vivenciei momentos muito especiais. Comemorei os 25 anos de casamento e assisti aos meus filhos serem reconhecidos pelo trabalho que realizam e pela forma como se relacionam com a vida. Eles amadureceram e trouxeram neste crescer parte daquilo que ajudamos a construir juntos.

 

Publiquei um livro, o quarto, no qual reproduzo muito do que penso sobre as relações pessoais e em sociedade —  foi uma experiência emocionante. E com o livro, viajei pelo Brasil, onde conheci uma gente genial —- que torce pela gente, que está ansiosa para conversar e que tem muito a ensinar com suas palavras.

 

Foi, também, o ano em que mais exercitei o dom da paciência, especialmente para suportar ataques, ouvir críticas e ter a conduta profissional questionada por todo tipo de pessoa. E isso também foi muito bom, pois aprendi como lidar nessas situações —- para ser sincero, estou aprendendo, ainda preciso melhorar muito.

 

E por 2018 ter sido tão generoso comigo, eu agradeço. Como agradeço a você — caro e raro leitor deste blog — que passou por aqui, deu uma espiadela em um texto, compartilhou outro, registrou sua mensagem ou torceu o nariz para o que leu. Sua presença neste espaço é mais um ótimo motivo para comemorar o ano que se encerra.

 

Seja bem-vindo, 2019!

Conte Sua História de São Paulo: locais para conhecer

 

Por Paula Bueno

 

 

Nasci no bairro da Mooca, na década de 1970 e ainda muito menina nos mudamos para a zona norte da cidade, num condomínio de casas chamado Parque Residencial Santa Teresinha, com muita área verde e até um clube. O condomínio era totalmente murado com guaritas. Hoje, penso que a proposta era até muito moderna para a época. No fundo do condomínio tinha um córrego não canalizado. O engraçado é que para nós, crianças, aquilo era como se fosse o fim do mundo mesmo, o limite do planeta. Depois do muro tem o córrego e mais nada, acabou… Todo nosso universo se restringia aquelas ruas e a passar horas e horas brincando de esconde-esconde, pega-pega, barra manteiga, amarelinha e a andar de bicicleta.

 

Meus avós tinham ficado lá na Mooca e nós os visitávamos com muita frequência. Eu particularmente adorava quando ficávamos para o jantar, pois assim só voltaríamos para casa à noite o que significava que eu ia poder ver as luzes da cidade! Eu amava ficar olhando pela janela do carro de papai as luzes dos postes e a iluminação dos prédios, pontes, construções e outdoors (que eram permitidos). Meu momento favorito era passar na Av. Tiradentes e avistar o imenso lustre da Pinacoteca aceso (hoje infelizmente ele não fica mais).

 

Então fui estudar no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e uma das disciplinas era História da Arquitetura. Tornei-me uma aluna assídua, daquelas que não cede a carteira na primeira fila nem para a melhor amiga! O professor trazia muitas fotos e a descrição detalhada de pontos inimagináveis da cidade com uma riqueza arquitetônica incrível e que infelizmente na maioria das vezes nem nos damos conta, passando por esses pontos sem saber de sua história e sem ao menos enxergá-los, como o Castelinho da Brigadeiro, o Solar da Marquesa de Santos ou o Edifício Martinelli.

 

Uma ocasião, eu já era moça, tive a oportunidade de fazer uma viagem para Buenos Aires. Passamos cinco dias conhecendo a capital, percorrendo suas ruas, observando a arquitetura, a cultura, a gastronomia, os museus, lojas e pontos turísticos. De volta a São Paulo me perguntei: “Por que pagamos para conhecermos a cidade dos outros e não conhecemos a nossa?” Naquele momento me dei conta que gastamos fortunas para conhecermos os principais pontos turísticos de Buenos Aires, Montevideo, Nova York ou Paris sem antes termos dado uma única volta no Parque do Ibirapuera ou ter entrado no MASP.

 

Então comecei a fazer listas de locais em São Paulo com o status: para conhecer! E todos os anos passei a reservar alguns dias das minhas férias para esses passeios.

 

Alguns foram muito marcantes. O pavilhão japonês no parque do Ibirapuera, por exemplo, foi uma grata surpresa. Estávamos andando a esmo pelo parque quando avistamos a construção, entramos e uau! Que lindo! O Museu do Imigrante que me emocionou profundamente quando vi pela primeira vez uma réplica do quadro de Bertha Worms – Saudades de Nápoles. A festa de Nossa Senhora Achiropita, onde além das barraquinhas havia na garagem de uma casa, logo no início da rua, o melhor macarrão com porpeta que já comi na minha vida (com perdão da minha avó). A escultura de Willian Zadig – O Beijo Eterno, localizada no largo São Francisco e que já ficou guardada nos depósitos da prefeitura por mais de dez anos por ser considerada imoral. Subir a 23 de Maio a pé, isso mesmo, a pé, no aniversário de 450 anos da cidade. Foi Incrível! Ou passar um réveillon na Paulista com um mar de gente pra todo lado onde mal se consegue respirar, mas mesmo assim você não quer ir embora!

 

Quando adulta fui trabalhar com hotelaria, o que me permitiu viajar bastante e conhecer lugares incríveis, mas o sentimento de casa, de estar em casa, aquele suspiro que se dá ao sentir um calor gostoso como se fosse um abraço apertado não sai do meu coração quando ponho os pés na área de desembarque do aeroporto da minha amada São Paulo.

 

Paula Bueno é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe da série em homenagem aos 465 anos da nossa cidade: envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para conhecer outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br

Sua Marca: a estratégia do varejo ao lançar marcas próprias

 

 

 

 

 

“A marca própria para ser de valor precisa obedecer os mesmos princípios de branding das demais marcas, se não acaba sendo esquecida e tratada apenas como uma marca barata” — Jaime Troiano

 

 

A criação de marcas próprias começou no setor de supermercados e hoje já é prática comum nas demais redes de varejo. A estratégia surge como defesa do varejo contra a pressão de marcas líderes. Além disso, proporciona aumento de lucratividade ao varejista e oferece alternativa aos consumidores.

 

 

De acordo com Jaime Troiano e Cecília Russo, existem dois grupos de marcas próprias: aquelas lançadas apenas para ter um preço mais baixo e as que trazem uma promessa de marca ao consumidor. Alguns exemplos de marcas que fazem parte deste segundo grupo são a Taeq, da rede Pão de Açucar, com uma linha de produtos saudáveis, a Qeshua, da Decathlon, a Oxer, da Centauro, a Needs, da Droga Raia e Drogasil. Uma curiosidade, contada no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, é que a Amazon, gigante do e-commerce, já lançou mais 70 marcas próprias.

 

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, 7h55, no Jornal da CBN.

Um minuto de silêncio e o barulho autofágico

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O silêncio, assim como um som de qualidade, é uma situação altamente apreciável e prazeirosa. É, sem dúvida, o cenário recomendável para uma vida confortável e saudável — e propício até para o seu prolongamento. Seu oposto, ou seja, o barulho, pode tornar a existência conturbada. Além do que, a concentração, elemento fundamental na realização de importantes tarefas mentais e físicas, necessita essencialmente do silêncio.

 

O artigo “Um minuto de silêncio” de Mílton Jung, aborda de forma descontraída, a difícil busca pelo silêncio e a sua luta para encontrar um momento real sem interferência de som. Por coincidência, eis que, ao ler a mensagem de Mílton, estou encurralado com o pior som nesta São Paulo, deste Brasil, outrora chamado de Terra do Pau Brasil: o som de serra elétrica cortando árvores.

 

Há três dias, com intervalo no Natal, na mesma área geográfica da “Revolta dos Eucaliptos”, eis que em dois lotes — 121/122, quadras 168 CEP 047703-004 — na Av. Morumbi, serras elétricas agem com o objetivo de derrubar todas as árvores do terreno. Defronte da ex-mansão de Baby Pignatari, onde ficou com a Princesa Ira de Fürstenberg, e a uma quadra do Palácio dos Bandeirantes.

 

Por infelicidade, dois ícones que correm riscos. O terreno da ex-mansão, feericamente arborizado está a venda. O Palácio dos Bandeirantes, inserido em belo espaço verde, de tempos em tempos enfrenta governadores que não querem viver ali ou que desejam mudar a sede do governo.

 

Voltando ao som das motos serras, já foram derrubadas aproximadamente 50 árvores cujo terreno ostenta placa autorizando ação da empresa “Everaldo Andrade Freire Poda de Árvores ME” pelo TAC 247/2018.

 

Insuflado pelo agressivo som do corte de árvores, não é difícil pensar imediatamente no conflito entre o meio ambiente e a ocupação adensada do solo. Enquanto o mais equilibrado seria o racional, respeitando os limites de cada posição, o incongruente protagoniza o conflito. Nesse caso, por exemplo, o interesse daqueles que virão a ocupar este terreno certamente foi despertado pelo verde que o bairro do Morumbi ainda oferece. E a primeira coisa que faz ao chegar é derrubar todas as árvores.

 

É um sistema autofágico. Assim como todas a ações que levam às motos serras. A ponto de, no futuro, atraírem sons muito piores que aqueles que emitem. Pois, se continuarem neste ritmo e nesta expansão por todo o país, teremos em breve no Brasil os sons de tornados e maremotos, atraídos pelas acentuações climáticas.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Votação aberta no Senado Federal

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

Presidente do Senado Federal, senador Eunício Oliveira, conduz sessão deliberativa extraordinária

Plenário do Senado Federal em foto de Waldemir Barreto/Agência Senado

 

A discussão em torno do rito a ser adotado para a próxima eleição da Mesa do Senado da República recrudesceu. O ponto nodal da controvérsia que aportou no Supremo Tribunal Federal situa-se no quesito do escrutínio, se secreto ou ostensivo. De um lado, está o Regimento Interno da Câmara Alta, por seus artigos 60 e 291, II, dispondo que a votação ocorre de forma secreta. De outro, posicionados num patamar hierarquicamente superior, estão os incisos III, IV e XI do artigo 52 da Constituição Federal elencando as hipóteses de deliberações sigilosas e onde aquela não consta arrolada.

 

Diante desse descompasso, a indagação que emerge é objetiva: há interesse público num pleito de índole obscura para o preenchimento dos cargos diretivos? Obviamente que não. Em se tratando da Casa que deliberou publicamente dois processos de Impeachment, uma votação invisível, a par de espúria, expressa contrassenso. Essa modalidade de disputa concentra um arranjo de poder que inadmite a “prática acima da ética” preconizada por Maquiavel no seu clássico O Príncipe. De rigor, a demarcação do terreno político em jogo, ainda que renhida por parte dos contendores, deve ser nítida e passível da mais ampla fiscalização.

 

Reforçando os raciocínios anteriores, está o fato de que por se tratar da escolha daquele que presidirá não apenas o Senado Federal (CF, art. 57, §4º), mas o Congresso Nacional (art. 57, §5º) dispondo do poder de convocá-lo extraordinariamente (art. 57, §6º, I) e usufruindo de assento na linha sucessória (art. 80), a deliberação pelo voto oculto estabelece um clima de desconfiança, frustra a expectativa da sociedade quanto à nova legislatura e impede a efetivação do postulado da publicidade dos atos estatais.

 

Isso, porém, não é tudo. A jurisprudência do STF estabelecida nos episódios envolvendo os senadores Delcídio Amaral (2015, prisão) e Aécio Neves (2017, restrições de mandato), pelo seu elevado sentido jurídico-democrático determinando votações abertas, restou perfeitamente aplicável à espécie. O amadurecimento das instituições públicas exige absoluta transparência. O contrário do que foi decidido esta semana liminarmente pelo tribunal significaria casuísmo servil apto a favorecer ou intimidar, nas sombras do poder, este ou aquele candidato ou partido expondo o parlamento a um desnecessário juízo de reprovabilidade.

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e escritor. Autor de “Campanha Eleitoral – Teoria e prática” (2016). Escreve no Blog do Mílton Jung.

Um minuto de silêncio

 

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Ocupar-me com o silêncio, por menor que seja o tempo que tiver para essa prática. Esse é o presente que quero me dar a partir deste Natal. Duvido de minha capacidade em atender-me — mas como duvidei da maior parte das coisas que fiz na minha vida, quem sabe mais uma vez não frustro minha expectativa.

 

Hoje ensaiei essa ideia e, confesso, foi muito,  muito difícil mesmo silenciar a mente com tantas vozes falando comigo.

 

Tinham os parentes — e ainda bem que estão em volta da gente —-, que contavam suas histórias, a maior parte já conhecida ou com fim previsível, mas necessárias para nos dar a noção de pertencimento. Pertencer a uma família me ajuda muito a sobreviver. Seria muito triste perder esse sentido. Uma tristeza que tem se construído aos poucos neste fim de ano, desde que percebi que uma das mais marcantes vozes da minha vida está se calando.

 

Aqui ao lado tinha outra família, que conversava na vizinhança, em um diálogo que não conseguia entender, mas também pouco me importava, pois estava ali cumprindo sua única função naquele momento: me azucrinar os ouvidos. Os vizinhos sempre parecem falar mais alto do que deviam e, desconfio, a culpa é da arquitetura de nossas casas e não necessariamente do mal comportamento deles.

 

O cachorro preso em um quintal qualquer da redondeza também faz seu barulho. É um latido seco, contínuo, interminável, irritante — até cair na monotonia e descobrirmos que já não somos mais capazes de distingui-lo em meio a todos os outros barulhos, apesar dele continuar presente.

 

Outras vozes se misturam na minha tentativa de ficar em silêncio —- vozes que se expressam em mensagens que insistem em acender a tela principal do meu celular. Já tirei o som das notificações, mas não tenho coragem de calá-las por definitivo. Bastaria desligar o aparelho. Abandoná-lo em um canto. Às vezes tento, mas quando vejo, lá está o celular novamente nas minhas mãos. Disfarço a mente jogando em uma frenética tentativa de chegar ao fim de um jogo sem fim. Dedilho uma série de informações e busco imagens sem parar. Jogo mais um pouco e se tento iniciar uma leitura, não consigo ir além de alguns parágrafos —- a tela pequena do celular cansa a vista, é a desculpa que me dou. Por que não trocar por um livro? Não dá, as mãos estão ocupadas no celular.

 

Nenhuma voz me incomoda mais do que a minha própria voz — que não se cansa, não cala nunca. Nem quando me ajoelho diante do altar. Ali, quero apenas ouvir a voz de Deus, mas insisto em falar com Ele. Agradeço, peço, me desculpo. E de repente me dou conta que tudo aquilo se transformou em um monólogo onde só minha voz está ecoando dentro da minha cabeça. E o que Deus tem a me dizer? Perdão, não consegui ouvir.

 

Às vezes, enquanto dirijo, penso em ficar quieto comigo mesmo. Desligo o som do rádio, deixo os vidros fechados e conduzo o carro acreditando que estou no piloto automático. Mas o simples fato de parar para pensar, me leva de volta ao barulho das muitas vozes que me envolvem — as minhas, as outras, as da consciência … putz … essas são as piores, pois nos fazem dialogar com os erros do passado, tentam reconstruir conversas que sequer temos certeza que ocorreram algum dia. E o que antes estava ressonando apenas na minha mente, escapa pela boca e torço para que ninguém mais próximo perceba essa loucura.

 

No exercício que fiz hoje, ficou evidente que a tarefa de silenciar não será tão simples assim. Acostumamo-nos aos barulhos internos e externos. Estamos sempre pescando uma voz, um pensamento, uma mensagem ou uma referência —- parece que se encontrarmos a ausência de som nos desligaremos por completo do ambiente em que vivemos e o medo de não saber onde estamos, me causa agonia.

 

Vou insistir neste desafio, mesmo que minha desconfiança fale mais alto. Vou tentar amanhã, depois, outro dia qualquer. Em casa, na Igreja, no carro ou onde eu estiver. Quero me dar o direito a ao menos um só minuto de silêncio. Em vida.

Sua Marca: lembre-se de presentear o seu cliente

 

 

“Esse longo processo (de compra) nem sempre é muito racional; o consumidor não tem essa matemática mental, as coisas vão acontecendo em uma sequência nem sempre muito lógica, obedecemos a impulsos de natureza emocional; então, consumidor, tome cuidado e não seja atraído pelo desejo de uma forma inesperada” — Jaime Troiano

 

As marcas têm forte influência nas escolhas que o consumidor faz, especialmente quando impulsionado por datas como o Natal — sem dúvida a mais importante do comércio no Brasil. O processo de compra se inicia pelo peso da própria marca da loja ou do shopping, o que justifica a série de promoções e prêmios oferecidos nesse período do ano, como forma de atrair as pessoas para o ponto de vendas. Já dentro do estabelecimento, novamente a marca tende a inspirar a decisão final.

 

Para conquistar o consumidor, o comércio costuma usar códigos visuais muito semelhantes que remetem ao Natal como as cores verde, vermelha e dourada, o pinheiro e os presépios, a neve e o Papai Noel. Diante disso, Jaime Troiano e Cecília Russo, sugerem que os gestores levem em consideração não apenas que sua loja ou produto estejam no Natal, mas, principalmente, mostrem como é o Natal da sua marca.

 

Alguns dos exemplos identificados ao longo do tempo, que foram lembrados no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

 

A Coca-Cola é uma das maiores referências nessa estratégia, pois não bastasse ter sido, no passado, a inspiradora da imagem do Papai Noel, que hoje conhecemos, mais recentemente incluiu, em um cenário onde o padrão eram as renas, a imagem de um urso polar, transformado-o no personagem natalino que identifica a marca.

 

Aqui no Brasil, em anos anteriores, a Nestlé desenvolveu a ideia do Natal Sustentável com ações da marca de água São Lourenço em parceria com a prefeitura da cidade mineira.

 

Enquanto a KML promoveu no saguão do aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, uma ceia coletiva para os passageiros, em evento que pode ser assistido no vídeo a seguir:

 

 

Para Jaime e Cecília, o que se aprende com esse exemplo é que, com o devido respeito que o Natal merece, essa pode ser uma boa oportunidade também das marcas darem em troca; presentearem pessoas com o mesmo espírito aberto do Natal – e ainda de quebra, reforçar sua promessa.

Conte Sua História de São Paulo: lembranças de Natal!

 

Por Miguel Chammas
Ouvinte da CBN

 

 

Estamos às vésperas do Natal. A festa em homenagem ao menino Jesus congrega corações, abraça almas fraternas, umedece faces com gotas de lágrimas que por elas rolam, alarga sorrisos de uma perene ou efêmera alegria. Eu, sorumbático no meu quase ostracismo, vejo as horas passarem e busco na lembrança, um tanto ou quanto esmaecida pelo passar dos anos, flashes de Natais anteriores.

 

Primeira lembrança que me vem à mente, eu evito permitir que ela se instale. Fecho os olhos na tentativa de esquecê-la e parece que meu intento tem êxito. Balanço a cabeça para reordenar os pensamentos e nova lembrança me ocorre, procuro não me distrair e a imagem se aproxima, vejo a velha casa da Rua Augusta, 291, em São Paulo, vejo nós, as crianças da casa (eu, meu irmão, meu primo e minha prima), eufóricos, ajudando minha mãe na ornamentação de um enorme pinheiro que meu pai havia trazido dias antes e replantado numa velha lata de óleo de 18 litros. Lógico que junto com a algazarra algumas broncas estão sendo proferidas por dona Thereza:

 

– Miguelzinho, para de cutucar a Sonia pra não derrubar a árvore;

 

– Carlinhos, olha o que você fez. Quebrou algumas das bolas mais bonitas. Acho que vou te colocar de castigo!

 

– Sonia, não liga para o Miguel e me ajuda com esta estrela;

 

– Robertinho, não vá pisar nos caquinhos e se machucar!

 

No meio de todo esse repertório de “pitos” vai surgindo, no canto da enorme sala, uma das mais bonitas árvores de Natal que eu tive o prazer de admirar.

 

Todos os dias era uma beleza poder acender as lampadinhas em forma de velinhas e admirar a obra prima.

 

Depois, então, na véspera do Natal, rezávamos e à meia noite, minha mãe e minhas tias serviam a ceia que esfomeados comíamos na companhia de um refrigerante para, depois, irmos dormir e esperar a manhã seguinte para descobrirmos nossos presentes e completarmos nossa felicidade.

 

Opa, a lembrança vai se desbotando em minha mente até sumir, ou melhor, dar lugar a outra memória natalina.

 

Agora eu estou mais velho, já tenho 18 anos, a casa é a mesma na Rua Augusta, reunidos na sala com minha mãe e minha tia Neide, estamos eu, o Nasca e meus amigos, Toninho, o Leite, Francisco “21”, Toninho Tssu, Sílvio, o Xiribi, Aluisio, o Tchê, e Benedito, o Baixinho. Estamos nos despedindo para, como dizíamos na época, fazer a Via Sacra, visitando a casa de cada um de nós e de alguns outros parentes e amigos, comendo alguma coisa e, lógico, bebendo boas talagadas do que nos fosse oferecido.

 

Despedimos-nos prometendo voltar um pouco antes da meia noite. Era o primeiro ano que faríamos a Via Sacra motorizados. O seu Modesto (pai do Leite) havia comprado um carro — Vanguard — e o Toninho já tinha tirado a carta de motorista. Saímos, visitamos a todos os programados, deixando por última visita a casa da Eurides, que morava na Rua da Consolação um pouco acima da Rua Dona Antonia de Queiroz, e consequentemente, bem próximo da minha casa que seria a última desse roteiro, onde cearíamos e depois jogaríamos a tômbola até o romper do sol.

 

Saímos da casa da Eurides, entramos no carro, dobramos a direita na Rua Dona Antonia de Queiroz e nos dirigimos à minha casa. Quando, depois de aguardar o semáforo mudar para o verde, entramos à esquerda na Rua Augusta, o insólito aconteceu. Um Volvo preto, dirigido por um motorista bastante embriagado nos abalroou na lateral e nos arremessou para cima da calçada. Depois de nos recompormos, verificando não haver nenhuma vítima, apenas danos materiais, partimos para cima do bebum e lhe desferimos alguns tapas e safanões.

 

Resumo da história, ficamos aguardando o sol nascer sem ceia e abraços da família e, só nos safamos, por que eu morava bem próximo a 4ª. Delegacia de Polícia e conhecia alguns policiais do plantão.

 

Noite de Natal inesquecível!

 

Epa! A primeira lembrança voltou a incomodar. Tento evitá-la novamente, em vão, ela toma conta dos meus pensamentos. Dia 25 de Dezembro de 1997, estou na casa da Roseli minha prima. Com toda a família, na sala estávamos comemorando desde a véspera. Eu tinha saído de casa, na Praia Grande, no dia 24 ,deixando por lá, minha mãe, meu irmão e meu sobrinho. Antes de sair, ao me despedir dela ouvi seu resmungado: “acho que eu não vou te ver de novo…”. Embora o comentário calar profundamente, para não demonstrar tristeza, me fiz bravo com ela e disse que não adiantava tentar chantagem emocional, eu iria voltar no dia 25 à noite e encontrá-la no mesmo lugar, me perturbando como sempre.

 

Já tínhamos almoçado e estávamos nos divertindo jogando partidas emocionantes de Caxetão. Ouço, então, o telefone tocar na sala. Não me importo. Minutos depois, olho para a porta da cozinha — estávamos jogando na mesa do quintal — e vejo a Cida minha esposa, meio escondida atrás da porta, tentando fazer sinais para o meu primo Durval. Senti uma inesperada inquietação e disse: Cida, não precisa se ocultar, foi minha mãe não foi? Ela, emocionada balançou a cabeça e confirmou: — o Carlinhos acabou de ligar dizendo que ela faleceu.

 

Levantei-me de imediato e me preparei para descer a serra. O Durval, vendo minha imediata decisão, se prontificou a levar-me, e assim, fui ao encontro do inevitável. Esta, que eu me lembre, foi a única vez que não cumpri o que havia prometido a Dona Thereza. Não voltei para encontrá-la viva para me perturbar.

 

Esta lembrança, que eu não queria descrever, eu revivo a cada dia 25 de Dezembro até a hora do futuro reencontro.

 

Miguel Chammas é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe da série em homenagem aos 465 anos da nossa cidade: envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para conhecer outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br

A previsão de Andy Warhol e o prazo de validade para as roupas

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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A sugestão de Andy Warhol, artista plástico contemporâneo, de estabelecer prazo de validade para as roupa tem agora a probabilidade de tomar corpo. Em breve, uma grife masculina de São Paulo lançará um sistema de troca dos costumes velhos por novos — mediante pontuação, a critério da qualidade e do estado da roupa usada.

 

O homem, diferentemente da mulher, não tem acompanhado a velocidade da moda. Basta um olhar na sua maneira de vestir para constatar a desatualização dos trajes usados. Até mesmo nos trajes tradicionais, como os costumes, daqueles que atuam em setores da mídia, e, portanto, próximos das informações, há carência de expertise no vestir. Ombreiras enormes, mangas largas, lapelas exageradas, calças com pregas acentuadas, são vistas cotidianamente nas telas.

 

Se a falta é de informação, orientação ou estímulo, o grupo de empreendedores vindo da área tecnológica da informação, que assumiu a direção da tradicional marca paulistana dos Jardins, que lançará a novidade, aposta na premissa de Warhol.

 

Transformar a antiga e aristocrática BROWNS alfaiataria, que vende produtos de qualidade, em uma nova BROWNS, que mira seu desempenho nos serviços, é o desafio da nova geração binária com foco unitário, em cada consumidor, para atender da forma que ele demandar.

 

Andy Warhol como profeta já emplacou os “quinze minutos de fama” ao prever a dança dos famosos que vivenciamos: “In the future, everyone will be famous for fifteen minutes”. Quem sabe a BROWNS não dá uma ajuda para concretizar a outra observação de Warhol sobre a validade das roupas?

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung
 

Sua Marca: falar e praticar branding depende de refletir e ler sobre branding

 

 

“Falar de branding e praticar branding depende também de refletir sobre branding e ler sobre branding” —- Jaime Troiano

 

Entusiasmados com a campanha “Dê um livro de Natal”, promovida por diversas livrarias e amantes dos livros, Jaime Troiano e Cecília Russo fizeram uma lista de boas leituras para quem pretende conhecer um pouco mais sobre o tema que tratamos todo sábado, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

 

Vamos a lista:

 

Aaker on Branding — 20 princípios que decidem o sucesso das marcar”, de David Aaker

 

The Brand GAP. O abismo da Marca —- como construir a ponte entre a estratégia e o design”, de Marty Neumeier

 

A Lógica do consumo — verdades e mentiras sobre por que compramos”, de Martin Lindstron

 

Personal Branding — construindo sua marca pessoal”, de Arthur Bender

 

BrandIntelligence — construindo marcas que fortalecem empresas e movimentam a economia”, de Jaime Troiano.

 

As marcas no divã”, de Jaime Troiano (e-book para ser baixado de graça)

 

Aqui você também encontra a lista completa de 25 livros indicados por Jaime Troiano e Cecília Russo

 

“Ter a visão dos grandes autores e conhecer os casos que eles contam é fundamental” —- Cecília Russo